sexta-feira, 4 de setembro de 2026

MIRAMAR, Concha Acústica, Feira do Livro do Porto, 2 de Setembro de 2026

Temos nos Miramar um acaso feliz da nova música portuguesa. Encorpando e incorporando uma certa tradicionalidade instrumental, é nas e pelas guitarras que se moldam sons para diferentes paisagens e terrenos bem lusitanos e tão atlânticos que será difícil colá-los a outro qualquer país. Será, até, questionável que esse efeito, muito nosso, de tornar erudito o que se como se afigura simples seja compreendido por outros nativos e foi, por isso, bom ver muitos paraquedistas estrangeiros de visita ao palácio de Cristal a estacar nas traseiras da plateia, aprovando a beleza dos temas, batendo muitas das palmas e sacando do telemóvel para registar a novidade e a surpresa. 

Peixe e Frankie Chavez, que não se limitam a emaranhar-se em águas nacionais, como o provam muitos temas onde a slide guitar e a guitarra eléctrica serpenteiam desertos americanos, são já donos de uma trilogia de discos complementares que foram fluindo desde 2019 de forma discreta, se bem que diferentes nas suas peculiaridades e colaborações. Para a Concha Acústica trouxeram a mais valia de um percussionista, António Serginho de seu nome, que alimentou ainda melhor um apetite diversificado pelo suspiro, pela saudade de lugares e vivências que as composições, de excelente acústica, multiplicaram entre o muito, mesmo muito, público que aderiu à travessia. 

No nosso caso, e tal como em 2022, a experiência proporcionada continua a valer um carimbo certificado de prazer e ilusão, despertando memórias, quase sempre das boas, e de que se (re)quer reinício ou repetição obrigatória. Miramar, sinónimo de maravilha!      

Sem comentários: