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terça-feira, 14 de abril de 2026

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #33





















De regresso a Espinho, e na artéria com o mesmo número 62, da Vic resta o envelope. Nada mais sabemos e imaginamos o nome a pertencer a alguma Victória ou até algum Victor. Ocupava, com o nº 73, o que hoje é uma clínica dentária situada no rés-do-chão de um prédio de três andares, uma localização previligiada e muito perto da frente de mar. 

A loja era mais um espaço multi-venda de produtos de fotografia, cinema e som, o que implicaria discos de vinil grandes e pequenos. A rodela que encontramos dentro do invólucro diz respeito à versão portuguesa da "Desiderata" na voz do actor decano Rui de Carvalho, disco editado em Portugal no ano de 1972. Segundo a Wikipedia, a "Desiderata é um poema em prosa de 1927 do escritor americano Max Ehrmann. O texto foi amplamente distribuído em forma de poster nas décadas de 1960 e 1970.".  
          
                Vic. foto-cine-som, Rua 62, nº 73, Espinho













                Vic. foto-cine-som, Rua 62, nº 73, Espinho

sábado, 13 de julho de 2024

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #32





















A longa Rua D. Afonso Henriques, que sai da Areosa para Ermesinde, continua a ser uma artéria de forte actividade comercial e, ao longo da qual, os hipermercados acabaram também por se espalhar de forma assustadora. 

Recheada de uma variedade cada vez mais reduzida - cafés e pronto a vestir assumem-se como preferencias - a rua teria, certamente, algumas discotecas disfarçadas em espaços multi-vendas como era a Casa Caçador já por aqui referida, e seria também o caso da Admar, um pouco mais acima no sentido de Ermesinde, já na freguesia de Pedrouços, Maia. 

Discos, mas também televisões, cassetes, fitas gravadas (?), cinema, rádio, fotografia e hi-fi, a Admar ocupava duas esquinas muito próximas para vender isto tudo: os nºs 424 a 428, ainda hoje no edifício original, são uma padaria e café da rede Molete e, mais à frente, o nº 472 está já transformado em prédio moderno nas traseiras mas a esquina sugere ser ainda a primitiva ocupada por uma frutaria. 

Da Admar nada mais sabemos e a única coisa que nos trás à memória é o nome de um jogador do Porto dos anos oitenta com o mesmo nome... ou quase (Ademar).

                      Admar, Rua D. Afonso Henriques, 424-428 Areosa 
                Admar, Rua D. Afonso Henriques, 424-428 Areosa
                    Admar, Rua D. Afonso Henriques, 472 Areosa















quarta-feira, 12 de julho de 2023

TUBITEK 1984!




















Um amigo desafiou-nos no WhatsApp a adivinhar e a identificar a imagem de acima. A resposta, quase com todas as certezas, foi imediata - a Tubitek

A fotografia a preto e branco parece ter surgido este mês em vários grupos de saudosistas da memorável discoteca fundada em 1981, uma loja de venda de discos que renasceu em 2014 no mesmo local da Praça D. João I no Porto. 

Com a ajuda perspicaz de outro amigo a quem também foi lançado o mesmo desafio, consegue obter-se o ano provável em que alguém (quem?) tirou a fotografia - a partir da célebre montra dupla dos vinis, na do lado direito e na fila mais acima, a capa do último disco pertence ao brasileiro Djavan e ao álbum "Lilás", gravado e publicado em 1984 e, já em plena primavera ou verão (pelas vestes dos transeuntes), com edição nacional

Só falta confirmar quem se encosta, de manga curta e olhar fixo (o Sr. Victor?), à porta por onde tantas vezes entramos. Saudades!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #31





















A discoteca Twist, de que já por aqui demos conta na sua filial de V. N. de Gaia (havia uma outra em Matosinhos), instalou-se no primeiro piso do Centro Comercial Parque Itália da Rua Júlio Diniz no Porto. Deve ter sido uma das lojas fundadoras atendendo ao calendário de 1985 ainda hoje à venda e onde se pode notar o tipo de instalação a ocupar as duas montras de esquina da loja 65 - vendiam-se discos em vinil, laser-disc e cd's importados, mas funcionava também como video clube. Uma oferta tipicamente anos oitenta! 

