segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

DRY CLEANING, O ASSEIO DO COSTUME!





















Será, provavelmente, o primeiro grande disco de 2026 e pertence aos ingleses Dry Cleaning. Chama-se "Secret Love", terá edição europeia pela 4AD em diversas versões recheadas e exclusivas já esta semana. Registado por fases e respeitando o "jogo de equipa" do quarteto, isto é, uma prática colectiva simultânea de parada e resposta, obteve produção recomendável de Cate Le Bon e passagens por estúdios como The Loft dos Wilco em Chicago, os Sonic Studios dos Gilla Band em Dublin e o Black Box do Loire francês onde a banda e Le Bon finalizaram o asseio. Segue-se uma digressão pela Europa para testagem ao vivo que, apostamos, há-de chegar até cá quando o clima aquecer.   

A força inusitada desta torrente britânica iniciada em 2018 continua duradoira, se bem que as lenga-lengas irresistíveis de Florence Shaw sugiram estar em fase de refinamento irónico e até literário, mas de assumido pessimismo. São conhecidas quatro das onze canções, todas com imagens coreografadas por BULLYACHE, duo formado por Courtney Deyn e Jacob Samuel consagrado em videos conceptuais de dança para temas musicais, e todos dirigidos por Cuan Roche. Um tratado!    




terça-feira, 30 de dezembro de 2025

ED HARCOURT, ORFEUZINHO!





















Sem que o atraso seja sinal de desleixo, a recomendação torna-se obrigatória - "Orphic" é mais um magnífico disco de Ed Harcourt em crescendo viciante desde que saiu em Novembro. 

Gravado em Janeiro passado nos moldes, agora, tradicionais, isto é, sozinho a tocar quase todos os instrumentos no seu estúdio Wolf Cabin, o inglês confessa que a primazia foi dada à guitarra em detrimento do piano, uma onda de conforto destinada a meses de outono e inverno. São, por isso, tempos certos para este cházinho de orfeu...

 


BRUNO PERNADAS, (IM)PROVÁVEL TRIUNFO!




















Uma nova canção de Bruno Pernadas torna-se, de imediato, inconfundível. Para já, são duas de nove do disco novo "Unlikely, Maybe" a sair pela Pataca Discos em Fevereiro, mês de concerto de apresentação marcada para o dia 21 no Auditório de Espinho

A (pro)fusão de sonoridades, em que o polvilhado nipónico se torna condimento saboroso, mantêm-se numa abrangência que só talvez o jazz abarque, mas que a pop continua a comandar. O gosto antigo pela experiência aporta, por isso, diferentes instrumentos e secções rítmicas cruzadas e comandadas em estúdio no verão passado pelo próprio Pernadas e onde se mesclam vozes de Margarida Campelo, Leonor Arnaut, Maya Blandy e Livia Nestrovski. Esta complementaridade e cumplicidade estão prometidas esticarem-se, como sempre, para cima dos palcos, o que é provável ser triunfal!



terça-feira, 23 de dezembro de 2025

SINGLES #59





















JAMES BROWN 
Hey America / Go Power At Christmas Time 
France: Polydor, 2001 160, 1971 
Dos tempos em que a América, a dos Estados Unidos, era governada por um, agora, moderado Richard Nixon (1913-1994) e de importantes movimentos quanto aos direitos civis ou feministas, preocupações ambientais, escândalos como o Watergate e guerra a sério, a do Vietnam, recorda-se um fabuloso single do mestre James Brown chamado "Hey America". 

A canção abria o álbum com o mesmo nome, o trigésimo de uma carreira em roda livre, e foi escrita por Nat Jones (1939-2014), saxofonista e organista da sua banda, e Addie Wiiliams Jones, vocalista e também compositora da mesma entourage. A letra, em jeito de improvisação, aludia ao Natal, mas também a protestos pela paz ou brindes com vinhaça, tudo numa aparente incoerência, mas o resultado é mais um poderoso groove arrasador. 

No lado B, outra pedra - "Go Power At Christmas Time", também da mesma proveniência e creditada somente a Nat Jones, é só um reforço funk que permite hoje escolher qualquer um dos lados para agitar uma pista de dança. Permite ainda lembrar que é urgente um grito que a acorde de um pesadelo inacreditável. Hey America, don't you think it's about time!


