sexta-feira, 24 de maio de 2019

ERIKA DE CASIER + TORO Y MOI, Hard Club, Porto, 23 de Maio de 2019

Coube à menina dinamarquesa Erika de Casier aquecer a plateia ainda em fase animada de enchimento e alto volume de conversa. Se captar a sua atenção já não era fácil, a pouca luz projectada em palco e o volume da voz no limite do sofrível só ajudaram a que a oportunidade de envolvimento fosse perdida e que, raio, se questionasse para que serva o esforço de aquecimento nestas condições. Enfim... Valeu, mesmo assim, a licitude das canções retiradas de um disco de estreia recente de embrulho no r&b moderno e em constante rejuvenescimento.



Não, não, caro Chaz, não passaram cinco ou seis anos sobre qualquer visita à Invicta. No nosso caso, a única e primeira vez que vimos ao vivo Toro y Moi foi em Vila do Conde em 2011 e, por isso, urgia uma inédita dose de chã da CUF dançante em recinto condizente e postura descontraída pronta para a destilaria.

Atendendo à ementa disco funk do último álbum, o bailarico podia começar de imediato mas só à terceira canção com "Ordinary Pleasure" a onda de choque começou a fazer efeito, um balanço curto tal como os temas originais que precisam de "passagem" sabida e que teve na eficácia do velhinho "Stll Sound" uma agradável surpresa. Aquando de ritmos mais lentos era ver o bar apinhar-se de sequiosos convivas sempre à espera de motivos de força maior para esvaziar o copo que não demoraram a soar - "Fading" ou "Baby Drive It Down" por exemplo - mas foi com a dose dupla de "Freelance" que os copos acabaram mesmo entornados. Improvável e nunca vista esta versão imediatamente memorável de uma canção tocada, cantada e dançada colectivamente em repeat como que a carregar para trás num botão do tempo que não existe mas que afinal é possível para festarola generalizada! Foi como andar nas nuvens, melhor, na água... 


quarta-feira, 22 de maio de 2019

UAUU #489

CHANTAL ACDA, É A VEZ DE BRAGA!















Passaram menos de quatro meses sobre os concertos de estreia de Chantal Acda por Portugal e já se anuncia o regresso! Assim, dia 19 de Julho, sexta-feira quase a passar para sábado, no pequeno auditório do Theatro Circo em Braga há uma nova oportunidade sortuda de ouvir a pérola abaixo e certamente muito mais...


terça-feira, 21 de maio de 2019

JESCA HOOP, SINCERA TERNURA!

Depois do excelente disco ao lado de Sam Beam (2016) e da consagração artística com "Memories are Now" (2017), a menina Jesca Hoop, nascida nos E.U.A. mas com residência habitual por Manchester, tem um trabalho inédito pronto a sair pela Memphis Industries já em Julho. Para o efeito, regressou uma boa temporada à Califórnia nativa, jogando com algumas incertezas e desafios fora da sua zona de conforto, arriscando ainda uma viagem a Bristol para se juntar ao mítico produtor John Parish na depuração das canções.

O resultado chama-se "Stonechild", espelha alguma tensão nessa colaboração de autoria e a consequente edição minimalista e têm ajudas das amigas Rozi Plan, Kate Stables (This Is the Kit) e de Lucius que surge no single de apresentação "Shoulder Charge". Há já em pré-encomenda uma versão em vinil pesado com direito a um single em flexidisc e uma gravura assinada pela artista, cortesia simpática de amor ao planeta em constante perigo de subversão e que, de forma sincera e ternurenta, é como que abraçado em todas as canções. Aqui fica um primeiro carinho...

segunda-feira, 20 de maio de 2019

WEYES BLOOD, REGRESSO AO MINHO!

É o regresso imperioso, necessário e inevitável de Natalie Mering aka Weyes Blood ao Minho - no GNRation de Braga há concerto marcado para dia 5 de Novembro, terça-feira, para apresentação de "Titanic Rising", disco que por essa altura estará na antecâmera de qualquer lista de álbuns do ano. Acreditem!

domingo, 19 de maio de 2019

CHARLES WATSON, Centro de Arte de Ovar,17 de Maio de 2019

Do duo inglês Slow Club e das suas canções perfeitas para playlists só temos saudades. As razões da separação ou pausa artística de Rebecca Taylor e Charles Watson em 2017 depois de uma intensa digressão e ao fim de cinco álbuns registados lado a lado motivaram até um documentário on the road que nunca vimos apesar de ainda não termos desistido da oportunidade... Aproveitando, lá está, a oportunidade demos um salto rápido a Ovar para a apresentação do disco que sabíamos existir e que Watson auto-produziu a solo e editou precisamente há um ano sob o título de "Now That I'm a River" mas a que não demos particular atenção. Fizemos mal.

