quarta-feira, 31 de março de 2010

EVELYN, WHY CAN IT BE TRUE?


Aproveitando a deixa de Chuck Berry ("Maybellene"), imortalizada por Simon & Garfunkel no célebre concerto no Central Park, respondemos desde já que esta dupla Evelyn não existe. Trata-se dum projecto fictício idealizado por Amanda Palmer (Dresden Dolls) ao qual se associou o acordeonista Jason Webley e uma série de convidados. Destaca-se, entre eles, a estreia de Frances Been Cobain, essa mesmo, a filha de Cortney Love e do malogrado líder dos Nirvana, que dá voz ao tema "My Space". Pelo que nos é dado a ouvir, o conceito tem muita piada, num misto acústico sonoro ora fumarento ora pastoral. A versão de "Love Will Tear Us Apart" dos Joy Divison mesmo a terminar o álbum, cai que nem gingas. O disco saiu ontem e há até uma lindíssima edição em vinil para guardar. As gémeas EE prometem futuras aparições. Serão bem-vindas.

terça-feira, 30 de março de 2010

YESSS, RICKIE LEE JONES EM FAMALICÃO!


Entre conversas e uma cerveja no final do concerto de Ane Brun, falou-se na hipótese de um regresso de Rickie Lee Jones a Famalicão ainda este ano, uma ambição forte dum dos principais programadores do espaço. Surge agora a confirmação que a encantadora artista tem mesmo concerto marcado para o dia 3 de Julho na Casa das Artes, sem se conhecerem, no entanto, mais pormenores. A solo ou com banda, há um novo disco para apresentar ("Balm in Gilead") mas, certamente, muitas e boas canções para recordar. Passaram apenas dois anos, mas a expectativa mantêm-se, no nosso caso, sempre elevada.

WILCO TAKE AWAY

Estreou ontem no canal La Blogothèque uma imprevisível aparição dos recatados Wilco na série "A Take Away Show". Gravado em Fevereiro último no interior do Teatro Olympia de Montreal nuns curtos trinta minutos, a banda escolheu o recente "Country Disappeared" para fazer história.

Wilco - Country Disappeared - A Take Away Show from La Blogotheque on Vimeo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

VEXATIONS - QUE BOM REMÉDIO!


Ao fim de três meses, está definitivamente encontrado o sucessor de "The Opiates" de Thomas Feiner, disco que tanto nos embalou em 2009. Chama-se "Vexations" e é da autoria do jovem músico alemão Konstantin Gropper sob o disfarce de Get Well Soon. Trata-se dum épico inacreditável para tanta juventude, onde o dramático e o burlesco se confundem e que transformam cada audição numa aventura recambolesca ("Werner Herzog gets Shot"), misteriosa ("We are ghosts") ou labiríntica ("A Voice in the Louvre"). Este é já o segundo trabalho de Gropper, largamente elogiado pela imprensa mais atenta, mas o primeiro álbum, editado em 2008, tinha também recebido bom acolhimento pela Europa central, região, aliás, por onde os Get Well Soon se desdobram actualmente em apresentações ao vivo. Destaque ainda para uma edição especial de "Vexations", com a inclusão dum outro disco de temas escritos para bandas sonoras (Wim Wenders, p. ex.) e algumas versões, como a imperdível "I'm deranged" de Bowie, aqui numa corajosa e despojada variação. Para melhoras rápidas, fixem a receita - Get Well Soon!

DUETOS IMPROVÁVEIS #136

MADRUGADA & ANE BRUN
Lift me (Sivert Hoyem)
Ao vivo, 2005

quinta-feira, 25 de março de 2010

JOANNA NEWSOM NA SINAGOGA


Está disponível online para audição integral, o segundo dos dois esgotados concertos que Newsom cumpriu na passada segunda e terça-feira na Sixth & I Historic Synagogue de Washington (E.U.A.). Uma hora e meia de encanto que serviu de apresentação do novo "Have One On Me" mas onde couberam ainda algumas recordações. Fotografias e audição no site da NPR, mas há ainda a indispensável review do "Washington Post" ou da "PopMatters". Em Maio a digressão chega à Europa, mas só a alguma...

BILL CALLAHAN COM CORDAS


Em dia viagem pelo interior do país, tivemos como banda sonora o misterioso novo disco ao vivo de Bill Callahan. Como referimos em Janeiro passado, "Rough Travel For a Rare Thing" é, essencialmente, um álbum de recordações de temas antigos dos Smog. Em ambiente íntimo, são acrescentados um conjunto de violinos e backing vocals, opções não muito habituais nas facetas que lhe conhecemos. Decidimos investigar. O site da editora continua a nada adiantar e só aqui descobrimos o mistério. Trata-se dum concerto gravado em 2007 na cidade de Melbourne durante uma mini-digressão intitulada "Bill Callahan With Strings" que ocupou pequenos espaços não muito habituais como bares e restaurantes. Está assim explicado o título do disco (?). Ao seu lado, um quinteto de músicos (Kate Connor, Lara Goodridge, Pria Schwall, Tim Rogers e Lawrence Pike) e não mais que cem felizardos que esgotaram num ápice o The Toff, um requintado tasco fino australiano. Quanto ao prato principal, a música, Callahan continua a espalhar perfume, sem grandes discursos ou conversas (uns simples "thank you's"), para que todos se lembrem que já passaram vinte talentosos anos de canções. Do fabuloso "Our Anniversary" logo a abrir, até ao recuperado "Bathysphere", recentemente eleito no concerto de Vigo, estamos perante mais um disco essencial.

quarta-feira, 24 de março de 2010

PORTICO QUARTET, Espaço Cult. Pedro Remy, Braga, 23 de Março de 2010


Uma folha colada na porta avisava: lotação esgotada! Alguns, desistiram desiludidos, outros, como nós, ficaram pelas imediações, sondando hipóteses e insistindo. A persistência acabou por dar frutos e, ainda durante o primeiro tema do concerto, lá acabamos por conseguir a entrada. O espaço, um misto inovador de cabeleireiro e galeria de arte, tem por principal atracção um pequeno auditório, sem palco, onde se juntam público, músicos e os seus instrumentos. A visibilidade é, pois, sofrível para quem chega tarde, mas o ambiente que, numa primeira impressão, se estranha, rapidamente se entranha. É a música, contudo, a razão principal da enchente, que mais facilmente nos seduz. Há um clássico contrabaixo, uma bateria e saxofone, a que se junta um já famoso hang tocado por Nick Mulvey, um instrumento recente e hipnotizante. O conjunto percorre diferenciados trilhos atmosféricos, mas há por ali um cunho e um fio melódico surpreendente que mistura Glass e alguma da pop que os Cinematic Orchestra tão bem experimentaram. Habituados a tocar na rua ou em pequenos clubes, o quarteto não se intimidou e arrebatou a plateia com temas do último disco "Isla", um compêndio sonoro de altíssima qualidade, mas houve espaço para alguns improvisos e temas mais antigos. Realce para a brutal segunda parte, depois de um intervalo para uma bebida e um cigarro no jardim, que acabou por convencer tudo e todos. Um concerto extraordinário, num espaço, que apesar de pequeno, é grande em simpatia e acolhimento. O espectáculo repete hoje num também esgotado Auditório de Espinho. Não desistam...

terça-feira, 23 de março de 2010

ONDE ESTÁS, EDDY?



Já lá vão mais de seis anos desde que Erin Moran se juntou a Richard Hawley em Inglaterra para gravar um disco eterno. O resultado, luxuriante, recebeu o nome de A Girl Called Eddy e representa, no nosso iPod, um daqueles documentos valiosos, guardado a sete chaves a que amiúde abrimos a janela para arejar. Música adulta, intemporal, de camadas finas mas saborosas, com um travo sonoro a Bacharach ou a Carpenters, que nos deixa sem palavras. Não somos os únicos. Os elogios, na altura, foram sempre unânimes e cresceram ao longo do tempo. Houve alguns concertos, mas, apesar de fazer parte duma editora prestigiada como a Anti Records (Tom Waits, p.ex.), nem um único video oficial foi sequer produzido. Vagueando pelos diferentes suportes promocionais da cantora, alguns já em desuso, as reclamações são imensas e constantes: para quando o regresso? Lemos que o segundo álbum está previsto para 2010 e há até um título provisório de "You Get The Legs You're Given"... Longa se torna a espera.

segunda-feira, 22 de março de 2010

LAETITIA SADIER, Passos Manuel, 20 de Março de 2010



A noite de Sábado no Passos Manuel podia (devia?) ter sido memorável. Os Stereolab não precisam de apresentações e, apesar de (quase) extintos, tinham em Laetitia Sadier a voz principal dum universo muito próprio. Mas o pequeno auditório portuense, apesar de confortável, pouco encheu nesta recepção a uma artista que, como confessado, sempre sonhou conhecer a cidade do Porto. Sozinha em palco com uma simples guitarra eléctrica, Laetitia pareceu algo nervosa, medindo as palavras entre temas e pondo a descoberto as canções que gravou para o álbum a solo a ser editado no verão. É óptimo perceber, desta forma crua, as canções que mais tarde nos vão soar robustas e preenchidas, numa atitude arriscada mas, por isso mesmo, salutar e descomprometida. Contudo, a reacção da maioria dos presentes traduziu-se, infelizmente, por algumas palmas de circunstância, sem grande entusiasmo ou convicção e houve até alguns abandonos ("Are you still there?" chegou a perguntar...). É certo que ninguém pediu o "French Disco", o "Super Electric", o "Ping Pong" ou o "Interlock", temas célebres dos Stereolab, mas notou-se que a noite podia ter sido muito diferente se algum do gelo tivesse derretido. Algumas das tentativas não sortiram muito efeito, como o pedido de tradução dum título em francês e só a versão, quase no final, da lindíssima "By the Sea" de Wendy & Bonnie, duo dos anos sessenta recuperado por gente como os High Llamas, conseguiu melhor sorte, mas, mesmo assim, sem que a plateia tivesse forçado posteriormente qualquer encore. Depois de oficialmente terminado o concerto viveu, então, o seu principal momento, quando Sadier voltou ao palco passados alguns minutos, para tocar, só para alguns, um tema (qual?) dedicado a uma aniversariante especial. Aí sim, já sem receios, tudo soou perfeito e CRIStalino!

TUNNG(A)!


