Entre recentes e apelativos singles de vinil ao lado de Mary Chapin Carpenter, um primeiro e oficial disco ao vivo, para além do álbum de originais do ano passado, John Darnielle e os seus The Mountain Goats são uma roda viva de canções, azáfama que acaba por ser tão natural como respirar.
Este mês surgiu, assim, "Days", pr'a aí o vigésimo quinto em nome próprio com explicações que só Darnielle sabe dar em jeito "cromático" - que as canções começaram a fluir depois de uma piada feita nas redes sociais sobre uma demo chamada "Contemplating Pearl Jam in the Carolina Dawn", estendendo-se depois a diferentes temáticas das décadas de 70, 80 e 90.
Há, pois, novos temas sobre Annie Haslam, cantora, compositora e artista visual britânica, conhecida como vocalista da banda de rock progressivo Renaissance, sobre Eddie Nash (1929-2014), dono de uma boîte e de um restaurante de Los Angeles onde lavava dinheiro e controlava um negócio de drogas, ou Layne Staley (1967-2002), vocalista falecido dos Alice In Chains!
Mas há muito mais, como contemplações a Charlie Sheen ou uma canção chamada "Best Hard Rock Álbuns 2013". Tudo passageiro, rotineiro, prazenteiro e... soalheiro!
Reticente, mas animada, por um dos principais dilemas da sua vida, quem não - amar e ser amada sem perder a liberdade - a australiana Julia Jacklin gravou um quarto álbum de originais em Melbourne, cidade para onde foi viver em 2017. Lá ganhou poiso num pub cercano, fazendo amizades e conexões artísticas que serviram na ajuda ao registo das canções moldadas no recato caseiro e num quarto de hotel situado mesmo por cima do referido bar.
Na zona fica também o Rat Shack Studios do amigo Robert Muinos, amigo de Jacob Diamond, guitarrista, e amigo de Jess Elwood, baterista. A aventura do quarteto, em zona residencial de apertado controlo do ruído, durou um ano, entre constrangimentos logísticos e arreliadoras repetições, mas o grupo chegou a dar dois concertos na taberna só para experimentar os novos temas.
E assim temos "The Gem", nome agora celebrizado do pub em questão, disco a editar pela 4AD no final de Setembro, casa onde se estreia depois de terminado o contrato com a anterior editora. São já três, num total de dez, as composições divulgadas e o conjunto tem apresentação ao vivo pela Europa marcada para 2027.
Como é habitual, a digressão acaba em Portugal, com a data de 3 de Março, quarta-feira, já reservada para subida ao estrado do LAV da capital.
Infelizmente, não podemos comparecer ao encontro anual com Scott Matthews marcado para Fevereiro em Ovar. Circunstâncias familiares impediram o retorno ao convívio sempre salutar e divertido com o amigo britânico, mas como prometido em diversas das outras ocasiões presenciais, um disco ao vivo que registasse algumas das canções na sua simplicidade ou rudeza estaria em preparação.
Pois bem, ele está disponível desde o início do mês para encomenda. Trata-se do primeiro volume de "Home & Dry Sessions", selecção de temas ao vivo esmerados no Abbey Road Studios o ano passado e que, por agora, conta só com formato em CD e hipótese de escolha da capa preferida - colorida ou a preto e branco (a primeira vai à frente nos pedidos). Entre a colecção, deverá estar esta pérola...
Em 2002 dois miúdos chamados Domi Louna e Jd Beck, ela nos teclados, ele na bateria, lançaram "Not Tigh" como Domi & JD Beck pela Blue Note Records em parceira com a editora de Anderson. Paak, a APESHIT. Meio mundo, de boca aberta, bateu palmas ao desiderato de feição jazzística, bastante arriscado nas variáveis de drum & bass, pop orquestral ou samplers surpreendentes. O disco permitiu nomeações para Grammy's, comparências nos principais talk show's americanos e digressões vibrantes, como testemunhado em Paredes de Coura no verão de 2023. Se havia dúvidas, os jovens músicos tocavam mesmo os instrumentos em formato auto-suficente e sem quaisquer ajudas...
Há agora uma nova experiência, desde 31 de Julho, maturada na eterna dificuldade de um segundo álbum, de título "Who Asked?" e com os mesmos selos, mas onde se dispensaram uma série colaboradores e convidados vocais, como o próprio Paak ou Thundercat, assumindo-se a totalidade da cantoria entre a dupla. Juntou-se, desta vez, uma pequena sinfonieta clássica que engrossa o caudal "chamber pop" do alinhamento, sem que a matriz original se tenha desmantelado e onde, parece-nos, a complexidade dos arranjos sugere ter sofrido uma maximização.
