Uma jóia viva é também Sir Richard Bishop, guitarrista dito experimental a quem já não púnhamos os ouvidos e olhos em cima há, praticamente, quinze anos e que
continua, resiliente, a sombrear contornos feiticeiros a uma sonoridade da folk ou do raga, mas que se estende a trilhos dedilhados do norte de Àfrica ou Médio Oriente. À indução de sortilégio previsível responderam cerca de sessenta pecadores interessados na remissão acústica, uma notada maioria com saudades dos Sun City Girls ou dos Six Organs of Admittance e de espírito aberto a composições e/ou improvisações de (ex)tensão puxada em seis cordas de uma guitarra espiritual. Ninguém saiu desiludido.
A benção, centrada no álbum do ano passado "Hillbilly Ragas", ora de curto ou longo recital, confirmou um Bishop em plena forma e a conduzir-nos, noite dentro, por entre montanhas nebulosas ou bosques de treva escura, mas que não metem medo a nenhuma alma interessada na perdição de uma luz e som de intensidade variável e termal. Ofuscante seria o momento de quinze minutos com que pretendia terminar a sessão, não fosse estar refém na logística do palco, acrescentando, depois das muitas palmas, uma pequena pérola bónus, de pouco mais de dois minutos, só para nos fazer limpar o trago da poção energética. Este Sir é mesmo um senhor cavaleiro da guitarra!
