O álbum "... and then we saw land" dos Tunng está repleto de grandes canções. O tema "Hustle", seleccionado aleatoriamente para a nossa lista mensal, é um desses exemplos. Apercebemo-nos agora que acertamos em cheio, já que a canção foi escolhida para novo single e que há até uma versão limitada em vinil onde repousa uma remix dos Bloc Party. A banda de Kele Okereke retribui, desta forma, a magnífica cover de "The Pionniers" que os Tunng realizaram em 2006 e que chegou a conhecer também uma edição de sete polegadas. Decorre, entretanto, até ao fim do mês, um concurso de remixes do tal "Hustle" que tem já online mais de uma vintena de propostas. Depois da gravação do novo trabalho e de produzirem a banda sonora da comédia francesa "Ensemble C'est Trop", onde surge o agora actor Eric Cantona, os Tunng estão já em digressão pela Europa e espera-se, como deve ser, uma visita pelas redondezas.

'Hustle' by Tunng from tunng on Vimeo.

DUETOS IMPROVÁVEIS #135

GARETH DICKSON & JUANA MOLINA
Two Trains (Dickson)
2009 (?)

sexta-feira, 19 de março de 2010

GARETH DICKSON: UM RAPAZ SINCERO


As canções de Nick Drake gravadas há cerca de quarenta anos, são, ainda hoje, imbatíveis. Entre tributos e versões, surgiram na última década um punhado de artistas rendidos ao seu talento e influência que, apesar de brilhantes, não são sequer comparáveis. O jovem escocês Gareth Dickson, guitarrista que acompanhou recentemente Vashti Bunyan, apresenta-se, contudo, de forma diferente. Num tributo assumidamente sincero e sem rodeios (Nicked Drake), ele pretende recriar os temas de Drake na sua essência e pureza. Ouça-se "From the Morning" e outras covers e a rendição é imediata. O músico assume que, a partir do verão, vai tocar o álbum "Pink Moon" na sua totalidade por terras inglesas e está disponível para chegar à restante Europa. Brevemente poderemos vê-lo ao vivo na primeira parte do concerto de Juana Molina programado para o Teatro Aveirense a 30 de Abril próximo e, quem sabe, escutar algumas destas magníficas versões.

BEACH HOUSE, CCVila Flor, Guimarães, 18 de Março de 2010

Já não há segredos. De boca em boca, de ipod para ipod, de facebook para facebook, os Beach House são hoje um fenómeno típico do nosso tempo que, com o adubo certo, cresceram sem pedir licença e espalham felicidade por todo o lado. O fertilizante é um misto de Julie Cruise e de inocência perdida, a que, nas doses certas, é impossível resistir. Esgotaram o Lux lisboeta e em Guimarães pouco faltou para que a plateia se tornasse pequena. Este imenso espaço negro, a que Victoria Legrand chamou uma nave espacial, teve na cabine de comando um trio nitidamente cansado (este era o último concerto da actual digressão), mas apostado em tornar a viagem planante. O sonho, de olhos fechados, fez-se de paisagens de países suspirados ("Norway"), amores incertos ("Lover of Mine"), passeios nocturnos ("Walk in the park"), memórias sorridentes ("Used to Be") ou arrepiantes e incompreendidas paixões ("Take Care"). O maior dos amores teve, no entanto, um nome: "Real Love". Ao conjunto, que todos trauteamos baixinho, chamaram-lhe "Teen Dream", mas ontem a "juventude" teve ainda direito a outras pérolas mais idosas como "Gila" ou o obrigatório "Astronaut" já no encore. Um concerto de confirmação, linear e seguro e uma banda a merecer que David Lynch esqueça as Au Revoir Simone e faça, de propósito, um filme só para uma ou mais destas canções. A película podia chamar-se "Casa da Praia"...

quinta-feira, 18 de março de 2010

MESMO A TEMPO!


A nova Time Out Porto estará nas bancas no dia 27 de Março, sábado, e promete conteúdos e distribuição de Viana do Castelo até Aveiro. Musicalmente falando, destaques, neste primeiro número, para o levantar do veú sobre o que vai ser a reabertura do Hard Club no Mercado Ferreira Borges e ainda os cinco anos da Casa da Música. Seja muito bem-vinda!

quarta-feira, 17 de março de 2010

3 IS MAGIC NUMBER


O disco "3" da dupla Susanna Wallumrod e Morten Qveneild, ironicamente conhecida por Susanna And The Magical Orchestra, foi editado no verão passado, mas só agora lhe demos a devida atenção. Para o álbum, cada um escreveu quatro canções originais a que se juntaram as indispensáveis versões - "Another Day" de Roy Harper e "Subdivision" dos Rush -, mantendo, desta forma, a tradição que lhes deu fama no disco anterior "Melody Mountain", exclusivamente preenchido com interpretações magistrais de canções alheias. No início do mês passou a estar disponível um lindíssimo video para o tema "Someday", uma prova visual de bom gosto.
Tal como tivemos a felicidade de comprovar no Theatro Circo há três anos atrás, a dupla alcança ao vivo um enorme brilhantismo a que não é alheia a inconfundível voz de Wallumrod, momentos que, certamente, se repetirão já em Abril próximo com o regressa a Portugal para três concertos agendados para Ovar (dia 9), Braga (10) e Lisboa (12). Não vale faltar.

