domingo, 22 de setembro de 2019

BILL CALLAHAN, SUSPIRANDO!

Ainda e sempre à espera de uma sagrada aproximação do venerável pastor Bill Callahan a um qualquer santuário purificador, aqui fica um paliativo para ir preparando a suspirada comunhão...

UAUU #504

sábado, 21 de setembro de 2019

DAVID BRUNO, UM CROMO EM MIRAMAR!















O nome de David Bruno surgiu-nos via Antena3 no passado Festival Tremor a contar histórias de sotaque nortenho com referências curiosas a V. N. de Gaia e Rio Tinto. Hoje, pela mesma via, ao ligar o rádio em Miramar não é que o mesmo db, como é conhecido o beatmaker do Conjunto Corona, no Festival Iminente de Monsanto dedica uma canção ao Bar do Bano e ao Horto Flor do Norte, instituições de Miramar que bem conhecemos e, claro, fomos esclarecer tamanhas coincidências!

Se o primeiro álbum "O Último Tango em Mafamude" de 2018 já era um tributo à Gaia kitch que podem aprofundar na primeira pessoa aqui, o mais recente disco saído ontem que tem o maravilhoso título de "Miramar Confidencial" é uma crónica conceptual à volta de um tal Adriano Malheiro, nome que bem conhecemos dos murais da zona e que serviram de inspiração à trama das canções a ser esmiuçada por esta via. Junta-se ainda uma loja de artigos em segunda mão da Avenida de Gaia de que, caramba, somos clientes há anos, o Hotel Mirassol, o Areal, o Iodo, o Chez-Maurice, o Solar, a Céu-Azul, a capela do Sr. da Pedra, o Dom Marisco, a Madalena e até o Reijin... 







sexta-feira, 20 de setembro de 2019

FAZ HOJE (28) ANOS #11





















THE PSYCHEDELIC FURS, Cinema Vale Formoso, Porto, 20 de Setembro de 1991
Público, por Amílcar Correia, fotografia de Alexandre Carvalho, 22 de Setembro de 1991, p. 32



RICHARD HAWLEY, UMA BALADA FINAL!

Começa a ser um hábito a cada último episódio de "Peaky Blinders" surgir uma versão de Bob Dylan. Em 2017, aquando da 4ª temporada, foi a vez de Laura Marling brilhar em "A Hard Rain's A Gonna Fall" o que torna agora a acontecer com Richard Hawley que se lança a "Ballad Of A Thin Man" de forma brilhante para o último trecho da 5ª temporada a exibir pela BBC no próximo Domingo. 

O original incluído em "Highway 61 Revisited" em 1965 é, de qualquer forma, imbatível mas Hawley e sua banda, fãs do músico e da série, acabam por não desiludir na abordagem e cuja lírica encaixa perfeitamente na narrativa, um western urbano de mafiosos bem vestidos centrado em Birmingham dos anos 20 que recebeu já canções de Bowie, Iggy Pop, Anna Calvi, Nick Cave ou das Savages. Ficamos ansiosamente à espera do respectivo 7" de vinil que se impõe!     

A referida 5ª temporada começou a ser emitida em Agosto passado e em Portugal estará disponível na Netfix a partir de dia 4 de Outubro.





quinta-feira, 19 de setembro de 2019

PORTO/POST/DOC REPETE SAKAMOTO!

A divulgação ontem do programa prévio da edição de 2019 do festival Porto/Post/Doc relativa à música na secção Transmission trás boas novidades. Entre os documentários a projectar destacam-se os alusivos a Leonard Cohen, a bandas como New Order ou Suede mas a nossa atenção recairá sobre a estreia pela Invicta do filme "Coda", uma biografia sobre Ryuichi Sakamoto. O imenso artista japonês já na edição do ano passado mereceu destaque com a apresentação das imagens relativas a um dos concertos nova-iorquinos do maravilhoso "async" a que só faltou mesmo juntar este "Coda", uma lacuna que se irá finalmente preencher numa qualquer noite entre 23 de Novembro e 1 de Dezembro.     

ALLAH LAS, DO DESERTO PARA O MUNDO!















O novo álbum dos californianos Alla-Las está quase aí e, curiosamente, o mais recente single tem letra e cantoria em português, uma tendência infalível dos últimos tempos que assenta na indiscutível mossa provocada pela audição de boa música brasileira.

Assim, entre os treze novos temas está "Prazer Em Te Conhecer" cantado pelo baterista Matt Correia, um apelido que não engana, e que pretende fazer ainda uma enorme vénia a George Harrison. Correia é também o autor das imagens do respectivo video captadas ao longo da intensa e aventureira digressão dos últimos meses por vários continentes e regiões.

O disco chamado "LAHS" estará disponível na Mexican Summer dia 11 de Outubro mas antes a banda regressa ao nosso país, a 25 de Setembro tocam no LAV - Lisboa ao Vivo de Lisboa, depois de terem passado por Coura em 2015.





quarta-feira, 18 de setembro de 2019

DUETOS IMPROVÁVEIS #219

TIM BERNARDES & CAPITÃO FAUSTO
Recomeçar (Bernardes)
Estúdio Cuca Monga, Alvalade, Portugal
Novembro de 2018

OUTONO/INVERNO: COLHEITA 2019!



















Mesmo sem saber se e como nos vamos sentar por Braga, de quais os eventos apetecíveis para a mensalidade natalícia ou de muitos outros que continuam estranhamente por divulgar, aqui fica uma sugestiva e seleccionada colheita de concertos para os próximos dois meses. Como não temos dotes de ubiquidade, telecinesia ou multiplicação de euros, o melhor é mesmo ficar por aqui...

. LUBOMYR MELNYK
Culturgest, Lisboa, Quarta, 2 de Outubro (14€)
. KEIJI HAINO
Serralves, Porto, Quinta, 3 de Outubro (7€)
. NORBERTO LOBO
Assoc. da Pasteleira Torres Vermelhas, Porto, Sexta, 4 de Outubro (gratuito) 
. JOZEF VAN WISSEM
Teatro Rivoli, Porto, Understage, Sexta, 4 de Outubro (7€)
. GHOSTLY KISSES
Hardclub, Porto, Quinta, 10 de Outubro (20€) 
. THALIA ZADEK
Plano B, Porto, Sexta, 11 de Outubro (8€)
. EMMA RUTH RUNDLE
Hard Club, Porto, Amplifest, Sábado, 12 de Outubro (?)
. JAY-JAY JOHANSON
Auditório de Espinho, Sábado, 12 de Outubro (10€)
. THE ART ENSEMBLE OF CHICAGO
Casa da Música, Porto, Outono em Jazz, Terça, 15 de Outubro (20€)
. THE COMET IS COMING
Hard Club, Porto, Quarta, 16 de Outubro (20€)
. SEBADOH
La Iguana, Vigo, Quarta, 16 de Outubro (17€)
. JULIE DOIRON
Radar Estudios, Vigo, Quinta, 17 de Outubro (14€)
. EFTERKLANG
Hard Club, Porto, Quinta, 24 de Outubro (25€)
. KELSEY LU
Musicbox, Lisboa, Quinta, 24 de Outubro (12€)
. JESSICA PRATT
Musicbox, Lisboa, Terça, 29 de Outubro (17€)

