segunda-feira, 7 de setembro de 2026

KEELEY FORSYTH, Auditório da Biblioteca Almeida Garrett, Feira do Livro do Porto, 4 de Setembro de 2026

Depois de uma passagem pelos Açores, Braga, Lisboa e Leiria em 2025, a britânica Keeley Forsyth e o pianista Matthew Bourne apresentaram pela primeira vez no Porto o álbum "Hand to Mouth", uma última investida destilada e arrepiante de voz e piano onde à intuição auditiva é indispensável associar uma vertente performativa. 

Uma feira do livro sugere estranheza para servir de estreia na cidade, mas o jogo de sombras da palavra com o som não demorou a estimular a imaginação que se pode desfolhar numa qualquer narrativa romanceada, no caso, certamente de feições negras e sensações tumultuosas. O acento, a gravidade da voz de Forsyth, a lembrar Scott Walker ou Diamanda Galas, não deu azo a descontracção da pouca plateia presente, atenta ao dramatismo da perfomance corporal e teatral de obscuridade propositada e misteriosa. 

Não foram só do referido disco as escolhas alinhadas - por exemplo, "Turning", que no registo original têm no saxofone de Colin Stetson um esquisito input, foi ali substituído pelo bater do grande piano, ou "Unravelling" que no seu frame "find a better place" motivou a deslocação da cadeira par um canto ainda mais escuro do palco. Tudo num fôlego dark de intensidade vibrante, que só num último tema alaranjou, de forma épica, uma penumbra ofegante. Mesmo quase às escuras, um concerto luminoso e, maravilhosamente, aprisionante!

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