HOT VIDEO


O álbum "One Night Stand", o quarto dos britânicos Hot Chip, tem alguns altos e baixos, mas consegue manter, mesmo assim, um nível bastante elevado. Um novo single é editado na próxima sexta-feira e a escolha recaiu no tema "I Feel Better" para o qual foi construído este video da responsabilidade do comediante Peter Serafinowicz. Hilariante!


Hot Chip MySpace Music Videos

terça-feira, 16 de março de 2010

A VISITA DA PRINCESA LAETITIA


São já mais de vinte anos com os Stereolab, três discos como Monade e uma mão cheia de parcerias que vão de Nick Cave a Common, dos Mouse on Mars aos Luna ou até os Atlas Sound. A voz inconfundível de Laetitia Sadier já nos acompanha e seduz há muito tempo, mas só agora será possível um comprovativo presencial. Os concertos estão agendados para Lisboa, Coimbra e a vez do Porto chegará já no próximo Sábado no escurinho do Passos Manuel. Na entrevista ao Ipsilon, descobre-se, entre outras confissões, um álbum a solo com a ajuda de Richard Swift a editar lá mais para o fim do ano. Será certamente a nova aventura que se ouvirá, mas esperam-se algumas surpresas.


segunda-feira, 15 de março de 2010

OWEN PALETT, C. Cult. Congressos, Aveiro, 12 de Março de 2009


Quando em 2006 a Casa das Artes de Famalicão recebeu a visita de Palett/Final Fantasy, poucos arriscaram comparecer. O concerto intenso e memorável, confirmou o talento de um jovem compositor e intérprete em ascenção e o Canadá como um país donde jorravam, em catadupa, uma série de bandas e artistas que rapidamente se impuseram, pela qualidade e despretensiosismo, no meio pop/rock. Ao talento na composição, a maioria destes projectos acrescenta, ao vivo, uma imensa facilidade e capacidade tecnico-expressiva em que a sinceridade, a intensidade e muita fantasia se misturam sempre em doses cintilantes. Pallet, tal como Patrick Watson, Rufus Wainwright, Leslie Feist ou os incontornáveis Arcade Fire, só para nomear alguns, não foge à regra. Sozinho em palco ou na companhia de Thomas Gill, toda a plateia que enchia o anfiteatro de Aveiro se rendeu, sem demoras, à sua magnífica perfomance instrumental e vocal, baseada em múltiplas camadas sobrepostas de violino, loops e voz. O amigo Gill ajudou e de que maneira a que muitos dos novos temas soassem ainda mais perfeitos, particularmente a assombrosa sequência de "Lewis takes Action", "Keep the dog quiet" e "The Great Elsewhere", que culminou com um mais antigo "This Lamb sells condos" onde um primaveril assobio de Gill fez furor. Não será contudo fácil escolher "o" momento alto, já que da setlist transpareceu, desde o início, uma sobreidade e bom gosto notáveis - o que dizer, por exemplo, da irrepreensível "This is the dream of Win & Regine" a solo logo no início, do classicismo vibrante de "E is for Estranged" ou "He Poos Clouds", da intensidade de "Many Lives ->49 MP" ou do grand finale de "Lewis Takes Off His Shirt" antes do encore? Como se fosse preciso e de volta ao palco só com o violino, Palett arrancou ainda fortíssima ovação com "Took you two years to win my heart" e "The CN Tower...", dois exemplos inatos, entre muitos, de nos fazer suspender a respiração. Haja fôlego!

3 X 20 MARÇO


20 canções:
. JULIAN CASABLANCAS - Out of the blue
. CARIBOU - Leave house
. FOOL'S GOLD - Night dancing
. THE VERY BEST - Nsokoto
. PHANTA DU PRINCE - Satellite sniper
. THE RUBY SUNS - Cinco
. FIELD MUSIC - Measure
. TUNNG - Hustle
. SAMBASSADEUR - Albatross
. JOSH ROUSE - Sweet Elaine
. TAXI TAXI! - Birdful eyes
. CLOGS feat. Shara Worden - On the edge
. JOANNA NEWSON - '81
. SUSANNA & THE MAGICAL ORCHESTRA - Come on
. FIONN REGAN - Lines written in winter
. LISA GERMANO - To the mighty one
. ANIMAL COLLECTIVE - Graze
. OWEN PALLET - Lewis takes off his shirt
. EFTERKLANG - I was playing drums
. THE OCTUPUS PROJECT - Half a nice day

20 versões:
. TOO SHORT - Whip it (Devo)
. MUNFORD & SONS - Cousisn (Vampire Weekend)
. CYMBALS EAT GUITARS - Ballad of nothing (Eliott Smith)
. TORO Y MOI - Master of none (Beach House)
. WE ARE SCIENTISTS - Be my baby (The Ronettes)
. BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB - Ring of fire (Cash)
. DAMIEN RICE - When doves cries (Prince)
. BILL JANOVITZ - Rocket man (Elton John)
. FLEET FOXES - On a good day (Joanna Newson)
. NATALIE MERCHANT - Space oddity (Bowie)
. DAMIEN JURADO - Murderer (Low)
. MARK GEARY - All I want is you (U2)
. HARPER SIMON - In between days (Cure)
. DM STITH - A soft seduction (David Byrne)
. THE WHIP - White wedding (Billy Idol)
. FRUIT BATS - Never tear us apart (INXS)
. FANFARLO - A minor place (Bonnie Prince Billy)
. THE MYSTERIES OF LIFE - This must be the place (Talking Heads)
. MAYER HAWTHORNE - This moon (James Pants)
. MASSIVE ATTACK feat. Tracey Thorn - The hunter gets captured... (Smokey Robinson)