Discute-se, por isso, nas redes se a novidade é melhor que o percursor, se o exagero light das vozes estraga o conjunto, se a frescura original perdeu a validade, se... Ainda em fase de assimilação, que isto de texturas sobrepostas requer insistência, promete-se uma versão totalmente orquestral do disco para breve, um formato de que se disponibilizaram pequenos excertos e que tem sido usado ao vivo, como no festivais de jazz de Toronto, de Otava e Montreal nos meses de Junho e Julho. Complexo!
Para uma peça de música que tem uma epifania a começar e um epílogo a encerrar, nada como repetir a audição integral de tempos a tempos e esperar que a digressão mundial, que começa em Setembro próximo, acabe a rondar a Europa e, quem sabe, o nosso jardim. Simples!
Durante várias e descontraídas sessões matinais de estúdio, no caso, o Alex The Great Studio de Nashsville, Josh Rouse foi puxando e aprimorando a inata e espontânea capacidade de escrever canções, algumas com reduto nocturno em Valência, a que se juntaram os amigos Brad Jones no baixo e Fred Eltringham na bateria.
Resultado - mais um disco de originais de inspiração documental em múltiplas itinerâncias citadinas, onde não dispensa a máquina fotográfica e uma observação atenta e silenciosa de figurinhas, figuras e figurões de passagem ou em repouso sonhador. Um género de turismo acidental solitário e recorrente...
Para título do conjunto de dez temas, Rouse lembrou-se de "Museums and Women" de inspiração no livro adorado "Museums and Women and Other Stories" que John Updike (1932-2009) escreveu em 1972, escolha certeira atendendo à short fiction que cada um deles encerra. Poético e romântico, como sempre, refina-se, mesmo assim, a habitual ironia que sempre lhe assentou perfeitamente padronizada e necessária.
Depois de uma incursão, também ela informal, nas versões, lá para Outubro a novidade sugere provar que o fascínio pop que Rouse cedo evidenciou está para durar. O primeiro avanço, "January Sky", é contundente.
Aproveitando a passagem pelo referido estúdio do Tennessee, gravaram-se duas memórias em jeito acústico só para reforçar a grandeza de um songbook notável!
Imaginado como uma sequela do anterior "Something in the Room She Moves" de 2024, o novo "Materia" de Julia Holter chega no final de Agosto como mais uma demonstração de sabedoria pop(ular) - lustroso, sofisticado, transcendente, nele cabem somente sete temas, mas devem ser suficientes para impressionar!
Do tema título, reforçando um risco instrumental e mecânico, isto é, electrónico, há três versões, mas só a segunda e a terceira estão contidas no alinhamento. Aquela que lhes deu origem sugere andar disfarçada entre as variações ou terá escuta priveligiada destinada aos palcos que, por agora, ainda não foram reservados.
Um caso sério de inquietude e talento, Holter terá sempre porta aberta aqui da casa para continuar a texturar, espiritualmente e em harmonia, os nossos dias, qualquer um deles!
O projecto colaborativo de Thomas Feiner com Johan Ludvig Rask, que se anunciou há mais de um ano, tem agora confirmação oficial e três temas completos para escuta.
Trata-se, como percebido, de variações em inglês de clássicos da folk sueca em assumido e enegrecido ambiente alternativo:
. "The Sun Fell Softly on the Ocean" do trovador sueco Evert Taube (1890-1971), traduzida na lírica pelo seu neto, Felix Taube;
. "Ida's Summer Song", original composto por Georg Riedel (1934-2024) e que recebeu lírica de Astrid Lindgren (1907-2002), autora de literatura infantil consagrada no país;
. "Midsummer Song", um tradicional de 1945, teve tradução e adaptação em inglês do próprio Feiner.
As imagens, de auto-curadoria arriscada, exploram ferramentas de animação artificial inteligentes.
Na sua linhagem sul americana, os Hermanos Gutiérrez aportam para um novo álbum o secular universo sonoro dos Andes peruanos, deixando para atrás o oeste americano que preencheu toda a sedutora discografia precedente. Ao comando continua Dan Auerbach, metade dos The Black Keys, que na mesa de mistura do estúdio tratou de evidenciar tantas das exuberantes nuances instrumentais de "Los Ojos Del Condor", disco com saída prevista para Setembro.