. HEAVY LUNGS
Festival Mucho Flow, Guimarães, Sexta, 1 de Novembro (?)
. MARK GUILIANA
Casa da Música, Porto, Outono em Jazz, Segunda, 4 de Novembro (18€)
. WEYES BLOOD
GNRation, Braga, Terça, 5 de Novembro (12€)
. BELLE & SEBASTIAN
Aula Magna, Lisboa, Quarta, 6 de Novembro (24€)
. PRIMAL SCREAM
Hard Club, Porto, Quarta, 6 de Novembro (35€)
. CHARLES LLOYD
CCVila Flor, Guimarães Jazz, Quinta, 7 de Novembro (15€)
. CASS McCOMBS
Auditório CCOP, Porto, Quinta, 7 de Novembro (15€)
. WILLIAM TYLER
Auditório de Espinho, Sexta, 8 de Novembro (8€)
. THE DIVINE COMEDY
Theatro Circo, Braga, Sábado, 9 de Novembro (32€)
. VIJAY IYER AND CRAIG TABORN
CCVila Flor, Guimarães Jazz, Sábado, 9 de Novembro (15€)
. GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR
Hard Club, Porto, Domingo, 10 de Novembro (30€)
. JOE LOVANO TAPESTRY TRIO
CCVila Flor, Guimarães Jazz, Quarta, 13 de Novembro (15€)
. HOLLY HERNDON
Culturgest, Lisboa, Quinta, 14 de Novembro (16€)
. JONATHAN WILSON
Theatro Circo, Braga, FPGSentada, Sexta, 15 de Novembro (?)
. JOAN AS POLICE WOMAN
Teatro Diogo Bernardes, Ponte de Lima, Domingo, 17 de Novembro (?)
. ROBERT FORSTER
Passos Manuel, Porto, Sexta, 22 de Novembro (15€)
. THE MOUNTAIN GOATS
Cafe & Pop Torgal, Ourense, Sábado, 23 de Novembro (15€)
. AMANDA PALMER
Theatro Circo, Braga, Domingo, 24 de Novembro (20/25€)
. JOSH ROUSE
Hard Club, Porto, Quinta, 28 de Novembro (20€)

JONATHAN WILSON, UM HOMEM DO CAMPO!

Tal como anunciado em entrevista recente ao Blitz, há um disco novo de Jonathan Wilson já gravado e pronto a sair lá para Março de 2020. Ainda sem título e como se comprova pelas duas canções hoje disponibilizadas, a onda assenta numa sonoridade country ou não fosse o trabalho inteiramente registado com a ajuda da nata de músicos de Nashville, cidade onde coproduziu a totalidade dos novos temas a meias com o amigo Pat Sansonite dos Wilco.

Aparentemente e sem confirmação oficial, a não ser a palavra do próprio, Jonathan Wilson estará na próxima edição do Festival Para Gente Sentada, dia 15 de Novembro, para sozinho encantar o Theatro Circo de Braga.
   


COURTNEY MARIE ANDREWS, Auditório CCOP, Porto, 15 de Setembro de 2019

Já lá vão cinco anos sobre uma noite galega onde uma jovial Courtney Marie Andrews nos apareceu à frente para nos encantar sem piedade. Apesar de algum nervosismo, a voz e a beleza das canções passaram a merecer desde então a nossa particular atenção em discos de qualidade extrema a que muitos chamam country mas que, facilmente, ultrapassa essa ou outras etiquetas de género.

A estreia no Porto só veio confirmar o perfume de talento que há muito exala das suas canções, uma fragrância já longínqua para quem começou na adolescência a tentar a vida artística como suporte do dia-a-dia mas que, não o conseguindo, a projectou para diversos empregos e experiências, um mundo americano de proximidade inspirador de muitas dos seus temas como "How Quickly Your Heart Mends", o espelho de "muita vida" como bartender e que podemos confirmar em imagens na ternura do respectivo video...

Ao contrário da afronta política e social dos últimos tempos, foi uma América positiva e solidária que pairou na penumbra da sala e que se desfez pela claridade dos temas de voz fascinante, acelerando cenários, sons e paisagens saídos de um qualquer auto-rádio instalado num enorme convertível a caminho do mar. Era essa a travessia americana que sonhamos há muito realizar mas que nunca sequer planeamos a não ser no suporte e fundo musical que teria em Andrews a eleição perfeita. Valha-nos que, à sua custa e durante mais de uma hora, viajámos por lá sorridentes e de bom grado sem sair sequer do lugar!

terça-feira, 17 de setembro de 2019

TINY RUINS, NOVO CHAMAMENTO!















