terça-feira, 6 de outubro de 2026

MERCURY REV, Hard Club, Porto, 2 de Outubro de 2026

O regresso ao Porto dos Mercury Rev tinha tudo para ser triunfal. Sala pequena de proximidade assinalável, plateia fiel de cem aficionados e músicos bem dispostos e interessados na partilha, mas um pormaior como que foi, no entanto, olvidado - o raio do SOM! 

Foi confrangedor, desde que Jonathan Donahue assumiu o microfone, a imperceptibilidade da sua voz, pior, a sua indefinição entre uma massa instrumental demasiado alta e em qua bateria assumiu particular reverberamento mutilador. 

Julgou-se, suspirou-se, para que o acerto fosse de imediato reposto por ser a falha demasiada notória. Apesar dos avisos de alguns espectadores fronteiros ao palco, sinalizando-a para o vocalista, ninguém, nem a banda, se interessou em perceber o defeito, não se vislumbrando alguma, qual quê, preocupação em melhorar. 

Mesmo que um ligeiro, ténue, aperfeiçoamento do nível se tenha, a instantes, verificado, o concerto estava como que condenado à desilusão apesar do forte empenhamento posto num alinhamento comemorativo dos vinte cinco anos de "All is Dream", de onde soaram, potencializados, "Hercules" ou o terminal "The Dark Is Rissing". 

Há, desde sempre, na atmosfera das canções, raízes de subtileza lírica e de instrumentalidade que fizeram dos Mercury Rev, quer em disco, quer em palco, uma instituição segura. Ao contrário e entre as muitas fumarolas, a noite desleixada de sexta-feira, mesmo que de psicadelismo exagerado, tornou-se quase ofensiva (a versão de "Holes" foi, a esse nível, exemplar) e de um estranho mercúrio adulterado...

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