sábado, 7 de dezembro de 2019

LAURE BRIARD, Maus Hábitos, Porto, 5 de Dezembro de 2019

A jovem francesa Laure Briard marcou dez datas pelo país para dar a conhecer um pouco melhor as suas canções depois de uma primeira investida em 2018 ao lado de Michelle Blades. Há hora marcada a sala portuense estava, no entanto, deserta e nas redondezas não se notava sequer qualquer sinal de agitação ou movimento apesar da bilheteira estar aberta e as luzes acesas. O que fazer?

À boa maneira tuga, prolongou-se a espera mais quarenta e cinco minutos na expectativa que alguém aparecesse por milagre de nossa senhora mas certo é que o prodígio haveria de gerar somente uma quinzena de corajosos reunidos na frente do palco para que o trio pudesse finalmente actuar. O que esperar?

Apesar de tudo, uma boa dose de avant-pop bem feita onde a influência dos Stereolab ou mesmo dos Belle & Sebastian se fez facilmente notar a que se juntou uma sedução pela bossa nova e o tropicalismo em forma de canção a venerar Jorge Ben Jor ("Jorge") ou no encosto psicadélico aos amigos Boogarins ("Coração Louco" ou "Cravado"). O soletrar trôpego das letras em português claro que acrescentou algum exotismo sorridente mas Briard não se importou ou desculpou com minudências alternando outras cantigas em francês ou inglês para o que foi empunhando com afinco as baquetas de dois tambores ou uma maraca a jogarem na perfeição com o teclado e a virtuosa guitarra. Pena que tamanho repasto musical só tenha sido saboreado por tão reduzida plateia. O que dizer?

Talvez algo muito francês à Jacques de La Palice: "Se não há concertos é porque sim, se há concertos é porque não"... ou o contrário!

JOAN SHELLEY, UMA RARIDADE!

A lindíssima Joan Shelley editou um dos melhores discos folk do ano, mais um, de nome "Like the River Loves the Sea". Sobressai nele um conjunto de colaborações instrumentais que dificilmente têm oportunidade de se duplicar e testar ao vivo onde Shelley quase sempre tem a companhia de um ou dois/duas cúmplices tal como aconteceu milagrosamente em Gaia em Setembro de 2018.

Mas na sessão gravada o mês passado para o programa de rádio "World Café" da WXPN/NPR pertencente à Universidade de Pensilvânia em Filadélfia aconteceu algo de raro - uma verdadeira e constelada banda rodeou a apresentação de dois temas do referido álbum com destaque para Anna Krippenstapel no violino, Nathan Salsburg na guitarra, Jake Xerxes Fussell no baixo e Nathan Bowles na bateria. Único!

A propósito, Shelley regressará à Europa em Maio ao lado, lá está, de Nathan Salsburg para um digressão de dez datas pelo Reino Unido, Bélgica e Holanda.




sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

JACK WHITE, FALTAVA UMA REVISTA!
















De Jack White podemos esperar quase tudo e sempre de forma surpreendente. Em 2001, quando o vinil definhava, comprou uma fábrica de prensagem de discos, quando as editoras se agrupavam apressadamente, fundou a sua Third Man Records em Nashville e agora, quando as revistas de música em papel parecem condenadas, lança a Maggot Brain, publicação trimestral cujo número um saiu esta semana!

O título foi retirado do terceiro disco dos Funkadelic com o mesmo nome gravado em Detroit em 1970 e 1971 e considerado uma obra prima do chamado funk-rock e apresenta-se com mais de cem páginas e uma linha editorial erudita cujo timoneiro é Mike McGonigal, jornalista de experiência rodada em publicações como a Spin, a Pitchfork ou em plataformas como a Amazon Music. Há, por isso, muito por onde escolher, de artigos sobre o malogrado Daniel Johnston ou o primeiro single das Raincoats (!) e nela colaboram músicos, ilustradores e fotógrafos de nomeada.

A primazia da capa recaiu em Alice Coltrane, harpista única da história jazz ao lado do marido e saxofonista John Coltrane e cujo destaque irá certamente acelerar a sua redescoberta, uma arqueologia sonora a cuja especialidade o próprio White nos foi habituando. De mestre!



quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

FAZ HOJE (16) ANOS #18






































SIGUE SIGUE SPUTNIK + URSULA RUCKER + PEACHES, Festival Blue Spot, Teatro Sá da Bandeira, Porto, 5 e 6 de Dezembro de 2003
Público, por Luís Octávio Costa, fotografia de Paulo Pimenta, 10 de Dezembro de 2003, p. 50
. Público, por Inês Nadais, 8 de Dezembro de 2003, p. 37



TIM BERNARDES NUMA SALA DE ESTAR!

Uma nova plataforma de carinho pela música chamada Pinehouse Concerts teve a sua estreia esta semana com o registo de quatro temas de Tim Bernardes na intimidade de uma sala de estar ao lado de um trio de cordas. Sem divulgação assumida da sua localização (Lisboa?), a casa ou o local aparenta ou disfarça um cenário de idade e ambiente que acerta em cheio nas canções mesmo que o som não seja ainda o perfeito e o registo em câmara estática se afigure monótono.
É propositado?

Já agora, o mano mais novo Chico Bernardes apresenta-se em Portugal entre 30 de Janeiro e 9 de Fevereiro próximos em dez cidades diferentes (Porto, Maus Hábitos, 6 de Fevereiro) para dar conta das canções do álbum homónimo publicado em Junho passado. Uma irmandade!



TOM WAITS POR MATT MAHURIN!





















A colaboração entre Tom Waits e o reputado e polivalente artista Matt Mahurin começou há mais de trinta anos quando lhe foi solicitada uma ilustração/retrato para a capa de um antologia de canções. Desde aí, ao relacionamento profissional foi-se sobrepondo uma amizade profícua cimentada em inúmeras sessões fotográficas em estúdios, registos de actuações ao vivo ou direcção de videos (vide abaixo) para temas seleccionados. 

Para que tamanho património e herança seja merecidamente do domínio público, está agora disponível um livro recheado de fotografias, ilustrações, imagens digitais e até pinturas originais que Mahurin concebeu do amigo Waits a quem foi pedido uma pequeno prefácio que antecipa um ensaio do próprio autor sobre esta longínqua parceria. Há (havia?) uma versão limitada de 250 exemplares para os chamados coleccionadores devidamente preparada e embrulhada onde se esconde uma impressão da capa do disco "Mule Variations" com a assinatura e o número firmados pelo próprio artista.

Atendendo a que um anterior livro de fotografias de Anton Corbjin desapareceu num ápice das prateleiras, se quiserem oferecer a vós próprios ou a alguém muito especial esta peça de antologia é melhor decidir com rapidez. Nós, zás, já o fizemos. 




quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

JAMES BLACKSHAW, PARA QUÊ FICAR PARADO?















Uma interrogação em forma de um belíssimo instrumental marca o regresso de James Blackshaw à música e ao prazer de a tocar depois de um retiro de quase três anos. A dificuldade em viver simplesmente da arte levou o guitarrista a parar de compor e actuar, um sacrilégio atendendo à qualidade extrema dos álbuns como o último "Summoning Suns" de 2015 ou de concertos ao vivo como o do Passos Manuel em 2014.

A renovada energia e motivação tem em "Why Keep Still?", editado na série de singles da plataforma Adult Swim, uma prova inequívoca de qualidade e talento. Queremos mais!