quarta-feira, 17 de julho de 2024

TYLER & WALKER, OH MY... GNRATION!

 













Dois dos melhores guitarristas da folk americana irão juntar-se em noite única e isso é imperdível - William Tyler e Ryley Walker tem aparição conjunta marcada para o dia 4 de Outubro próximo, sexta-feira, no GNRation bracarense, organização que lançou o desafio para uma partilha simultânea de canções instrumentais, cantadas ou sussurradas. Walker repete, assim, a presença no mesmo palco ocorrida em 2017. Os bilhetes já estão à venda...


JASMINE MYRA, Matosinhos em Jazz, Jardim Basílio Teles, 14 de Julho de 2024

A jovem saxofonista Jasmine Myra lançou recentemente "Rising", segundo álbum de originas na conceituada Gondwana Records, casa de Hania Rani ou dos Portico Quartet, que é um brinquinho de jazz subtil de texturas radiantes. Apresentá-lo ao vivo sugeria, pois, um risco ímplícito atendendo à produção preciosa de Matthew Halsall. 

Certo é que o super-colectivo que assomou ao coreto, sete músicos que, na maioria dos casos, tocaram e gravaram o disco, deu ao concerto uma segurança de delicadeza surpreendente, um verdadeiro luxo analógico em tempos de facilitismo digital, o que, ao ar livre e quase em plena natureza, se demonstrou abençoado e de fruição cimeira. À qualidade das peças, dos músicos e, já agora, do público, uma enorme vénia para quem fez o som e o calibrou numa tão grande superioridade e registo. Olha o nível!

terça-feira, 16 de julho de 2024

NICK DRAKE, PRO(E)MOÇÃO!





















A série de concertos promenade do Royal Albert de Londres para 2024, que começa na próxima sexta-feira, apresenta no programa deste ano uma soirée dedicada a Nick Drake denominada "An Orchestral Celebration" marcada para dia 24 de Julho, quarta-feira, pelas 19h30. 

Canções como "River Man", "Cello Song" ou "Time Has Told Me" serão interpretadas pela BBC Symphony Orchestra conduzida pelo maestro Jules Buckley ao lado de um leque de artistas convidados e onde se contam Scott Matthews, Marika Hackman e as The Unthanks. 

Prometida está a transmissão em directo pela BBC Radio 3 e a retransmissão futura via BBC Radio 2. Pena não haver indicações de nenhuma BBC TV. Isso é que era! Há mais de catorze anos foi assim...

FIELD MUSIC, VARIANTE Nº 9!





















Depois da surpresa de Maio passado e demonstrando, sempre, uma resiliência artística assinalável, os Field Music gravaram mais um disco de originais, o sucessor de "Flat White Moon" de 2020. Para "Limits of Language", o nono de originais, os manos Brewis não fizeram muitos planos, limitando-se a fazer valer o passado de algumas canções para chegarem a uma conclusão - a necessidade de um novo som e um novo alvo sonoro. 

A primeira prova, "Six Weeks, Nine Wells", talvez explique, ou não, o que se pretende, mas são notórias novas texturas de sintetizadores e variantes da guitarra que aguçam a curiosidade e que, de olhos fechados, confirmarão o disco como mais uma pedrada pop que aqui pela casa teremos muito gosto e vontade em partir e repartir.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

MOSES BOYD, Matosinhos em Jazz, Jardim Basílio Teles, 13 de Julho de 2024

Entre a fina selecção de músicos que já subiram ao coreto do Jardim Basílio Teles, faltava a comparência do baterista inglês Moses Boyd, verdadeira instituição moderna do chamado jazz de fusão ou nu-jazz. Ao seu lado, três aliados nessa tarefa sempre aventureira de ir torneando e contornando os instrumentos em peças de efeito rodopiante, cada um deles com direito a destaque próprio em vários momentos mas onde a guitarra gingona de Artie Zaitz se evidenciou sempre fascinante na toada quase funk

Foram, pois, muitos os momentos de perfeita simbiose a que o público, o sol e o arvoredo deram ainda mais colorido e sentido, uma sonoterapia de evidente vantagem terapêutica que se aconselha para todas as idades e maleitas e que se deve agradecer sem restrições. Os fortes aplausos e clamores prestados foram, por isso, todos mais que merecidos e sinceros, confirmando este Moses e respectivos parceiros como uns verdadeiros libertadores. Keep it free! 

THE CLIENTELE, VERÃO AZUL!






















A extensa safra "I Am Not There Anymore" dos The Clientele continua, um ano depois, a fazer-se ouvir aqui pela casa de forma recorrente já que a fibra pop de que é feita têm qualidade mais que suficiente para ser esticada, na suavidade e sem desgaste, a qualquer verão. 

Digressões e palcos não foram muitos desde aí, mas para assinalar o regresso aos E.U.A. para uma curta tournée, está prometida a reedição pela Merge Records de um sete polegadas só inicialmente disponível num concerto londrino de Janeiro passado e que ganha agora cor azul e disponibilidade global de quinhentas cópias. As canções incluídas são a maravilha "Claire's Not Real", o terceiro single retirado do disco, a que se junta o inédito "Still Corridor" no lado B, tema ainda sem streaming disponível. Encomendas aqui.

LAURA MARLING, MAGNÍFICA!





















A carreira de Laura Marling já leva oito álbuns em quinze anos. Qual deles o melhor, qual deles o maior, qual deles o mais importante em cada momento para sua vida de trinta e quatro anos e que a chegada da pandemia, em 2020, levou à antecipação do álbum de nome "Song For a Daughter" dedicado a uma filha há muito suspirada e imaginada. 

Nesse período e ao contrário da maioria, Marling resistiu à tentação de gravar novas canções, esperando por uma melhor oportunidade - o ano passado acabou por dar à luz uma menina, descobrindo depois as virtudes e as recompensas do embalo, da calma e dedicação à bebé, permitindo-lhe pegar na guitarra mais vezes e aperceber-se dessa bênção celestial que a natalidade aporta e transforma. 

A nova canção "Patterns", enorme na sua transcendência, é pois o anúncio perfeito, desde quarta feira passada, de um disco maturado na ternura e de título "Patterns in Repeat", obra de uma artista, ainda e sempre, brilhante, com aparição agendada para final de Outubro. Magnífica!

sábado, 13 de julho de 2024

UAUU #723

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #32





















A longa Rua D. Afonso Henriques, que sai da Areosa para Ermesinde, continua a ser uma artéria de forte actividade comercial e, ao longo da qual, os hipermercados acabaram também por se espalhar de forma assustadora. 

Recheada de uma variedade cada vez mais reduzida - cafés e pronto a vestir assumem-se como preferencias - a rua teria, certamente, algumas discotecas disfarçadas em espaços multi-vendas como era a Casa Caçador já por aqui referida, e seria também o caso da Admar, um pouco mais acima no sentido de Ermesinde, já na freguesia de Pedrouços, Maia. 

Discos, mas também televisões, cassetes, fitas gravadas (?), cinema, rádio, fotografia e hi-fi, a Admar ocupava duas esquinas muito próximas para vender isto tudo: os nºs 424 a 428, ainda hoje no edifício original, são uma padaria e café da rede Molete e, mais à frente, o nº 472 está já transformado em prédio moderno nas traseiras mas a esquina sugere ser ainda a primitiva ocupada por uma frutaria. 

Da Admar nada mais sabemos e a única coisa que nos trás à memória é o nome de um jogador do Porto dos anos oitenta com o mesmo nome... ou quase (Ademar).

                      Admar, Rua D. Afonso Henriques, 424-428 Areosa 
                Admar, Rua D. Afonso Henriques, 424-428 Areosa
                    Admar, Rua D. Afonso Henriques, 472 Areosa















sexta-feira, 12 de julho de 2024

STILL CORNERS, PARA PINTAR A MANTA!













Com passagem prévia agendada para Paredes de Coura (17 de Agosto), os Still Corners voltarão ao Minho menos de um mês depois para se assumirem como principal nome do cartaz do festival Manta do Centro Cultual Vila Flor de Guimarães. Tocam dia 13 de Setembro, sexta-feira, com primeira parte a cargo da portuguesa Malva. 

O dia seguinte, sábado, dia 14, terá também boa onda - o belga Meskerem Mees abrirá as hostilidades para, depois, a folk adocicada de Billie Marten pairar no jardim. Tudo à borla, tudo para pintar a manta...

terça-feira, 9 de julho de 2024

NOUT, Matosinhos em Jazz, Jardim Basílio Teles, 7 de Julho de 2024

Do trio francês Nout repete-se, invariavelmente, o dito que a sua música é um género de missing link entre Sun Ra e os Nirvana, o que na ausência de outra classificação é capaz de fazer sentido... O tamanho do emaranhado de géneros é tão grande que talvez o jazz seja o reduto alargado e perfeito para receber, de braços abertos, este desrespeito benigno por convenções tradicionais. 

