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sábado, 25 de abril de 2026

TAYLOR KIRK (1982-2026)

















Talvez, a partir destes dias, aos discos dos Timber Timbre se comecem a chamar clássicos obscuros. Não havia necessidade. Para Taylor Kirk seria indiferente qual a etiqueta que lhe colassem às canções incríveis que compôs com talento cinematográfico - gótico, dream ou bedroom pop, you name it - todas de uma brutalidade prodigiosa para ferir, milagrosamente, os ouvidos.

Taylor Kirk deixou-nos a semana passada, dia 14 de Abril, não a tempo de o vermos ao vivo, como teria sido obrigatório, mas a quem continuaremos a bater muitas palmas. Peace!


segunda-feira, 23 de junho de 2025

ADELINO GONÇALVES (1959-2025)





















Eram dias da semana agarrados à rádio esses dos anos oitenta, especialmente à Rádio Comercial em modo contínuo - manhãs a cargo do Jorge Pego e a pop do "TNT - Todos no Top", pequena pausa para almoço e, logo depois, já o vozeirão de Adelino Gonçalves se fazia a ouvir obrigatoriamente na apresentação de bandas e artistas a justificar o nome, simples, do programa: "Discoteca". 

A selecção musical, desprezada por muitos que tinham já na militância do "Som da Frente" da mesma rádio um pavilhão auditivo mono segmentado, sempre nos fascinou pela surpresa das sonoridades, nem todas, é certo, de irredutível qualidade, mas todas de pertinência activa em tempos em que a soul ou o funk anglo-saxónicos sugeriam estar perdidos. Ainda hoje não dispensamos os Ashford & Simpson, os Shalamar, os reinventados Kool & The Gang e Aretha Franklin ou os incontornáveis Imagination, uma verdadeira imagem de marca do programa. Todos nunca perfeitos, impossível, mas de que aprendemos a ouvir e a gostar. Obrigado por isso, Adelino Gonçalves. Paz!


quarta-feira, 11 de junho de 2025

BRIAN WILSON (1942-2025)















Por estes dias, há nove anos atrás, um nervosismo dos bons não nos largava. Brian Wilson visitava pela primeira, e única, vez a cidade no âmbito da edição do Primavera Sound Porto e o milagre aconteceu apesar da sua já débil condição física: clima solarengo, brisa fresca, canções cantadas por todas as gerações presentes e um alinhamento para não mais esquecer. Estava, finalmente, concretizado um sonho e uma homenagem há muito suspirada

Os The Beach Boys sempre foram desprezados pela contenda Beatles/Stones e esse desleixo permitiu-lhes engrandecer um culto, de certa maneira, mais exigente e refinado que ao longo de décadas fomos escavando e descobrindo de forma metódica. A cada compilação, a cada sessão esquecida, a cada disco novo, o génio de Brian Wilson como que transbordava numa actualidade e sagacidade surpreendentes. Ter estado naquele relvado foi a confirmação tridimensional que, afinal, a clamada eternidade só está ao alcance de alguns predestinados. Obrigado por ela e por tudo o resto, Mr. Wilson. Peace!






segunda-feira, 9 de junho de 2025

SLY STONE (1943-2025)













Chegamos aos Sly and the Family Stone como muitos - pela fama do disco "There's a Riot Going On" de 1971, pedrada agitadora saída da mente rodopiante de Sly Stone e que se transformou num mito do soul, do funk e até de algum psicadelismo que Prince nunca rejeitou e que Stevie Wonder compreendeu. 

Fomos reunindo de olhos fechados, ao longo dos anos, pequenas rodelas com a inscrição da banda, sabendo que, de qualquer das maneiras, num dos seus lados ou até nos dois, algo de inovador e provocador nos seria dado a ouvir. É o caso de "Time For Livin", uma das muitas canções com aquele toque... e a nossa preferência. 

