quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

THESE NEW PURITANS, Auditório de Espinho, 14 de Fevereiro de 2026

Serão poucos os discos que os These New Puritans editaram ao longo de uma carreira já vintenária. Contudo, essa mão cheia de trabalhos rodeou-se sempre de uma acutilância e exclusividade que só os irmãos Barnett parecem sinalizar como diferenciadora, assumindo as canções formatos arriscados de que se aprende a gostar por uma simples das razões - modernidade! 

Ao vivo, como em anteriores passagens pelo Porto, quer na versão imberbe de 2008 quer na versão eloquente de 2013, foi com esse eficaz armamento experimental, permitido pelo rock, que a banda se estendeu em palco de forma densa e sublime, carregando uma negritude quase industrial e poderosa capaz de enervar os mais desprevenidos, mas conquistando a maioria daqueles para quem a subtileza não é inimiga da brutalidade. 

O serão de sábado, de plateia sentada bastante ecléctica e diversa, foi só mais uma das viagens desafiantes em que os gémeos de Essex nos capturaram por magnetismo e rendição, ou não fosse "Crooked Wing", o disco do ano passado, mais uma lição talentosa de arte sonora de que "Bells", uma das nossas "canções do ano 2025", se assumiu inebriante - escolhendo-a, perfeita, para (a)largar o primeiro campo de visão da paisagem imersiva, o concerto como que ganhou, desde logo, um destino atmosférico cativante e ondeante e em que o quarteto se mostrou indefectível na cumplicidade. 

Em algumas das paragens, deu-se entrada a Elisa Rodrigues, parceira portuguesa do projecto em 2013, quer em disco quer em palco, convidada a dar voz a uma selecção de peças de forma vincada e louvável e de que "Industrial Love Song", a primeira delas, resultou memorável. Poderoso, o alinhamento cruzou, por isso, temas antigos e recentes de forma sábia e mais que treinada, culminando num impressionante "Organ Eternal" de quinze minutos uma noite de regeneração auditiva que, sem reacções adversas, se confirmou terapêutica. Um abanão!

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