sexta-feira, 8 de junho de 2018

FOREIGN POETRY+WAXAHATCHEE+THE TWILIGHT SAD+RHYE+FATHER JOHN MISTY+EZRA FURMAN+LORDE+TYLER THE CREATOR+JAMIE XX, Primavera Sound Porto, 7 de Junho de 2018
















A abertura de mais uma edição do principal festival da cidade teve ameaça forte de chuva mas, milagrosamente, o clima distraiu-se e ainda bem. Numa primeira ronda pelo recinto, notou-se a localização duvidosa do novo palco Seat, o relvado fofo e vigoroso e tudo ainda em fase de acabamentos para manter a tradição. Nestes preparos, coube aos Foreign Poetry abrir as hostilidades em toada calma, demasiado calma e sem sobressaltos onde o vocalista nos parecia português e, afinal, quase que era mesmo já que se trata de um projecto internacional de ligações lusas, austríacas e inglesas. A estreia em grandes palcos cumpriu sem deslumbramentos mas a tarefa não era fácil. Para ir descobrindo. 



As irmãs Crutchfield têm no projecto Waxahatchee a principal montra da sua cumplicidade e onde a mana Katie apresenta a cada disco fortes argumentos de qualidade. Foi assim aquando de "Ivy Tripp" de 2015 e que seria apresentado em Coura, é agora com "Out In The Strom" de 2017, oportunidade para uma subida de divisão, uma melhor perfomance e, acima de tudo, uma maior segurança ao vivo e na liderança. Concerto consistente, bem recebido mas, mesmo assim, ainda a precisar de um palco mais pequeno. 



Os Twilight Sad são o que se pode chamar uma substituição de luxo. Na falta dos Liminal, projecto paralelo aos Sigur Rós, os escoceses foram convocados para abrir o novo palco Seat e foram já muitos os que comparecerem na estreia nacional da sua formula de rock negro e emotivo. Na expectativa quanto à recepção, o vocalista James Graham mostrou-se particularmente agradecido quanto à abençoada oportunidade que o levou literalmente às lágrimas! Também não era preciso tanto...



Finalmente tivemos os Rhye por perto e em plena orquestra, uma dádiva de final de tarde que, mesmo sem sol, teve brilho mais que suficiente quer em cima do palco quer na plateia conhecedora e cúmplice. Onda pop de sortido fino ideal para alguma levitação num alinhamento que não passou ao lado de temas mais antigos como "Open" ou "The Fall" mas onde se notou ainda mais que o disco deste ano "Blood" é mesmo uma grande pérola a que não é preciso acrescentar qualquer condimento. Por isso mesmo, saboroso! 



Mr. Tilmann arrasta multidões, particularmente as femininas que se derretem com os trejeitos e piruetas mas Father John Misty é muito mais que um suspiro, confirmando que as canções e as suas implicações biográficas ou satíricas são manifestos públicos de elevado teor. A sofisticação dos arranjos e da composição são ao vivo de uma inabalável consistência e rodagem e onde, claro, Tilmann assume um protagonismo hipnótico que confirmam o seu estatuto de gentelman da melhor pop do momento. Irresistível! 



A correr colina abaixo na expectativa que Ezra Furman tivesse ainda algumas canções na manga. Ouvimos as quatro últimas, magníficas, certamente um culminar de um concerto forte, intenso e que vamos querer experimentar na íntegra logo que a oportunidade se repita.     



O que é que estamos aqui a fazer? A pergunta certamente ocorreu a uma imensa maioria de simples curiosos que acabaram no palco principal a ver Lorde. Sem alternativas no mesmo horário, percebeu-se o histerismo jovem, demasiado jovem, da frente do palco enquanto o resto da plateia permanecia impávida a olhar os ecrãs e a tentar encontrar razões para semelhante traição de uma organização a pisar o risco sem necessidade. Mais uma pergunta: será que a Herdade da Casa Branca começou a ser transferida para o Parque da Cidade? Perigoso.



No seu estilo, Tyler de Creator parece ser aquele rapper que melhor ultrapassa gerações e efabulações da crítica e isso foi visível na recepção da multidão ao jovem norte-americano que já por cá anda há mais de dez anos. Irrequieto como convêm, Tyler esteve imperial na interacção e comunicação, sem agressividade e sobranceria desnecessárias, proporcionando uma hora e pico de puro diversão e agitação. 



Os cinco minutos do set de Jamie XX que aqui deixamos são só um pequeno trecho de um alinhamento de discos, sim, discos dos verdadeiros, de vinil, que começou atraente e de balanço crescente. Irrepreensível nas transições, o menino dos XX têm definitivamente queda para a função mas só foi pena estarmos numa quinta-feira e a mola ter que ser vergada no dia a seguir...


1 comentário:

Mark Velhote disse...

Viva,
Parabéns pela reportagem. Muito bom resumo do primeiro dia!

Também achei estranha a emoção dos Twilight Sad, mas fui agora perceber que era um cover de "keep yourself warm" uma canção dos Frightened Rabbit, cujo vocalista faleceu há cerca de 1 mês... :(

Cumprimentos