Pena que a sala portuense continue a não responder, de forma adequada e obrigatória, à fineza da composição, das melodias ou das líricas que tanto elevam as canções da banda, tudo abafado numa acústica sofrível em que a voz se revelou indistinta, tornando o brilho dos iniciais "Achilles", "The Last Time I Saw the Old Man", "Rainy Sunday Afternoon" e, sacrilégio, "When the Lights Go Out All Over Europe", numa calandrada massa sonora que deveria motivar queixa na SPA. Os óculos escuros que Hannon não dispensou, escondendo um confessado cansaço, serviriam também para cobrir algum imperdoável desleixo em "Lady of Certain Age", logo uma das pérolas cimeiras, quando se esqueceu da letra e a seriedade tensional do tema acelerou numa risota dispensável.
Empurrado o carrinho de bebidas e cocktails para o palco em "Mar-a-Lago by the Sea", notável e impiedosa pantomina futurista sobre o imperador yankee, uma base pianada ondeou sozinha enquanto se distribuíam bebidas entre os instrumentistas e o concerto parece ter-se libertado de algumas das amarras, crescendo em conexões como o que se viveu pela primeira fila em "Our Mutual Friend", enquanto a violinista esticava em palco, magistralmente, um dos melhores epilogos de uma canção pop. O momento da noite, apesar da sua verdura recente, chamou-se, no entanto, um figo de mel: "The Heart Is a Lonely Hunter" é, simplesmente, um clássico antes de o ser.
Até ao fim e já com a frente de palco amotinada, rolaram os soft-hits esperados e foi bom que "To The Rescue", arredado dos alinhamentos anteriores, tenha sido escolhido para valorizar mais uma noite de êxtase sabido, de algum descuido e irremissibilidade ("Your Daddy's Car"), mas de premiado batimento de asas. O voo, contudo, já planou muito mais alto...
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