segunda-feira, 1 de março de 2021

DUETOS IMPROVÁVEIS #234

LE REN & BUCK MEEK 
Early Morning Rain (G. Lightfoot) 
Secretly Canadian, Fevereiro de 2021 
  

ALELA DIANE, UM TRIO DE ELEIÇÃO!














Parte da digressão de Alela Diane em 2018 teve o acompanhamento amigo do pequeno violoncelo de Heather Woods Broderick e o violino de Mirabai Peart, um trio que percorreu ao vivo e nesse formato mais de uma dúzia de cidades europeias para apresentar canções originais de Diane, principalmente as do álbum do mesmo ano "Cusp". Acabados os concertos, decidiram gravar parte desse reportório em ambiente de estúdio como se fosse em palco, sessão que em Abril terá a forma de disco de doze canções seleccionadas para registo no Map Room Studio de Portland, no Oregon americano. Sai em Abril em bonito vinil branco!


domingo, 28 de fevereiro de 2021

FAZ HOJE (18) ANOS #52






































































SIGUR RÓS, Coliseu do Porto, 28 de Fevereiro de 2003
 
. Diário de Notícias, por Ricardo Fonseca, 2 de Março de 2003, p. 36
. O Primeiro de Janeiro, por Andreia Marques Pereira, fotografia de Álvaro C. Pereira, 2 de Março de 2003, p. 24  
. Público, por Inês Nadais, fotografia de Nélson Garrido, 2 de Março de 2003, p. 36 
. Jornal de Notícias, 2 de Março de 2003, p. 41

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

BLAKE MILLS, VAI UMA VALSINHA?

O amigo de sempre fez o favor de nos lembrar que havia um disco do Blake Mills do ano passado que merecia uma audição prolongada. Vai daí, já não dispensamos, entre outras pérolas, esta flutuante "May Later". A menina dança?

REAL ESTATE, O MELHOR DE DOIS MUNDOS!






















Do excelente "The Main Thing" que os Real Estate lançaram o ano transacto sobraram meia dúzia de canções inacabadas que, com a chegada da pandemia e consequente confinamento, receberam tratamento diferenciado e inédito - um remoto acabamento virtual, metodologia desafiadora para quem está habituado à cumplicidade de um estúdio mas de potencialidades e contribuições inesperadas e infindáveis. O resultado concentra-se no EP "Half a Human" a sair no final de Março e do qual se pode ouvir o tema título pleno daquele reconhecível jogo de guitarras a que banda sempre nos habituou... 

KIWANUKA, NA TV ANTES DO PALÁCIO?














Continua, aparentemente, válido o concerto de Michael Kiwanuka (re)marcado para 21 de Maio próximo no Palácio de Cristal portuense mas a sua realização está ainda sujeita a um grau de incerteza comprometedor. Por isso, nada como antecipar o desfecho imprevisível através do pequeno ecrã da RTP2 no próximo Domingo pela noitinha com a emissão da passagem ao vivo de Kiwanuka pela cidade suiça de Basileia em Outubro de 2019 no âmbito do reputado Festival Baloise. O alinhamento, em jeito de best off, não deve ser muito diferente daquele que, eventualmente, apresentará na Invicta e que quase sempre acaba com esta maravilha...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

DAVID BOWIE, NOVO TRIBUTO!






















A editora inglesa BBE aproveitou o passado dia 8 de Janeiro, data do 74º aniversário de David Bowie, para anunciar um novo tributo com colaborações de projectos diversos mas de nítido traço soul, jazz e latino/tropical como Helado Negro, Khruangbin, We Are KING, Meshell Ndegeocello ou do brasileiro Sessa. O disco "Modern Love - A David Bowie Tribute Álbum", que estará cá fora no final de Maio, teve curadoria e produção de Drew McFadden e Peter Adarkwah, fundador da editora. Aqui ficam duas belas recriações...


 

PAUL MCCARTNEY, O ESCRITOR!
















Lá para Novembro, mesmo a tempo do Natal, será publicado um apelativo volume duplo (960 páginas!) contendo as letras escritas por Paul McCartney ao longo da carreira, qualquer coisa como 154 líricas que acabaram em tantas outras canções! Em "The Lyrics: 1956 to the Present" estarão ainda cartas, fotografias ou manuscritos inéditos do seu arquivo pessoal a que, na impossibilidade confessada de escrever uma autobiografia à custa de nunca ter tido o hábito de anotar diários ou lembranças, se acrescentam comentários paralelos e forçosamente biográficos editados pelo irlandês Paul Muldoon, autor da introdução e com quem McCartney manteve largos períodos de conversa ao longo de cinco anos. 