Uma flauta, uma harpa eléctrica e uma bateria foram, por isso, o rastilho sobreposto, ora suave, ora irrompido, que se deu a ouvir como primeira experiência arriscada de fim de tarde perante uma plateia, talvez, pouco habituada a estas modernices. Nada que tenha feito mossa, já que o público mais que adulto manteve-se atento, expectante e receptivo a um reforço energético surpreendente, que, por vezes, ouvido à distância, sugeria estarmos perante uma qualquer banda masculina de death metal

É, pois, notável que seja um trio feminino que manda, com classe, para as urtigas as lições e obrigações instrumentais, fazendo rodar por muitos festivais a sua originalidade, registada para a eternidade num recente álbum ao vivo e que contempla faixas tocadas o ano passado em plena Festa do Jazz lisboeta. Por isso, dêem as boas vindas a uma flauta cantora e electrónica, uma harpa distorcida e arranhada e uma bateria metaleira que as pedaleiras juntam, milagrosamente, numa torrente selvagem que do nout faz muito. Bravo!

segunda-feira, 8 de julho de 2024

FAROL #153















Os enigmáticos mas maravilhosos Sault, colectivo britânico de mais que recomendada onda jazz e soul, lançaram no sábado passado, e de forma brusca, mais um álbum, no caso "Acts of Faith", traduzido numa única faixa de trinta e dois minutos audível no youtube mas também pronta para imaculada descarga gratuita - oupa!

sábado, 6 de julho de 2024

SCOTT MATTHEWS, Mr NOVEMBER!














O amigo inglês Scott Matthews, que nos visitou o ano passado em Arcos de Valdevez, está de regresso em Novembro para mais um punhado de convívios bem dispostos e em que as canções nunca cansam, havendo, para já, datas marcadas para o Montijo (dia 15), Vila Real de Santo António (dia 16) e Leiria (dia 17). 

Será uma pena que a digressão não chegue mais a norte onde uma série de estimados compinchas o aguardam, como sempre, com carinho e amizade. Se for preciso uma ajuda para desenrascar estadia e um local para (en)cantar, é só avisar... home & dry!

quarta-feira, 3 de julho de 2024

MERCURY REV, FANTASIEMOS!





















Talvez os Mercury Rev não tenham nunca mais alcançado a profundidade e eternidade de "Deserter's Songs", um marco sonoro lançado em 1998 e a que o amigo David Friedman deu arranjos sublimes. Talvez aos Mercury Rev também não se deva pedir que o façam mas é certo que muitos dos álbuns seguintes, mesmo sem deslustrar esse legado, se tenham sempre nivelado por uma pop aceitável e sem riscos. 

Agora, quando vislumbramos a capa de um novo disco de tonalidade aproximada nas cores e na tipografia ao referido "Deserter's Songs", fomos a correr ouvir as canções, mas de "Born Horses" de seu título, com saída pela Bella Union em Setembro, só duas estão audíveis, as primeiras em nove anos de ausência de originais. Mesmo assim, a coisa "espiritual" promete.

Registado, como é hábito, em Catskill Mountains, Nova Iorque, a sonoridade estica-se num género de psicadelismo ambiental, uma mescla assumida de negritude e claridade com muito passado e arrojado futuro a lembrar bandas sonoras de ficção científica ou de romances visionários. Fantasiemos pois...


terça-feira, 2 de julho de 2024

KEVIN MORBY E UMA ORQUESTRA PORTUGUESA!





















O regresso a Portugal, o seu país preferido, do ente-querido Kevin Morby acontece em Novembro para cinco datas com a orquestra da Escola Profissional de Música de Espinho. Promete "escavar" o seu reportório e apresentar algumas canções novas em formato inédito e desafiante, o que implicará, certamente, alguns dias de prévia estadia artística. Antes da volta portuguesa, Morby fará sete espectáculos com banda pelo centro da Europa.  

Os concertos de Novembro são os seguintes: Teatro das Figuras, Faro, quarta, 20; Culturgest, Lisboa, quinta, 21; Theatro Circo, Braga, sexta, 22; Teatro Viriato, Viseu, sábado, 23 e Auditório de Espinho a 24, domingo, pelas 18h00, local onde deu um magnífico concerto no mesmo mês de 2016. Bilhetes para Espinho aqui. Espera-se triunfo...

segunda-feira, 1 de julho de 2024

FAUSTO BORDALO DIAS (1948-2024)

















A música tradicional portuguesa perdeu no dia de hoje um dos seus expoentes máximos - Fausto Bordalo Dias representava o que de diferente e mágico o género ainda agora e sempre agrega, um misto de exotismo e poesia fantástica transformada em canções inigualáveis. Quando "Por Este Rio Acima" saiu em 1982, nos anos seguintes a nossa geração pareceu virar costas a esse património, incompreendido e rejeitado em favor do novo rock português e da invasão da música independente americana e, principalmente, inglesa. Se não fosse a insistência caseira da nossa irmã talvez os discos do Fausto ficassem esquecidos na voracidade de uma juventude, mas certo é que acabamos sempre por nos envolver nessa alquimia única das letras e das melodias. A que aqui deixamos é, pois, um dos nossos hinos secretos. Paz... e obrigado!

domingo, 30 de junho de 2024

JOAN AS POLICE WOMAN, SEXY!





















Depois do excelente "The Solution Is Restless" de 2021 que mereceu atribulada apresentação ao vivo no ano seguinte, lady Joan Wasser aka Joan As Police Woman regressa aos discos de originais já em Setembro com "Lemons, Limes And Orchids", doze temas nocturnos sobre amor e perda e um acerto de contas com a nossa desorientação colectiva. 

Nas suas palavras, o décimo longa duração foi registado à moda antiga, isto é, com a Wasser a cantar ao mesmo tempo que os músicos tocavam, banda em que alinhou Meshell Ndegeocello no baixo a uma série de músicos habituados a tocar com Alanis Morisette, St. Vincent ou Liam Gallanger. Esta primazia da voz e segundo uma amiga, tornou o álbum no mais sexy de todos! Nada como o confirmar com o primeiro single "Long For Ruin"...

sexta-feira, 28 de junho de 2024

WILCO, A ESCALDAR!












Anunciado o mês passado, só agora se torna possível ouvir temas de um novo Ep dos Wilco chamado "Hot Sun Coll Shround" saído digitalmente hoje mas que tem edição em vinil de 10" vendida em exclusivo na edição deste ano Solid Ground Festival, evento que ocupa o Museum of Contemporary Art de Mssachusetts até ao próximo Domingo numa organização da própria banda. Os compradores poderão, eles próprios, desenhar a capa do disco usando autocolantes, contidos na embalagem, pertencentes à série artística "Bad Fruit" da autoria de Kathleen Ryan. A melhor proposta, sujeita a concurso, será utilizada como capa oficial das futuras edições

Os seis temas novos, dois deles instrumentais, são, nas palavras de Jeff Tweedy, "do mais agressivo e angular" que a banda alguma vez gravou mas há baladas - "Say You Love Me" ou "Ice Cream" - destinadas a prolongar o sabor do gelado de um verão que se adivinha escaldante.



terça-feira, 25 de junho de 2024

EMILIANA TORRINI, POP FLORIDA!





















Se sobre a presença em palcos portugueses de Emiliani Torrini já lá vão quinze anos, quanto aos álbuns de originais mais de uma década também já passou sobre "Tookha" de 2013. Os hiatos foram o ano passado encurtados com "Racing the Storm" ao lado do colectivo Colorist Orchestra mas um sétimo longa duração em nome próprio saiu este mês pela Grönland alemã com o título de "Miss Flower". 

O disco teve como fonte inspiradora um acaso - aquando de uma visita à amiga inglesa Zoe enlutado pela morte da mãe, foi descoberta uma caixa de cartas da falecida Geraldine Flower, mulher que recebeu nove propostas de casamento, todas rejeitadas, e teve uma intensa correspondência com um homem de nome Reggie. Refugiada no apartamento londrino da amiga, Torrini tratou de se afundar nas pessoas, histórias e acontecimentos aí referidos ou relatados para compor dez novas canções de imediata sedução, seja pelo sotaque nórdico do seu inglês seja pelos arranjos pop-up com que compôs o ramalhete com a colaboração habitual de Simon Byrt, marido de Zoe. 

Para a capa do disco foi escolhida uma imagem antiga de Geraldine Flower sentada num café ao lado de um homem mas que foi trabalhada e editada de forma a que, no lugar do pretendente masculino, fosse colocada a própria Torrini. Um regresso florescido que, por isso, se saúda, que terá digressão europeia lá para o Outono e onde estão prometidas, a três dimensões, mais revelações de um legado misterioso e inacabado. 



quinta-feira, 20 de junho de 2024

KING KRULE, SHHHHHH!





















O álbum "Space Heavy" de King Krule, que foi lançado há cerca de um ano, continua activo no seu notável experimentalismo e profundidade. Na digressão correspondente chamada "SHHHHHH!", um título nada inocente, que percorreu os E.U.A. e parte de Europa em quase quarenta concertos, foram vendidos quatro coloridos flexi-disc em vinil com algumas preciosidades que se tornaram verdadeiras peças de colecção

Um ano depois, a XL Recordings publica um EP com o mesmo nome onde passam a estar disponíveis os temas "Achtung”, “All Soup Now”, “Time For Slurp” e “Whaleshark”, os tais que só alguns arrebanharam e que agora passam a ter edição oficial em rodela grande ou em duas pequenas rodelas de vinil. Para um deles, Andy Marshall partilhou com Josh Renaut a realização de um video a preto e branco ao lado dos parceiros de banda e digressão, a saber, o saxofonista Ignacio Salvadores e o baixista George Bass. 




ANNA ST. LOUIS, MAIS UM REFRESCO!

Ao excelente álbum do ano passado "In The Air" de Anna St. Louis, que  já estava bem recheado com onze canções, faltava afinal mais um refresco - "Farther Away" ficou, na altura, de fora mas foi no Inverno retomada pela própria e pelo produtor Jarvis Taveniere com o intuito de a concluir e libertar...

Para o efeito, juntou-se um vibrante saxofone de Adam Schatz da banda Landlady e o resultado, que a própria classifica como algo entre os Rolling Stones, Otis Redding e Lucinda Williams e, dizemos nós, Angel Olsen, é pura classe. Será que não haverá mais sobras?   

quarta-feira, 19 de junho de 2024

NICK DRAKE 76!















Parabéns NICK!

BRANDEE YOUNGER EM ESPINHO!





















A harpa de Brandee Younger tem data marcada por perto para se fazer ouvir em toda a sua maravilhosa dimensão - dia 16 de Novembro próximo, sábado, em Espinho, passando na véspera pelo Capitólio lisboeta, dois concertos no âmbito do Misty Fest de 2024. Bilhetes em breve.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

KARA JACKSON, GNRation, Braga, 15 de Junho de 2024

O aclamado álbum "Why Does the Earth Give Us People to Love?" que marcou o ano passado a estreia de Kara Jackson talvez seja premonitório quanto ao que chamamos folk. Confessional, mas arriscado, íntimo, mas partilhável, nele sucedem-se uma série de canções de narração destilada na reivindicação política, no desprezo social ou na marginalização de géneros. Tudo de poética muito própria e de uma propositada nudez da guitarra que se vai afiando, pausadamente, até ao limite. 

Ao vivo, na escuridão colorida da esgotada sala minhoto, o que se esperava era isso mesmo - ouvir esses lamentos vincados pela sua voz densa e de adorno nas cordas salientes da acústica. Surpreendeu, logo a abrir, a versão de "Right, Wrong or Ready" de Karen Dalton, um género de introdução venerada para, logo de seguida, nos começar a agarrar com mais força aos originais - "No fun/party" foi, a esse nível, uma das cordas mais longas e subtis e de onde escorregou uma vulnerabilidade que se manteve latente, na sua sinceridade, até ao fim. 

Mas outras cruezas como "Rat" ou o "Dickhead Blues", momentos altos do disco, tornaram-se também magistrais sequências melódicas e visuais que a plateia, de um respeito e silêncio religiosos, absorveu em nítido e contido deleite. Uma noite de viagens entre o amor e a perda, entre a compaixão e a repulsa que são, muitas das vezes, banais mas que na profundidade desta composição e voz se afiguraram de invulgar raridade e delicado arrepio. Obrigado, minha Kara!    

UAUU #721

RESSURGEM OS LITTLE WINGS!





















O génio de Kyle Field aka Little Wings, demonstrado numa catadupa de discos em 2020, parecia ter hibernado em 2022 com a reedição melhorada de "Zephyr". Abram, contudo, as janelas para que "High on the Glade", um novo disco de festa, se faça ouvir bem alto, uma cortesia da Perpetual Doom, casa de New Hope, Pensilvânia, de matriz independente. 

São dez novos e curtos temas onde a voz inconfundível de Field se renova num género de vaudeville sarcástico registado à moda antiga, isto é, em fita analógica de quantidade limitada e, por isso, um contratempo que Field assumiu como facilitador, feliz e iluminado. Uma tarde bastou, então, para concluir a tarefa com ajuda de sete amigos músicos, sendo sua, como sempre, a fotografia da capa. Mais um excelente ressurgimento pop!