20 remixes:
. STARS - Your ex-love is dead (Final Fantasy remix)
. PAUL WELLER - Wild wood (Portishead remix)
. BJORK - Wanderlust (Ratatat remix)
. THE XX - Islands (CHLLNGR remix)
. FOALS - Spanish Sahara (Mount Kimbie remix)
. LCD SOUNDSYSTEM - Bye bye Bayou (Baruk remix)
. OH NO ONO - Eleanor speaks (Caribou remix)

. NEON INDIAN - Shoul have taken acid... (Future Rock remix)
. THE VERY BEST - Warm heart of Africa (Theophilus London remix)

. PASSION PIT - Moths wings (Eric Salomon remix)
. WHITE LIES - Farewell to the fairground (Rory Phillips remix)
. THE JUAN MCLEAN - A human disaster (House of House remix)
. VITALIC - Second lives (The Bloody Beetroots remix)
. ROYKSOPP - Tricky tricky (No Kiss with Gloss remix)
. NEW YOUNG PONY CLUB - Chaos (Melé remix)
. HOT CHIP - I feel better (Dancing Robot Music remix)
. YEASAYER - One (XXX Change remix)
. GOLDFRAPP - Rocket (Grum remix)
. PHANTA DU PRINCE - Stick to my side (Fourtet version)
. THE PHENOMENAL HANDCLAP BAND - Baby (Clock Opera remix)

sexta-feira, 12 de março de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #134

DIRTY PROJECTORS & BJORK
Cannibal resource (Dirty Projectors)
Ao vivo, Housing Works Bookstore, Nova Iorque
8 de Maio de 2009

O QUE É NACIONAL


... deverá ser bom! O novo “Highviolet” dos The National sai em Maio pela 4AD, mas, tal como demos conta por aqui, os novos temas já andam ser experimentadas há quase um ano. Pormenores no site exclusivo.

EFTERKLANG NA INTIMIDADE


Os dinamarqueses Efterklang estrearam-se na editora 4AD com um grande disco! Não é só o incontornável single “Modern Drift” que engrandece o álbum “Magic Chairs”, havendo outras pérolas assinaláveis como “I was playing drums” ou “Alike”. A banda gravou uma notável sessão live para a editora no principal teatro da sua cidade natal, Copenhaga, onde se apresenta no formato escolhido para a actual digressão, um círculo ao jeito de ensaio. Não percam.

KAKI KING RULES


A jovem guitarrista Kaki King, que passeou talento no Theatro Circo em Julho passado, tem um novo álbum de originais de nome “Junior”. Gravado em Nova Iorque na companhia de mais dois amigos, o multi-instrumentista Dan Branting e o baterista Jordan Perlson, o disco anuncia-se como mais directo e simples que o emaranhado sonoro usado no anterior “Dreaming of Revenge”, opção que pode ser confirmada pela audição do single “Falling Day” no site oficial. A artista alerta, desde já, que neste novo trabalho não há um único momento de “guitar taping”, técnica sofisticada que a tornou famosa. O que é certo é que na actual tournée europeia, que desta vez não chega até cá, a destreza e brilhantismo continuará a marcar pontos, confirmando-a como uma das guitarristas mais conceituadas do actual panorama indie-rock.

quinta-feira, 11 de março de 2010

CHEIRA-ME A FÊMEAS FATAIS…

diz o Rei do Roque!

CAETANO A NORTE


Lemos ontem a notícia sobre os concertos lisboetas de Caetano Veloso previstos para 26 e 27 de Julho. Estranhamos a não vinda ao Porto, cidade mais que habituada a encher salas para o receber. Pois é, afinal e como é da praxe, Caetano também vai estar na Invicta para um concerto a 29 de Julho precisamente no Coliseu. O espectáculo serve de apresentação do álbum do ano passado “Zii e Ze”.

quarta-feira, 10 de março de 2010

DEZ ANOS CUL


A editora Record Makers, fundada em 2000 pelos Air, tem sido nos últimos dez anos um verdadeiro porta-estandarte da nova música francesa. A casa vive agora momentos festivos com a edição de uma compilação no iTunes e outras iniciativas. Entre elas merece particular destaque um exclusivo video para o tema “Look” de Sébastian Tellier, canção incluída no disco “Sexuality” (2008). O malicioso e sensual clip preparado para o iPhone pela dupla Mrzyk & Moriceau pode ser descarregado legalmente no site comemorativo. Vale mesmo, mesmo, a pena…

terça-feira, 9 de março de 2010

BEACH HOUSE CABARET


Antecipando os concertos previstos para semana, a Central Musical disponibiliza, por inteiro, o primeiro concerto dos Beach House em Portugal realizado no Cabaret Maxime de Lisboa em Novembro de 2008. Uma setlist de doze temas onde aparecem já um punhado de canções incluídas no novo álbum. A imagem deixa um pouco a desejar mas o som de sala é excelente!