A edição prevista para E.U.A., a da imagem acima, encontra-se já indisponível e sem preço mas a versão inglesa aceita, desde já, encomendas ao preço de 66£ e com uma capa de desenho diferente. Quanto a preferências aqui da casa de maravilhas saídas da pena de Sir McCartney, não temos dúvidas quanto à primeira ("For No One"), à segunda ("She's Leaving Home") e à terceira ("Fool On the Hill"), três enormes canções!




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

UAUU #577

WILL STRATTON, CANÇÕES-PROTESTO!






















Quando no passado recente notamos o sossego do norte-americano Will Stratton, percebia-se que a essa calmaria propositada se sobrepunha uma agenda bem calculada referente a um suspirado novo álbum. Com saída a 7 de Maio pela Bella Union, em "The Changing Wilderness" estarão dez inéditos fruto de uma mudança na forma de compor que apagou a introspecção e a preocupação masoquista com ele próprio e acendeu uma nova chama inteiramente conectada com a natureza alvejada ou o país e a sua tensa e extremada situação política e social. Mesmo pleno de interrogações sem resposta, o músico confessa que, longe de qualquer pretensão didáctica ou moralista, a intenção é mesmo protestar e chamar a atenção. Aqui fica um primeiro e suave clamor.    
 

ALICE PHOEBE LOU, ADIAMENTO ESPERADO!






















Data de Novembro passado o anúncio de dois concertos de Alice Phoebe Lou em Portugal no âmbito da apresentação do terceiro álbum "Glow" a sair em Março. As cidades de Lisboa (6 de Abril, Capitólio) e Porto (7 de Abril, Hard Club) foram as eleitas para os espectáculos mas surge agora um adiamento previsível e uma alteração forçada - na capital mantêm-se o palco do Capitólio para o dia 29 de Outubro, passando o concerto do Porto para o Centro Cultural Vila Flor em Guimarães no dia seguinte. Seja como for, mais vale manter as figas ao som deste "Dirty Mouth", um novo e fresquinho espanta espíritos com direito a blooper! 


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

(RE)LIDO #91






















OS BEATLES E A CENSURA EM PORTUGAL
 
de Abel Soares da Rosa. Lisboa: Âncora Editora, 2020
Vivemos tempos em que conceitos como liberdade de expressão, liberdade de imprensa ou opinião pública conduzem a inevitáveis discussões acaloradas onde a palavra "censura", qual maldição, serve levianamente ambos os lados da arguição. A vigência da censura, pura e dura, imposta em período de ditadura, foi em Portugal motivo de estudo ao longo das últimas décadas e, depois da abertura à consulta da totalidade dos arquivos da PIDE e de Salazar (1995), o manancial de informação conduziu necessariamente a uma maior especialização das abordagens e temáticas, embora o cinema, em particular, cedo tivesse motivado a curiosidade e demanda de alguns como Lauro António, autor largamente citado na corrente obra e para qual escreveu um texto introdutório, concretizado no incontornável "Cinema e Censura em Portugal" (1977). O assunto continua, mesmo assim, a ser um novelo sem fim de reconhecido interesse colectivo como se pode confirmar numa mais recente investigação académica (2013) coordenada por Ana Cabrera e que se estende também ao teatro ou neste livro dedicado aos filmes dos The Beatles. 

À pergunta se "os Beatles foram censurados em Portugal?" a resposta é "Sim!". Prova-o o conteúdo transcrito e largamente reproduzido por Abel Rosa de forma exaustiva quanto às películas estreadas em território português, como também o provam, certamente, muitos cortes a notícias e críticas aos mesmos filmes, aos seus discos, atitudes ou comportamentos como, aliás, já atestamos por aqui anteriormente e que sustentam a ideia que os Beatles metiam medo, sim, muito medo! 

O receio dos censores e, implicitamente, do regime quanto ao fenómeno, levou ao arrastamento da estreia da comédia "A Hard Day's Night" ou "As Quatro Cabeleiras do Após Calipso" em português, agendada para 1964 mas só concretizada no ano seguinte, anomalia noticiada em jornais de Liverpool que deram conta que a película tinha sido parcialmente censurada e destinada a maiores de 17 anos! Por incrível que pareça, o "problema" maior eram as expressões de êxtase e felicidade - "Atitudes descompostas e esgares" - que o(a)s jovens expressavam ao ouvir as canções da banda em cima do palco, uma suposta histeria que poderia conduzir a indesejadas manifestações da juventude portuguesa. A liminar proibição de exibição do filme pairou durante algum tempo pois seria bastante complicado - impossível! - realizar estes cortes em plena canção, passando depois a uma suspensão bastante comprometedora das aspiração da distribuidora Rank que via o lucro do negócio a fugir entre mãos alheias e que culminou, após bastantes insistências, numa tardia reclassificação etária (12 anos)... mas mantendo os cortes!  

Todo este folhetim, documentado ao pormenor com a reprodução de alguns dos documentos originais, constitui, por si só, uma incrível e rocambolesca história que carimba a insensatez e ridículo a que qualquer actividade de controle totalitário foi e é sujeita, traduzida noutras minudências risíveis como uma piada parva sobre adultério, um decote feminino, uma dança do ventre ou a autorização sem cortes do filme "Yellow Submarine" em 1969 sem qualquer tipo de restrições, uma daquelas pérolas que questionam toda a credibilidade do sistema atendendo a que, mesmo sendo em desenho animado, o argumento e uma boa parte dos diálogos feriam notoriamente (basta o exemplo de "Eleanor Rigby") os valores exemplares tão cegamente defendidos pelo regime instalado. 

Outros dois filmes - "Help! - Socorro!" de 1965 mas estreado em 1967 e "Let It Be - Improviso" de 1970 - são também motivo de análise documental pelo autor e que se alarga até a outras películas mais tardias e menos conhecidas onde participam músicos da banda. Em quase todos se percebe os contínuos empecilhos e subterfúgios que a Censura lançou sobre a promoção e difusão das imagens "perigosas" supostamente associadas aos The Beatles, adiando decisões ou inventando mal-entendidos para que "esses guedelhudos" se mantivessem à distância do cantinho sagrado desde que isolado. Houve quem quisesse contratá-los para um concerto em Lisboa em 1965 mas, sabe-se agora e confirma-se no livro, as sapientes autoridades portuguesas não permitiram tamanha afronta agitadora dos bons costumes e uma ameaça à dita "normalidade".

Orgulhosamente só mas, definitivamente, mais decadente e autocrático, o Estado Novo têm nestes exemplos de coação cinematográfica, que em boa hora foram reunidos neste simples mas prestimoso livro, um espelho da sua galopante e lastimável podridão, imagens proibidas que, quem sabe, acabem recuperadas ao jeito da sequência final do inesquecível "Cinema Paraíso"... 


SPRINGSTEEN E OBAMA, AMIGOS RENEGADOS!

Dois dos mais brilhantes americanos de gema há muito que se conhecem, partilham convicções sociopolíticas, sugerindo aproximações, apoios e sensibilidades quanto à importância da família, da comunidade ou da liberdade. Apesar de passados e infâncias totalmente opostas ou da diferença de idade, não estranha assim que Bruce Springsteen e Barack Obama se juntem para discutir calmamente, contar histórias de vida ou ouvir boa música ao jeito de programa de rádio em versão moderna - um podcast - através do agora incontornável Spotify. A série têm o nome de "Renegades: Born In the USA", tem já dois episódios disponíveis registados no segundo semestre do ano passado no estúdio de Springsteen de New Jersey e, apesar da nostalgia, o futuro passa por aqui. Imperdível!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

ELEPHANT9, MONUMENTAL!

















A chegada de um novo disco dos noruegueses Elephant9 é aqui na casa considerada uma bênção. Música instrumental deste calibre é cada vez mais uma paixão enraizada com a qual tomamos contacto ao vivo no prado de Serralves vai fazer três anos. Já nos tinham avisado para o perigo de adição quanto a esta receita fina de ingredientes seleccionados das mais recônditas "plantações" de jazz, prog-rock ou psicadelismo que um baixo, uma bateria e uma profusão de teclados conseguem misturar na perfeição entre paisagens de desalinho aparente mas de efeito sublime. 

Com "Arrival of the New Elders", onde mais uma vez temos uma capa geométrica recortada por um gosto artístico assinalável, a viagem tende a acalmar nas erupções e as teclas mágicas do mestre Ståle Storløkken ganham uma primazia contemplativa e, diríamos, necessária. Monumental e libertador!


DAFT PUNK, KAPUTT!















Chega ao fim a aventura dos Daft Punk! Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter decidiram pela implosão. Se for como a história dos LCD Soundsystem, não demora meia dúzia de anos para que regressem... à terra!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

FAZ HOJE (21) ANOS #51


























JOHN CALE, Auditório de Serralves, Porto, 19 de Fevereiro de 2000 
. O Comércio do Porto, por Miguel Soares, fotografia de Jorge Manuel Gonçalves, 21 de Fevereiro, p. 22