segunda-feira, 14 de setembro de 2026

BONGEZIWE MABANDLA, Manta, CCVila Flor, Guimarães, 12 de Setembro de 2026

À custa de uma mala perdida em Paris que não chegou a tenpo, o principal instrumentista moçambicano de Bongeziwe Mabandla viu-se sem aparelhos e maquinaria, nada que o desenrascanço português não deslinde. Feito o aviso e mal se largaram as primeiras canções, poucos se haveriam de lembrar do imprevisto entre uma fornada de temas do novo, fesquinho (Agosto), disco "Ndingubani", o que se traduzirá como um "quem sou eu" bem expresso na vulnerabilidade e intimidade dos temas. 

Foi perante essa primeira meia hora de embalo que alguns olvidaram a maciez da manta para se juntarem na dança apropriada, e o momento sugeria um crescendo festivo que acabaria por, estranhamente, se diluir numa madorra baladeira dispensável. Só quando, mais à frentes, se retomaram os certos das batidas e alguma da distinta sonoridade africana, um toque que em estúdio de Maputo têm tido dedo de Tiago Correia-Paulo, o espectáculo como se aclamou de novo numa veia sedutora e de centralina vibrante. 

Impregnado de algum magnetismo, a que a estranheza da língua aportou benéfico exotismo, a primeira aproximação do sul-africano ao norte do país, mesmo que atribulada e um pouco bambo, confirmou-se de acerto e azimute auspiciosos. Ngiyabonga!

Sem comentários: