segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

3 X 20 ESPECIAL 2010













20 CANÇÕES x 20 ÁLBUNS x 20 CONCERTOS 
+ 10 Low + 10 High 2010
Mantendo o hábito, aqui ficam as nossas escolhas anuais e também alguns desabafos.

20 CANÇÕES:
1. ARIEL PINK'S HAUNTED GRAFITTI - Bright lit blues skies
2. MGMT - Siberian breaks
3. ADMIRAL RADLEY - Ghost of syllables
4. AVI BUFFALO - Can't I know?
5. CARIBOU - Leave house
6. OWEN PALLETT - The great elsewhere
7. GONZALES - You can dance
8. BELLE AND SEBASTIAN - I want the world to stop
9. GYPSY & THE CAT - Jona Vark
10. THE DIVINE COMEDY - Indie disco
11. JANELLE MONÁE - Locked inside
12. WHITEY - And when the sun goes down you'll know 
13. TRACEY THORN - Swimming
14. KISSES - Kisses
15. THE DRUMS - Let's go surfing
16. KONONO Nº 1- Konono Wa Wa Wa
17. EFTERKLANG - I was playing drums
18. RICHARD HAWLEY - There's a storm a comin'
19. JOHN GRANT - Queen of Danmark
20. GIL SCOTT-HERON - I'll take care of you

20 ÁLBUNS:
1. AVI BUFFALLO - Avi Bufallo
2. ARIEL PINK'S HAUNTED GRAFITTI - Before today
3. THESE NEW PURITANS - Hidden
4. OWEN PALLETT - Heartland
5. THE PHANTOM BAND - The Wants
6. JOANNA NEWSON - Have one on me
7. THE NATIONAL - High Violet
9. JOHN GRANT - Queen of Danmark    
10. DEERHUNTER - Halcyon Digest
11. EFTERKLANG - Magic chairs
12. GET WELL SOON - Vexations
13. FIELD MUSIC - Field Music (Measure)

14. TAME IMPALA - Innerspeaker 
15. BEST COAST - Crazy for you
16. MIDLAKE - The courage of others
17. AGNES OBEL - Philarmonics
18. CARIBOU - Swim
19. BEACH HOUSE - Teen dream
20. ALI FARKA TOURÉ & TOUMANI DIABATE - Ali & Toumani


20 CONCERTOS:
1. SONIC YOUTH, Coliseu do Porto, 23 de Abril
2. GIL SCOTT HERON, Casa da Música, 15 de Maio
3. BILL CALLAHAM, Festival Sinsal, Vigo, 19 de Fevereiro
4. JEFF TWEEDY, Vigo Transforma, 9 de Julho
5. ARIEL PINK'S HAUNTED GRAFITTI, Plano B, 28 de Junho
6. DEVENDRA BANHART, Vigo Transforma, 9 de Julho
7. OWEN PALLETT - C.Cult.Congressos, Aveiro, 12 de Março
8. CAETANO VELOSO, Coliseu do Porto, 29 de Julho
9. GRIZZLY BEAR + CIBELLE, Coliseu do Poto, 27 de Maio
10. PORTICO QUARTET, Esp.Cult. Pedro Remy, Braga, 23 de Março
11. THE PHENOMENAL HANDCLAP BAND, Manta, CCVF, Guimarães, 24 de Julho
12. THE DIVINE COMEDY, CAE, Guimarães, 27 de Novembro 
13. HEATHER WOODS BRODERICK + NILS FRAHM, Braga, 20 de Outubro
14. BEACH HOUSE, C.C. Vila Flor, Guimarães, 18 de Março
15. RICKIE LEE JONES, Casa das Artes, VNFamalicão, 3 de Julho
16. VIJAY IYER TRIO, Serralves, 10 de Julho
17. ALICE RUSSELL, Teatro Sá da Bandeira, 3 de Junho
18. SHELLAC, Serralves, 27 de Maio
19. ANE BRUN, Casa das Artes, VNFamalicão, 6 de Março
20. GARY NUMAN, Casa das Artes, VNFamalicão, 28 de Maio

10 LOW:
1. A "Casa dos Segredos" ou a estupidez televisiva vs espelho do país;
2. Os 25% que ainda acreditam num Pinóquio socrático;
3. O fenómeno Lady Gaga e as comparações com Madonna;
4. A (in)definição de Cultura para a Câmara do Porto;
5. O conformismo português que nem uma ridícula greve geral disfarçou;
6. O nosso dito "super-ministro" das Finanças preso nas teias sujas da política;
7. O preço proibitivo dos bilhetes para a maioria dos grandes concertos;
8. O desaparecimento do Theatro Circo de Braga do circuito pop/rock/indie;
9. Os salários "chico-esperto" das chefias da Capital da Cultura vimaranense;
10. O excesso sufocante de comentários e comentadores políticos.

