sexta-feira, 29 de maio de 2009

AMANHÃ FAZ-SE LUZ!


If you feel like singing a song
And you want other people to sing along
Then just sing what you feel
Don't let anyone say it's wrong

And if you're trying to paint a picture
But you're not sure which colors belong
Just paint what you see
Don't let anyone say it's wrong

And if you're strung out like a kite
Or stung awake in the night
It's alright to be frightened

When there's a light
What light
There's a light
What light

There's a light
White light
Inside of you

DOUG MACLEOD, Auditório de Espinho, 28 de Maio de 2009


Prometia-se uma noite de blues, mas o concerto de Doug Macleod em Espinho foi muito mais que isso. Contando histórias, remetendo-nos algumas vezes para uma reflexão pessoal sobre o seu sentido, o músico é um verdadeiro entertainer, um raconteur único. Cada tema é um pedaço da sua vida, um blues original e inédito, já que, tal como fez questão de acentuar, não repete set-lists, nem afinações e tons da fiel amiga guitarra. Ontem, com alguma mas imperceptível dificuldade vocal, a perfomance foi, por isso, irrepetível. A arte do bluesman tem, assim, em MacLeod um exemplo raro de magia, a que por definição se chamou blues acústico. O som da sua guitarra National, carinhosamente tratada por “Mule”, agarra-nos do princípio ao fim, seja qual for a escolha entre as mais de 350 canções que escreveu até hoje! Um som imenso, de uma intensidade e honestidade imparável e um banho de blues de que já sentíamos falta há muito tempo.

DUETOS IMPROVÁVEIS #97

KATE NASH & BILLY BRAGG
Foundations/New England (Nash/Bragg)
NME Awards 2007, Fevereiro de 2008

EFEITO "BORBOLETA"


Enquanto suspiramos por uma data portuguesa para o projecto Fever Ray, já que uma ida ao Sonar de Barcelona não é mais que uma miragem, nada como a apresentação de uma das remixes do ano! O segundo single “When I Grow Up” já por aqui foi destacado, sendo o original uma canção brilhante, mas com uma intensa carga negra, ambiente, aliás, que o vídeo original bem espelha. Agora há uma reinvenção da canção da responsabilidade de Dan Lissvik, membro da banda The Studio e parceiro de El Perro Del Mar, que transforma o tema num verdadeiro passeio em ambiente soalheiro. Ao video, alguém fez a alteração devida! Uma banda sonora perfeita para o fim de semana no parque que se aproxima… Dão-se alvíssaras a quem encontrar o single vinil desta pequena maravilha!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

MR BLUES


É um dos últimos bluesman da América. Uma guitarra, histórias para contar e uma banda sonora de múltiplas paisagens que não conhecemos, mas imaginamos. Doug Macleoad tem digressão portuguesa por estes dias e hoje está no Auditório de Espinho! Apesar do aviso em cima da hora, a lenda bem merece o esforço...

I LOVE NY


Uma cidade, uma revista e um artista português. A capa da “New Yorker” desta semana tem um fabuloso desenho de Jorge Colombo, designer e ilustrador que muito admiramos deste o tempo de O Independente, das capas dos discos dos Heróis do Mar ou da inesquecível capa do livro “Menos Que Zero” de Brest Easton Ellis. Agora todas as semanas haverá naquela publicação mais desenhos do artista com base na vida da cidade, a que se juntam outras como o The Guardian. A técnica é completamente inovadora – um iPhone e uma nova aplicação – a que ele chamou iSketches. Talento e sensibilidade para dar e vender...

ALGUÉM OUVIU A MÚSICA?


Os franceses são mesmo discretos! Imaginem o que seria filmar o vídeo aqui no Porto ou no Rio de Janeiro… Já agora, o tema chama-se "Baby, Baby, Baby" e é dos gauleses Make the Girl Dance.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

TRIIIIM, TRIIIIM!


O Cotonete carregou no botão, entrou e parece ter gostado da visita. Simpático, decidiu amavelmente destacar a Campainha como blog da semana a partir de hoje! Em tempos de incompreensível migração massiva para Facebook’s e afins, é bom saber que há ainda quem valorize os blogs, uma modernice fora de moda. Tal como a história do cd e do vinil, um dia o tempo fará o favor de os eternizar. Um bem haja, portanto e obrigado!

THE NATIONAL: MAIS UMA...


O muito aguardado novo álbum dos National tem vindo a ser desvendado aos poucos. Já por aqui demos conta de algumas novas canções interpretadas aquando do concerto de beneficiência de “Dark Was The Night” e há agora mais um novo tema! Interpretado nos estúdios da televisão canadiana Q no domingo passado, chama-se, provisoriamente, "The Runaway". A letra insiste na frase “We don’t bleed when we don’t fight”. Prometedor! Certamente, para ouvir pertinho do mar, a Sudoeste!

terça-feira, 26 de maio de 2009

ELE HÁ DIAS ASSIM!


Um jornal de Sábado passado falava de um clássico reencontrado, de um disco incontornável, injustamente esquecido. Chama-se “The Opiates” e é da autoria de Thomas Feiner, músico sueco que liderou uma banda chamada Anywhen na década de noventa. A mesma notícia referia, por comparação, os This Mortal Coil ou David Sylvian, a que acrescentava se dever a este último a reedição do disco, sete anos depois de publicado! No mesmo dia fomos investigar e, na oportunidade, descarregamos o álbum com a ajuda do amigo de sempre. Desde a primeira audição, que estamos apaixonados! Suportando-se na Orquestra Filarmónica de Varsóvia, Feiner gravou uma obra prima onde se misturam Sylvian, Scott Walker, Blue Nile ou Billy McKenzie, ou seja, aquele disco que Perry Blake podia ter feito e pelo qual esperamos em vão. Um dos temas, o arrepiente “For Now”, chegou a fazer parte da banda sonora do filme alemão “Love in Thoughs” em 2004 e o segredo quebrou-se. A editora SamadhiSound, gerida por Sylvian, decidiu então reeditar o álbum o ano passado, acrescentando dois novos temas ("Yonderhead" e o referido "For now"), com uma nova embalagem e renomendo-o de Thomas Feiner & Anywhen – The Opiates Revised. A capa tem fotografias de Cecil Beaton com imagens de Jean Cocteau e Marcel Khill e, adequadamente, produziram-se vídeos com a ajuda do próprio Feiner, de que é exemplo o tema de abertura “The Siren Songs”. Ainda bem que há dias assim

UM EURO E NOVENTA E NOVE CÊNTIMOS!


Um disco onde há originais de Brian Eno, Rufus Wainwright, Scott Walker, Laurie Anderson ou Stephen Merritt embrulhados num digipack tão bonito é como se não tivesse preço. Pois bem, tal disco chama-se “Plague Songs” e refere-se à banda sonora original de um filme realizado em 2006 numa pequena aldeia inglesa chamada Margate, onde as dez pragas do Egipto, descritas no Livro do Êxodo, foram representadas pela população. A editora 4AD ganhou coragem e publicou essas dez visões bíblicas, num registo onde sobressaem, por exemplo, fabulosas canções de Rufus Wainwright e de Brian Eno na companhia de Robert Wyatt. Isto tudo para dizer que é um pecado não entrar numa Media Market e não comprar, disfarçado em pilhas de outras pechinchas, tamanha beleza por 1€99! Cruzes…

segunda-feira, 25 de maio de 2009

ALELA DIANE, Casa das Artes de V.N.Famalicão, 22 de Maio de 2009


O concerto calmo e competente de Alela Diane em Famalicão teve lugar sexta-feira passada, mas podia ter sido em qualquer dia do passado ou futuro. A sua música não tem nenhum carimbo de validade, mas a qualidade, essa sim, vem já desde 2003, ano em que lançou em nome próprio o primeiro disco. Na companhia do pai Tom Menig, que liderou as guitarras ou o bandolim e duma restante banda perfeitamente oleada, o concerto centrou-se na apresentação do último disco “To Be Still”. Canções de voz firme e timbrada, onde se denota uma maior preocupação nos arranjos e na construção, solidez que este concerto ao vivo serviu para confirmar. A fluidez e limpidez com que as melodias surgiram e a irrepreensibilidade de todo espectáculo, adornado, como sempre, por um excelente som e luz, permitiram sentir uma simplicidade genuína que muitos procuram mas poucos alcançam. Tempo ainda para uma brilhante versão de “Heart & Gold” de Neil Young e alguns temas do primeiro disco, com destaque para “Oh My Mama”, lindo e arrepiante (“I’ll give her melodies…”), dedicado a todas as mães presentes. Pena, no entanto, a pouco adesão em quantidade de público. Mesmo assim, uma noite de lua cheia! (vídeos HugTheDj)

JESN LEKMAN DÁ À COSTA!


