Ao vivo e como avisado, a primeira parte do concerto serviria para a apresentação e execução dessas peças mais recentes a que se juntaram imagens em tela grande de cariz geometrizada, e bastante distractivas, que não impediram notar a acentuada teatralização da execução imprimida pela pianista, um jogo alternado de ondulação dos braços e da farta cabeleira loira. A plastificação, melhor, a excessiva perfeição do que se ouviu talvez tenha estreitado a fruição numa simples partilha auditiva que, em alguns casos, as imagens certas disfarçaram de forma convincente - "Butterfly Phase" e a sequência sublime da patinadora de gelo afigurou-se exemplar. O melhor, contudo, estaria por vir.
Desligado o projector, aumentando a penumbra, Moran dedicou a parte final para reverter o piano à sua essência, apostando numa sequência de tributos a compositores predilectos. Soaram, então, maravilhas de Nico Muhly, de Philip Glass e do mestre Ryuichi Sakamoto, elegendo duas das suas melhores obras de arte - "Merry Christmas Mr. Lawrence" e "Andata" - para que a luz, mesmo de olhos fechados, polarizasse, em todos, que a esperança num mundo melhor, e sem ICEbergues, será sempre a última a esvair-se.
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