domingo, 29 de outubro de 2017

MARK EITZEL, Auditório de Espinho, 28 de Outubro de 2017

De regresso ao local do crime três anos depois, Mark Eitzel tem em Espinho um porto de abrigo notoriamente acolhedor e, certamente, inspirador. Recinto cheio e imaculado, público conhecedor e afável, praia, sol e gastronomia, incluindo as bebidas, de eleição, configurando talvez um dos poucos locais no mundo de teor tão perfeito e onde o artista se sinta "tão lá de casa" e preparado para que a sua música cumpra os desígnios certeiros de agrado, emoção e partilha. As canções foram, muitas delas, do novo e brilhante "Hey Mr. Ferryman" mas, claro, houve clássicos dos tempos dos American Music Club, principalmente a triologia imprescindível reservada para os encores - "Blue and Grey Shirt", "Western Sky" e "Firefly". Não faltou, obviamente, a dose de sarcasmo e auto-comiseração obrigatórios em apartes, tiradas e gestos desconcertantes e humorísticos mas que por vezes roçam o incómodo e o indizível e que nos conduzem, sem o querermos, à risota sobre assuntos sérios como a morte, a doença ou a dependência, algo a que nos fomos, mal ou bem, habituando de forma inconsciente ao longo dos anos nos inúmeros concertos a que religiosamente nunca quisemos falhar. Não faltou, também, algum desacerto na afinação e entrosamento da guitarra com o restante trio instrumental, mas este é, desde sempre, um daqueles clássicos factos que Eitzel ignora e que só tem desculpa na intensidade e tensão com que se entrega ao espectáculo. Não faltou, mais uma vez, o vozeirão que engrossa e fermenta cada canção e que é, por si, só uma dádiva de rareza fina que continua a agarrar-nos, sem contemplações, a cada momento de cada serão como o de ontem. Cá o esperamos da próxima vez como se fosse a primeira...       











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