10 HIGH:
1. O encontro imediato com os Sonic Youth nas traseiras do Coliseu;
2. O abraço a Gil Scott Heron nos camarins da Casa da Música;
3. O projecto vencedor Time-Out Porto;
4. A perfeição do programa "Coyote" do Pedro Costa (Antena3);
5. Os pregos ao fim da noite da Cervejaria Martins, Guimarães;
6. As sandes de presunto e os finos do Fernando de Mindelo;
7. A água do mar e o sol da Zambujeira em final de Agosto;
8. O conseguir ligar, quase sempre sem problemas, o iPod no carro;
9. Os dois antigos discos desconhecidos do Justin Vernon/Bon Iver;
10. Haja saúde!

Especial 2009

UM MÚSICO COM NOME DE PROFETA














No final do ano passado ficamos particularmente rendidos às canções que um novo soul man de nome Jonathan Jeremiah decidiu compor. Uma delas ("See") foi, aliás, um das nossas favoritas de 2009 e viria a ser incluída num dos dois 10" de vinil que, na altura, chegaram a ver a luz do dia. Desde aí, ficamos sempre atentos a qualquer movimentação de tão grande talento, mas um misterioso silêncio abateu-se, prolongadamente, sobre o seu paradeiro. Até hoje! Neste dia é posto à venda (em sete polegadas!) o tal "See (It Does Bother Me)" como primeiro single de um álbum a editar em Março próximo e que receberá o nome de "A Solitary Man", o que, atendendo à sua atribulada vida, deverá querer dizer muita coisa. O artista realizou, entretanto, alguns concertos no Borderline de Londres, onde com a ajuda duma orquestra apresentou, para plateias esgotadas, maravilhas como esta...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O REGRESSO DOS ENTES QUERIDOS
















Quase três anos depois, os The Dears dão, finalmente, notícias! O quinto álbum de originais está pronto, chama-se Degeneration Street e tem data de lançamento marcada para Fevereiro próximo via Dangerbird Records. O tema "Blood" que circula por aí em regime de oferta, tem já direito a uma video captado ao vivo no México em Maio passado, embora o primeiro single oficial seja "Omega Dog". A banda decidiu, entretanto, apostar num canal teste onde têm sido apresentadas em streaming as novas canções e a que chamaram Radio Degeneration. Continuamos, pacientemente, à espera de um concerto por perto. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

FEIST: A CULPA É DA LUZ











Foi hoje posto à venda na Europa o documentário "Look At What The Light Did Now" da canadiana Leslie Feist. O álbum "The Reminder" de 2007 é o fio condutor do filme que aborda o processo de gravação do disco e dos videos e as várias colaborações implícitas, de músicos, a designers, passando por entrevistas e actuações ao vivo de uma digressão que passou pelo Coliseu do Porto em Junho de 2008. Para além de mais alguns pequenos filmes e dos próprio videos, o DVD inclui um cd audio com treze temas onde se misturam inéditas perfomances em palco, um dueto com Little Wings e também canções de Feist ("1234", "Intuition", "The Water" e "Sea Line Woman") interpretadas em estúdio pelo amigo e colaborador Gonzales. Quatro dos temas podem ser, desde já, escutados por aqui. Aparentemente, uma grande prenda de Natal!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #158

THE DIVINE COMEDY & CATHY DAVEY
I Only Have Eyes for You (Harry Waven)
Ao vivo na Manchester Academy, Inglaterra
9 de Novembro de 2010

RICKIE LEE JONES EM DVD


















Já em Janeiro e pela primeira vez, um espectáculo de Rickie Lee Jones estará disponível em DVD. Trata-se de um registo inicialmente realizado para televisão durante um concerto em Estocolmo no teatro Berns Salonger, um edifício histórico construído em 1862. Gravado a 7 de Março deste ano, o filme-concerto é dirigido por Ian McCrudden ("The Life of a Jazz Singer") e nele são apresentados a maioria dos clássicos que fazem parte dos trinta anos de carreira de Jones. Em palco a artista tem o acompanhamento magistral de Joey Maramba no baixo e Lionel Cole na bateria, numa digressão que passou por Portugal em Julho, numa data única em V. N. de Famalicão, mas onde o referido baterista, infelizmente, não compareceu.
Entretanto, RLJ tem concertos já marcados para a Costa Este dos Estados Unidos onde fará a apresentação inédita dos seus dois primeiros álbuns ("Rickie Lee Jones " e "Pirates") que serão tocados na totalidade. Como prenda da época e tal como o ano passado, a artista mantém a oferta de três canções natalícias.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

QUE GRANDE BANDA!

Na imensidão de listas que classificam os melhores álbuns de 2010 não vai ser fácil encontrar a nomeação de "The Wants" dos escoceses The Phantom Band. Contudo, é nossa convicção que, mais cedo ou mais tarde, esta injustiça virá a ser corrigida atendendo à impressionante qualidade do registo, uma surpresa só ao nível daquilo que os These New Puritans gravaram em "Hidden". Trata-se do segundo trabalho para a Chemikal Underground, depois do promissor "Checkmate Savage" (2009) e do potential hit que continua ser "The Howling", onde as comparações são muito difíceis de apontar e onde, acima de tudo, não há uma canção que se possa destacar. Classificado como "the soundtrack to their own personal apocalypse", a unidade e consistência dos nove temas fazem de "The Wants" uma jóia indivisível de rock polvilhado de kraut, folk e psicadelismo que não podem ser ouvidas separadamente e que o transformam, rapidamente, num clássico moderno. Esperamos um dia ter a felicidade de o testar ao vivo.

O REGRESSO DO RAPAZ





















Sempre acompanhamos a carreira de Daman Gough, ou seja Badly Drawn Boy. Desde tempos mais mainstream do início da década, até à mais recente aventura "Is There Nothing We Can do?" inspirada no filme "The Fattest Man in Brittain" que passou na TV inglesa, temos para nós que Gough sempre foi um  grande compositor de canções. Um pouco de surpresa, foi lançado, em Outubo passado, o primeiro de uma nova trilogia de álbuns de nome "It's What I'm Thinking" que teve edição na sua própria editora, a One Last Fruit. Chama-se de "Photographing Snowflakes" e o single inicial "Two Many Miracles" anuncia o regresso aos grandes temas e também, neste caso, aos grandes videos. Ouvindo o álbum na totalidade, é notório um espírito mais positivo e alegre, depois de alguns tempos menos criativos e de indecisão, provando que Damon Gough sabe, como poucos, escrever pérolas pop de elevado calibre. Prometido está já um novo single ("I Saw You Walk Way") para Janeiro. Paralelamente, foi produzido o pequeno filme "Oxidizing Hexagons", resultado de uma colaboração com o velho amigo Andy Votel e com o realizador Tom Fitzgerald, traduzida numa aventura visual arrojada sobre as canções do referido "Photographing Snowflakes". Em dia de gelo e neve, ora aqui está um bom tópico... 




segunda-feira, 29 de novembro de 2010

LUNARIDADES #110










. a passagem de Neil Hannon/Divine Comedy por Portugal é, para já, um assinalável êxito: destaques pouco habituais em jornais (no i e no DN), concertos esgotados e actuações a deixar saudades. Finalmente!  

. já ouviram David Lynch a cantar, quer dizer, a experimentar? É melhor ouvir mais vezes.

. ainda vão a tempo de participar na leitura de "Dom Quixote" no Youtube. O desafio vai já em 1450 fragmentos dos 2149 previstos. Uma fórmula perspicaz de motivar a leitura e divulgar a língua... castelhana. Um exemplo a importar!   

. organizado pela SPOT, o Flea Market ganhou outra vida com a aposta em feiras temáticas que ocupam espaços sempre diferentes. Depois do surf no Edifício Transparente, do street wear na Rua das Flores, decorreu no sábado passado uma edição dedicada à arquitectura onde se deu a descobrir o magnífico edifício Parnaso (Rua Nª Sª de Fátima) do Arqtº Carlos Loureiro que se econtra, infelizmente, abandonado. A recuperação é urgente.

. "Já Não Há Pachorra" nº 10.

(RE)VISTO #37

















BRUCE SPRINGSTEEN - THE PROMISE
The Making of Darkness on The Edge of Town
de Thorn Zimny, RTP2, 27 de Novembro de 2010
Entre os múltiplos extras incluídos na apetecível edição comemorativa deste álbum mítico de Springsteeen, num total de mais de seis horas de filme (3 DVD's) e cerca de duas horas de música (3 CD's), destaca-se um documentário inédito que recolhe testemunhos actuais de todos os músicos e produtores envolvidos, bem como imagens captadas em estúdio em 1978. Ver esta peça de colecção escondida na programação de madrugada da televisão pública portuguesa parece um sacrilégio, mas foi precisamente o que aconteceu na passada sexta-feira na RTP2. Mesmo assim, atendendo ao adiantado da hora e ao peso do sono, o esforço valeu bem a pena. Dirigido por Thom Zimny, o documento torna-se obrigatório para os fãs de Springsteen, mas devia estender-se, como exemplo, a todos os que hoje lutam para se afirmarem no mundo da música. Persistência, abnegação e dedicação juntam-se ao talento do, então, jovem músico, numa epopeia difícil, onde foram registadas mais de 70 canções em diversas versões, numa historia recambolesca e suada que as magníficas imagens a preto e branco transpiram. Conflicto, tensão, mas também muita camaradagem e humor da verdadeira dream team que foi (é) a E-Street Band de, entre outros, Max Weinberg ou Steve Van Zandt, são igredientes que, mesmo hoje, como confessado, se tornaram decisivos no êxito do disco. Saber que (10) canções escolher ou qual a mistura adequada levaram o Boss quase ao desespero, mas o tempo haveria de lhe dar razão. Não cair na tentação do êxito fácil ("Born to Run" de 1975 mantinha a fasquia muito alta), nem em ascenções perigosas, foram estratégias incompreendidas na altura, mas que um humilde, mas sábio, Springsteen retratado para sempre na imagem da capa, soube, melhor que ninguém, fazer respeitar. Muito respeito, é, assim, o sentimento que todos, ao ver este documento, devemos prestar a um músico tão talentoso mas nem sempre compreendido.      

THE DIVINE COMEDY, Centro de Artes e Espectáculos São Mamede, Guimarães, 27 de Novembro de 2010





















Da anunciada primeira parte dos concertos portugueses dos The Divine Comedy, a cargo de Cathy Davey, ninguém deu pela falta e também não houve muitas queixas. Foi assim que, um pouco depois da hora marcada, Neil Hannon entrou em palco de cachimbo na boca, mala e chapéu de coco como adereços de um fato preto a rigor, mas já de gravata torçida e se sentou ao piano mesmo ao lado de uma garrafa de vinho tinto. Ao jeito de aquecimento, já que a temperatura na sala era, tal como a noite lá fora, bem fria, desculpou-se pela demora no regresso a Portugal enquanto gozava, apontando para todos nós, com o fatal pedido de ajuda financeiro português antes do muito a propósito “The Complete Banker”. 

Quebrada alguma cerimónia, atirou o chapéu para trás do palco e anunciou “Everybody Knows”, um oldie como foi chamado a que acrescentou um irrepreensível “The Certainty of Chance”. A festa estava, então, lançada. Plateia em pé bem perto, palmas, compassos e letras sabidas de cor pela maioria, mesmo que seja “I Like”, tema recente, mas de irresistível balanço. Já à guitarra, onde notoriamente exige a si próprio mais concentração, atacou “Becoming More Like Alfie” e “Perfect Love Song”, dois exemplos cimeiros do que deve ser uma canção pop. Imitou, com a voz, solos de guitarra ou Hammond e mesmo com o da capo umas oitavas acima, um “pormenor” que só o ouvido atento do manager se deu ao trabalho de corrigir, entrando em palco para, ele próprio, alterar a posição do objecto num dos momentos mais hilariantes da noite, demonstrou excelente forma. De volta ao aconchego do piano, desculpou-se por não ter nenhum tema de nome “Portugal” e, por isso, escolheu o épico “Sewden”, mas com a “Indie Disco” de palmas e estalar de dedos colectivo a preceito, a noite estava já ganha. 