Antes, os irmãos Alejandro e Estevan estarão em dose dupla no nosso norte do país: a 13 de Agosto, quinta-feira, em Paredes de Coura, cumprindo o concerto cancelado em 2024 e, um pouco mais de um mês depois, no muito esgotado e apropriado Teatro Sá da Bandeira, a 25 de Agosto, terça-feira.
Cinco anos passados, a norte-americana Azniv Korkejian akaBedouine lança no dia de hoje o álbum "Neon Summer Skin", projecto criativo, intencionalmente, evocativo da experiência vivida pela sua mãe num orfanato de sobreviventes do genocídio arménio. Memórias, locais, pessoas, tudo serviu como nostalgia geradora de uma intimidade bem evidente em "Canopies", canção onde a introdução se refere a uma gravação de uma conversa com mãe sobre esse passado penoso...
O processo foi, por isso, longo e revisitador de uma infância nebulosa, agora retomada pela escolha de sons semelhantes aos primeiros instrumentos que utilizou na escola, como um piano ou um trompete, somando aos arranjos um toque jazz, bossa-nova e um leve psicadelismo. Tudo foi tratado em estúdio com a ajuda de Gus Seyffert, Jonathan Rado e dos manos The Lemon Twigs, Michael e Brian D’Addario.
Emotivo, fresco, corajoso e com lucros de venda, parcialmente, destinadas a ajudar a população inocente do sul do Líbano.
A tradição pelo Reino Unido não perdoa. A presença de uma selecção de futebol num Campeonato do Mundo é sinónimo de hino pop à maneira e os escoceses não se esqueceram de a cumprir. É certo que a Escócia, alinhada no grupo C com o Haiti, Marrocos e Brazil, parece ter hipóteses de seguir em frente, mas o sorteio não deixou de ser de um exotismo expressivo que Stuart Murdoch, capitão de equipa dos Belle & Sebastian, chamou um figo, melhor, um maná...
Sobre o hino pop, com saída oficial no dia de hoje, afirma: “É uma canção pessoal sobre acompanhar as dificuldades da seleção escocesa nos últimos 50 anos e surgiu naturalmente no dia seguinte ao jogo contra a Dinamarca. A música tenta abarcar a experiência de todo o país ao lado da Escócia.”
A Escócia já não disputava a prova desde 1998. A canção "It Only Takes one Lion", essa, não pode esperar e deve ser obrigatória, nas vitórias e nas derrotas, em qualquer playlist solarenga. Ficamos à espera, desde já, de um obrigatório 7" de vinil... azul escuro!
Os Belle & Sebastian tocam no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no próximo dia 21 de Julho no âmbito da digressão do 30º aniversário do álbum "If You Feeling Sinester". Dois dias depois do campeonato acabar, e seja lá o que a Escócia conseguir, festa não vai faltar.
Aproxima-se a visita primaveril dos Big Thief, marcada para o palco Estrella Damm (já não haverá SuperBock?), dia 11 de Junho, quinta-feira, às 20h45, no parque natural da cidade. Confessamos que este é, mesmo, o único concerto que temos ainda em duvidosa conta para gastar 75€...
Entretanto, em jeito de introito, aqui fica uma sessão campestre da banda registada em Abril para a Radio 1 belga em plena natureza irlandesa.
Não se esperam surpresas de Angelo De Augustine. Basta que a cada novo álbum cintile aquele raiado de subtileza acústica, a que se junta uma voz inconfundível, para que não haja desilusões. O novo, "Angel in Plainclothes", é o perfeito exemplo dessas qualidades elevadas ao quadrado, ou não fosse ele resultado de um tempo longo de cura e recomposição. De Augustine produziu e tocou quase tudo, a não ser a magnífica "The Cure", tema co-produzido pelo mago Jonathan Wilson, acabando também atrás de uma bateria no já mítico FivesSarStudios de Topanga.
Há na toada sonora uma sensação de fragilidade, daquela que ajuda a vitaminar novas aprendizagens ou forças desconhecidas que uma doença, mesmo que não diagnosticada, não conseguiu tolher na motivação. Uma segunda vida, nas palavras do próprio, enfrentada com espírito empreendedor centrado no seu estúdio A Secret Place situado na Califórnia. Foi lá que acolheu uma série inédita de colaborações amigas como a de Oliver Hill, arranjador de Kevin Morby ou Helado Negro, da harpista Leng Bian, Wendy Fraser ou de Thomas Bartlett.
A acompanhar o álbum, foi lançado um pequeno filme de nome “Can I Come Back to Earth?", dirigido por Ramez Silyan, um testemunho assumido do sofrimento vivido, mas também uma prova de vida dimensionada que, na sua imaterialidade, resguarda alguma da privacidade e do cometimento.