A loja foi transformada nas suas duas frentes em negócio de estética, tendo desaparecido as tradicionais montras em madeira e vidro que caracterizam ainda os dois corredores. O espaço comercial tem movimento apreciável na hora de almoço no seu r/c já que por aí funcionam alguns restaurantes rápidos mas o espectro é desolador quando se sobe ao primeiro piso onde, curiosamente, do mesmo lado e logo ao cima da escada, ainda continua a funcionar a Piranha - Loja de Música, espaço resiliente na venda de discos que comemorou vinte cinco anos em Dezembro de 2020. Em 1995, quando abriu, o nome era Carbono, filial da casa mãe lisboeta mas, já como espaço independente, foi das primeiras a vender discos em segunda mão (gastamos por lá bom dinheiro). 

Na visita nostálgica ao centro comercial, não podíamos deixar de recordar as filas à porta do Swing, discoteca icónica do Porto que se situava na esquina exterior e que um incêndio em 2007 acabou por acelerar no seu definhamento apesar das tentativas de reabilitação. O local, abandonado, está supostamente à espera de novo investidor... de um twist!

                 Shopping Center Itália, Rua Júlio Diniz, Porto














  Twist, loja 65, Shopping Center Itália, Rua Júlio Diniz, Porto














                Twist, loja 65, Shopping Center Itália, Rua Júlio Diniz, Porto


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #30





















A papelaria "LU" situada na Praça Mouzinho de Albuquerque, 54, ainda lá está, mesmo antes da saída para a Avenida de França, entre inenarráveis soluções urbanísticas e arquitectónicas que caracterizam o lado norte da Rotunda da Boavista, uma das maiores praças da cidade arejada com a abertura da Casa da Música em 2005. Segue-se, ao que parece, um Corte Inglés nas redondezas

O negócio tradicional faz-se agora de material escolar ou de escritório, impressões e fotocópias e até molduras para quadros ou fotografias que parecem sinalizar uma fusão com a casa comercial do lado, já encerrada, dedicada precisamente ao material fotográfico e caixilharia. O actual aspecto e disposição remete para algum abandono e desinvestimento embora não faltem clientes a entrar e a sair da loja. O negócio, mesmo assim, já viu melhores dias. Os livros que se afixavam como à venda no reclame cimeiro já não constam da oferta o que acontece também, obviamente, com os discos que por lá se vendiam em plenos anos setenta. Uma papelaria e livraria com uma selecção de rodelas de vinil prontas a ser levadas por clientes que, não entrando numa discoteca, acabavam também por não resistir ao impulso de uma canção ou artista devidamente envelopado em papel personalizado. 

Curiosamente, a loja mantém no actual número de telefone os mesmos cinco últimos algarismos constantes do envelope de cima, o que remete para uma antiguidade cinquentenária. Confirma-o, neste caso, a anotação a vermelho manuscrita numa das faces e que faz do apontamento um mistério que remete para um eventual e simples alinhamento de canções ou desejos, atendendo a que não conhecemos nenhum single ou singles com esta estranha sequência: "Lady Stardust", "Rock'n Roll Suicide" e "Soul Love" do álbum "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" de 1972 de David Bowie, "Time" e "Lady Grinning Soul" do disco "Alladine" do ano seguinte e "Sweet Painted Lady", tema de Elton John da mesma época... 

Certo é que no interior o que nos calhou não foi nada disto mas sim um 45rpm um pouco mais antigo de Joe Cocker com os temas "She Came In Through The Bathroom Window", um original de Lennon e McCartney, e "That's Your Business Now" editado pela Polydor alemã em 1969, ano do segundo e homónimo álbum de Cocker cheio de versões. Também não está mal.
LU, Praça Mouzinho de Albuquerque, 54, Porto
                        LU, Praça Mouzinho de Albuquerque, 54, Porto

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #29





















Sobre a Casa Gouveia Machado, com sede em Lisboa e fundada em 1914, já outros blogs foram dando conta da sua importância em plenos anos 60 no fornecimento de instrumentos, nomeadamente, as desejadas guitarras eléctricas fundamentais para se formar uma banda, melhor, um conjunto. Seria lógico que no mesmo espaço comercial coexistissem aparelhagens e acessórios como amplificadores, gira-discos, rádios e discos de vinil. Contudo, a sua fama residia na diversidade de instrumentos disponíveis para aquisição em modo de prestações e que podia variar de um piano a um simples saxofone ou trompete que decoram o envelope reproduzido acima e que diz respeito à filial instalada no Porto.

A rua escolhida, a Rua Formosa, foi sempre conhecida pela concentração de lojas de instrumentos, tradição que se mantinha até antes da explosão turística e choque imobiliário. Segundo artigo do jornal Público, em Setembro de 2017 na "rua dos instrumentos musicais" só duas se mantinham abertas entre as cinco que chegaram a concorrer e onde certamente se incluía a Casa Gouveia Machado mesmo sem sabermos em que ano encerrou a actividade. Atendendo à data constante do envelope impresso na Tipografia Formosa, em Dezembro de 1975 a oferta de produtos era de uma abrangência exemplar, chegando a incluir os livros de solfejo, músicas e métodos para além de uma variedade de instrumentos, muitos provenientes de fábrica própria instalada em Via Nova de Gaia, hoje, naturalmente, um armazém de vinhos do Porto. O nº 63 da Rua Formosa é agora um centro de yoga que ocupa, aparentemente, a totalidade de uma área comercial considerável. 

Ah, no interior do referido envelope calhou-nos uma xaropada de ópera moderna do Gianni Morandi de 1973 mas na sua prensagem RCA italiana, provando que o negócio se estendia ainda à importação de discos...   
   























quarta-feira, 3 de novembro de 2021

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #28






















Esticando um pouco o circuito até Aveiro, certo é que Espinho sempre esteve mais próximo do Porto que da capital de distrito. De férias ou em romaria à feira semanal, muitos de nós passearam junto ao mar e percorreram algumas das ruas comerciais da cidade, nomeadamente a nº 62 que, ao contrário de quase todas as outras, não é em linha recta e não faz parte da mítica planta ortogonal que forma quadrículas numeradas imitando Nova Iorque! 

Logo no início dessa artéria, uma antiga estrada que ligava aos Carvalhos conhecida também por Passeio Alegre situada antes da passagem de comboio, fixou-se há cinquenta e oito anos (1963) a loja Japão Rádio que ocupava originalmente os dois espaços comerciais de um edifício típico hoje recuperado. Nos nºs 6 e 10 vendia-se "aparelhagem stereo" incluindo televisões e rádios, gravadores e gira-discos supostamente vindos do Japão e, claro, os complementares discos e cassetes - uma discoteca - como impresso nas duas embalagens a preto e branco que acima reproduzimos posteriores a 1976 por terem já uma referência a um código postal. 

Nos nossos dias, a loja especializou-se em electrónica e relojoaria moderna, principalmente de uma conhecida marca obviamente japonesa, reduzida que está a um só espaço (o nº 10). Quanto aos discos e quejandos, há muito que desaparecerem mas atendendo às muitas vezes que encontramos envelopes idênticos em buscas de vinil, não foram poucas as rodelas vendidas. Só no da menina laroca alguém guardou seis...    

                                     Japão Rádio, Rua 62 nº 6, 4500 Espinho

terça-feira, 12 de outubro de 2021

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #27






















De regresso à Philcolândia, motivo de destaque no #2 desta rubrica, agora que nos chegou um envelope bem mais antigo e, convenientemente, em papel. O desenho/design aproxima-se em demasia ao que aqui trouxemos referente à loja Arnaldo Trindade da Rua de Santa Catarina mas as semelhanças não são uma circunstância - a Philcolândia pertencia ao mesmo dono e não é de estranhar a coincidência que se estende ainda ao que lá se vendia (electrodomésticos e discos das melhores editoras sinalizadas na embalagem). No seu interior, calhou-nos um single/EP italiano da Durium de 1960 com quatro temas do incontornável Marino Marini e o seu quarteto, uma sonoridade muito em voga na época. 