O recente apelo que aqui fizemos para uma urgente passagem de Hollie Fullbrook aka Tiny Ruins por um qualquer anfiteatro vizinho, terá em breve mais um argumento de peso com a edição dia 27 deste mês de uma variante acústica de todas as canções do álbum "Olympic Girls".

As onze versões, certamente muito próximas das que a menina apresentará na digressão a solo pelos E.U.A. ao lado de, tchhh, Aldous Harding e depois pela Europa em nome próprio, foram registadas em Auckland, Nova Zelândia, em três tardes do final de 2017 com uma simples guitarra Guild emprestada pelo amigo Jonathan Lee aquando da mistura final do referido disco nos estúdios Roundhead. Olímpica, esta menina!
     


UAUU #503

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

RIC OCASEK (1944-2019)













Apesar da indisfarçável indiferença que os The Cars sempre nos causaram, alguma da urticária poderá ser incompreensível atendendo a uma corrente pop new wave de reconhecido talento saído da insistência de Rick Ocasek, falecido inesperadamente no dia de hoje. Chegamos até a tentar conhecer e perceber o porquê do tamanho do êxito e essa demanda, confessamos, acabou por suavizar um pouco a irritação. Seja como for, peace!



 

sábado, 14 de setembro de 2019

DRAHLA, Plano B, Porto, 12 de Setembro de 2019

O disco de estreia dos Drahla, banda de Leeds que não brinca em serviço quanto ao legado pós-punk que os Sonic Youth ou os Wire semearam sem pousio, segue todas as instruções que essa recreação sonora foi reinventando. As canções, como já foi sugerido, percorrem os tradicionais elementos instrumentais de baixo vincado a comandar a guitarra e a puxar a bateria que se reorganizam em novos padrões ao jeito de um jogo de Tetris mas há, contudo, um pormenor infeccioso que advêm do  uso de um saxofone em alguns temas a cargo de um tal Chris Duffin, tornando a dose anda mais saborosa e suculenta tal como acontece no recomendado disco new wave dos French Vanilla.

Ao vivo, no recanto portuense perante meia centena de curiosos, desse toque soprado não se ouviu sequer um laivo e o trio assentou a apresentação na tal receita habitual mas cuja qualidade de execução nos surpreendeu pela excelência de atributo, entrega e competência talvez fruto de alguns anos de muita estrada e boas companhias como os Ought ou os Metz. Pena alguma frieza da plateia, pouco reactiva e algo frouxa, surpreendida pelo vigor e poderio de um som pleno e bem calibrado que durou quarenta e cinco bons e intensos minutos. Zás, voos mais altos se adivinham para os Drahla e que bem os merecem!   

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

DEVENDRA BANHART, OH CAROLINA!

Numa primeira e atenta audição a "Ma", o novo de Devendra Banhart, há uma canção que de imediato se destaca pela subtileza e beleza da lírica cantada em português, uma opção que precisa de nítida prática mas que resulta num docinho de fofura.

Para aferirem da capacidade de Banhart, ouçam lá "Carolina" em duas recentes versões registadas em rádios norte-americanas, ambas com uma "abordagem" algo longe do original do disco, esse sim quase totalmente perceptível. Há ainda muito tempo até Fevereiro para confirmar a evolução linguística que se impõe para quando chegar a vez dos concertos portugueses, o verdadeiro teste final que, certamente, contará com a ajuda de toda uma plateia. E, sim, caro "caro" Devendra, deverias aprender português mas parabéns pelo esforço...     



WILCO, TRIBUTO DE PESO!





















Não é certamente fácil melhorar as canções que os Wilco têm feito ao longo de 25 anos de carreira que se assinalam este ano mas não há nada como tentar...

O desafio lançado a dezassete cotados artistas e bandas onde se incluem nomes, no feminino, como Courtney Barnett, Cate Le Bon, Mountain Man ou Sharon Van Etten e, no masculino, Kurt Vile, Ryley Walker, Low ou Whitney, tem a forma de um CD oferta na edição de Novembro da revista inglesa Uncut à venda dia 19 de Setembro! As covers foram propositadamente registadas para o efeito (ok, parece que uma delas era já pré-existente) e servem também para assinalar o lançamento de "Ode to Joy", o décimo primeiro trabalho de estúdio dos Wilco a sair a 4 de Outubro.