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

3X20 ESPECIAL 2025

















20 CANÇÕES X 20 ÁLBUNS X 20 CONCERTOS 
+ 10 Low + 10 High 2025 
Lista de coisas boas, cada vez menos, e coisas más, cada vez mais!

20 Canções
1. PULP - The Hymn of the North »»»
2. BIG THIEF - Incomprehensible »»»
3. MARC RIBOT - Daddy's Trip to Brazil »»»
4. THE DIVINE COMEDY - The Heart Is a Lonely Hunter »»»
5. HANNAH COHEN - Mountain »»»
6. THESE NEW PURITANS - Bells »»»
7. ROBERT FORSTER - Such A Shame »»»
8. MATT BERNINGER - Bonnet Of Pins »»»
9. BONNIE PRINCE BILLY - Boise, Idaho »»»
10. STEREOLAB - Transmuted Matter »»»
11. DESTROYER - Bologna »»»
12. BLACK KEYS - All My Life »»»
13. HURRAY FOR THE RIFF RAFF - Pyramid Scheme »»» 
14. SUZANNE VEGA - Chambermaid »»»
15. SHARON VAN ETTEN - Trouble »»»
16. LUCY DACUS - Big Deal »»»
17. DRUGDEALER feat. WEYES BLOOD - Real Thing »»»
18. CASS McCOMBS - Priestess »»»
19. AZYMUTH - Arabutã »»»
20. JEFF TWEEDY - No One's Moving On »»»

20 Álbuns:  
1. BIG THIEF - Double Infinity
2. MARC RIBOT - Map of a Blue City
3. PULP - More
4. STEREOLAB - Instant Holograms On Metal Film
5. BLACK COUNTRY NEW ROAD - Forever Howlong
6. NOURISHED BY TIME - The Passionate Ones
7. ROBERT FORSTER - Strawberries
8. CAROLINE - Caroline 2
9. JOAN SHELLEY - Real Warmth
10. BONNIE PRINCE BILLY - The Purple Bird
11. JAPANESE BREAKFAST - For Melancholy Brunettes (& sad women)
12. DESTROYER - Dan's Boogie
13. HANNAH COHEN - Earthstar Mountain
14. MOCKY - Music Will Explain (Choir Music Vol. 1)
15. HAMILTON LEITHAUSER - This Side of the Island
16. SQUID - Cowards
17. MICAH P. HINSON - The Tomorrow Man
18. CASS McCOMBS - Interior Live Oak
19. KOKOROKO - Tuff Times Never Last
20. THE AUTUMN DEFENCE - Here and Nowhere

20 Concertos: 
1. DESTROYER, Primavera Sound Porto, 14 de Junho, »»»
2. AMBROSE AKINMUSIRE, Auditório de Espinho, 24 de Maio »»»
3. THE BLACK KEYS, Auditorio de Castrelos, Vigo, 21 de Julho »»»
4. MARK EITZEL & OCTETO DE CORDAS, Auditório de Espinho, 4 de Abril »»»
5. DEVENDRA BANHART, Theatro Circo, Braga, 24 de Novembro »»»
6. CORTO ALTO, Matosinhos em Jazz, 12 de Julho »»»
7. NUBYA GARCIA, Casa da Música, Porto, 9 de Fevereiro »»»
8. EFTERKLANG, Auditório de Espinho, 6 de Abril »»»
9. BLACK COUNTRY NEW ROAD, Festival Paredes de Coura, 15 de Agosto »»» 
10. BONNIE PRINCE BILL, GNRation, Braga, 9 de Novembro »»»
11. HAMILTON LEITHAUSER, M.Ou.Co., Porto, 31 de Outubro »»»
12. GEORDIE CREEP, Festival Paredes de Coura, 15 de Agosto »»» 
13. NDUDUZO MAKHATINI, Auditório de Espinho, 16 de Maio »»» 
14. BILL CALLAHAN, Casa da Música, Porto, 11 de Julho »»»
15. FIDJU KITXORA, Serralves em Festa, Porto, 1 de Junho »»»
16. JO ALICE, M.Ou.Co., Porto, 31 de Outubro »»»
17. THE MAGNETIC FIELDS, CCVFlor, Guimarães, 8 e 9 de Outubro »»»
18. AMARO FREITAS, Matosinhos em Jazz, 6 de Julho »»»
19. SQUID, Primavera Sound, Porto, 14 de Junho »»» 
20. JULES REIDY, Serralves em Festa, Porto, 30 de Maio »»»

