segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

THE DODOS, Salão Brazil, Coimbra, 05 de Dezembro de 2008


Um quadro de lousa típico divulgava junto à porta a ementa do dia. Entre vitela assada e outras iguarias anunciava-se a estreia nacional dos Dodos. E que estreia! Subindo ao primeiro andar do salão, já sem as mesas do restaurante, encontramos um rústico espaço antigo, de enormes janelas e ventoinhas no tecto. O palco estreito, num dos topos, tem ao lado uma mesa de bilhar e alguns candeeiros altos. A banda vai assinando, desde logo, vinis e cd’s, aproveitando para se familiarizar com o ambiente até aí desconhecido. O público vai chegando, cada vez mais e tudo parece pronto para o convívio. Convivamos então! Os Dodos sobem ao estrado e, literalmente rodeados por um público expectante e conhecedor do disco “Visiter”, agarram-se a uma única guitarra, uma bateria e vozes afinadas. O som não é o melhor e aos músicos só quem estava na frente os conseguia ver. Mas isso, neste caso, são pormenores sem importância. A vitalidade da música, aquele fervilhar de sangue quente nas veias, típico de quem está a começar e pronto a agarrar qualquer oportunidade, proporcionou a todos, músicos incluídos, um concerto intenso e memorável. Momentos altos em “Fools” e “Red and Purple” já no encore, duas das grandes canções de 2008, entoadas pela maioria como temas velhos conhecidos. Impossível não referir o mais que perfeito acerto dos instrumentos, os crescendos rítmicos enérgicos, nos quais se juntou, algumas vezes, um terceiro parceiro na bateria e xilofone e a entrega cúmplice e suada de uma dupla com enorme garra e vivacidade. O tal convívio haveria de continuar noite dentro em frenético ritmo de dança, com os músicos na improvisada pista ao som de êxitos indie pop. Uma confraternização inesperada de novos amigos, num dos mais divertidos pós-concertos a que já assistimos e participamos! De parabéns está a organização, a associação Lugar Comum, pela cuidada e acertada escolha, uma verdadeira comissão de festas que se prepara para mais “aventuras” já no novo ano. Ainda bem, porque para comemorações informais como esta estaremos sempre prontos. Como alguém sugeriu num jornal y, quem não foi, paciência... (videos HugtheDj)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

DUETOS IMPROVÁVEIS #72

SIMONE RUBI & ERLEND OYE
Connection (Rubi)
San Francisco, EUA, 30 de Março de 2007

UM NOVO DISCO DE KHONNOR!


Quatro anos depois, eis que o misterioso Khonnor, ou seja o músico americano Connor Kirby-Long, ressurge das brumas! O seu único álbum até à data, chamado “Handwriting” (2004) é um daqueles segredos bem guardados, um exercício electrónico de simplicidade e nervo que tantas vezes ainda escutamos no iPod. Surge agora, finalmente, um novo EP disponível para download e que recebeu o nome de “Softbo”. De teor aparentemente mais negro, esta é certamente música sedutora. A confirmar.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

FAROL #63



Sugerimos ontem um novo disco de Neil Young. Agora, aproveitando o embalo, mostramos os caminhos separados para um dos seus mais pirateados projectos, o disco “Chrome Dreams” de 1977. Muitos dos temas viriam a aparecer em futuras gravações, mas nunca houve uma edição oficial deste álbum. Em 2007, se bem se lembram, Young lançou, trinta anos depois, “Chrome Dreams II” uma sequela do original. Keep on rocking...

CUBA

Poor and isolated, Cuba is crumbling. Can music save it? Começa assim a história de capa da revista Time na sua edição europeia desta semana. Uma visão ocidental do problema cubano em que a música é o fio condutor, mas que dá que pensar em tempos de globalização. Leitura recomendada.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

LUNARIDADES #81


. não percam a exposição “O Livro Vermelho de Um Fotógrafo Chinês” que está no Centro Português de Fotografia. Um pedaço de história brutal em momentos subliminarmente vividos, sem subterfúgios. As fotografias emolduradas, para uma melhor precepção, não tem vidros protectores...

. os American Music Club viram o seu álbum consagrado em oitavo lugar na lista de melhores de 2008 pela Blitz! Para quem habitualmente surge fora dos eleitos, esta é uma posição invejável.

. por falar em Blitz, ainda não ganhamos coragem para comprar o número de Dezembro. É que ver o Axl Rose na capa faz-nos lembrar uma outra antiga e indescritível capa do jornal Blitz, que tanta polémica gerou, com um amuado Axl com um laçarote rosa na cabeça. Não havia necessidade!

. é a queda de um mito... A Apple aconselha a utilização de um anti-virus em todos os seus modelos Mac! Já nada é sagrado.

. o “Natal Feito à Mão”, promovido pelo Plano B e pela CMPorto, tem uma próxima edição no dia 13 e por lá, certamente, não vai faltar a amiga Cris e as suas t-shirts únicas. Todas com bom feitio, é melhor encomendar antes que esgotem...

PRENDAS #3


Após quarenta anos escondido, chega ao mercado inglês na próxima segunda-feira pela Reprise Records e no âmbito do desvendar do magnífico arquivo, mais um disco a solo de Neil Young. Gravado na Canterbury House no Michigan nas noites de 9 e 10 de Novembro de 1968, este é um dos primeiros concertos a solo depois da saída dos Bufallo Springfield. É visto por muitos como uma experiência para sentir a resposta do público à sua carreira a solo. Claro que ela foi muito positiva, sendo esta gravação um testemunho dessa adesão histórica, servindo de rampa de lançamento para os seus primeiros discos. Muitas das canções desses álbuns aparecem pela primeira vez neste concerto, como é exemplo o tema que dá título a esta edição – “Sugar Mountain - Live At Canterbury House 1968”. São vinte e três temas, sendo quase metade aquilo a que se pode chamar spoken-word, já que não passam de introduções ou conversas satíricas e jocosas entre cada uma das canções. Já na altura, brilhante! Ouçam-no por aqui...

PRENDAS #2


O filme “Juno”, que atingiu um êxito assinalável nos últimos tempos, teve a companhia de uma banda sonora perfeita, uma mistura consistente de alguns clássicos do rock (Kinks ou Carpenters) e pérolas indie (Belle & Sebastian, Cat Power ou Sonic Youth). Pois bem, a Rhino Records decidiu elevar ainda mais a fasquia, acrescentado um segundo cd com mais quinze canções que, aparentemente, não couberam no projecto inicial. A selecção é de próprio director, Jason Reitman, e tinham sido já disponibilizadas no iTunes em Abril passado com o nome de “Juno B-Sides: Almost Adopted”. Da banda sonora saiu também um lindíssima versão em vinil translúcido cor-de-laranja.

PRENDAS #1


O muito aguardado disco novo dos Franz Ferdinand "Tonight" terá por parte da editora Domino um tratamento VIP. Uma das versões é uma tentação: uma caixa onde serão inseridos 6 singles de sete polegadas com a totalidade dos temas do álbum, o CD normal, um CD com uma versão dub do mesmo álbum chamada “Blood:Tonight”, um DVD intitulado “Between Summertown & Merryland” com quarenta minutos de making off e algumas actuações ao vivo, um livro de 24 páginas em capa dura e uma daquelas pequenas rodelas ("dink") personalizada para colocar no meio dos singles. Tudo ao preço módico de 80€! Aceitam-se encomendas. Haja fôlego...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

É NATAL, É NATAL...


Dando continuação a uma tradição já antiga, os Wedding Present editam agora um novo EP de Natal disponível para download na página oficial do grupo. A atracção principal é um dueto de David Gedge com a cantora americana Simone White. A canção foi escrita por Gedge e pelo baixista Terry de Castro e tem vídeo gravado em Hollywood, fazendo justiça ao seu título – “Holly Jolly Hollywood”. O referido EP contém ainda uma versão do tracional “White Christmas”. Mais um presente natalício de uma banda a dar-nos boa música há vinte e três anos...

The Wedding Present "Holly Jolly Hollywood" featuring Simone White

(RE) LIDO #13


SCOTT WALKER – ANOTHER TEAR FALLS
Jeremy Reed, Creation Books, 1998

Who are you Scott Walker? A pergunta podia estar num dos primeiros parágrafos deste ensaio, mas, efectivamente, ela é a última frase da sua derradeira página... A questão não é, assim, de fácil resposta. Personagem enigmático da história da música popular ocidental, Scott Walker parecia talhado para o sucesso estrondoso como parte dos Walker Brothers na primeira metade dos anos sessenta. Depois, entre 1967 e 1969, em nome próprio, gravou quatro discos a solo, onde, entre versões de Jacques Brel, Bacharach ou Tim Hardin, escreveu e cantou canções suas, verdadeiras pérolas intemporais de bom gosto e subtileza, uma versão quase luxuosa de Frank Sinatra. Dos quatro “Scott” é difícil escolher um deles, tamanha é a concentração de magníficas interpretações e composições. Exemplos: “Montague Terrace (In Blue)” ou “Such Small Love” do primeiro, “The Amorous Humphrey Plugg” ou “Plastic People” do segundo, “It’s Rainning Today” ou “Big Louise” do terceiro e “The Old Man’s Back Again” ou “Boy Child” do último. Um outro “clássico” chamado “Till the Band Comes In”, saído em 1970, foi na altura quase ignorado, mas o tempo viria ainda a dar-lhe “vida” e o devido reconhecimento. Na procura de uma explicação para tamanho talento, adquirimos em 2002 este livro, editado em 1998, um dos poucos, até aí, disponíveis sobre o Scott Walker. Sem surpresa, a sua recente leitura não trouxe grandes explicações ou novidades. É certo que não procurávamos uma biografia pormenorizada ou rebuscada da sua vida, o que se afigura tarefa impossível de concretizar. Mas o anonimato a que o cantor se auto-impôs desde o princípio dos anos oitenta, criou em nós e em muitos fãs uma nebulosa teia de dúvidas de irresistível demanda. Uma das causas principais desta procura está num disco – “Tilt”, um não-álbum, por assim dizer, verdadeira obra prima da música contemporânea editado em 1995, quebrando um silêncio de onze anos (o álbum “Climate of Hunter” é de 1984). De feições negras e funebres, até na capa e design utilizado, este disco reflecte um conjunto de “fraquezas” pessoais que são, no essencial, o motivo deste livro. Reclusão, incómodo nas aparições públicas e nas raras actuações ao vivo (vide abaixo a interpretação de “Rosery” no programa de Jools Holland em 1995), são, entre outras, questões sem explicação fácil. O autor, o mesmo da nota que contextualiza o álbum (único no mundo) de homenagem promovido pela portuguesa Transformadores em 2005 e do qual se fez uma apresentação ao vivo, tenta de diversas formas lá chegar – nas respostas das poucas entrevistas dadas, nas entrelinhas das letras das canções, nas comparações com outros músicos e cantores, sendo de referir o exagero na associação a Marc Almond, autor inspirado por Walker mas sem comparação qualititava possível. Descobrimos depois que o autor viria a escrever um livro sobre o próprio Almond... Assim, do ponto de vista biográfico este não é o livro mais aconselhável, figurando-se como uma exploração quase poética sobre o imaginário negro de Scott Walker que se torna, por vezes, demasiado densa. Certo é que Walker continua a surpreender-nos pela dissonância, intemporalidade e genealidade. Veja-se o inclassificável disco “The Drift” de 2006, mais uma acha para o adensar do mistério. Assim, e sem uma resposta eficaz à pergunta inicial, visualizaremos em breve o recente DVD “Scott Walker – 30 Century Man”, uma nova cruzada na procura do “graal”. Quem és tu, Scott Walker?
Scott Walker – Rosary (Jools Holland 1995)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

DUETOS IMPROVÁVEIS #71

R.E.M. & THOM YORKE
E-Bow the letter (R.E.M.)
Tibetan Freedom Concert, Washington D.C, 14 de Junho de 1998


SONHO PERDIDO...


Os Mercury Rev passam amanhã pela Aula Magna lisboeta para o único concerto em Portugal de apresentação do novo “Snowflake Midnight”. Torna-se quase pecado não conseguir vê-los, mas infelizmente o espectáculo fará parte da nossa lista de concertos Imperdiveis Perdidos de 2008... A experiência de 2002 em Coimbra, numa noite de Queima das Fitas, o que nem sempre é bom sinal, foi arrebatadora, principalmente quando soaram alguns dos arrepiantes temas de “Deserter’s Songs”, álbum imenso e inultrapassável e que agora festeja dez anos. Aqui fica uma dessas canções memória.

THREE IS A MAGIC NUMBER...


É tanta a música que parece que nos esquecemos que os Portishead passaram por cá em Março e lançaram um magnífico novo álbum! Os Portishead são três, Março é o mês três, o disco chama-se "Third" e surge agora o terceiro single - “Magic Doors”, um dos momentos altos do álbum, que tem um brilhante video realizado pelo amigo John Milton. Podem vê-lo na secção Films do site do grupo, fazendo o respectivo login... ou esperar por melhores dias no youtube!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

POTE DE OURO!


Uma das maiores soul singers da actualidade, chamada Alice Russel, tem novo disco. Intitulado "Pot Of Gold", este é já o quarto álbum de um nome que só os mais distraídos podem não conhecer e que surge editado na Little Poppet, casa gerida pela própria Alice Russel. Das habituais versões cantadas ao vivo ("Seven Nation Army" p.ex.) o novo disco inclui a já famosa cover de “Crazy” de Gnarls Barkley. A cidade de Lisboa pode confirmar este talento em bruto já no próximo dia 13 de Dezembro no aniversário do MusicBox. Entretanto, à já habitual colaboração de Russel com os Quantic e Quantic Soul Orchestra junta-se agora uma inédita aparição no álbum novo de Mr.Scruff chamado “Ninja Tuna”. Essa prestação, a que muitos chamam hip-hop soul, tem o nome de “Music Takes me Up”... Nem mais!



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

FAMÍLIA BOWMAN


As gémeas Sarah e Clara, ou seja The Bowmans, tem digressão portuguesa no próximo mês. Só no Porto e arredores estão previstas meia dúzia de apresentações, entre FNAC's, teatros e bares. O duo editou recentemente o primeiro disco intitulado “Far From Home” onde repousam harmoniosas composições de tradição americana, a fazer lembrar Jonny Mitchel ou as esquecidas Indigo Girls. Em Dezembro, num palco perto de si...

The Bowmans - "Make it last" (WDVX)


DANÇA NOCTURNA


Esta é a capa do terceiro e muito esperado álbum dos Franz Ferdinand. O (nocturno) balanço dançável parece agora uma aposta séria, facto bem notório no primeiro e fortíssimo single chamado “Ulysses”. A produção de Dan Carey (Hot Chip ou CSS) aponta, assim, uma nova direcção com outras influências marcadamente electrónicas. Remisturas não vão faltar, tendo sido lançado um concurso entre os fãs para se aventurarem na manipulação do novo tema e que vale 500€ de prémio! O disco sai em Janeiro e já há concerto prometido para Portugal em 2009.

LUNARIDADES #80


. esta ideia peregrina de uma cinemateca no Porto em versão polinucleada tem tudo para se afundar! Porque não começar com calma, num só local, medindo a adesão e entusiamos e depois, sim, alargar horizontes...

. “In Rainbows” dos Radiohead, “X” da Kylie Minogue”, ”Hard Candy” de Madonna e muitos outros cd's de 2008 custam 4,99€ num Jumbo mesmo aqui ao lado nascente. O primeiro álbum dos Buraka custa 1€! É a crise.

. Por falar em crise, curioso o artigo de Rui Moreira no Público de Domingo passado e que pessoa amiga nos fez chegar. No Porto, a crise já é um hábito antigo...

. a há muito prometida chegada dos Beatles ao Itunes parece definitivamente emperrada. Certamente Sir Paul MacCartney tem muitos mais exigências tendo em conta os mais de 30 milhões que custaram o seu divórcio...

. finalmente! As célebre batalhas de Ipod's chegam agora a Portugal! Lisboa recebe em Dezembro o primeiro round esperando-se que o patrocionador dê asas a novos voos noutras cidades.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

CAT POWER: (ainda) NOVAS VERSÕES


O anunciado novo EP de versões de Cat Power será um verdadeiro presente de Natal! Para além da versão digital, o disco terá uma lindíssima edição de duplo vinil de 10”, certamente uma peça de colecção. São mais seis covers, gravadas aquando da produção do último Jukebox e contam-se, entre elas, canções de artistas influentes na carreira de Cat Power como Creedence Clearwater Revival, Pogues, Otis Redding ou Sandy Denny. Já agora, espreitem a fantástica selecção de videos musicais que a própria Chan Marshall colocou no seu Myspace.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

DE DOiDOS!


Os americanos The Dodos, responsáveis por um dos mais arejados álbuns editados em 2008, tem concertos marcados para Portugal no próximo mês. Assim, dia 5 tocam no Salão Brazil em Coimbra e no dia seguinte no Music Box lisboeta. Intensidade é o que parece não faltar nas actuações ao vivo... Rápido à bilheteira!

fools - dir. by Matt Amato