Cinco anos passados, a norte-americana Azniv Korkejian akaBedouine lança no dia de hoje o álbum "Neon Summer Skin", projecto criativo, intencionalmente, evocativo da experiência vivida pela sua mãe num orfanato de sobreviventes do genocídio arménio. Memórias, locais, pessoas, tudo serviu como nostalgia geradora de uma intimidade bem evidente em "Canopies", canção onde a introdução se refere a uma gravação de uma conversa com mãe sobre esse passado penoso...
O processo foi, por isso, longo e revisitador de uma infância nebulosa, agora retomada pela escolha de sons semelhantes aos primeiros instrumentos que utilizou na escola, como um piano ou um trompete, somando aos arranjos um toque jazz, bossa-nova e um leve psicadelismo. Tudo foi tratado em estúdio com a ajuda de Gus Seyffert, Jonathan Rado e dos manos The Lemon Twigs, Michael e Brian D’Addario.
Emotivo, fresco, corajoso e com lucros de venda, parcialmente, destinadas a ajudar a população inocente do sul do Líbano.
No caminho apressado para mais um dos muitos concertos da festarola, um "viva Rio Tinto!" soou alto e bom som!
O colectivo da freguesia Cremalheira do Apocalipse não será caso único na integração de jovens com diferentes incapacidades ou transtornos, mas o sururu à volta do projecto têm vindo a multiplicar-se depois da gravação de um álbum pela Favela Discos e de uma série de concertos nos últimos meses. Importa, pois, perceber porquê e não será difícil concluir que a máquina tem uma simples força motriz - a entreajuda!
"Das entranhas de Rio Tinto, no triângulo sagrado entre o Centro Social de Soutelo, McDonalds, a pastelaria que tem bolos grandes demais, e o Parque Nascente, brotou a Cremalheira do Apocalipse, uma pedalada de baqueta nos dentes, e um estalo na rotina diária de quem os ouve de quem os vê e de quem os faz."
Uns entram, outros saem para estágios ou primeiros empregos. Ficam os baldes, as cafeteiras, as baquetas, os bidons, que o prof. Artur vai rodando e sobrepondo a um género de canções manifesto de inspiração lírica dos próprios executantes, tantas delas desarmantes, de acutilância simples que nos deixa desencaixados, a morder o lábio enquanto nos mingámos na insignificância do nosso dia-dia normalizado...
Caberá, pois, conhecê-los, dar-lhes asas largas e, com um nó na garganta, mandar-lhes um abraço do tamanho da antiga Mondex. E viva Rio Tinto!
Do Fundão, aterrou na coloraça o quarteto Rumble. Pareceu deslocada, por antecipação, a atmosfera de densidade pós-rock, se bem que de imaculada execução e até arrojo. A tarde de sol pedia, no entanto, outro tipo de animação festiva.,,
Chegados ao prado, já os Romperayo tinham incendiado a enorme maralha, de todas as idades, com uma ignição tropical, de origem colombiana, bombada a forte bateria e modernismos de ritmos electrónicos sacados de um baixo, um teclado e um acordeão folgazão. Há por ali e acolá, um suposto abuso do folclore de Bogotá, da tradição cumbia e puya que chega, literalmente, ao funk latino ou ao suposto pimba local, sem que ninguém estivesse muito interessado em saber qual a aferição dos condimentos rítmicos.
Tudo a dançar, a curtir, mesmo que algumas da canções de teor político tivessem, às tantas e em dia de eleições no país, uma seriedade inesperada. Acelera, mas é!
O duo Odd Okodd, formado por Olith Ratego, vocalista e instrumentista, e Sven Kacirek, baterista e percussionista, junta de forma inusitada o Quénia e a Alemanha em já três álbuns editados e onde se vai vasculhando e serpenteando modernidades e ancestralidades tão ao gosto de uma certa e ecléctica world music. Se funciona?
A fruição até que começou incisiva, acústica, numa crueza delicada que aguçou expectativas. A interacção com o público optimizou o momento, deu-lhe proximidade e até uma etnicidade aportada pela presença da octogenária Ogoya Nengo. O resultado, se bem que inatacável na exactidão, foi-se, no entanto, perdendo numa extensão perigosa e a precisar de um ou outro rasgo de batimento diferenciador.
Esta sensação de déjà vu, será muito semelhante à própria festa de Serralves, de que será urgente uma reinvenção que a recupere de uma letargia cultural desnecessária.
A tradição pelo Reino Unido não perdoa. A presença de uma selecção de futebol num Campeonato do Mundo é sinónimo de hino pop à maneira e os escoceses não se esqueceram de a cumprir. É certo que a Escócia, alinhada no grupo C com o Haiti, Marrocos e Brazil, parece ter hipóteses de seguir em frente, mas o sorteio não deixou de ser de um exotismo expressivo que Stuart Murdoch, capitão de equipa dos Belle & Sebastian, chamou um figo, melhor, um maná...
Sobre o hino pop, com saída oficial no dia de hoje, afirma: “É uma canção pessoal sobre acompanhar as dificuldades da seleção escocesa nos últimos 50 anos e surgiu naturalmente no dia seguinte ao jogo contra a Dinamarca. A música tenta abarcar a experiência de todo o país ao lado da Escócia.”
A Escócia já não disputava a prova desde 1998. A canção "It Only Takes one Lion", essa, não pode esperar e deve ser obrigatória, nas vitórias e nas derrotas, em qualquer playlist solarenga. Ficamos à espera, desde já, de um obrigatório 7" de vinil... azul escuro!
Os Belle & Sebastian tocam no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no próximo dia 21 de Julho no âmbito da digressão do 30º aniversário do álbum "If You Feeling Sinester". Dois dias depois do campeonato acabar, e seja lá o que a Escócia conseguir, festa não vai faltar.