Sly Stone deixou-nos no dia de hoje. As rodelas, essas, vão continuar sempre a rodar, tal como a grande parte da sua vida que está desde há meses em documentário a que vamos, um destes dias, deitar olho. Peace, Sly! 


quinta-feira, 6 de março de 2025

ROY AYERS (1940-2025)














Num género de jazz que se aproxima do funk e da soul, a mestria de Roy Ayers sempre foi imbatível, feito talvez explicado pela raridade e subtileza com que o som do vibrafone se entrelaçava, maravilhoso, nas canções. 

O instrumento, um género de xilofone ressonador, ocupou, por isso, sempre a frente de palco de todos os seus concertos, como o que testemunhamos na sala pequena da Casa da Música ao lado dos Funkateers numa madrugada de 2005. A sessão terminou com "Everybody Loves The Sunshine", um clássico de planura eterna que, sem culpa, foi escondendo tantas, e tantas, outras peças de um talento único.

Ayers faleceu no dia de Carnaval, uma terça-feira soalheira e amena... Peace!


domingo, 23 de fevereiro de 2025

BILL FAY (1943-2025)














A última década trouxe muitos admiradores e novos convertidos à música de Bill Fay, tendência acentuada com o milagroso álbum de regresso "Life Is People" de 2012. Vincaram-se, naturalmente, os elogios, multiplicaram-se as colaborações, as versões e muitas aspirações a vê-lo cantar no escuro de um qualquer velho teatro. 

Fomos dos que passamos, desde logo, a vaguear nessa torrente que faz de cada canção um tremor inexplicável e salutar mesmo ao fim de muitas repetições, acelerando a redescoberta dos discos antigos, de demos e demais registos que só aguçaram a veneração a um mundo de espantosas maravilhas. Fay deixou-nos hoje ao fim de oitenta e um anos e o tributo a tamanho talento é simples - espalhem-lhe os discos, ampliem-lhe as canções... Peace! 




quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

MARIANNE FAITHFULL (1946-2025)





















Depois do carrossel do início da carreira, onde as amizades e aventuras se avolumaram perigosamente ao lado de muitas pedras rolantes, e mesmo com as maleitas da rebeldia vivida, Marianne Faithfull conseguiu encaminhar-se em trilhos de boa composição pop-folk. 

Sempre admiramos a sua notável capacidade de reinvenção, ora elegendo uma série de canções para lhe dar a sua indelével versão, ora apaertando a mão a amigos e visionários como Nick Cave ou Warren Willis com quem registou um imenso e último álbum de poesia, dita, musicada. Faithfull faleceu, em paz, no dia de hoje. Peace!


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

DAVID LYNCH (1946-2025)















Quando "Twin Peaks" estreou em Portugal em 1990 o nome de David Lynch era para nós um exotismo distante elogiado na imprensa, mas de que nunca tínhamos testado qualquer filme. Lembramos bem esses serões televisivos do "Diário Secreto de Laura Palmer", um notável enredo de surpreendente e assombroso efeito que um genérico instrumental adensava no mistério... eternamente. 

Vistos e revistos os filmes mais antigos, não falhamos todos os outros que se seguiram, descobrindo que o homem também era músico, tinha gosto requintado pelas canções e era até litógrafo artístico! Ficou por ver o return de "Twin Peaks" de 2017, mas algo nos afastou desse remake quase abusivo, às tantas, injustamente. David Lynch faleceu hoje. Surreal. Peace!

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

QUINCY JONES (1933-2024)















Para quem teve nos anos oitenta do século passado o período onde nenhum estilo de música era desprezado, o nome de Quincy Jones é de natural reconhecimento - foi ele que produziu, consecutivamente, três álbuns de Michael Jackson ("Off the Wall" de 1979, "Thriller" de 1982 e "Bad" de 1987") e muitos dos hits planetários daí retirados. É também dele a produção de um late Frank Sinatra de que "LA. Is My Lady" é só uma variação notada a roçar a perfeição. 