A notícia já circulava em surdina por Coimbra a semana passada, mas agora tem confirmação oficial: Jesn Lekman vem a Coimbra (Salão Brasil) e ao Porto (Maus Hábitos) apresentar o seu maravilhoso disco “Night Fall Over Kortedala” nos próximos dias 17 e 18 de Julho respectivamente. Terá o acompanhamento de Viktor Sjoberg, dj e músico que fez parte da banda que em 2008 acompanhou Lekman numa intensa digressão mundial. Tirando o concerto no Festival Trena na Noruega uma semana antes, estas serão as únicas datas europeias de uma digressão que parte em Junho para terras norte-americanas, argentinas e brasileiras. Uma oportunidade imperdível.

DUETOS ANTIGOS


Eis que um segundo disco de Scarlett Johansson está já gravado como resultado de um convite do músico PeteYorn! Duas tardes de sessões em 2006, inspiradas na história tempestuosa de Gainsbourg e Brigitte Bardot dos anos sessenta, chegaram para registar oito temas em dueto e ainda uma versão de ”I Am The Cosmos” de Chris Bell dos Big Star. Seguiu-se uma separação só agora retomada com a oficialização da edição do disco. Há já um tema – “Relator” – para ouvir no site oficial e o álbum “Break Up”, que sairá em Setembro pela Rhino americana, conta com a produção de Sunny Levine, neto de Quincy Jones.
Refira-se ainda que Pete Yorn tem já pronto o seu quarto trabalho baptizado de "Back and Fourth" e que se encontra disponível para audição no seu myspace.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

KIMYA DAWSON + KARL BLAU + ANGELO SPENCER, Mercado Negro, Aveiro, 21 de Maio de 2009

 
Já passava das meia noite e meia quando Kimya Dawson se sentou na cadeira do auditório negro. Pegou na guitarra e iniciou um recital de canções simples e pessoais. Chamam-lhe anti-folk, mas a luta ontem teve outro destinatário – o sono! Acordada desde muito cedo em trânsito para Portugal, a que se juntam alguns imprevistos, a cantora confessou simpaticamente o seu cansaço e tudo fez para o espantar. Realizou exercícios de voz, promoveu o humor (uma tatuagem no seu braço dizia “Laff Loud”!) e contou histórias, muitas delas à volta das canções do último disco “Alphabutt”. Os temas, destinados às crianças, contêm disfarçadamente alfinetadas ao mundo dos adultos e em “The Alfhabutt Song” ou “I like Beers” tiveram acompanhamento pronto dos presentes em refrões infantis colectivos do tipo “splash, splash, splash”! Brilharam ainda os conhecidos “Loose Lips” ou “So nice so smart” da banda sonora de “Juno”, mas dadas as circunstâncias, o instrumental “Sleep” não foi escolhido! Já no último encore, perante a insistência e sem mais nada de novo para apresentar, a surpresa foi a interpretação só com voz de “Greatest Love All” de Whitney Houston, cantada por todos a que se juntou, obviamente, uma coreografia a rigor! Um memorável soporífero…

Antes de Kimya Dawson, coube a Karl Blau e Angelo Spencer fazer o aquecimento. O primeiro, num registo algo experimental, apresentou uma mescla por camadas de folk e rock com potencialidade, mas o atraso e improviso com que montou os seus instrumentos resultaram nos melhores momentos cómicos da noite. Prometeu voltar mais a sério… A abrir Angelo Spencer, marido de Kimya, mostrou-se irrequieto e também imprevisível no discurso. Rock cru com uma guitarra e bateria e letras um pouco naifs, precisariam talvez de maior produção. Pediu nomes de crooners portugueses para se inspirarar e a sugestão caiu em Jorge Palma e Vitor Espadinha, que prometeu ouvir e investigar, mas ouve alguém que gritou Bruno Alves... Talvez resulte! (videos HugTheDj)

BALAS QUE SÃO BOLINHOS!