Sobre os méritos dos Ghost Funk Orchestra, já em devido, mas tardio, tempo os elogiamos sem rodeios.
Sugerimos, como se impunha, uma qualquer visita em formato concerto ao vivo, o que por território europeu só em 2025 teve a primeira digressão ao fim de sete anos de existência. Mesmo assim e confirmando um êxito surpreendente, o testemunho dessa vitória está, desde o passado RSD - Record Store Day de Abril, plasmado num álbum ao vivo que se afigura sedutor.
O registo, mais que profissional, deu privilégio a duas noites esgotadas por Varsóvia, na Polónia, e Amesterdão na Holanda, onde o poderoso colectivo de oito elementos em palco apresentou uma selecção de onze temas dos dois álbuns, então, precedentes e alguns de "A Trip To The Moon", disco em fase de lançamento e que é o último de originais.
Torna-se, pois, urgente que Portugal seja contemplado com a presença da banda de Nova Iorque comandada pelo talentoso Seth Applebaum, mesmo que a tangente da mais recente tournée se tenha espalhada de Espanha até ao Reino Unido, passando por França, Áustria ou, novamente, pela Holanda. Sem fantasmas e a três dimensões...
Os Lambchop, do incontornável e agora barbudo Kurt Wagner, baptizaram o seu décimo sétimo álbum de "Punching the Clown", o que só pode ser propositado... Foi produzido por Ryan Olson (Poliça ou Gayngs) e gravado em três dias de Agosto de 2025 no April Base, estúdio em Fall Creek (Wisconsin) de Justin Vernon aka Bon Iver, que toca banjo no primeiro avanço "Weakened".
As composições pertencem na totalidade a Wagner e a Andrew Broder, contando com um coro de seis vozes em todas as doze faixas, uma onda acapella despojada de sofisticação orquestral. A versão digital da novidade está agendada para Agosto próximo pela Merge Records.
Entretanto e no âmbito da digressão a iniciar pela Europa em Novembro, está confirmada a passagem por Portugal para quatro concertos, sendo o Theatro Circo de Braga, dia 21, sábado, e o Auditório de Espinho, dia 22, Domingo, as salas mais próximas. Prometida está a repetição de um formato de sucesso que presenciamos em 2024 no Parque da Cidade - um piano, uma imensa voz, múltiplas histórias!
Da série infindável de discos que Damien Jurado deita cá para fora, um género de catarse artística e emocional deveras assombrosa já por aqui assinalada, fixem mais este - "Did Something in Me Break?" com data da semana transacta.
Trata-se de um cantar ao desafio ao lado de Lilly Miller, cantautora do Iowa com residência em Seattle que, por diversas vezes, assegurou a primeira parte de concertos do agora parceiro de canções. Num total de vinte, onze são de Miller, de que se recordam alguns dos temas anteriormente gravados desde 2022, mas agora com nova sonoridade acústica e cintilante. De Jurado, no mesmo tom, somam-se nove originais refinados e a confirmar uma veia de composição inesgotável.
O tesourinho recebeu mistura e masterização de Lacey Brown, também ajudante de confiança, que partilhou a produção com Jurado e acrescentou alguma da instrumentação. Há vozes de fundo comuns da própria Lacey Brown, de Zack Alva, de Damien Jurado e também de Lilly Miller, com suaves cordas de violoncelo e violino de Jeremiah Moon e Kennedy Webb. Para descobrir com imenso prazer!
Aquando da comemoração do vigésmo aniversário do lançamento do homónimo álbum de estreia, em Agosto de 2005, pela londrina Memphis Industries Records, os Field Music juntaram-se para uma rara sessão evocativa tocando "A House is Not a Home", single de 2007, e "Luck is a Fine Thing" e "Shorter Shorter" do referido primeiro disco. Uma rara bênção de uma banda única, intemporal!
Agora que a euforia Tame Impala acalmou, será de dar atenção aos irrequietos parceiros Pond e ao décimo primeiro disco de originais a sair a 19 de Junho, trabalho que se segue ao duplo e magistral "Stung!" de 2024 e à compilação "The Early Years 200-2010", um dos exclusivos do Record Store Day do ano transacto.
De título "Terrestrials", adivinha-se um ciclone de rock n' roll, com algumas e habituais acalmias melancólicas a pairar sobre planícies australianas calorentas ou a dar banda sonora a bares decadentes, ainda assim, irresistíveis. Uma vibração cruzada e, devidamente, PONDerada.