Ao vivo, como em anteriores passagens pelo Porto, quer na versão imberbe de 2008 quer na versão eloquente de 2013, foi com esse eficaz armamento experimental, permitido pelo rock, que a banda se estendeu em palco de forma densa e sublime, carregando uma negritude quase industrial e poderosa capaz de enervar os mais desprevenidos, mas conquistando a maioria daqueles para quem a subtileza não é inimiga da brutalidade.
O serão de sábado, de plateia sentada bastante ecléctica e diversa, foi só mais uma das viagens desafiantes em que os gémeos de Essex nos capturaram por magnetismo e rendição, ou não fosse "Crooked Wing", o disco do ano passado, mais uma lição talentosa de arte sonora de que "Bells", uma das nossas "canções do ano 2025", se assumiu inebriante - escolhendo-a, perfeita, para (a)largar o primeiro campo de visão da paisagem imersiva, o concerto como que ganhou, desde logo, um destino atmosférico cativante e ondeante e em que o quarteto se mostrou indefectível na cumplicidade.
Em algumas das paragens, deu-se entrada a Elisa Rodrigues, parceira portuguesa do projecto em 2013, quer em disco quer em palco, convidada a dar voz a uma selecção de peças de forma vincada e louvável e de que "Industrial Love Song", a primeira delas, resultou memorável. Poderoso, o alinhamento cruzou, por isso, temas antigos e recentes de forma sábia e mais que treinada, culminando num impressionante "Organ Eternal" de quinze minutos uma noite de regeneração auditiva que, sem reacções adversas, se confirmou terapêutica. Um abanão!