Está já disponível desde o início do corrente mês um novo EP de Ed Harcourt. Chama-se “Russian Roulette” e será editado simplesmente via Itunes ou numa pen-drive usb em forma de bala! Lá dentro há seis novas canções e respectivos vídeos de cariz pessoal, reflectindo alguma da instabilidade que o artista sofreu nos últimos tempos. Um dos temas, “Caterpillar”, foi escrito para a sua filha acometida momentaneamente por graves problemas de saúde. Destaque ainda para a lindíssima “Girl With a One Track Mind”, um daqueles clássicos a que autor já nos habituou. Este novo material surge ao fim de três anos de espera, desde o magnífico álbum “Beautiful Lie”, donde aproveitamos para recordar mais uma pérola – “Until Tomorrow Then”...

DUETOS IMPROVÁVEIS #96

THE BREEDERS & DEERHUNTER
Bragging party (The Amps)
All Tomorrows Parties Festival, Minhead, Inglaterra

17 de Maio de 2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

MESTIÇAGENS


O Festival Mestiço da Casa da Música decorre este ano entre 2 e 5 (Quinta a Domingo) de Julho próximo. O cartaz está já definido e os bilhetes à venda. Entre Naná Vasconcelos ou JP Simões, o ska dos Babylon Circus e o reggae dos Natiruts, o destaque recai merecidamente nos Konono nº1 (foto), uma troupe congolesa indiscritível onde há múltiplos instrumentos e soluções para misturar a música africana com a electrónica ou até tecno e que tocarão no Domingo dia 5, embora a agenda do grupo aponte o espectáculo para dia 3. A sua vinda ao Porto esteve marcada para a edição do ano passado do mesmo festival, mas um problema com os vistos levou ao cancelamento da digressão na Europa. O colectivo tem ainda concerto em Torres Novas no dia 4 de Julho e a 1 e 2 de Agosto em Lisboa.

HANDSOME FURS, Via Latina, Coimbra, 20 de Maio de 2009


Para o casal Dan Boeckner e Alexei Perry não seria fácil prever a estreia portuguesa. O local coimbrão, um recinto de dança subterrâneo, sugere algum desconforto e até estranheza. Cerca de seis dezenas de pessoas aguardam calmamente o tiro de partida para o concerto, cujo resultado final é de difícil prognóstico. O jogo, contudo, cedo estará decidido. Ao fim do primeiro tema, já a vitória é segura. Ele, na voz e guitarra electrizante, ela, num minúsculo teclado e electrónica sintetizada, não deixam ninguém indiferente. Uma química imparável e energia a rodos, estendem-se facilmente desde o palco até ao público a fazer lembrar os Kills em dia inspirado. Boeckner bem que avisa - “We’re a punk band”, slogan a que só faltou uma invasão do pequeno estrado, mas a benéfica proximidade e informalidade do momento, dispensou tal atitude. Alguns reconhecem os temas e cantam as letras, mas a dança é contagiante, mesmo para muitos daqueles que pela primeira vez ouviam ou descobriam as canções. O ultimo disco “Face Control”, escrito a meias algures na Europa de Leste, serviu de guião nocturno que só parou, antes dos encores, no fantástico “Radio Kallinngrad”, tema previamente solicitado alto e bom som por um fã em delírio. Depois seguiu-se o convívio com a banda, tradição já habitual nestes pequenos, mas enormes, concertos em Coimbra. Um Lugar Comum! Entre autógrafos, cervejas e muita boa disposição, uma grande confidência – Dan Boeckner voltará em Janeiro de 2010 a Portugal, agora com os Wolf Parade! Serão, certamente, muito bem-vindos. (videos HugtheDj)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

CENTRALIDADES!


Que tal um concerto vídeo de Jamiroquai no Queimódromo portuense em Junho passado, ou Of Montreal, Noisettes, National, James Lidell no Sudoeste e, já agora, a maluqueira dos I’m From Barcelona no Lux? Ou quem sabe os Walkmen e El Perro del Mar no SuperBock em Stock lisboeta ou José Cid e B-Fachada no Maxime? Cat Power, Sondre Lerche... Não estivemos lá, mas podemos ver os videos destes e de muitos outros concertos inteiros, à borla, na Central Musical. É só escolher… Grande sugestão!