Foto de Vera Marmelo/Ritmos e Batidas (Lisboa, 19 Abril 2022) |
O nervosismo, reconhecido mas gratificante ao confirmar a plenitude esgotada da plateia, haveria de evaporar-se entre a bruma de fumo desnecessário a cada canção apresentada, selecção feita de forma natural entre as que gravou para o álbum "Drama" e de que "I Can't Wait", "Maré", "Tao", "Tango" e, principalmente, "Tara", foram exemplares perfeitos de um jeito muito próprio de nos encolher o coração pela delicadeza de tamanha beleza tropical. Claro que não faltaram já clássicos como "Irene" ou "O Cometa" e o indispensável, já no encore, "Tardei" que devia ter motivado coro colectivo mais audível e intenso.
Antes, e aproveitando a presença de um piano de cauda no palco, Amarante pousou a viola e, ao jeito de um pianista que levanta a labita formal e entrelaça os dedos, sentou-se para o melhor momento da noite e que talvez devesse ter merecido mais insistência - dois temas imensos que bateram mais alto que todos os outros e que teve em "The End", com que termina o novo disco e que serviu para uma primeira despedida, a maior ovação de uma sala, ainda assim, insatisfeita.
No regresso quase imediato juntou ao pedido de "Tardei" um rebuscado mas saboroso "Pode Ser" que escreveu para a big-band de gafieira Orquestra Imperial, mas ao contrário da noite seguinte em Lisboa, onde teve companhia de Moreno Veloso para um dueto inesperado, o concerto haveria de ficar por ali... sem drama!
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