O REGRESSO DA DIVINA COMÉDIA


Esta é a surpreendente capa de um novo disco, o décimo gravado em estúdio, dos Divine Comedy: Neil Hannon de chapéu de coco, cachimbo na boca, na companhia dum cão dentro duma banheira de espuma e uma garrafa de champanhe… Sai a 30 de Maio próximo e promete! Depois da aventura desportiva do ano passado chamada The Duckworth Lewis Method, este é regresso esperado dos velhos Divine Comedy aos discos clássicos. No último ‘Victory For The Comic Muse’ (2006) estava esta grande canção, aqui numa airosa versão parisiense. Música de rua de altíssima qualidade!

segunda-feira, 8 de março de 2010

ANE BRUN, Casa das Artes, V. N. Famalicão, 06 de Março de 2010


Não é a primeira vez, nem será de certeza a última, que Famalicão vive uma noite tão perfeita como a de sábado passado. Som e luz de sala irrepreensíveis, público calmo, respeitador, expectante e pronto a ser surpreendido e uma artista a medir-lhe o pulso, transbordando simpatia e, acima de tudo, talento. Ane Brun, na companhia da violoncelista Linnea Olsson, foi desenrolando, subtilmente, o seu novelo de canções, qual delas a mais bonita e, num abrir e fechar de olhos, já o concerto tinha mais de uma hora! Entre a maior parte dos temas, Brun foi-nos contando histórias de vida ou de sonhos, de amores ou separações, aproveitando para praticar o seu fluente castelhano aprendido numa antiga estadia em Barcelona, numa presença em palco verdadeiramente sábia. Confessou a surpresa pelo convite, aceite, que Peter Gabriel lhe endereçou para cantar nos próximos e exclusivos
concertos europeus de apresentação do disco de versões do ex-Genesis e, claro, ficamos todos a sonhar com uma viagem a Paris ou Londres. Contudo, de volta à terra, a sala foi-se rendendo à notável e harmoniosa simplicidade dos arranjos que uma guitarra e um violoncelo possibilitam e ao embalo contagiante duma voz tão quente. Na única interpretação ao piano, escolheu o recomendado “Another world” de Antony para recordar a luta colectiva por um mundo mais respeitador do ambiente, mas num ápice regressou à guitarra com “The Treehouse Song”, talvez o tema mais reconhecido pelo presentes. O encore, obrigatório, fez-se de duas versões, transformando o quase inaudível “Big in Japan” dos Alphaville e “It`s Allright (Baby`s Coming Back)” dos Eurythmics, em pérolas folk de fazer crescer água na boca. A meias com o público rendido tempo ainda para o encantador “Rubber & Soul”, um final à medida duma noite tão afectiva.

Antes de Ane Brun subir ao palco e ao jeito duma mini primeira parte, a violoncelista Linnea Olsson apresentou três temas da sua autoria a que devemos estar muito atentos num futuro muito próximo. Canções como “Ah”, "The ocean" ou “Dinosaur” são momentos pop assinaláveis que a artista gravou em CD caseiro simpaticamente vendidos no final no foyer do teatro.

MARK LINKOUS (1962-2010)


A notícia do suicídio de Mark Linkous, lider dos Sparklehorse, deixa-nos tristes, mas, apesar de tudo, não nos surpreende. Quem escreve e canta uma música tão bela e misteriosa como “Sea of teeth” do maravilhoso disco “It’s a wonderful life” (2001), vivia tormentos que uma vida inteira não pode certamente aguentar. Pena que em St. Maria da Feira (2006) este pedacinho de luz não tivesse sido eleito, mas pensando melhor, até foi bom assim. Há canções que só agora devem ser partilhadas… Peace!

sexta-feira, 5 de março de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #133

ANE BRUN & NINA KINERT
My lover will go Humming/Rubber & Soul (Brun)
Behind Closed Doors Roots, Paradiso
26 Novembro de 2006

ENQUANTO...

não há datas ibéricas para concertos dos Midlake, enquanto esperamos bem sentados, enquanto não há videos oficiais, todas as desculpas servem para os ouvir. Lindo este pedacinho do filme “Samurai III: Duel at Ganryu Island” de Hiroshi Inagaki (1956) com banda sonora inspiradora!

DOIS + DOIS


Um novo disco de Damien Jurado é sempre um momento especial. Em Maio será editado o seu nono trabalho que recebeu o nome de “Saint Barlett” e a produção, descrita como “spectoresca”, do amigo Richard Swift, o que eleva ainda mais a expectativa. O álbum foi inteiramente gravado no estúdio National Freedom, Oregan, numa só semana, com Jurado e Swift como únicos interpretes. Esta ligação pode, desde já, começar a ser destapada através da faixa “Arkansas” disponível para descarga gratuita no site da editora comum Secretly Canadian.