Como prémio, uma versão arrebatadora e inesperada de “Dont You Want Me” dos Human League e o cumprir de um pedido prévio (“The Plough”) dedicado a uma tal Helena que ele confessou não conhecer... De novo de guitarra em punho, não esqueceu “A Lady of Certain Chance”, tocante pedaço de lírica e composição e “Songs of Love”, com o tradicional e afinado coro de assobios. Até ao final, um desfilar de clássicos ao piano: “Generation Sex”, “The Pop Singer’s…”, “Our Mutual Friend” (uaauu!) ou “Tonight We Fly”, momentos best of continuados já no encore com “The Frog Princess” e “National Express” com os seus “pa, parara, pa, parara” em coro. 

Claro que faltaram mais alguns hits (“The Summerhouse”, “Something For The Weekend”, “If…” ou “Your Daddy’s Car”) mas não houve tempo para mais. Um one man show que teve já direito a disco ("Live at Summerset House") gravado no verão passado (que foi pena que não estivesse à venda no local) e, como se fosse preciso, um espectáculo a solo que reforça e confirma Hannon como um dos grandes compositores da pop das últimas duas décadas. Cheers!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #157

JOHNNY FLYNN & LAURA MARLING
The Water (Flynn)
West London Garden, 2010

CLÁSSICO #21





















THE DIVINE COMEDY - The Summerhouse
É motivo de culto aqui por casa há já longos anos. Neil Hannon e os seus Divine Comedy gravaram, ao longo da sua já alargada discografia, muitas das músicas da nossa vida. Para além de brilhante compositor, algumas das líricas da sua autoria resultam num surpreendente exercício de saudade e recordação doutros tempos de infância e juventude. É o caso de "The Summerhouse", tema incluído no álbum "Promenade" de 1994, onde repousavam outras pérolas como "The Booklovers", "Tonight We Fly" ou o arrebatador "When the Lights Go Out All Over Europe". Pois bem, Hannon está de volta a Portugal, onde sozinho promete algum humor britânico e um desfilar de clássicos à guitarra e piano. Amanhã em Guimarães ou Domingo em Aveiro, esperamos, num momento raro e com emoção, poder ouvir e cantar assim:

Do you remember the way it used to be?
June to September,
In a cottage by the sea.
Distant cousins, local kids -
We climbed every tree together,
And it never ever rained
'Til we climbed back on the train
That would take us so far away
From the village and the rain,
And the summerhouse
Where we found new games to play.
Do you remember Sunday lunch on the lawn?
Daring escapes at midnight,

And costumeless bathes at dawn.
You were only nine years old,
And I was barely ten -
It's kind of weird to be back here again...

Do you remember
The summerhouse?


MUITO LÁ DE CASA

















São para já quatro os volumes (!) que Brad Cox oferece aos interessados no blog de um dos seus alter-egos, os Deerhunter. Gravados nos últimos meses em ambiente caseiro, os "Atlas Sound Bedroom Databank" misturam versões (Dylan e até Kurt Vile), jam's e experiências sonoras da sua autoria e onde executa todos os instrumentos. Há ainda um tema de infância de 1974 cuja história é, magistralmente, contada pelo próprio. O profícuo artista promete não ficar por aqui e, por isso, há que estar atento.

SABER ESPERAR

Temos por hábito coleccionar singles em vinil dos Arcade Fire, uma aposta numa banda de qualidade, que sabe o que faz e que, acima de tudo, se vai valorizando. Aquando da recente edição do terceiro álbum "Suburbs" logo procuramos novos 45 rotações, mas, excluindo um 12 polegadas de edição restrita, não vislumbramos qualquer movimentação. Posteriormente, no entanto, encontramos uma daquelas rodelas a ser oferecida com a aquisição do disco em algums lojas online, mas a todas elas chegamos, obviamente, tarde. Trata-se da edição promocional do tema "We Used To Wait" registada num só lado do vinil, limitada a mil exemplares e que recentemente foi já vendida por mais de trinta libras. Mas a espera forçada acabou por ser recompensada. A prenda estava mesmo aqui ao lado, na FNAC Portuguesa, que tem ainda à venda a parelha ("The Suburbs" digipack + single de vinil) por 17€. Sem dúvida um bom investimento.  