Confirmando a memória, deixamos aqui uma curiosa história disponibilizada pelo site O Covil do Vinil e que se refere a um single dos espanhóis Los Deltas de 1961, editado pela Orfeu de Arnaldo Trindade, cuja fotografia de capa a preto e branco foi obtida precisamente em frente à Philcolândia:

"Grupo espanhol que fez um interessante percurso no início da década de 60 em Portugal, ora contratado pelo Casino Estoril, ora participando em Festivais e Bailes de Finalistas. O primeiro registo no nosso país que se conhece foi editado em 1961 pela Orfeu / Arnaldo Trindade, e, pelo que se sabe, não foi o único. Também se conhecem EP’s editados pela Belter e pela A Voz do Dono. 

Marino Marini e Renato Carosone foram duas das principais influências dos Los Deltas, mas pelos vistos a música portuguesa (Conjuntos Walter Behrend, Pedro Osório, Mário Simões) ‎foram, de igual modo, quem mais influenciaram a sonoridade e o reportório do grupo. 

Neste EP há ainda uma curiosidade adicional, pois a fotografia da capa foi tirada na cidade do Porto, precisamente na Rua Magalhães Lemos, uma artéria mesmo ao lado do Cine-Teatro Rivoli onde se situava a Loja Arnaldo Trindade (Philcolândia) e propriedade do dono da editora Orfeu. Nessa loja, repleta de muitos frigoríficos, televisores, rádios e outras aparelhagens de som, havia lugar para várias prateleiras e móveis com centenas de discos nacionais e estrangeiros. Como era expectável, tinham à disposição dos clientes muito do catálogo da editora Orfeu, e, para os mais abonados, uma boa diversidade de albuns de Rock Progressivo e Folk (maioritariamente importados de Inglaterra). Uma das 3 vitrinas da loja exibia orgulhosamente as últimas novidades e muitos dos discos de Top.". 

Uma peça de colecção!

 
Philcolândia, Rua Dr. Magalhães Lemos, 87, Porto

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #26






















A Rua de Santo Ildefonso no Porto, que começa/acaba no Campo 24 de Agosto e acaba/começa na Praça da Batalha junto da igreja com o mesmo nome e que atravessa o Largo do Padrão e a Praça dos Poveiros, é uma sinuosa multiplicação de atividade comercial e, por isso, de forte tradição clientelar. Entre a diversidade de lojas e/ou restaurantes, destacam-se ainda hoje algumas ligadas ao chamado ramo dos electrodomésticos de que é exemplo a TVLAR ABS 3 logo no início do trecho para quem circula desde o referido Largo do Padrão. Localizada num prédio-tipo de r/c e mais três andares, muitos deles agora recuperados mas de destino problemático, a loja mantêm-se aberta e no mesmo ramo de negócio que a viu nascer em plenos anos setenta do século passado, embora, obviamente, a venda de discos em qualquer formato tenha sido completamente abandonada. 

A têvêlar, assim mesmo, com acentos circunflexos e em minúsculas, assumia nos discos de vinil uma aposta séria como o comprova a embalagem de cima onde se pode ler "Mais um disco comprado na têvêlar" e que, no caso, se refere ao single "Lady in Blue/Darling Michelle" de Joe Dolan editado em Portugal pela PTE/Imavox em 1975. A tradição deste tipo de negócio multiproduto estava bem enraizada por essa altura na cidade (já aqui falamos da emblemática Philcolândia) e em St. Ildefonso existiram ou existem ainda outros exemplos similares como a Electrovisão ou a Foto Coimbra. Coincidência ou não, nos nossos dias podemos encontrar no número da 25 da mesma rua a Muzak do amigo Chico Ferrão, especializada em vinil usado e que partilha o espaço com a Kate, a outra metade da loja dedicada ao skate e tudo à volta. Recomenda-se a visita!