Uma outra inédita cooperação diz respeito ao mais recente disco de Bonnie Prince Billy. O irrequieto artista, mais que habituado a pacerias (Tortoise, Picket Line, Matt Sweeeney ous Dawn MacCartney, só para nomear alguns), escolheu Emmett Kelly, conhecido por The Cairo Gang, para gravar "The Wonder Show of the World" e para uma tournée conjunta. Há igualmente uma oferta, via editora Drag City, referente a uma versão de "Play Guitar, Play" da autoria de Conway Twitty, lendário cantor country norte-americano. O álbum foi devidamente apresentado desta forma no passado Dia dos Namorados...

quinta-feira, 4 de março de 2010

ANE BRUN EM FAMALICÃO


A lindíssima norueguesa Ane Brun estará em Famalicão no próximo sábado para uma noite, certamente, de encanto. Senhora de um voz estupenda, a cantautora radicada na Suécia gravou já seis discos desde 2003, tendo colaborado com gente tão diversa como Nina Ninert, Koop, Syd Matters ou Madrugada. Ficou conhecida no final do ano passado por encabeçar a organização do concerto “No More Lullabies” que marcou o Dia Internacional de Acção pelo Clima (24 de Outubro), reunindo diversos artistas suecos durante sete horas, contando-se entre eles o muito improvável contributo de Benny Andersson dos ABBA. O último álbum, “Changing of the Season” (2008), tem arranjos do conceituado Nico Muhly e conheceu, no mesmo ano, uma edição alternativa de nome “Sketches” com versões demo dos originais. Aliás, deverá ser este o formato do espectáculo de sábado (piano/guitarra e voz), que não dispensará, com toda a certeza, algumas versões de Cindy Lauper ou até Alphaville… É o regresso da Casa das Artes aos grandes concertos já que na mesma noite actuará ainda no Café Concerto o português João Coração e se anuncia para 28 de Maio a vinda exclusiva de Gary Numan!

quarta-feira, 3 de março de 2010

CIRCO DE QUALIDADE


A notícia da saída de Paulo Brandão do cargo de programador do Theatro Circo de Braga publicada pelos jornais “Diário de Notícias” e “Público” de ontem, suscitou, desde logo, um rol de comentários à portuguesa. O parágrafo do “DN” referente ao salário e às condições do contrato - “(…) auferia cerca de 11 mil euros/mensais e tinha um contrato sem termo que previa uma cláusula de rescisão.” – dá que pensar, mas a nós, como frequentadores pop-rock do espaço, preocupa-nos muito mais o futuro da programação. O teatro, reaberto no final de 2006, sempre esteve envolto em polémicas, principalmente entre os agentes sócio-culturais da cidade, mas o que é certo é que nos últimos dois anos as nossas viagens Porto-Braga diminuíram drasticamente. Tal como aconteceu com a Casa da Música (2005/2006), o Theatro Circo viveu no primeiro ano completo (2007) uma imbatível programação quanto à quantidade e qualidade dos concertos (memoráveis momentos com David Sylvian, Joanna Newson, Akron Family, Josh Rouse, Howie Gelb, Patrick Wolf, Susana & Magical Orchestra, Au Revoir Simone, Bonnie Prince Billy…), numa nítida estratégia de captação de públicos de todo o norte de Portugal e Galiza. Estará por avaliar, certamente, se o objectivo foi alcançado. Fica-nos a sensação que, apesar da região minhota ter mais de um milhão de habitantes (Viana/Braga) e de 15.000 alunos só na Universidade do Minho, a adesão local ainda deixa muito a desejar. Esperemos, no entanto, que o Theatro Circo mantenha uma aposta suficientemente alargada e de qualidade, porque ela faz falta a toda a região norte, nomeadamente, a um Porto penosamente esvaziado.

O MENINO DA RIA


O tema “Lewis Takes Off His Shirt” é o novo single retirado do disco “Heartland” de Owen Pallett e sai a 29 do corrente mês. Há já um video assinado pelo senhor M. Blash, multifacetado artista que tinha realizado o clip de “Blue Imelda”, canção de 2008 editada ainda sob o extinto nome de Final Fantasy. Pallett chega para a semana a Portugal para concertos em Lisboa e, milagre, Aveiro!

FAROL#82



A terceira experiência do desafio “Record Club” protagonizado por Beck já circula por aí. Desta vez o eleito para cobertura em 24 horas foi o álbum “Oar” de Skip Spence, um disco flipado de 1969. Beck tinha já participado com uma cover de “Halo of Gold” para um tributo ao autor editado em 1999. A ajuda desta vez veio, entre outros, dos Wilco, Feist (voz em “Wieghted down”) e Jamie Liddel (voz em “Book of Moses”). O caminho é o de sempre

terça-feira, 2 de março de 2010

O RETROSOUND DOS MAVIS


Andamos perdidinhos por um tema dos Mavis, este “Gangs of Rome“ com a voz de Kurt Wagner (Lambchop). Mas há mais: Candi Staton, Ed Harcourt, Edwyn Collins, Cerys Matthews ou Sarah Cracknell dos Saint Etienne são outros dos convidados do disco imaginado e produzido por Ashley Beedle.

segunda-feira, 1 de março de 2010

EP AO VIVO


A sexta edição do Festival EP ao Vivo decorre já na próxima sexta e sábado no Auditório Nascente (Rua 16, nº 1200 ) em Espinho. Destaque para a presença de B Fachada e Noiserv no segundo dia. Entradas ao preço da feira… de Espinho (2€)!

