quarta-feira, 24 de novembro de 2010

(RE)LIDO #27


















QUARTOS IMPERIAIS
de Bret Easton Ellis. Lisboa: Teorema, 2010
Para uma geração como a nossa que engraçou imediatamente com "Menos Que Zero", cuja edição portuguesa saída há vinte cinco anos tinha na capa um inesquecível desenho de Jorge Colombo, não há livro de Ellis que possa passar ao largo. O retrato, na primeira pessoa, das aventuras de um grupo de grupo de jovens ricos escondidos do sol e da lua californianos atrás de uns Ray Ban Wayfarer sob o efeito de droga, sexo e traição, produziu nessa altura uma receita inebriante que o autor não mais conseguiu alcançar. Mesmo assim, lemos todos os restantes (4) romances que Ellis, preguiçosamente, se deu ao trabalho de escrever e assitimos, penosamente e em versão televisiva, à adaptação de "Menos que Zero" e "Psicopata Americano". Antevendo o descalabro de que a maioria da imprensa deu conta, alinhamos uma lista em shuffle de temas dos anos 80 e em três horas de uma madrugada menos fria demos conta do recado.
Nesta nova tentativa finória de sucesso, Ellis regressa aos mesmos personagens de "Menos que Zero" e ao mesmo cenário, Los Angeles, mas grande parte da inocência e frescura, obviamente, que se perdeu. Não há agora lugar a meia dúzia de referências comerciais de roupa, perfumes ou bebidas por página como no original, nem sequer as múltiplas alusões a temas musicais típicos da época e que viriam a ser a imagem de marca de "Psicopata Americano". Bandas como Bat For Lashes, The Fray (!) ou artistas como Elvis Costello ainda aparecem tenuamente citados, mas a música já não é importante. O sexo descartável, a droga, a vingança e o vedetismo continuam em alta, mas a personagem central de "Quartos Imperiais" é a tecnologia e, sobretudo e irritantemente, o iPhone. Tudo funciona, assim, como um episódio gigante de "Californication" em versão hardcore, sem que a trama, ao contrário da série, nos faça ficar agarrados. Resultado, um realismo demasiado sujo que se mastiga e deita fora enquanto esperamos pelo próximo. Venha ele.                

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