quinta-feira, 3 de setembro de 2026

OSSO VAIDOSO, Concha Acústica, Feira do Livro do Porto, 1 de Setembro de 2026

Não têm sido muitas as oportunidades de testar ao vivo a densidade dos Osso Vaidoso, projecto antigo de Ana Deus e Alexandre Soares de que "Miopia" (2016) é o último disco oficialmente editado. Nele, e para além de letras originais, adaptavam-se poemas de Alberto Pimenta ou palavras de Sá de Miranda e Nicolau Tolentino para uma musicalidade de guitarra e voz dita ou cantada. Entretanto, o conceito recebeu, durante a pandemia, um convite extensível a autores de Trás-os-Montes e a Feira do Livro do Porto seria, pois, o momento indicado para a estreia adiada na cidade desta viagem e logo em palco de lindeza rara. 

Perante uma boa plateia, sem enchente, cruzaram-se maravilhas, outrora entaipadas, de Miguel Torga (São Martinho de Anta, Vila Real), Sebastião Alba (Torre de Moncorvo), Domingos Monteiro (Barqueiros, Mesão Frio) e Maria Ondina Braga, canções de ninar em mirandês e até uma abordagem ao clássico brasileiro "Mãe Preta" como lembrança involuntária do sítio do Palácio de Cristal onde, em 1934, decorreu, aos nosso olhos, a vergonhosa Exposição Colonial Portuguesa. 

Juntou-se a contribuição da harpa feiticeira de Eleonor Picas, tudo em modo de lição literária e instrumental de evidente inquietude ou não fosse o verso "A música vinha duma mansidão de consciência" de António Gancho (1940-2006) o nome feliz do ciclo programado para FLIP deste ano. Uma sorte que a cidade agradece e que a secular Concha Acústica, em jeito de gema protectora, tem por hábito dar estremecido aconchego... 

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