 
                            têvêlar, Rua Santo Ildefonso, 308-B, Porto

sexta-feira, 5 de março de 2021

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #25






















Dando seguimento à ronda de discotecas do Porto e arredores, falamos hoje da cadeia Twist com loja principal no Centro Comercial Parque Italia, na Rua Júlio Diniz no Porto. Teve ainda duas filiais, uma em Matosinhos no Centro Comercial Newark e uma outra na mesma morada do supermercado Pão de Açucar da Avenida da República de V. N. De Gaia. Hoje, no local com o número 1182 está um Pingo Doce que retomou algumas lojas da cadeia pioneira em Portugal no final da década de oitenta, coabitando com outras pequenas lojas como se pode constatar pelas fotografias mas, obviamente, sem qualquer discoteca por perto. 

Nessa altura, na Twist a venda de discos em CD deveria ser uma actividade em franco crescimento, extensível ao malogrado Laser Disc e incluía também um videoclube mas, certamente, o vinil seria ainda o formato principal do negócio. No caso, calhou-nos no interior do envelope da filial de Gaia os ingleses Bucks Fizz com "Making Your Mind Up", a canção vencedora do Festival da Eurovisão em 1981 e dos quais nunca mais ouvimos notícias...
Twist, Av. da República, 1182, V. N. de Gaia
Twist, Av. da República, 1182, V. N. de Gaia














sexta-feira, 17 de maio de 2019

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #24

































Para quem colecciona discos em vinil, principalmente os singles, este autocolante redondo e dourado com o desenho hippie de um jovem a tocar guitarra e o nome Telmira colado na parte traseira da capa é um sinal comum da proveniência original de compra. Trata-se de mais uma discoteca do grande Porto situada na maior artéria da cidade que tinha localização junto do jardim do Marquês e que, atendendo à quantidade de discos que nos surgem à frente com a tal referência, deverá ter tido muito sucesso comercial desde os anos setenta já que o número de telefone não apresenta indicativo, acrescento só oficializado no final dessa década.

Entre uma churrasqueira e uma loja de malas em liquidação, hoje no local está instalada uma ourivesaria e a loja foi já aparentemente modificada na fachada com um pórtico em granito que envolve um persiana metálica negra protectora do valioso recheio... Pelo hábito que vamos confirmando ao vasculhar discos antigos, o recheio de então não seria muito ecléctico mas apontando aos êxitos populares tal como é referido sem rodeios na embalagem - "os últimos sucessos em música ligeira e clássica". A nós calhou-nos este!

Nunca lá entramos ao contrário de, certamente, muitos clientes que chegavam e saiam do centro da cidade por essa rua em troleicarros vermelhos de dois andares, nomeadamente o 9 e o 29 que vinham de Ermesinde, Travagem ou Águas Santas, faltando saber se, numa das ruas com maior efervescência comercial da Invicta havia, ou não, mais alguma loja de discos...   

                          Discoteca Telmira, Rua Costa Cabral, 13, Porto


                               Telmira Discoteca, Rua Costa Cabral, Porto

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #23





















Mais um loja de discos e não só... Sobre a "Âmbito" e que aparentava usar um monograma de MON ou então MOV, não temos nenhuma recordação mesmo do espaço indicado no envelope situado na Rua do Campinho, aos Poveiros, zona por onde circulávamos com mais frequência. A loja principal na Rua do Bolhão tinha para vender móveis internacionais (!), candeeiros, equipamento doméstico e decoração a que se juntava a indispensável mistura de rádio e TV e também, como era habitual na época, os discos e o "hi-fi", a alta fidelidade, a aparelhagem, tão ao gosto de qualquer sala que se prezasse! A localização em três pisos virados para a rua leva-nos a supor que o negócio apostava na qualidade dos produtos e até algum requinte instalado num edifício inaugurado em 1973 pela mão do empresário e banqueiro Afonso Pinto de Magalhães, saudoso presidente do F. C. Porto entre 1967 e 1972. O hotel e a galeria comercial adjacente têm a assinatura dos arquitectos Pádua Ramos e Carlos Loureiro mas a solução sempre pareceu arriscada, motivando à época reacções de estranheza e repulsa. Ainda hoje, apesar do êxito da unidade hoteleira situada no actual ninho de turismo da baixa, o quase abandono e encerramento da maioria das lojas e o ambiente tristonho e sombrio do local confirmam o definhar dos negócios extra restauração e vestuário e onde o mobiliário, mesmo de qualidade, já não têm lugar. Tal como os discos...   