DUETOS IMPROVÁVEIS #132

KINGS OF CONVENIENCE & FEIST
Know How (KOC)
Ao vivo, Le Bataclan, Paris, 11 de Novembro de 2009

(RE)VISTO #31


HEAVY METAL IN BAGHDAD
de Suroosh Alvi e Eddi Moretti, VBS Tv, DVD, 2008

A chamada música de peso não escolhe culturas ou nações. Para surpresa de todos, tivemos até o Festival da Canção de 2006 dominado por uns estranhos e brincalhões finlandeses de nome Lordi, embora o documento de aqui vamos falar agora tenha que ser levado um pouco mais a sério. Os Acrassicauda (“Escorpião Negro”) são uma banda de heavy metal nascida em 2003 em Bagdad, Iraque, cidade onde deram, com algumas restrições, apenas três concertos até o país iniciar a desintegração. Influenciados pelos Metallica, Slayer ou Slipknot, a sua simples existência era vista pelo regime de Sadam Hussein como uma “maldição” e um sacrilégio, remetendo-os quase à clandestinidade. Cabelos longos, obviamente, que não eram permitidos, apesar do enérgico handbaggin que as reportagem desses pouco espectáculos documentam e o acesso a melhores condições ou sistemas sonoros, um sonho longínquo. Com a invasão do país e o controle da cidade por forças ocidentais, uma ultra-segura equipa ocidental da empresa VBS TV, onde milita o criativo Spike Jonze, decidiu documentar as aventuras destes persistentes músicos, promovendo o último concerto por terras iraquianas, realizado num hotel posteriormente bombardeado e recolhendo, in loco, testemunhos das múltiplas contrariedades. A situação haveria de agravar-se ainda mais com a destruição do local de ensaios e a quase totalidade dos instrumentos, levando alguns dos elementos a refugiaram-se na vizinha Síria. É neste país que todos se acabam por reunir para reiniciar os ensaios e organizar um primeiro concerto no estrangeiro. O entusiasmo e carinho de alguns aficionados, leva a banda até um estúdio roufenho, onde gravam algumas demos de originais, mas as saudades da terra natal, apesar da destruição, continua a deixar marcas. O filme, que em 2008 abriu a segunda edição do extinto (?) ViMus, Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim, acaba em ambiente emocional com a projecção privada de parte do documentário realizado em Bagdad, num documento em que prevalece uma sensação de inacabado. Fomos investigar e, claro, confirmaram-se desenvolvimentos surpreendentes

A banda passaria a seguir pela Turquia, local onde o estatuto de refugiado lhe permitiu viajar para os Estados Unidos. Aí, um livro foi já lançado com o relato de toda a história e os agora cabeludos Acrassicauda obtiveram já a benção do senhor Hetfield dos idolatrados Metallica. O “sonho americano” está muito perto da concretização total: vários concertos, um EP gravado, sede em Brooklyn e é vê-los no myspace e por todo o Youtube! Bem-vindos à selva...

JILL TRACY, C.Cult. Vila Flor, Guimarães, 27 de Fevereiro de 2010


A estreia portuguesa da cantora americana Jill Tracy não podia ter acontecido em dia mais apropriado: noite ventosa e chuva intensa a que faltou somente a trovoada tenebrosa. Não que a sua música seja enfadonha ou assustadora, mas o seu mundo, povoado por paixões bizarras, dá primazia a temáticas que, notoriamente, um clima de tempestade sugere e condiciona. Em estilo cinematográfico, Tracy contou-nos histórias inspiradas em supostos fantasmas de quartos de hotéis, em amores arrebatados dos filmes a preto e branco ou perturbadoras vibrações resultantes pela passagem dum simples caixão... À sua voz vincada, a lembrar Kate Bush ou até, ò sacrilégio, Brian Molko (Placebo), juntou-se a preceito, para além do seu piano/teclado, o violinista Paul Mercer. Esta perfeita cumplicidade, resultante duma colaboração já antiga e que, ainda este ano, terá edição em disco, entretanto, já gravado, permitiu construir um ambiente intimista e obrigatoriamente negro. Faltou, talvez, um suporte visual de fundo, uma selecção de fotografias ou até filmes que a própria artista não teria qualquer dificuldade em seleccionar. A plateia, algo fria e apropriadamente a jogar à defesa (não é fácil escutar, logo à abrir, uma canção sobre tortura...), só com o final do adequado “Evil night together” e um cheirinho de Rolling Stones ("Paint it Black"), se mostrou mais efusiva e entusiasmada. A esta canção, eleita para diversas séries e filmes independentes americanos, juntou-se, preferencialmente, uma escolha criteriosa do último disco “Bittersweet Constrain”, um trabalho descrito como ainda mais pesado e misterioso que os três anteriores. Ficou-nos na memória um tema escrito propositadamente para um Baile de Vampiros da cidade de São Francisco ("I can't shake it"?), um exótico exercício de composição que faria, com toda a certeza, excelente figura num outro baile vampiresco que o Teatro Sá da Bandeira tem por hábito receber em tempos de cinema dito de fantástico. Já no encore, depois dum venenoso “Doomsday” e tal como prometido em entrevista prévia (jornal i de 23 de Fevereiro), o final far-se-ia com uma pequena dose de improvisação, inspirada e devidamente testada in loco ao longo da tarde chuvosa e que soube, notoriamente, a pouco. Um espectáculo denso e subtilmente apelativo que merecia um cenário mais intimista como um salão oitocentista do próprio palácio de Vila Flor ou uma masmorra do Castelo de Guimarães. Certamente que o netherworld da artista faria ainda, misteriosamente, mais sentido. (foto:jornal i)