sexta-feira, 5 de agosto de 2011

(RE)LIDO #35


















LETTERS TO EMMA BOWLCUT
de Bill Callahan. Chicago: Drag City, 2010
Como qualquer admirador do homem que compôs alguns dos mais brilhantes álbuns da última década, quer à frente dos Smog quer em nome próprio, tinhamos imensa curiosidade em espreitar de que forma Callahan se portava como escritor. Infelizmente, somos levados a considerar que a diferença é abismal. Não há nas 62 cartas escritas à tal Emma Bowlcut um fio condutor, um sentido, ou uma uniformidade. Talvez fosse esta a intenção do autor, ou seja, confundirmo-nos, sem que, contudo, saibamos quem é afinal e o que sente a sua correspondente. As temáticas são aleatórias e podem remeter para uma ida ao dentista ou para a compra de umas botas num armazém de caça, mas o sentido de humor, o sarcasmo ou sátira implícitas não são sequer discerníveis. Há uma mulher que está longe, que supostamente conhece o autor dos textos, mas sobre ela nada sabemos, o que realmente se torna desmotivador. Como livro de ficcção, há um travo de desilusão página após página, uma "novela epistolar" inconsequente, escrita, às tantas, entre digressões e pausas artísticas, mas que talvez possa servir de inspiração lírica para alguns dos seus sempre brilhantes temas musicais. Ou seja, entre ter um livro de Callahan na cabeceira ou uma única canção da sua autoria no iPod, não será muito difícil escolher. Melhor era tê-lo, sem dúvida, no banco traseiro do carro a cantar só para nós...           

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