Aqui fica a excelente tentativa de Cate Le Bon remexer em "Company In My Back", original incluído no mítico álbum "Ghost Is Born" de 2004.

HAND HABITS JUNTA-SE A ANGEL OLSEN!





















O telefonema de um amigo atento que ainda não se apressou na aquisição de bilhete para o concerto de Angel Olsen no Porto em 24 de Janeiro próximo trazia a boa-nova - nas primeiras partes de todas as quase vinte datas programadas para Europa e que servem de apresentação do novo álbum "All Mirrors" a sair em Outubro, teremos o previlégio de ver e ouvir o projecto Hand Habbits a cargo da guitarrista Meg Duffy! A parceria repete uma digressão realizada por algumas cidades americanas em 2018 em que ambas se apresentaram sozinhas.

Este dois em um quase milagroso servirá assim também para a estreia em palcos nacionais de um conjunto maravilhoso de canções que preenche todo o álbum "placeholder" já por aqui merecidamente destacado, uma torrente talentosa que nos habituamos a ver ao vivo ao lado de Kevin Morby e em discos de William Tyer ou Weyes Blood. Adivinha-se, obviamente, um qualquer dueto ao longo de tamanho e prometedor serão...   



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

UAUU #502

KEVIN MORBY, UM FILME DE OMG!

Disponível desde meados de Agosto no imenso tubo colectivo, os trinta minutos de "Oh My God" em filme merecem uma visualização pausada e, que se aconselha, despreocupada.

A tenacidade de Kevin Morby em conceber um acompanhamento visual para o trabalho deste ano com o mesmo nome funciona como um delírio criativo de pitada psicadélica alusiva, tal como o disco, à religião e às suas implicações metafísicas ou até filosóficas. Registado em Kansas City pelo amigo realizador Christopher Good e não God, foi com ele que escreveu um guião fantasioso que preenche de imagens algumas das grandes canções do álbum mas onde submergem situações e cenas de vincada e salutar alucinação como o diálogo fascinante com uma empregada de bar! 

Resumindo, um projecto arriscado e certamente inspirador mas que deve ter custado uma pipa de massa, tanta de que até nem o site oficial escapou à cativação!

O músico tem regresso marcado a Portugal para 23 de Novembro, sábado, no Super Bock Em Stock lisboeta mas suspeitamos que ainda haverá tempo, nos dias a seguir, para um salto à amada cidade do Porto, tal como prometido em Julho passado!

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

DANIEL JOHNSTON (1961-2019)















A vida de Daniel Johnston que hoje chegou ao fim sugere uma montanha de problemas e dependências enroladas mas que nem uma indefensável doença degenerativa o retirou das cassetes, das canções ou das digressões. Ver o documentário sobre essa turbulência deu-nos uma série de nós na garganta mas na altura aproximava-se uma surpreendente visita ao Porto maravilhosamente documentada pela La Blogothèque... Vê-lo, resistente, em 2013 no Parque da Cidade perante uma multidão unida na homenagem e aplauso é, ainda hoje, um daqueles memoráveis momentos que emociona e nos satura os olhos de água pelo simples amor à música. Peace!



JOSH ROUSE, NATAL EM CALÇÕES?





















Pode ser que, às tantas, as velozes mudanças climáticas nos levem à praia em pleno Natal ao jeito da Bondi Beach australiana carregada de surfistas com barrete de Pai Natal, mas o mais que espanhol vindo do Nebraska chamado Josh Rouse antecipa tudo e todos e anuncia um álbum natalício que, diz, pode ser ouvido ao longo de todo o ano!

O agora mediterrânico valenciano promete melodias harmoniosas de paisagem nostálgica, uma pop que Rouse pratica e bem há mais de vinte anos e que receberá o simples nome de "The Holiday Sounds of..." a sair no primeiro dia de Novembro. Numa edição limitada do disco, inclui-se um EP de 12" com algumas demos e uma versão incontornável de "All I Want For Christmas" da Maria Cárie.