10 Low: 
. a nova definição de consultadoria;
. ainda agora começou e a IA e já não faz falta;
. a tragédia assassina de Gaza; 
. Ronaldo e o imperador Trump às gargalhadas;
. um apagão manhoso e nunca explicado;
. o êxtase anacrónico dos Oasis;
. a humanização ridícula de animais de estimação;
. um metro-bus que não consegue dar a volta;
. o roubo no bastião da defesa do património, França;
. que a morte de Bill Fay o consagre como um dos maiores!

 10 High: 
. o making of surpresa de "o" disco de Nick Drake;
. o bota lume João Almeida nas estradas da Vuelta;
. uma tal Jo Alice e uma versão de "Magnolia";
. o puto João Neves e o maestro Vitinha; 
. a clarividência nórdica quanto ao czar Putin;  
. o álbum de Cameron Winter do ano passado;
. um fogacho expectante no mayor de NY;
. involuntariamente, voltar a ler o Público em papel;
. apesar de tudo, a Vandoma ao lado da estação Nasoni;
. a recuperação do Discogs como controlador eficaz duma colecção...    

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

CHILLY JARVIS, BEIxINHO DE NATAL!





















As boas conivências entre Chilly Gonzales e Jarvis Cocker deram fruto em "Room 29", um álbum magnífico de 2017 que continua inesgotável. Perto do Natal, a dupla decidiu renovar a melancolia para disponibilizar uma versão de "Xmas Kiss", peça que terá ficado de fora do disco de versões que Gonzales registou em 2020 e que só os japoneses puderam fruir em edições exclusivas em CD. Nesse "A Very Chilly Christmas", Cocker deu voz a "The Bleak Midwinter" e a uma cover poderosa, ao lado de Feist, de "Snow Is Falling In Mahattan" dos saudosos Purple Mountains. 

Cantado por Jarvis, tocado ao piano por Chilly, o docinho foi misturado pelo amigo canadiano Howie Beck (o que e feito?) e tem um solo de piano de Stella que faz também vozes de fundo com Nely Allarabaye. Beijinho!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

ZECA VELOSOS, BOAS NOVAS!

O esperado disco de estreia do caçula Zeca Veloso teve, finalmente, edição em final de Novembro pela Sony. Chama-se "Boas Novas" e tem ajudas óbvias dos irmãos Tom e Moreno e do pai Caetano, todos juntos no single "Salvador" e em diversas imagens antigas no video para o tema título lançado há uma tripla de semanas. Tudo abençoado, tudo prometedor!


segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

(RE)LIDO #127





















BLITZ. PREGÕES E DECLARAÇÕES
 
Amor, Partilha e Ódio antes da vida online 
de José António Moura (comp., org. e intr.). Lisboa: Holuzam, 2025 
Boa parte de uma geração que se habituou a levantar-se às terças-feira para ir para o liceu, passou a ter um religião - comprar o Blitz logo de manhã! Se a aquisição fosse possível ser feita a tempo da entrada no autocarro ainda melhor, já que as páginas dos "Pregões e Declarações" eram logo lidas de fio a pavio a tempo de se mandar umas bocas antes da chegada dos profs, acicatando colegas metaleiros ou comentando sapatos de vela engraçadinhos/engraxadinhos... 

Tratava-se de um género de repositório social que nos fomos habituando a ler e absorver com as devidas distâncias, mas a actualização era fundamental para permitir perceber tendências, assumir integrações ou correntes, questionar amizades ou até começar a achar piada a miúdas de atitude atrevida. Um género de interacção sem rosto que cativava pelo fervilhar de polémicas e adorações, em tempos do despertar dos odiados/amados Wham!, vénias crescentes aos U2 e The Smiths, mas também acentuada e nova lábia quanto a sexo, curtições, libertinagem e utopismos. O eterno confronto de virilidade Porto/Lisboa era também assunto recorrente. 

Já na faculdade, o costume manteve-se activo (fizeram-nos, em 1990, uma caricatura de curso com o "Blitz" debaixo do braço), afirmativo, embora a degradação e qualidade da publicação semanal fosse mais que evidente e maçuda, mesmo que outras rubricas e participações se tivessem promovido - fotografias ou desenhos com direito a prémios (LP's) que alguns conhecidos chegaram a receber. Tal como o próprio jornal, toda aquela aura inicial de novidade, frescura e irreverência alternativa ganhava na secção "Pregões & Declarações" uma cada vez mais dispensável obrigação de leitura, passando, no nosso caso, a eleger a "Dona Rosa" como destino repetido de demandas esclarecedoras de assuntos musicais, ou seja, discos, concertos, canções, digressões, etc. que isto agora (interesse) era mais a sério. 

Pensar que alguém se deu ao trabalho de copiar, alinhar e evidenciar os recados publicados no primeiro ano (1985) da secção afigura-se, desde logo, uma surpresa. Percebe-se a jogada sociológica na confrontação com tempos actuais de facilitismo e excesso comunicacional e confessamos algum esforço na leitura desta recordação impressa em pouco mais de sessenta páginas. A introdução contextual, ouvindo ou recopilando testemunhos de alguns dos causadores (Manuel Falcão, Teresa Ruivo) e das facetas inspiradoras e dos acasos técnicos da coisa, acaba por ser o melhor de um pequeno livro em risografia hoje tão na moda vintage

Temos dúvidas que outras gerações, que não as que sabem o que isto é (era), tenham motivação para alguma vez aqui virem deitar os olhos. Temos, no entanto, a certeza que o produto das mensagens e apelos vai, algum dia, ser útil (se é que já não foi) em doutoramentos académicos sobre uma juventude a precisar de rebentar convenções e, ainda assim, demasiado solitária e obediente. 

A piada do lembrete é, contudo, bem-vinda e a nota da capa "Ano 1: 1985" assusta-nos, sugerindo que outros volumes se projectam e temos medo de vir a bater de frente com alguma das propostas indecentes/inocentes enviadas. Seja como for, este é o melhor dos pregões aqui republicados: 

"Caro António Sérgio: és baril, mas irritante. Deixa-nos gravar. Não fales tanto. - Lisboa" (p. 51). 

Só alguns, mesmo assim, muitos, percebem o seu fascínio... aqui vai malha!

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

THE AUTUMN DEFENSE, AMÉRICA VENTUROSA!

















Muito à custa da hiperactividade dos Wilco, o projecto The Autumn Defense de John Stirratt e Pat Sansone, dois dos seus imprescindíveis membros, está reduzido a  uma mão cheia de álbuns desde de 2001. Em Outubro passado saiu, entretanto, e depois de um hiato de dez anos, "Here And Nowhere", o sexto disco de originais registado, lá está, com interrupções desde 2022 e só terminado em Fevereiro último na cidade de Nashville. Pelo meio, uma única canção de Natal de Dezembro de 2024

A maravilha de longa duração é uma refrescante memória sonora de West Coast, onde não se esconde a vénia aos saudosos, e ainda activos, América, autores de monumentos como "Ventura Highway", "Tin Man" ou "Horse With no Name", aos The Beach Boys ou a pérolas rosadas de Carole King e em que a guitarra dita espanhola não é um estorvo, mas sim uma assumida e inseparável vibração instrumental ao serviço de uma envolvência melodiosa e onírica. 

Agora que Jeff Tweedy exagerou na dose (em trinta canções de "Twilight Override" aproveitam-se para aí... dez!), e penitenciando-nos pela desatenção, nada como um pouco mais de cortesia aos parceiros ocultos e modestos dos Wilco que também sabem fazer boa música, americana e venturosa!


sábado, 6 de dezembro de 2025

LUBOMYR MELNYK, ÉPICO!





















“ …the greatest epic of piano-music of all time… ” 

Assim se descreve "Windmills", uma peça ao piano de Lubomyr Melnyk que se tornou mítica. Temos na memória a impressiva comoção que ela causou aquando da então inédita presença do ucraniano na catedral de Viseu em Julho de 2015, momentos ao vivo depois várias vezes repetidos em regressos triunfais ao nosso país. Certo é que "Windmills", nos seus quarenta e cinco minutos de duração, não foi mais escolhida. 