Âmbito, Rua do Bolhão, Edifício Hotel D. Henrique, Porto

Âmbito, Rua do Bolhão, 193A, Ed. Hotel D. Henrique, Porto 

Âmbito, Rua do Bolhão, 221A, Ed. Hotel D. Henrique, Porto

Âmbito, Rua do Campinho, 36, Porto

terça-feira, 31 de julho de 2018

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #22






















A primeira investida nestas andanças das lojas de vinil recaiu precisamente na Melodia. Nessa abordagem com quase cinco anos fizemos notar que a casa original seria sem dúvida mais antiga, o que se confirma com o retomar do fio através deste envelope e que se relaciona directamente com a fundação da empresa Rádio Triunfo no Porto. A história está, em boa hora, contada e documentada e a abertura de um espaço comercial em 1955 na Rua Santa Catarina, nº 360, seria a primeira lança de um negócio que a partir de 1957 daria sobretudo primazia a discos de 45rpm através de etiquetas próprias como a "Alvorada", a "Carioca" ou a própria "Melodia" e de que podem ler mais pormenores neste link. No interior do envelope que recolhemos, onde se faz notar um harpa estilizada e um apelativo "Sempre Novidades Em Discos", encontramos meia dúzia de folhetos promocionais de Julho de 1959 de discos de João Villaret ou Simone de Oliveira (neste caso, trata-se do seu primeiro Ep datado de 1958) a que se acrescentam outros de Virginie Morgan, Irene Macedo, Roberto Valentino ou Manuel Fernandes. A empresa teria a partir de 1956 forte concorrência com a chegada da Arnaldo Trindade à mesma rua e a sede ou o escritório, como se comprova num dos lados do envelope, estava situada em plena Praça do Município, na última porta - a nº 309 - do majestoso edifício Capitólio atribuído aos arquitectos Eduardo Martins e Manuel Passos Júnior, seguidores do mestre Marques da Silva, e cuja construção deverá ter terminado pouco tempo antes do início da actividade da empresa em plena baixa. Em 1961 a Melodia abriria uma segunda loja na Rua de Santo António / Rua 31 de Janeiro que herdou, curiosamente, o mesmo número de telefone da loja original e, logo em 1962, a empresa chegaria a Lisboa e à Rua do Carmo para se tornar em definitivo uma das maiores e mais importantes fábricas portuguesas de discos e, já agora, de artistas!

Nota: comparando com a mesma perspectiva de há quase cinco anos atrás, esta primeira fotografia abaixo comprova que há negócios à moda antiga que ainda resistem milagrosamente à voracidade comercial e imobiliária da baixa!   

Melodia, Rua Santa Catarina, 360, Porto














folhetos da Melodia, Rua de Santa Catarina, 360, Porto 




Melodia, Rádio Triunfo Lda., Praça do Município, 309, Porto


Melodia, Radio Triunfo Lda., Praça do Município, 309, Porto

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #21





















Ao assistir ao video psicadélico que acompanha o novo single dos Beach House a dúvida foi instantânea. Aonde é que já vimos este grafismo? Depois de alguma procura, lá encontramos mais um dos pequenos envelopes de papel à moda antiga com um dos lados com o tal quadriculado a preto-e-branco semelhante ao que o video evidencia e que no verso apresenta a marca da Casa Ricardo Lemos da Rua Formosa, muito perto do cruzamento com Santa Catarina, hoje um negócio de pronto-a-vestir e acessórios. Vendia, aparentemente, só discos em pleno início dos anos 70 atendendo a que o número de telefone impresso não apresenta o indicativo geográfico (22) introduzido no final dessa década. O pequeno disco que estava no interior confirma a época - uma edição brasileira do hino oficial "Prá Frente Brasil" e a glorificação sonhada do país como potencia futebolística em 1970 que se viria a confirmar com a conquista do tri-campeonato na Cidade no México a que se acrescenta outro tema, no lado b, sobre a primeira vitória datada de 1958 e uma equipa mítica de Garrincha, Vavá, Mazolla e... Pelé!

Casa Ricardo Lemos, Rua Formosa, 265, Porto
Casa Ricardo Lemos, Rua Formosa, 265, Porto