Ao vivo, em modo quarteto completo, o serão deu direito a surpresas agradáveis na descoberta de uma sonoridade folk sonhadora de matriz sofisticada como facilmente se percebe ao ouvir canções como "Abandoned Buick" ou "Tapestry", toada que causou forte impressão e resposta firme do pouco público presente em cima do palco do espaço cultural que merecia outra envolvente, adesão e fruição. Contudo, para pelo menos vinte crentes o esforço valeu bem o risco e quase atrevimento...     

ARP FRIQUE, FUNKALHADA EM SERRALVES!





















A romaria habitual ao parque de Serralves tem no dia 1 de Junho, Sábado, motivo de festa maior - a estreia de Arp Frique na cidade do Porto serve de apresentação gratuita do álbum "The Colorful World of Arp Frique" lançado pelo holandês Niels Nieuborg o ano passado. Trata-se, obviamente, de um mundo colorido preenchido de sons africanos, caribenhos e até cabo-verdianos caldeados pelo funk e o disco de cepa e registo muito próprio. Vai ser freak Chic!

sábado, 18 de maio de 2019

FAZ HOJE (23) ANOS #02

















UNDERWORLD, Discoteca Rocks, Vila Nova de Gaia, 18 de Maio de 1996
. Público, por Rui Catalão, fotografia de Mário Marques, 20 de Maio de 1996, p.31



sexta-feira, 17 de maio de 2019

UAUU #488

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #24

































Para quem colecciona discos em vinil, principalmente os singles, este autocolante redondo e dourado com o desenho hippie de um jovem a tocar guitarra e o nome Telmira colado na parte traseira da capa é um sinal comum da proveniência original de compra. Trata-se de mais uma discoteca do grande Porto situada na maior artéria da cidade que tinha localização junto do jardim do Marquês e que, atendendo à quantidade de discos que nos surgem à frente com a tal referência, deverá ter tido muito sucesso comercial desde os anos setenta já que o número de telefone não apresenta indicativo, acrescento só oficializado no final dessa década.

Entre uma churrasqueira e uma loja de malas em liquidação, hoje no local está instalada uma ourivesaria e a loja foi já aparentemente modificada na fachada com um pórtico em granito que envolve um persiana metálica negra protectora do valioso recheio... Pelo hábito que vamos confirmando ao vasculhar discos antigos, o recheio de então não seria muito ecléctico mas apontando aos êxitos populares tal como é referido sem rodeios na embalagem - "os últimos sucessos em música ligeira e clássica". A nós calhou-nos este!

Nunca lá entramos ao contrário de, certamente, muitos clientes que chegavam e saiam do centro da cidade por essa rua em troleicarros vermelhos de dois andares, nomeadamente o 9 e o 29 que vinham de Ermesinde, Travagem ou Águas Santas, faltando saber se, numa das ruas com maior efervescência comercial da Invicta havia, ou não, mais alguma loja de discos...   

                          Discoteca Telmira, Rua Costa Cabral, 13, Porto


                               Telmira Discoteca, Rua Costa Cabral, Porto

quinta-feira, 16 de maio de 2019

RICKIE LEE JONES, VERSÕES & PONTAPÉS!





















Culto antigo aqui da casa, a notável e nunca resignada Rickie Lee Jones está de regresso com mais um álbum de versões a que chamou "Kicks" e onde contorna, à sua inimitável maneira, alguns standards da pop, do rock e do jazz dos anos 50 até aos 70.

O disco sai no dia 7 de Junho na editora OSOD (Other Side of Desire), selo da própria artista que desta forma cumpre o desígnio de publicar este projecto só possível em sistema de crowfounding e que foi registado em New Orleans com músicos e instalações locais. A produção dividiu-se entre Jones e Mike Dillon, vibrafonista da sua banda, e contempla dez abordagens a temas de Elton John, Louis Armstrong, Steve Miller Band ou Skeeter Davis e até os incontornáveis America de que se dá a conhecer a versão de "Lonely People" e o respectivo video alusivo.

Habituada a interpretar temas alheios, já em trabalhos semelhantes Jones nos tinha surpreendido com escolhas arriscadas vindo-nos à memória o grande "Pop, Pop" de 1991, uma dúzia de versões de alto calibre ou a parceria memorável com os The Blue Nile no Channel 4 britânico um ano antes e que não resistimos recordar. Essa e outras histórias estão contadas pela própria na recente auto-biografia "Rickie Lee" que vamos, obviamente, querer ler e reler...



terça-feira, 14 de maio de 2019

TIM BERNARDES, E VÃO CINCO!













Bem sabemos que antes ainda há o concerto dos O Terno no Primavera Sound da Invicta, mas já se anunciam cinco datas a solo de Tim Bernardes para Setembro! Lisboa, Santarém, Aveiro, Porto (CDM, 23, Segunda-feira) e Braga (Theatro Circo, 25, Quarta-feira) são as cidades escolhidas.

Recorda-se que Bernardes passou por perto em Junho passado, nomeadamente por Espinho e Lisboa onde registou esta maravilha junto ao Tejo. 

domingo, 12 de maio de 2019

KAMASI WASHINGTON, Hard Club, Porto, 10 de Maio de 2019

A audição de qualquer um dos grandes discos de Kamasi Washington para além de compensadora é também um bilhete de ida sem volta a um mundo por descobrir que, a partir do jazz, nos transporta em simultâneo para a soul, o funk ou o afro-latino. Essa dimensão plural tem na agregação de subtilezas instrumentais um trilho venoso que cada músico vai bombando meticulosamente de forma a que o resultado brilhe sem aparente dificuldade mas onde a qualidade extrema é um fito obrigatório e cerebral.

A transposição lubrificada desta máquina para cima do palco de uma sala onde se junta uma massa humana na expectativa de a ouvir a operar de fio a pavio - a bombar, como a agora se diz na gíria - é um momento sublime que ainda agora estamos a digerir gostosamente. Podem os puristas vir com os habituais e bafientos argumentos de profanação das regras ou das pautas, mas o espectáculo a que tivemos a felicidade de presenciar foi, na verdade, uma comunhão colectiva de amor e partilha à música que se eleva sem freio a uma espessura sonora caldeada de emoção, destreza, perícia e harmonia.

Para alcançar tamanha proeza unificadora Kamasi tem a seu lado no saxofone os parceiros e amigos certos a quem dá em concerto a tal visibilidade que os discos escondem e que, caramba, são de uma aptidão avassaladora. Para memória futura, foram eles, Ryan Porter no trombone, Miles Mosley no baixo tchhhh acústico, o pai Rickey Washington na flauta, Brandman Coleman nas teclas, um extraterrestre wonderiano de chapéu apropriado da NASA na cabeça que, aparentemente, substituiu uma vocalista em falta e Robert Miller e Tony Austin nas duas baterias, sim, duas baterias que se questiona para que servem mas que só ouvindo e vendo ao vivo, como no despique praticado, se pode tentar explicar de forma ligeira.

Ou seja, uma noite de celebração magistral onde uma corrente libertadora deu continuamente a volta do palco até ao fundo do recinto num imenso carrossel controlado e que só parou algumas vezes para ganhar fôlego sempre que o mestre levantou o punho, um gesto de comando mas, acima de tudo, de resistência e fúria em que a música sempre foi exemplar. És grande, Kamasi... e companhia!   

sábado, 11 de maio de 2019

TRACY BONHAM + RACHAEL YAMAGATA, Drogaria Bar, Porto, 9 de Maio de 2019
















A estratégia de promoção de um festival galego de feições atraentes e a que se deve estar atento (Jonathan Wilson a tocar numa esplanada!) trouxe até ao Porto uma dose dupla de artistas no feminino de elevada estirpe. A oportunidade improvável de ver Tracy Bonham e Rachael Yamagata a tocar num cosy bar da baixa não acontece todos os dias e, apesar do horário incomum, o espaço estava cheio e de frequência internacional, melhor, intercontinental! A mudança de recinto à custa da chuva insistente não espantou americanos, asiáticos ou sul americanos que cedo ocuparam os poucos bancos fronteiros entre goladas em copos de vinho ou cerveja para reparar o calor do recanto e na expectativa quanto a tamanha dádiva.