Relembra-se que Josh Rouse tem concerto pré-natalício marcado para o Hard Club no dia 28 de Novembro. Oh, Oh, Oh!

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TINY RUINS, UM CHAMAMENTO!















Caros e prezados promotores abençoados,

Tem esta casa primado por manter segredo quanto ao efeito das canções da menina Hollie Fullbrook aka Tiny Ruins. Estávamos a brincar. Queremos que a habituação de origem nos antípodas neozelandeses se espalhe sem contemplações por entre almas sensíveis e bondosas como quase todas as que se sentam no escuro dos vossos teatros, salas ou auditórios e que têm, certamente, o gosto e prazer em acolher e bem receber.

É certo que também temos a Jacklin, a Bedouine, a Tomberlain, a Pratt ou a Russack mas atendendo à dependência emitida pelo último disco "Olympic Girls", aqui fica o apelo para que, mesmo não desprezando uma qualquer oportunidade para fazer chegar perto alguma dessas feiticeiras, não se distraiam nos chamamentos logo agora que a menina Hollie tem uma rara digressão a solo no Outono marcada para a Europa que só termina em meados de Novembro.

Bem hajam!

Assinado,
Um depedente desesperado



terça-feira, 10 de setembro de 2019

DUETOS IMPROVÁVEIS #218

TIM BERNARDES & SALVADOR SOBRAL
Anda Estragar-me os Planos (Cortesão/Cabral)
Versão original incluída no álbum "Paris Lisboa", 2019

3X20 SETEMBRO

















HOLLY MIRANDA, Festival Manta, C. C. Vila Flor, Guimarães, 7 de Setembro de 2019

Não há fome que não dê em fartura! Se Holly Miranda era até há pouco mais de um ano uma artista que perecia distante do norte do país, desde a sua estreia no Hard Club em Novembro passado que a curiosidade e atenção sobre as suas canções cresceu a olhos vistos, sendo esta dádiva do Manta a oportunidade para o culto se confirmar e alastrar.

Em sessenta minutos, só houve tempo para três originais, um deles inédito e posicional em relação à política norte-americana ("Exile in Alicante"), já que a bem disposta Miranda decidiu descomprimir de um outro concerto na mesma tarde por Espanha ao alinhar um série de dez versões distintas e poderosas! Queixou-se da voz, alérgica a um qualquer gramínea galega, mas não notamos o defeito já que a continua catadupa de covers recebeu um exemplar tratamento e afago quer ao piano quer à guitarra, uma invejável colecção que dispensou Jeff Buckley mas triplicou no songbook de Cohen, entre George Harrison, Sam Cooke, Van Morrison, Irving Berlin, Springsteen, Nina Simone e, caramba, Portished! Só faltou, diríamos, o "Under a Blanket of Blue" do Sinatra... Obrigato!


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O BOM, O MAU E O AZEVEDO + JP SIMÕES/BLOOM, Piquenique Dançante Sobre a Relva, Casa da Artes, Porto, 7 de Setembro de 2019

Como cantava Lou Reed, o dia era perfeito para um copo de sangria pelo parque, neste caso, o frondoso jardim da Casa das Artes. A oferta de bebidas era diversa e o ambiente descontraído, um misto de passeio de pais e filhos ou amigos em fim ou início de férias e um encontro informal de músicos e outros artistas, todos a pôr a conversa e as brincadeiras em dia sem pressões desde que houvesse música de fundo e sombra para juntar cerveja ou chá gelado aos snacks trazidos de casa.

No palco, quando chegamos, soava um género de surf-rock de guitarrada vincada quase em jeito de homenagem ao pioneiro Dick Dale, falecido este ano mas eternizado em "Pulp Fiction". A receita vintage a cargo de O Bom, O Mau e o Azevedo nada tem de novo ou moderno e ainda bem já que o quarteto do Porto pretende recriar-se sem sacrilégios no género e, nesse sentido, quer os originais apresentados quer a triologia de versões com que finalizaram a subida ao palco funcionaram na perfeição para ajudar a abanar a ramagem e disfarçar o calor. Só faltou o barulho das ondas!         



