sexta-feira, 6 de setembro de 2013

(RE)LIDO #55




















A VISITA DO BRUTAMONTES
de Jennifer Egan. Lisboa; Quetzal, 2012
A separação pouco clara entre o que pode ser um simples romance ou uma colecção de pequenes histórias que se entrecruzam de forma quase aleatória talvez tenha convencido o júri do Prémio Pulitzer de 2011 a dar uma recompensa a este livro. Não é fácil, contudo, "entrar" nesta narrativa já que a fórmula que autora aprimorou revela-se propositadamente enervante e, nalguns casos, confusa. Há, no entanto, um fio condutor que tem no universo da música o condimento irresistível para nos levar a não desistir facilmente, principalmente quando os personagens nos sugerem vidas e ambientes que parece que sempre conhecemos. Discos, bandas, canções ou concertos são o pretexto para uma diversidade de ambientes e locais onde se promovem traições, vinganças e desalentos de uma geração em declínio muito aproximada à nossa e que, está bom de ver, se auto-destruiu. Um circuito que abre e fecha no mesmo sítio, de sinuosos trilhos e facetas, onde a autora aplica diferentes doses de sátira, ternura e, claro, tragédia. Depois há, no último terço, setenta e cinco páginas de Power Point's para ler na horizontal, muitos deles sobre canções com pausas no meio e a sua respectiva duração, uma mania de um dos personagens que deve ter dado um trabalho monumental a pesquisar porque as referências e cronemetragens são mesmo reais (fomos confirmar, claro, como por exemplo o "Roxanne" dos Police entre o minuto 1:57 e 1:59). Não é que gostamos muito destes Power Point's num romance? Ah, o tal brutamontes só se descobre no fim mas basta ver como é que os brasileiros traduziram o título original para perceber de quem se trata... Todos o conhecemos!

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