quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


(RE)LIDO #7
IF YOU’RE FEELING SINISTER

de Scott Plagenhoef, Continuum Books, 2007
Para teminar a triologia literária sobre os Belle & Sebastian, seleccionamos o recentemente editado nº 50 da já incontornável série 33 1-3, precisamente dedicado ao primeiro disco a sério da banda. O mítico “Tigermilk” editado em 1996 para uma reduzida faixa de fãs locais escoceses, despertara tal curiosidade que, no mesmo ano, sairia o por muitos considerado (inclusivamente nós) seu melhor disco – If You’re Feeling Sinister. Os temas continuam difíceis de ultrapassar e foi particularmente um deles (Fox in the Snow), seleccionado por António Sérgio nas noites da Comercial, que marcou, desde aí, a “atracção romântica” pela banda. Neste pequeno livro e contrariamente ao esperado, não encontramos um massivo rol de informações sobre o tal álbum, mas sim uma descrição bem feita da conjuntura musical e até social em que o grupo se desenvolveu. As “taras e manias” de Murdoch são decisivas na compreensão do som da banda, mas esse feitio iluminado define ainda outras situações iniciais, particularmente a relação com a imprensa e com outras bandas. Conclui-se facilmente que os Belle & Sebastian devem muito às potencialidades da Internet, sendo decisiva a sua utilização para o nascimento e florescimento de uma imensa onda fanática que rapidamente se espalhou do Japão ao Brasil, passando pela pouco permeável América. A criação de uma mailing list – Sinister List – permitiu, desde logo, ligações afectivas e até sentimentais (pelo descrito, dessa massa em comunicão exclusiva, surgiram alguns casamentos, incluindo o do autor!) que germinou até hoje um crescente número de acérrimos e fiéis admiradores. Só na parte final do livro se fazem algumas considerações sobre as faixas do disco, sendo “Fox in the Snow” descrita desta forma: “...is among B &S most purely beautiful songs. It’ also Murdoch’s most abstract lyrics”. Correcto e afirmativo! O disco é todo ele clássico, sendo compreensivelmente aquele que a banda escolheu para interpretar na totalidade, em Setembro de 2005, numa série de concertos em Londres chamados ”All Tomorrow's Parties Don't Look Back series “, em que um artista ou banda executou ao vivo a totalidade do seu melhor trabalho. A gravação da actuação viria depois a ser lançada exclusivamente no Itunes com objectivos de caridade com as vítimas do terramato na India e Paquistão desse ano. Por sinal é o único disco/edição que falta na nossa colecção...

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