Já lá vão três anos desde que JP Simões criou o alter ego Bloom para percorrer canções originais cantadas em língua inglesa incluídos no disco "Tremble Like A Flower". É a guitarra, contudo, que continua a comandar uma composição mais despida mas notoriamente mais exuberante na atitude e animação, um género pop experimental que inclui até caixa de beats e camadas sobrepostas de acordes. Mantêm-se, claro, as histórias entre canções, os sarcasmos e as larachas que fazem sempre falta e que, desta vez, tornearam sorrisos entre cigarros sobre participações chuvosas em festivais brasileiros ou encomendas de outros concursos como o do Festival da Canção tuga para o qual escreveu e cantou "Alvoroço", um género de repto transformado em desabafo... que não tem cales é preciso cantar, sempre!

Entre subidas e descidas do palco, coube ao David Freitas animar as hostes com as suas curtas mas animadas versões pimba de imediata replicação colectiva a que ninguém resiste ou não fossem José Malhoa ou Marco Paulo verdadeiros monumentos de imaterialidade. O momento serviu ainda para, mais a sério, promover o seu projecto Ambulance For Hearts que visa levar até a um orfanato da Guiné Bissau um carregamento generoso de leite de substituição materno. Toca a divulgar e/ou ajudar!
       

UAUU #501

sábado, 7 de setembro de 2019

HANIA RANI, Auditório CCOP, 5 de Setembro de 2019

Em noite calorenta, a anunciada sessão de terapia multi-sensorial permitiu, desde logo, preencher o renovado auditório portuense até à lotação máxima. A intensidade da procura residia numa expectativa quanto ao falado dão de Hania Rani se juntar ao seu piano para nos aplicar um tratamento simples e sem dor que previne irritações ou tensões, induzindo nos ouvintes praticantes um género de alienação periférica.

Há, no entanto, que manter a atenção e a concentração para que o efeito se instale como rapidamente se fez notar e sentir a que se juntou um por nós desconhecido método de cinco momentos - canções, sim, canções talvez ainda inéditas de voz perfeita e encantadora, o que é uma novidade bem vinda para quem só ouviu os instrumentais do magnífico disco de estreia e que, em dia de aniversário da artista, foram uma dádiva surpreendente de resposta fortemente aplaudida. Muitas felicidades, muitos anos de vida, cantam as nossas almas... Obrigado, Hania e parabéns!           

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

EMILY JANE WHITE, FOGO IMANENTE!





















Não, não, nada tem nada com o a calor que vai apertando e o regresso trágico dos incêndios. Trata-se, isso sim, de algo menos importante como um novo disco da menina Emily Jane White que terá o título de "Immanent Fire" a sair em meados de Novembro na independente francesa Talitres.

O trabalho, dedicado à mãe natureza e à sua sagração no feminino, serve de alerta contra a actual exploração violenta dos recursos naturais em acções totalmente descontroladas e cujas consequências são mais que evidentes. Ouça-se então, "The Light", um magnífico primeiro grito de revolta em forma de hino atmosférico.

Haverá digressão pela Europa já a partir de Dezembro e, neste âmbito, será previsível o regresso a palcos nacionais, costume antigo que remonta já ao ano de 2010!           

UMA PRENDINHA DOS THE INNOCENCE MISSION!

Passaram já vinte anos sobre a edição de "Birds of My Neighboord" dos sagrados The Innocence Mission, um quarto álbum que marcava a partida do baterista Steve Brown mas onde repousavam uma série de canções tesouro que poucos ouviram. No baú cintilava a magnífica "The Lakes of Canada" de que mais tarde (2007) um jovem atento chamado Sufjan Stevens haveria de fazer uma versão ao ar livre...

Em jeito comemorativo, surge agora uma reinterpretação dessa canção por Karen e Don Peris que não anda muito longe do original e que nos é simplesmente oferecida de forma bondosa e preciosa.