quinta-feira, 17 de março de 2016

(RE)LIDO #75





















UMA RAPARIGA ENDIABRADA
de Nick Hornby. Lisboa: Porto Editora, 2015
Temos por Nick Hornby uma assolapada paixão literária enraizada desde "Alta Fidelidade" (1995), obra notável que o cinema cedo se encarregou de escolher para uma adaptação brilhante e um John Cuzack a todos os níveis memorável. Tamanha atracção tem no mundo da música e em tudo o que o rodeia o principal condimento que Hornby usa, quase sempre com êxito, como aglutinador de enredos e novelas, um recurso que domina e preza de forma perfeita e pertinente. Quando partimos para este "Uma Rapariga Endiabrada" já sabíamos do contexto "anos sessenta em Inglaterra", televisão a preto e branco e uma sitcom "marido/ mulher" - "Barbara (and Jim)" - como fio condutor, o que pressupunha, julgávamos, muitas conexões, lá está, à explosão pop-rock desses tempos de que os The Beatles foram o principal fenómeno. Mas, e esta é logo a principal desilusão, sobre essa expectável (?) abordagem o livro passa completamente ao lado, centrando-se no fenómeno televisivo de forma exagerada e desmotivante, acabando por transformar a sua leitura num tormento sem explicação. Claro que Hornby continua, mesmo assim, a demonstrar todo o seu talento na recriação difícil de um programa de TV que nunca existiu na realidade e que, cedo o percebemos, requisitou uma assinalável pesquisa. O esforço pode funcionar como "o tributo de Nick Hornby à idade de ouro do entretenimento", como se imprime na capa em jeito de sub-título, mas que não chega para elevá-lo ao estatuto de "o mais ambicioso romance até à data..." o que é quase um insulto a muitos das suas obras anteriores. Engraçado ("Funny Girl" é o título orignal...) mas sem ser sequer divertido, a boa forma de Hornby sofre aqui, quanto a nós, uma "lesão" momentânea e que, esperemos, seja rapidamente ultrapassada.      



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