sábado, 17 de agosto de 2013

(RE)LIDO #54





















THE CELESTIAL CAFÉ
de Stuart Murdoch. London; Pomona Books, 2011

"Funny things, songs. Have I talked to you before about how I considered them a bastard art? Nothing’s changed here. I still find them like an excuse: for a storyteller who can’t sustain his story past paragraph. For a filmmaker who gives up writing a musical after one number.
Still, there’s nothing like music for capturing an immediate emotion, or for translating an abstract surge of pleasure into something tangible. And what a thing! An everlasting tangible sensation." (p.304)

Escrever canções é para Stuart Murdoch, vocalista e mentor dos Belle & Sebastian, uma forma de vida não obsessiva ou metódica, mas uma tarefa ondulante que aporta prazer e, certamente, muita, muita emoção. A inspiração para essa “arte bastarda” não tem receita certa nem prazos de validade e, por isso, vale sobretudo a existência de um dia-dia diverso com base numa cidade, Glasgow, epicentro a partir do qual, sem aparentes tiques de estrela rock, Murdoch nos vai revelando ao jeito de diário descontínuo algumas histórias, pensamentos e confissões que surgiram entre 2002 e 2006 no blog da banda. O tal café celestial não tem nome ou morada precisa mas estende-se a muitos outras urbes europeias, americanas e até australianas para digressões com os B&S, para a gravação de discos, sessões ou entrevistas onde se revelam muitas das facetas de um músico pouco dado a exageros rock'n roll. Desportista praticante (corrida ou bicicleta), fervoroso adepto de futebol (muitas referências aos jogos informais que organiza principalmente em ambiente de festivais de verão) e do frisbee, surpreendeu-nos a sua religiosidade, a proximidade à igreja e a fé em Deus mas também a sua paixão pelo cinema, a rádio ou a música dos anos oitenta vertidas em algumas listas com os melhores filmes com Los Angeles como cenário ou de canções dadas a descobrir pela argúcia de John Peel. Funciona tudo sem fio condutor obrigatório o que nos proporciona uma leitura quase romântica e, lá está, cinematográfica de uma vida intensa e que, sem nos apercebermos, já conhecíamos pelas charmosas canções dos B&S. Esperamos que logo mais à noite o anfiteatro de Coura sirva para que Murdoch e companhia nos "projectem" sem contemplações uma película inesquecível há muito esperada. É que é em festivais como este, como se depreende do parágrafo abaixo, que a banda costuma fazer magia...  

"The summer will be good because the festivals are more like guerrilla affairs, where you turn up ready for anything. You could be playing in front of 40,0000 people who are really into it, or 1500 who don’t know who you are. There’s more time to dream to be social, more time to dream. Gigs are terrific when you’ve got something, anything else happening in your day, your life. If they are absolutely everything you have, then it’s going to drag you down eventually". (p.308) 

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