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

FAROL #88










O "Record Club" de Beck parece ter chegado a um primeiro fim. O último e estranho projecto consistia na recriação do álbum de Yanni "Live at the Acropolis", mas o músico confessou que era hora de parar devido a alguma falta de inspiração e incompatibilidade de datas com os restantes parceiros Thurston Moore e os Tortoise. Faltam, por isso, algumas faixas mas o que foi feito pode ser descarregado em diversas fases (1, 2, 3, 4). Entretanto, Beck pretende escolher as melhores covers entre os cinco "Record Club" já realizados para edição de um álbum e pede, para o efeito, a ajuda de todos.
Curiosa ainda a recente disponibilização de uma conversa de Beck com Caetano Veloso registada em 2009 e onde se fala de uma canção chamada "Girl from R.I.P.onema.”... Imperdível.     

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

(RE)LIDO #27






















QUARTOS IMPERIAIS
de Bret Easton Ellis. Lisboa: Teorema, 2010
Para uma geração como a nossa que engraçou imediatamente com "Menos Que Zero", cuja edição portuguesa saída há vinte cinco anos tinha na capa um inesquecível desenho de Jorge Colombo, não há livro de Ellis que possa passar ao largo. O retrato, na primeira pessoa, das aventuras de um grupo de grupo de jovens ricos escondidos do sol e da lua californianos atrás de uns Ray Ban Wayfarer sob o efeito de droga, sexo e traição, produziu nessa altura uma receita inebriante que o autor não mais conseguiu alcançar. Mesmo assim, lemos todos os restantes (4) romances que Ellis, preguiçosamente, se deu ao trabalho de escrever e assitimos, penosamente e em versão televisiva, à adaptação de "Menos que Zero" e "Psicopata Americano". Antevendo o descalabro de que a maioria da imprensa deu conta, alinhamos uma lista em shuffle de temas dos anos 80 e em três horas de uma madrugada menos fria demos conta do recado.
Nesta nova tentativa finória de sucesso, Ellis regressa aos mesmos personagens de "Menos que Zero" e ao mesmo cenário, Los Angeles, mas grande parte da inocência e frescura, obviamente, que se perdeu. Não há agora lugar a meia dúzia de referências comerciais de roupa, perfumes ou bebidas por página como no original, nem sequer as múltiplas alusões a temas musicais típicos da época e que viriam a ser a imagem de marca de "Psicopata Americano". Bandas como Bat For Lashes, The Fray (!) ou artistas como Elvis Costello ainda aparecem tenuamente citados, mas a música já não é importante. O sexo descartável, a droga, a vingança e o vedetismo continuam em alta, mas a personagem central de "Quartos Imperiais" é a tecnologia e, sobretudo e irritantemente, o iPhone. Tudo funciona, assim, como um episódio gigante de "Californication" em versão hardcore, sem que a trama, ao contrário da série, nos faça ficar agarrados. Resultado, um realismo demasiado sujo que se mastiga e deita fora enquanto esperamos pelo próximo. Venha ele.                

ABBA A NU


















Não, não é uma fotomontagem nem sequer uma capa antiga da revista, mas sim o número da Inrockputibles que saiu hoje para as bancas em França, onde os ABBA põem, supostamente, quase tudo a nu sobre a sua eterna e polémica separação. Gostamos cada vez mais deste desempoeiramento editorial que se assume, frontalmente, sem medos e etiquetas. Watch out!

SÃO PÉROLAS...

















Tentem, a todo custo, não perder um dos mil e quinhentos singles em vinil onde Laura Marling interpreta versões acústicas de "Blues Run the Game" de Jackson C. Frank (que nos habituamos a ouvir nos bootlegs de Nick Drake) e "The Needle Ant The Damage Done" de Neil Young. Trata-se de um gravação produzida por Jack White e editada na "Blues Series" da sua "Third Man Records" e teve uma tiragem especial tricolor de cem discos que desapareceram, em minutos, no passado dia 13 da Rough Trade East de Londres. Marling, de apenas 20 anos, é uma das novas vozes maravilha da folk britânica e tem em "I Speak Because I Can", o seu segundo álbum, um perfeito tesouro.