sábado, 17 de janeiro de 2026

BARWICK E LATTIMORE, DIVINA TRAGÉDIA!
















Um álbum colaborativo entre Juliana Barwick e Mary Lattimore só deverá pecar por tardio. Apesar da longínqua troca de experiências sonoras e ambientais e com o suporte da Philarmonie de Paris - Musée e la Musique, só agora se concretiza um trabalho de exploração e arqueologia instrumental passada oficialmente para vinil e suportes digitais a cargo da editora InFiné

O que temos em "Tragic-Magic" é, pois, filigrana de porosidade imersiva em sete composições, cinco originais e duas reconversões de temas de Vangelis ("Rachel's Song") e Roger Eno ("Temple of the Winds"), todas executadas e arranjadas pelo duo e co-produzidas por Trevor Spencer, colaborador e milagreiro de estúdio ao lado dos Beach House ou Fleet Foexes. 

A cidade luz foi, por isso, em 2025, o berço como que pré-destinado para, em nove dias, se fazer "telepatia musical" que nem anos de amizade e digressões conjuntas tinham permitido assentar e encaixar, para o que se utilizaram peças raras de museu - Lattimore abraçando e dedilhando harpas de 1728 e 1873 e Barwick ligando sintetizadores analógicos como o Roland JUPITER e o Sequential Circuits PROPHET-5. 

Da interacção sonora surgiu uma criativa meditação trágica, mesmo assim, longe de qualquer densidade depressiva que divertidas visitas a museus e monumentos de Paris ajudaram a pairar e a arejar espirituosamente. Magia, é o que é...



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