terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

SESSA, Auditório de Espinho, 7 de Fevereiro de 2026

A chegada da paternidade trouxe a um Sessa quase quarentão a abençoada fonte de inspiração para um terceiro disco de originais a que chamou apropriadamente "Pequena Vertigem de Amor". Há nele variação suficiente para embalar o rebento, Bem de seu nome, e para encantar plateias acompanhado de uma trilogia de peso da nova música brasileira: Biel Basile, o bielsinho dos ex-O Terno, na bateria; Marcelo Cabral, baixista, produtor e arranjador, no baixo e Letícia Veras, jovem multi-instrumentista e que no moog e vozes costuma fazer maravilhas. 

Desde logo e sem entradas, passou-se ao prato principal, ou seja, algumas das excelentes canções da referida novidade, com destaque para o tema título, magistral para levantar o pano, Dodói", "Bicho Lento" ou "Planta Santa", um caso sério de mesclagem rítmica e tão tropical que só no Brasil floresce vigorosa e autóctone. Juntar-lhe, logo de seguida, o jovem clássico "Vale a Pena" assumiu-se como que um perfume inebriante e onde o moog se mostrou, para além de certeiro, um deslumbre extasiado. 

Pelo meio, já outras peças mais antigas (p. ex. "Ponta de Faca") se tinham intrometido num alinhamento que teve direito a encore - a pedido, insistente, Sessa aventurou-se sozinho em "Gata Mágica", recordando o poder do violão e da simplicidade de uma matriz que continua a ferir sem dor, reconfirmando a timidez fofinha de outras presenças por perto. Tudo culminaria com "Grandeza", indispensável agitador que noutras circunstâncias logísticas teria motivado, como merece, bailarico obrigatório. Em grande!

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