Mas Jones tinha ainda outros predicados e é também fácil reconhecer no seu próprio hit "Ai no Corrida", que afinal era uma versão melhorada de tema do inglês Chaz Jankel, um efeito agitador que ainda hoje não derrapa na idade. Quincy Jones morreu ontem na sua casa de Bel Air, California. Peace!


quinta-feira, 24 de outubro de 2024

MARCO PAULO (1945-2024)

Fotografia: Arquivo do JN















A música popular, aquela a que depois se chamou pimba, não nos passou ao lado. Era impossível. Na rádio, na televisão a preto e branco, nas festas de São Bento das Pêras, em Rio Tinto, e até nas saudosas viagens de regresso dos jogos de voleibol em dia de vitória, havia um nome comum na animação - Marco Paulo! Nunca o vimos ao vivo e não compramos, na altura, nenhum dos seus discos, já que eram outros os tempos de empolgamento com "o direito à diferença". Contudo, a indiferença, mesmo sem o notarmos, nunca aconteceu e bastavam os acordes de algum dos êxitos para a esquecermos em cantoria, muita vezes, colectiva. 

Quando amigos e familiares começaram a insistir para ficarmos com os discos de vinil que já não queriam, substituídos pelos CD's, fomos acumulando as rodelas pequenas de todo o género. As do Marco Paulo, eram, quase sempre, as mais comuns, as mais diversas e, desde logo, as mais acarinhadas entre uma imensa "azeitice" quase sempre dispensável. De várias cores ("Eu Tenho Dois Amores" têm quatro tonalidades), de irresistível colecção, é delas que nos fomos servindo sempre que é preciso pegar fogo a uma festarola, um São João ou uma comemoração. 

Na hora certa, a alegria que transmitem, o contágio que provocam, o entusiasmo que aceleram, são, ainda e sempre, de uma imbatível e imediata felicidade só nossa. Os dois exemplos de abaixo são, pois, um dos top-mais possíveis de um vasto leque de escolhas. Paz!


sábado, 20 de julho de 2024

TOUMANI DIABATÉ (1965-2024)
















A kora que Toumani Diabaté tocava não era só um instrumento. Era uma chave mestra de uma porta que se abria, estreita mas luminosa, para uma viagem pela transcendência que só a música permite e que têm em "The Mandé Variations" de 2008 uma plenitude inexplicável. Logo nesse ano, fomos ouvi-la a tanger na sala grande da Casa da Música - sozinho com a sua kora, Toumani conduziu-nos longe na magia e na vibração espiritual, um encantamento único e memorável. 

Já nos camarins, o abraço, a simpatia e o sorriso contínuo, que a fotografia acima tão perto nos transposta, como que selaram, afinal, que o maliano era mesmo deste mundo e que também era, e sempre será, para além de embaixador de uma música tradicional de longínquas gerações, um tesouro mundial que nunca perderá o brilho. Peace!

segunda-feira, 1 de julho de 2024

FAUSTO BORDALO DIAS (1948-2024)

















A música tradicional portuguesa perdeu no dia de hoje um dos seus expoentes máximos - Fausto Bordalo Dias representava o que de diferente e mágico o género ainda agora e sempre agrega, um misto de exotismo e poesia fantástica transformada em canções inigualáveis. Quando "Por Este Rio Acima" saiu em 1982, nos anos seguintes a nossa geração pareceu virar costas a esse património, incompreendido e rejeitado em favor do novo rock português e da invasão da música independente americana e, principalmente, inglesa. Se não fosse a insistência caseira da nossa irmã talvez os discos do Fausto ficassem esquecidos na voracidade de uma juventude, mas certo é que acabamos sempre por nos envolver nessa alquimia única das letras e das melodias. A que aqui deixamos é, pois, um dos nossos hinos secretos. Paz... e obrigado!

quarta-feira, 12 de junho de 2024

FRANÇOISE HARDY (1944-2024)













A vida de Françoise Hardy talvez se resuma, para muitos, a uma única canção que deu cume ao yé-yé - "Tous Les Garçons et Les Filles" foi motivo de êxito planetário, mas serviu para que artista ganhasse refúgio e receio quanto à vida pública e fama. Longe dos holofotes da imprensa, permitiu-lhe continuar a gravar discos em catadupa até final dos anos oitenta, onde sempre confirmou os seus dotes de cantora e compositora. Descubram, por favor, "La Question", o décimo primeiro longa-duração editado em 1971 que é um tesouro de bossa-nova luxuosa.

