Da aparente dúvida colectiva saíram forças para mais um disco a que chamou "Order of Romance", um trabalho de nítida aspereza em comparação com o último álbum de 2019 mas com vantajosa nitidez nas influências, nas subtilezas e qualidades da escrita libertadora. Para saber ouvir com atenção e paixão...
sábado, 24 de setembro de 2022
JESCA HOOP, ÁLBUM LIBERTADOR!
sexta-feira, 23 de setembro de 2022
THE DELINES, DUETOS PERDIDOS!
Há agora, contudo, um novo 7" em vinil de capa vintage em pré-encomenda chamado "The Lost Duets" com duas amostras dessa faceta, sendo já audível "My Blood Bleeds The Darkest Blue", a primeira a ser conhecida, e que confirma a talentosa reinvenção de uma sonoridade tradicional e sem qualquer peso da idade.
quinta-feira, 22 de setembro de 2022
MAN & THE ECHO, SEM DISFARCE!
Passaram três anos mas a atitude cool parece não ter mudado. Sem grandes recursos, jogando na eterna força de pisar um palco ou de ouvir um dos seus temas na rádio, editaram agora um EP que mais parece um LP de nome "Simulacra" repleto de (sete) grandes canções e a que colam imagens em video na tentativa imediata de se fazerem ouvir como merecem... e sem simulações!
BYE BYE VINIL?
A problemática ambiental levantada pela produção e conservação dos clássicos discos de vinil em plástico, melhor, em policloreto de vinila / PVC, de que tantos gostamos é, amiúde, motivo de discussão entre amigos com a mesma paixão e onde a questão se centra na inexistência de uma ou várias alternativas ecológicas não tóxicas.
Uma primeira e, aparentemente, séria solução foi desenvolvida em Inglaterra a partir do açúcar (?) e de que resultou um bioplástico com qualidade idêntica ao do velhinho vinil na reprodução da gravação. Será que é mesmo o fim da geração do plástico musical? (ler no Público de hoje)
REVEREND BARON, RESPEITÁVEL NOSTALGIA!
Parece estranho que uma casa de artistas com acentuadas vocações soul e funk (Neal Francis ou Durand Jones são só dois bons exemplos) abra a porta a uma sonoridade de tão nobre e pegajosa nostalgia onde os blues e a folk se espalham sem esforço mas basta ouvir "On the Roundabout" ou "It's My Turn (To Cry, Cry, Cry")" para a receita se estender ainda ao r&b, tudo a lembrar Cass McCombs, Little Wings ou o saudoso, e também misterioso, Tobias Jesso Jr.
Esta é a segunda investida num disco grande que se segue a "Overpass Boy" de final de 2019, outra recomendável colecção em auto edição e que foi a estreia artística maturada e assumida por Danny Garcia, o nome verdadeiro deste antigo skater que, com a ajuda de outro compincha da prancha de rolamentos chamado Matt Costa, se transformou a partir de 2013 em Reverend Baron. Façam-lhe, desde já, uma vénia!
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
NICK DRAKE, BIOGRAFIA ADIADA!
O dia de hoje estava marcado como data de edição de "Nick Drake: The Authorised Biography", da autoria de Richard Morton Jack, pela clássica editora londrina John Murray Publishers Ltd. A capa e arranjo gráfico estão, aparentemente, aprovados e onde se faz notar um sorridente e tímido Drake perante a máquina fotográfica de Keith Morris. O conteúdo (352 páginas) adianta-se como inédito e abrangente mas sinalizado e aprovado pela família facilitadora no acesso a arquivos e outros documentos originais.
Certo é, contudo, que a data de saída do livro não vai ser cumprida. O autor continua envolvido numa demanda intrincada e vamos ter que esperar até Setembro do próximo ano para que uma prometida claridade sobre tão curta e enigmática vida do pobre do rapaz ganhe, finalmente, mais alguns contornos de nitidez.
quarta-feira, 14 de setembro de 2022
DUETOS IMPROVÁVEIS #265
ANGEL OLSEN & STURGILL SIMPSON
Big Time (Olsen)
Jagjaguwar Records, Setembro de 2022
terça-feira, 13 de setembro de 2022
ROZI PLAIN, PRÉMIO EM JANEIRO!
A menina Rozi Plain terá álbum novo pela Memphis Industries logo em Janeiro de 2023. O sucessor do magnífico "What a Boost"
foi propositadamente limpo de adornos e sofisticações, limitando-se na sua base ao uso da voz e da guitarra eléctrica, um instrumento que a próprio construiu e aperfeiçoou, e de algumas colaborações amigáveis. Chamou-lhe simplesmente "Prize".
De Bristol para Londres, onde agora concentra a sua actividade, é assim natural a ajuda da voz de Kate Stables (This Is The Kit) e do saxofone de Alabaster DePlume que se podem ouvir no primeiro single "Agreing For Two" (o mesmo saxofone de DePlume pode ser também notado em "Fractals", o mais recente single de Beth Orton). O tema tem video a cargo do amigo Jack Barraclough.
Plain tinha já realizado, em 2019, uma remix para o tema "Be Nice To People" que DePlume incluíu no álbum "If In Doubt Yes: The Corner of a Sepher Live & Remixed", tendo recentemente partilhado palcos e perfomances com o saxofonista.
segunda-feira, 12 de setembro de 2022
COURTING, Hard Club, Porto, 8 de Setembro de 2022
A música inglesa, como qualquer outra, vive de ciclos e modas nem sempre imediatamente perceptíveis ou sequer confirmadas. Cabe, quase sempre, à imprensa fazer o seu papel vigilante de utilidade duvidosa, o que no caso britânico é um hábito recorrente e que agora se repete numa nova tendência a que deram o risível nome de "guitar music". O NME fez já o seu testamento prévio e nele incluiu os Courting, quarteto de Liverpool ainda sem álbum editado mas já gravado e que está aí a rebentar num par de semanas. Nome do disco: "Guitar Music"! Fomos, então, ver e ouvir o "fenómeno" antes que estoure... ou se esvazie.
Perante meia centena de curiosos e meia dúzia de jovens fãs que até já cantam as letras dos temas, a mistura de gerações refletia, por si só, a razão do ajuntamento - os mais velhos, em maioria, na expectativa de perceber se o sangue da guelra anunciado fluía sem coágulos e disfarces e os mais novos, em minoria, nas tintas para o passado desde que a animação ajudasse à festarola e ao recreio. Bem tentaram os Courting que a coisa pegasse fogo imediato, mas a ignição agitadora demorou a brotar apesar de "Tennis" e "Football" se terem colado sem paragem numa tentativa inicial de vivacidade e que contemplou, mais à frente, descidas do vocalista até à plateia, apelos a maior proximidade do palco e elogios à cidade.
Nada a dizer quanto ao esforço e até firmeza de algumas das canções - "Slow Burner" e "Loaded" são só dois dos bons exemplos - mas os ingredientes da receita remetem sem contemplações para uma colagem chapada a punk rock americano tardio (aquele vocoder...) ou britpop escangalhado que manteve alguma eficácia sem nunca alcançar um deslumbramento. Divertida, essa sim, a sessão de discos pedidos ou karaoke improvisado que em dez minutos de interacção e brincadeira pôs a rodar Cee Lo Green, Weezer, Avril Lavigne, Talking Heads ou, erghhh, Sum 41. Uma curte de cortesia!
WEYES BLOOD ILUMINADA!
As novas canções são, assim, não uma resposta ou solução para os desalentos, mas uma forma assumida de iluminar o lado bom de uma qualquer dúvida existencial. "It's Not Just Me, It's Everybody" pois então...
BILL CALLAHAN, EDADILAER!
O anúncio apareceu a meio do mês de Agosto. Bill Callahan teria álbum novo em Outubro de título "YTI⅃AƎЯ" ao lado dos parceiros Matt Kinsey, Emmett Kelly, Sara Ann Phillips e do grande Jim White na bateria, expressando a razão do regresso, a inspiração para as doze canções ou o porquê de querer metais e vozes no disco. Só não havia era música nova para ouvir. Até hoje!
Com "Coyotes" ficamos, desde logo, de queixo caído a suspirar pelo restante deleite e, por isso, acrescentamos a versão de "Don't You Go" incluída no álbum "Voids" de Old Fire, projecto do músico John Mark Lapham, e à qual Callahan dá voz. O tema é um magnífico original de John Martyn de 1981 e conta ainda nesta cover com a ajuda, entre outros, de Thomas Bartlett (Doveman) no piano. Mais um disco a que se deve ficar atento...
domingo, 11 de setembro de 2022
FAZ HOJE (25) ANOS #83
U2, Estádio de Alvalade, Lisboa, 11 de Setembro de 1997
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografias de Paulo Spranger, 13 de Setembro de 1997, p. 34
sábado, 10 de setembro de 2022
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
LAMBCHOP, BÍBLIA ANTOLÓGICA!
O ateísmo de Wagner não o impede de se confrontar com a espiritualidade que afirma existir sem religião, penetrando numa imparável dimensão de susto e isolamento por causa da pandemia mas também de sobrevivência e conforto pela proximidade da família, libertando preconceitos e os tais espíritos para novas experiências - um pouco de funk, de disco e sucedâneos aportados por músicos de Minneapolis a quem não colocou amarras e se deixou ir em todas as direcções, como se comprova nos três temas já conhecidos. Um bíblia de antologia!
MÁRIO BARREIROS, EXCELÊNCIA NA CASA!
Assim começa uma entrevista de Mário Barreiros à Time Out de Abril passado que talvez abrevie demoradas explicações biográficas sobre um produtor e músico do Porto essencial naquilo que ouvimos em discos de Abrunhosa, Rui Veloso, Clã ou Jorge Palma, só para citar alguns, mas também na afirmação do jazz na cidade, na sua pedagogia e aprendizagem instrumental, nomeadamente a bateria que toca de forma exemplar.
A opção por um retiro a que se obrigou durante anos, teve em Janeiro uma notável interrupção com a edição do álbum "Dois Quartetos sobre o Mar", trabalho recomendável realizado com dois quartetos - o "Pacífico," ao lado de Abe Rábade (piano), Carlos Barreto (contrabaixo) e Ricardo Toscano (saxofone), numa toada mais calma e contemplativa e o "Abissal" com José Pedro Coelho (saxofone), Demian Cabaud (contrabaixo) e Miguel Meirinhos (piano), mais denso e exploratório na sonoridade. O disco, em auto edição, tem fotografias do próprio e de que é bom exemplo a imagem de capa captada perto de casa, ali pelo mar da Aguda.
Suspiramos, assim, por uma apresentação ao vivo por perto, concertos que têm acontecido de forma selectiva e até gratuita, mas que agora encontrou uma noite imperdível: no âmbito da programação do Outono em Jazz da Casa da Música está confirmado o dia 11 de Outubro, terça-feira, para que na sala Suggia se ouça a (sua) excelência...
terça-feira, 6 de setembro de 2022
ELIZABETH FRASER, A VIRTUDE DA ESPERA!
sábado, 3 de setembro de 2022
MOONAGE DAYDREAM EM IMAX!
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
MARY LATTIMORE, ENORME COMPOSIÇÃO!
THE UNTHANKS, MAGIA INCONFUNDÍVEL!
Para trás, "The Bay Of Fundy", um original do americano Gordon Bok de 1975, foi o primeiro avanço do disco que terá edições em vários formatos disponíveis a partir de 14 de Outubro e que confirma e prolonga, sem mágoas, a magia inconfundível das manas Becky e Rachel... (Un)thanks!
quinta-feira, 1 de setembro de 2022
KEVIN MORBY, TÃO LONGE E TÃO PERTO!
Três anos sem um concerto de Kevin Morby parece ser demasiado tempo para quem, como nós, não se cansa do rastilho das suas canções em cima do palco. Com o cancelamento da sua partiicpação no SBSR deste ano, Portugal ficou de fora da digressão europeia que continua este mês por Inglaterra e com duas datas aqui ao lado já para a semana (Málaga e Madrid).
Esta penosa ausência faz ainda mais mossa atendendo a que o álbum que suporta o actual espectáculo ("This Is a Photograph") se afigura entusiasmante na sua transposição colectiva de elevada potência, o que se pode confirmar numa gravação milagrosa do sempre atento canal Arte feita o mês passado aquando da passagem de Morby pelo Festival La Route du Rock em St. Malo, França. Disponíveis também actuações no mesmo evento de, entre outros, Baxter Dury ou Fat White Family. Para reduzir distâncias...
PETER BRODERICK, PIANO PRIMOROSO!