Começou Tracy Bonham que, desde logo, impôs boa-disposição em canções de voz segura, clássica até, e onde não faltou o hit "Mother, Mother" em versão a cappella e coro colectivo. Na estreia nacional tardia mas bem-vinda, ressaltou o domínio do violino - o pizzicato é sempre maravilhoso - e do piano e ficou-nos na retina auditiva temas de excelência como "Reciprocal Feelings" a encerrar (aquela destreza e classe com que ultrapassou a falha de memória quanto à letra só está ao alcance de alguns), mas, acima de tudo, uma canção que não precisamos o título (Where's My Village?) de acutilância activa quanto aos tempos estranhos em que vivemos... Bastava este pedacinho para dar a noite como ganha! 



Salas, teatros ou auditórios continuamente esgotados pela Ásia e Europa (na próxima semana há duas datas lotadas em Londres!) são uma realidade a que Rachael Yamagata se acostumou nos últimos anos ao lado de uma banda de músicos tarimbados sem, contudo, qualquer paralelo por cá. Notou-se, mesmo assim, a presença de alguns fãs nacionais mas, principalmente, a vibração e intensidade da maioria estrangeira em imediatas ovações estridentes e no soletrar incessante das letras, de todas as letras das canções! Animada, Yamagata respondeu com um alinhamento diverso e já profícuo retirado dos variados discos e no qual o teor de balada amorosa foi o mais audível e que a fez vingar como fenómeno internacional. Gostamos mais da versão que a aproxima de Regina Spektor ou Ray Lamontagne o que não pode embaciar a sua faculdade e condão em aproximar e encolher corações um pouco por todo o lado nem que seja no fundo de um bar simpático.

Vai, pois, haver sempre um dia ou um momento em que vamos continuar a lembrar uma lenda fidedigna que confirma que Yamagata e Bonham tocaram pela velhinha Rua Santo Ildefonso... 
      

sexta-feira, 10 de maio de 2019

RHYE, O ESPÍRITO DO PIANO!





















A música subliminar do projecto Rhye a cargo do canadiano Mike Milosh há muito que se entranhou na nossa veia pop. Ao excelente disco "Blood" do ano passado, que teve direito a apresentação pelo Parque da Cidade, junta-se agora um aparente regresso às origens com o novo álbum "Spirit" onde o piano ganha a primazia da composição em oito peças de amor à vida e ao espírito positivo que a prática do instrumento permitiu recuperar. Colaboram amigos como Thomas Barlett aka Doveman, Dan Wilson e Ólafur Arnalds no tema "Patience". Há também, a partir de hoje, um video dirigido pelo próprio Milosh para "Needed", avanço insuspeito de qualidade e sedução.

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quarta-feira, 8 de maio de 2019

TORO Y MOI DE SECRETÁRIA!

HEATHER WOODS BRODERICK ENTRE PASTAS!

Directamente dos arquivos e estúdios de Manhattan da Paste, uma antiga revista impressa convertida em versão digital, temos vinte minutos na companhia de Heather Woods Broderick com tempo para explicações ou desabafos sobre o último e grande disco "Invitation" e três canções ao vivo, sendo que a primeira, "A Stilling Wind", é desde já uma das pérolas do corrente ano...   

terça-feira, 7 de maio de 2019

FAZ HOJE (15) ANOS #01




































ELVIS COSTELLO, Coliseu do Porto, 7 de Maio de 2004
. Diário de Notícias, por Marcos Cruz, fotografia de Pedro Correia, 9 de Maio de 2004, p. 41
. Público, por Rui Baptista, 9 Maio de 2004, p. 42

Nota: da era pré-blog (2006) e depois dos respectivos bilhetes e (alguns) videos televisivos, iniciámos hoje uma escavação documental resultante dum achado recente: uma pasta repleta de recortes de imprensa com críticas e reportagens de concertos em que estivemos presentes e que tivemos a paciência de guardar para mais tarde recordar. Chegou a hora... e a que acrescentaremos, se possível, uma canção ou momento marcante dessa noite ou desse dia. Velharias!