No dia de hoje, faleceu uma das mulheres mais bonitas e sensuais de sempre, uma beleza que nos últimos anos nunca escondeu um drama oncológico que se adivinhava fatal. Paz!  
 

quarta-feira, 8 de maio de 2024

STEVE ALBINI (1962-2024)

fotografia: Don Blandford
















O nome de Steve Albini ficará eternamente associado a grandes discos dos Pixies, dos Nirvana ou PJ Harvey. Em estúdio, rodeado de aparelhagens e botões, a eficácia da sua magia técnica elevou muitas das canções a um estatuto de perfeição rapidamente plagiado, marca de prestígio na produção musical de que nunca mais se livrou. 

Mas foi em palco que lhe tiramos a boa pinta. Guitarrista e vocalista dos Shellac, foi desde uma troca de piadas e risadas numa final de um concerto em Serralves em 2010, entre autógrafos e abraços, que passamos a reconhecer-lhe uma veia nonsense e sarcástica que se espalha, afinal, a muitas dos temas da banda. Da sua potência, da sua acutilância e desde 2012, saboreamos a prova no Parque da Cidade em todos os seus palcos como se fosse sempre a primeira vez. Albini faleceu no dia de ontem devido a um repentino ataque cardíaco. Peace!

quarta-feira, 1 de maio de 2024

PAUL AUSTER (1947-2024)














Não nos lembramos se foi a partir do cinema que passamos a ler Paul Auster ou se foi o contrário. Certo é que a notícia de um novo romance do escritor norte-americano era razão suficiente para uma ida a uma ou várias livrarias na procura da novidade, obrigatoriamente, em primeira edição, o que nem sempre conseguimos. 

Acumulamos, assim, muitas dessas aquisições que passamos a eleger para férias ou viagens de forma perfeitamente casuística. Descobrimos maravilhas, baralhamos as intrigas, mergulhamos em incertezas de enredos surpreendente e enigmáticos. Auster era, a esse nível, imbatível. Fica prometido que as quase novecentas páginas de "Um Homem em Chamas" serão no próximo verão leitura, certamente surpreendente, de cabeceira... Peace!

sábado, 20 de janeiro de 2024

MARLENA SHAW (1942-2024)





















No apogeu do cd, apanhámos nuns saldos uma compilação de 2000 dos dois primeiros álbuns de Marlena Shaw ("Out Of Different Bags" de 1967 e "Spice Of Life" de 1969) editados pela Cadet Records, uma subsidiária da então grande Chess Records, casa que a descobriu e lançou. Esses dois discos rodaram e rodaram tempos infinitos e em força no carro, em férias, em casa, seduzidos que ficamos à força e veludo da voz de Shaw numa onda de soul e funk

Em futuras investidas de digging pelo vinil, foi com espanto que agarramos uma pequena rodela portuguesa da artista de 1973 com duas versões de excelência - "Lost Tango in Paris" e "Save The Children" - sendo esta última de Marvin Gaye uma daquelas pepitas que gostamos de aplicar em algumas sessões para amigos onde tiramos o pó aos vinis, uma classe e estilo que espalhou em dezassete álbuns gravados entre 1967 e 2004. Marlena faleceu ontem pacificamente a ouvir as suas músicas favoritas... Peace! 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

ARNALDO TRINDADE (1934-2024)