Ao mesmo tempo, surgiu uma peça completamente inédita em jeito de homenagem ao local onde brotou, recebendo, por isso, o título de "Sonata for the Sirius" que agora se dá a conhecer como primeiro avanço de "Piano Works Vol. 1 (Floating in Tucker's Basement)", a disponibilização em vinil e CD da referida e rebuscada compilação que, mesmo assim, foi agora integralmente tratada por Tucker Martin, engenheiro e produtor americano afamado pelos processos de restauro e valorização que aplica no seu estúdio de Portland, Oregon.
O refinamento primoroso terá edição pela Erased Tapes já no final deste mês, mantendo-se o bonito livro disponível para aquisição. Peter Broderick tem, entretanto, regresso marcado ao Porto no dia 15 de Outubro no alinhamento do Amplifest (Hard Club).
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
IRON & WINE, VERSÕES LORI!
Em "LORI", a ser lançado para semana pela Black Cricket Recording Co, Beam aplica mais uma vez o talentoso dom de fazer suas as canções dos outros (basta lembramo-nos de Cindy Lauper), para o que conta com a ajuda avant-garde da banda Finom (OHMME), ou seja, Sima Cunningham a Macie Stewart e ainda do produtor Matt Ross-Spang, uma reinterpretação inédita registada no mítico estúdio Sam Phillips de Memphis no Tennessee. Provem lá a primeira experiência Lori...
terça-feira, 30 de agosto de 2022
DUETOS IMPROVÁVEIS #264
ALICE BOMAN & PERFUME GENIUS
Feels Like a Dream (Boman)
Álbum "The Space Between", PIAS Records, Outubro de 2022
ARCTIC MONKEYS, IRRESISTÍVEL!
segunda-feira, 29 de agosto de 2022
ALABASTER DePLUME, (DES)CONCERTO?
Ao vivo não admira que a amálgama artística alcance uma faceta de perfomance e sessão de esclarecimento com direito a imagens e que teve estreia no país agendada para Braga em Julho de 2021 mas que uma série de limitações à circulação internacional trocou as voltas, levando ao cancelamento do espectáculo. A passagem pelo Festival Tremor nos Açores em Abril último deixou marcas de agitação profundas, experiência que tem este mês repetição no MusicBox lisboeta (23 de Setembro) e, supostamente, no dia seguinte no mesmo Theatro Circo, tal como consta do cartaz oficial. Só é pena que tal presença não esteja confirmada em nenhum parte da programação do recinto minhoto. Um desconcerto, certamente...
JOEY DeFRANCESCO (1971-2022)
terça-feira, 16 de agosto de 2022
BRUNO BAVOTA E CHANTAL ACDA, CURTA DISTÂNCIA!
Do álbum, com lançamento agendado para Outubro, mês onde terão lugar dez concertos no centro da Europa, são já conhecidos dois dos nove temas e os respectivos videos, um ambiente que remete para estações do ano de menos calor mas de igual, e sempre bem-vinda, tranquilidade.
domingo, 14 de agosto de 2022
FAZ HOJE (23) ANOS #82
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, fotografia de Artur Machado, 16 de Agosto de 1999, p. 50
. Jornal de Notícias, por Cristiano Pereira, fotografia de Artur Machado, 16 de Agosto de 1999, p. 51
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografia de Pedro Monteiro, 16 de Agosto de 1999, p. 41
. O Comércio do Porto, por Cláudia Felgueiras, fotografia de António Fernandes, 16 de Agosto de 1999, p. 27
sexta-feira, 12 de agosto de 2022
DUETOS IMPROVÁVEIS #263
BEATRIZ AZEVEDO & MORENO VELOSO
Rede (Azevedo)
violoncelo de Jaques Morelenbaum
Álbum "Clarice Clarão", Selo Sesc
Brasil, Junho de 2022
FAZ HOJE (16) ANOS #81
. Diário de Notícias, por Marcos Cruz e David Mandim, fotografias de Amin Chaar, 14 de Agosto de 2006, p. 26 e 27
. Jornal de Notícias, por Sérgio Almeida, fotografia de Pedro Correia, 14 de Agosto de 2006, p. 45
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
(RE)LIDO #107
How I Grew Up And Tried To Be a Popstar
de Tracey Thorn. London; Virago, 2014
A primeira vez que ouvimos os Everything But The Girl em casa do amigo de sempre em Campanhã ficamos inquietos. O disco de estreia "Eden" tinha saído meses antes e dele, lembramos bem, foi difícil escolher as duas melhores canções a incluir em cada um dos lados da cassete a gravar nessa tarde. Tudo soava novo, tudo soava antigo, tudo soava bem pela voz de Tracey Thorn e da guitarra de Ben Watt, duo que não mais largámos da mão até aos dias de hoje e de que temos por aqui dado conta frequentemente. A história que se esconde por trás dessa longevidade, a que uma eterna versão de "Night & Day" deu o pontapé de saída, contou-a a própria Tracey neste relato editado em 2013 e que resulta de quase uma década de lembretes e apontamentos propositados na intenção adiada de escrever um livro que se tornaria um verdadeiro clássico da literatura rock-roll. Não é difícil perceber porquê.
Da infância em Hull até ao ano de 2005, quando se preparava para um retiro definitivo do mundo da música, a ascensão como estrela pop foi sempre contida, ponderada mas determinada na forma de encarar os desafios, um relato onde transparece muita honestidade e um bom senso quase ocasional e venturoso. As escolhas, as opções, os problemas, os desânimos e as oportunidades submergem, por isso, em muitas das letras que a própria escreveu para as canções que aprendeu a custo a compor, desde o projecto Marine Girls com que se iniciou ao lado das amigas nesse, então, mundo masculino dos concertos e dos discos do início dos anos 80, até à estreia a solo já na década passada. É com uma dessas líricas que termina cada um dos inexistentes capítulos, vincando no leitor a ideia precisa que talvez fosse bom ir ouvir essa mesma canção como complemento metódico. Foi o que fizemos invariavelmente e com satisfação...
Ao magnetismo da escrita junta-se um factor geracional que nos aproxima a vicissitudes e histórias que fomos lendo ou ouvindo na imprensa e na rádio, reconhecendo a quase totalidade das bandas e artistas por aqui referidos ou nomeados, dos Haircut 100 aos Undertones, transformando a narrativa numa espécie de panorâmica paralela onde cabem ainda os The Smiths, os Jesus & Mary Chain ou os The Go-Betweens. Nesta visão desinteressada dos meandros da rádio ou da indústria musical e dos seus altos e baixos, os EBTG são tratados da mesma e sincera maneira e se querem eventuais explicações para o porquê de uma versão de Rod Stewart ("I Don't Want To Talk About It", 1988), de uma colaboração feliz com os Massive Attack ("Protection", 1995) ou do êxito de "Missing" (1995) que uma remix haveria de massificar, elas estão cá todas sem contemplações ou travões metafóricos.
Quando, em Julho de 1992, os EBTG se preparavam para realizar uma primeira parte de um concerto de Elton John em Alvalade, tal como consta do bilhete oficial, começou o tormento de uma doença rara do companheiro Ben Watt, o que provocou cancelamentos, alarmes de ansiedade e um consequente esmorecer da chama artística de que fomos, aliás, testemunhas na (única) passagem infeliz pelo Coliseu do Porto em Outubro de 1994. Esse superado momento chave de uma vida a dois é, pois, o motivo compreensível de auto-protecção e reserva a que Thorn se agarra para, ao contrário dos videos onde nunca nos olha de frente, se afirmar decidida e resolvida em parar digressões, ser mãe, ou escrever livros ao jeito da tal pop star acidental com os pés bem assentes na terra e sempre, mas mesmo sempre, com a cabeça na música.
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
OLIVIA NEWTON-JOHN (1948-2022)
domingo, 7 de agosto de 2022
CAETANO 80!
sexta-feira, 5 de agosto de 2022
terça-feira, 2 de agosto de 2022
MOLLY LEWIS, UMA BRISA QUE ASSOBIA!
Trata-se de um segundo pequeno disco chamado "Mirage" onde cabem quatro originais e uma versão de "Nature Boy" de Eden Ahbez, tema a que Coltrane, Nat King Cole ou David Bowie também não resistiram. O exotismo da coisa tem prova dos nove no single "Miracle Fruit", mas podem ir pondo os óculos escuros e calçando os chinelos enquanto ouvem pausadamente o primeiro Ep "The Forgotten Edge" (2021) de fio a pavio e sonham com palmeiras e daiquiris. Boas férias... sibilantes!
AS DOCINHAS, Festival Andaime de Maio, Viana do Castelo, 30 de Julho de 2022
No caminho de volta até ao carro que nos levou a Viana do Castelo e logo depois de uma barrigada de jazz, o fim de noite tropical tinha banda sonora de fundo a que fomos seguindo o rasto até dar com um palco rodeado de público jovem e activo. O bizarro colectivo de sete lá em cima não fazia a coisa por menos e emitia um corrupio de canções em trajes menores devido ao calor atmosférico e ao movimento eléctrico sem que soubéssemos quem eram, donde vinham e que raio de receita espalhavam de forma apelativa e irresistível. Muito tempo depois, já pós-concerto, identificaram-nos As Docinhas como as autoras vianenses de tamanha amálgama pegajosa que, sem ser bem ou mal tocada (who cares!), fez muitos dos mais velhos, os cotas como nós que vão a concertos de jazz, estacar perto do palco sem de lá arredar pé até ao fim. Quanto à receita, ainda ninguém sabe qual é mas também ninguém perguntou.
As imagens e sons abaixo serão, porventura, mais esclarecedoras quanto ao triturado de géneros cantadas em português, inglês ou francês, sem norma ou etiquetas de género mas a dar pontapés fortes nos blues, na kizomba, no grunge ou no funk que um esquisito mas, irresistivelmente, roufenho saxofone vai, de entremeio, corroendo. Cruzaram-se gemidos libidos, sexualidades ou sadomasoquismos fogueados (?) de acentuado sotaque do (des)norte que finos, cigarros e derivados chegados do público amigalhaço inflamaram a um fogo já ateado, certamente, desde o princípio não testemunhado.
A dupla minhota que comanda a trupe, já muito batida nestas lides da provocação e do toma lá, dá cá "queres quê?", tem corda e garganta para dar e vender que os discos já com três anos atestam nos segundos e primeiros propósitos. Depois há "bideos" despachados para o canal global de forma intencional, uma verdadeira esquizofrenia estética que o primeiro álbum "Xano", editado o ano passado, fez o obséquio de revalidar numa intoxicação ainda longe de se sumir. As Docinhas, um caso sério de DYS a que é preciso continuar atento antes que azede...
FAZ HOJE (20) ANOS #80
. Jornal de Notícias, por Cristiano Pereira, fotografias de César Santos, 4 de Agosto de 2002, p. 40
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim e Maria José Margarido, fotografias de Pedro Simões, 4 de Agosto de 2002, p. 44
segunda-feira, 1 de agosto de 2022
JOEY DeFRANCESCO, Festival Jazz na Praça da Erva, Teatro Municipal Sá de Miranda, Viana do Castelo, 30 de Julho de 2022
O já tradicional festival de jazz minhoto ao ar livre teve no sábado uma excepção compreensível atendendo ao prestígio de Joey DeFrancesco, motivando a ocupação do belíssimo teatro da cidade para um acolhimento em grande. Assim aconteceu, com o trio a rapidamente assumir uma capacidade inata de ondular um jazz soul marcado pelo orgão e teclas, faceta onde DeFrancesco se afamou pela acompanhamento a vultos como Miles Davis ou Ray Charles, mas surpreendeu ainda a destreza e perícia com que tocou saxofone e um trompete de origem e construção portuguesa ou a voz com que cantou num ou dois trechos. Ao seu lado, quer Lucas Brown no outro orgão e guitarra quer Vince Ector na bateria, funcionaram como uma extensão natural da habilidade de DeFrancesco em colorir as peças com os seus devaneios no teclado, ambos com direito a solos e exibições premiadas com forte aplauso.
Numa balançante hora e meia de concerto, aquilo que pareceu uma descontraída sessão de groove esconde, obviamente, uma enorme dedicação e talento que poucos alcançam com tanta facilidade e desiderato mas em que é fundamental insistir e resistir. Ao fim de trinta álbuns, ao ritmo de mais de um por ano desde 1989, para DeFrancesco o céu é o limite. A noite de sábado foi só mais um pequeno degrau antes de lá chegar...
SKULLCRUSHER, ÁLBUM DE ANSEIOS!
As catorze novas canções de "Quiet the Room" foram registadas no estúdio Chicken Shack de Nova Iorque no verão de 2021 e remetem, quase na totalidade, para os pequenos refúgios que na sua infância percorria em jeito de casa de bonecas, que aliás se apresenta em imagem na capa do álbum, e que tanto podem ser recordações de felicidade como de alguns sustos terríficos. Um mundo de ansiedade assumida que, sem esquecer essas contradições do passado, tem na música um apaziguador estimulante...
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