Foi confrangedor, desde que Jonathan Donahue assumiu o microfone, a imperceptibilidade da sua voz, pior, a sua indefinição entre uma massa instrumental demasiado alta e em qua bateria assumiu particular reverberamento mutilador.
Julgou-se, suspirou-se, para que o acerto fosse de imediato reposto por ser a falha demasiada notória. Apesar dos avisos de alguns espectadores fronteiros ao palco, sinalizando-a para o vocalista, ninguém, nem a banda, se interessou em perceber o defeito, não se vislumbrando alguma, qual quê, preocupação em melhorar.
Mesmo que um ligeiro, ténue, aperfeiçoamento do nível se tenha, a instantes, verificado, o concerto estava como que condenado à desilusão apesar do forte empenhamento posto num alinhamento comemorativo dos vinte cinco anos de "All is Dream", de onde soaram, potencializados, "Hercules" ou o terminal "The Dark Is Rissing".
Há, desde sempre, na atmosfera das canções, raízes de subtileza lírica e de instrumentalidade que fizeram dos Mercury Rev, quer em disco, quer em palco, uma instituição segura. Ao contrário e entre as muitas fumarolas, a noite desleixada de sexta-feira, mesmo que de psicadelismo exagerado, tornou-se quase ofensiva (a versão de "Holes" foi, a esse nível, exemplar) e de um estranho mercúrio adulterado...
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