A vida de Arnaldo Trindade foi, por si só, uma exemplar epopeia. A partir do Porto e de uma intuitiva veia comercial, começou na poesia e na gravação, pelos próprios, de Torga, Eugénio de Andrade ou Sophia de Mello Breyner mas cedo foi na música que assentou o negócio, multiplicando várias lojas na baixa portuense

Ignorando a Pide, deu total liberdade a José Afonso, a Adriano Correia de Oliveira, Fausto ou Sérgio Godinho para gravar o que quisessem e o resultado foi de assinalável qualidade e memória. A etiqueta que criou, a Orfeu, aglutinou o folclore, o fado ou a música popular mas seria o vanguardismo da chamada música de intervenção que o vinculou à história. Arnaldo Trindade faleceu hoje, aos 89 anos, na cidade que nunca abandonou. Paz!

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

SHANE MacGOWAN (1957-2023)














Quando os The Pogues começaram, em força, a ser escolha habitual de António Sérgio na frequência modelada, foi a rouquidão nasalada de Shane MacGowan que, depois de soar estranho, se afigurou de deliciosa extravagância. Como resistir a canções como "Summer in Siam", "A Pair of Brown Eyes", "A Rainy Night In Soho", "Dirty Old Town" ou essa bomba agitadora chamada "La Fiesta" que ao vivo, no Pavilhão das Antas, se multiplicaria em gritos, pinchos e empurrões colectivos. 

Estávamos em Abril de 1989 e já, nessa altura, a banda e o seu protagonista eram motivo contínuo de rábulas e episódios na imprensa inglesa e que rapidamente eram sinalizados por cá: muito alcoolismo, algum ácido e um monte de lata e apelão faziam dos The Pogues na figura do seu vocalista um foguetão pronto a explodir em cancelamentos de concertos, incumprimento de contratos ou curas inverosímeis. Sempre à beira da desgraça, há um filme recente sobre, vá lá, a aventura mas este é daqueles testes documentais a que nunca tivemos vontade de assistir. Aos sessenta e cinco anos, o dia de hoje, o último do mês, marca somente o epilogo de uma tragédia tantas vezes adiada. Peace!


quarta-feira, 9 de agosto de 2023

SIXTO RODRIGUEZ (1942-2023)













Como a maioria, passamos a conhecer o nome de Sixto Rodriguez a partir do excelente e premiado documentário "À Procura de Sugar Man" de 2012, uma história quase inverosímil que o ressuscitou ainda a tempo de um reconhecimento alargado (o filme está inteiro no youtube!). 

Foi pena o cancelamento, nunca bem explicado, de um concerto agendado no ano seguinte para o Primavera Sound Porto, um momento já na altura suspirado na expectativa e que teria no parque da invicta um cenário ideal de fruição para, entre muitas, a sua primeira e melhor canção - "I'll Sleep Way". O Sugar Man faleceu hoje de verdade aos oitenta e um anos na cidade natal de Detroit, E.U.A.. Peace

quarta-feira, 26 de julho de 2023

SINÉAD O'CONNOR (1966-2023)














O primeiro álbum de Sinéad O'Connor, que poucos conhecem, foi mesmo o único que ouvimos com prazer em 1987 ao mesmo tempo dos U2, dos Smiths, de Prince, dos R.E.M. ou Suzanne Vega. Temas como "Mandika" ou "Troy", os principais singles, sugeriam uma artista de sangue na guelra que a capa icónica bem confirmava e para quem escrever canções era uma terapia obrigatória. 

Bem precisou dela ao longo das décadas seguintes que o mega-hit "Nothing Compares to You" haveria de transformar numa tormenta. Quando havia notícias de O'Connor, era certo não serem boas ou prometedoras. Desistimos e desligamos o interesse há já muito tempo apesar de a termos guardado em VHS a cantar maravilhosamente Gershwin num documentário emitido pela RTP em 1994. A notícia trágica de hoje, mesmo sem causas conhecidas e de lamento sentido, acaba assim por não ser uma surpresa... Peace!