Mesmo que a peça tenha já tido circulação diversa, como a de marca própria de 2022 ou a destinada a dois pianos de 2013, o que agora se edita é a prova indelével e definitiva de um épico da chamada continuous music. Para o efeito, a editora Jersika Records promoveu, em Agosto de 2019, uma sessão no Concert Hall Latvija em Ventapils na Letónia para se registar, com todo o cuidado e rigor, uma composição que só Melnyk seria capaz de criar e executar na sua apurada técnica ao piano. 

Assim e pela primeira vez, "Windmills" está, desde ontem, disponível em disco de vinil minucioso com capa histórica onde se reproduz "The Windmill at Wijk bij Duurstede", pintura famosa do holandês Jacob Isaacksz van Ruisdael (1628-1682), um óleo sobre tela que pertence à colecção do Rijks Museum de Amesterdão

Épico! 

FAZ HOJE (32) ANOS #116

 












LULU BLIND + MANIC STREET PREACHERS, Coliseu do Porto, 6 de Dezembro de 1993 
. Público, por Amílcar Correia, fotografia de Alexandre Carvalho, 8 de Dezembro, p. 31

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

BILL FAY, DO FUNDO DE UM RELÓGIO!





















Em 2004, a pequena editora inglesa Wooden Hill lançou uma compilação de demos e obscuridades de Bill Fay situadas no período de 1966 a 1970. Chamou-lhe "From the Bottom of an old Grandfather Clock", colocando na capa uma fotografia do jovem músico ao lado do pai John em tempos inocentes na procura de um caminho artístico, contratos com editoras (Deram da DECCA) e o florescer do primeiro álbum homónimo no início de 1970. 

Até agora somente disponível em cd e mantendo uma aura de raridade, a editora Dead Oceans repegou no tesouro e deu-lhe o seu toque habitual de bom gosto, parafinando os vinte cinco pedaços para níveis de digitalização sofisticados, mantendo a imagem original e um design aproximado ao utilizado em anteriores edições alusivas a Fay e que tem em Miles Johnson o artista gráfico certo. 

É dele o visualiser para a primeira revelação, "Maudy La Lune", mas está prometido um outro para "Warwick Town", tema que abre um alinhamento a ferver por redescoberta, partilha e contínua surpresa. 


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

FAZ HOJE (25) ANOS #115




















THIEVERY CORPORATION, Cinema do Terço, Porto, 3 de Dezembro de 2000 
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, fotografia de Malacó, 5 de Dezembro de 2000, p. 42

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

THE DELINES, MAIS CINEMAsCOPE!





















Ainda "Mr. Luck and Ms. Doom", álbum do início do ano, vai fazendo o seu caminho de vitalidade, já os The Delines anunciam um género de irmão mais novo com berço nas mesmas sessões de gravação de 2024 e das quais sobraram algumas canções. 

Com produção renovada e firme de John Morgan Askew, o novo "The Set Up" sairá na habitual Decor Records em Março do próximo ano. Acrescenta-se ainda, em versões limitadas da Rough Trade, um CD com a banda sonora instrumental para "The Left & The Lucky", o novo livro de Willy Vlautin. 

Para já, projecta-se de forma alargada "Dilaudid Diane", um pedacinho mais daquilo que alguém já sugeriu ser "CinemaScope Delines"...

DAVID BYRNE DE SECRETÁRIA!

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

GINA BIRCH + DEVENDRA BANHART, Theatro Circo, Braga, 24 de Novembro de 2025

Se as The Raincoats foram veia inspiradora para muitas bandas, à boa tensão entre Ana Silva e Gina Birch se deveu essa salutar desmultiplicação em que a irreverência foi (é) palavra de ordem. Regressada ao Minho (passaram por Coura em 1996 e, possivelmente, pelo GNRation em 2018), Birch só em 2021 se lançou a solo nisto dos álbuns e das canções. A primeira delas chamou-se "Feminist Song", assumindo sem contemplações a luta contra uma desigualdade secular e mantendo, como não, a tal irreverência. 

Ela não podia faltar e não faltou logo em "I Am Rage" com que abriu o pequeno set, escolhendo imagens de fundo de autoria própria, uma vertente artística tarimbada em anos de estudo e prática, e que se haveriam de mostrar notáveis logo de seguida na referida "Feminist Song", em "I Thought I'd Live Forever" ou "I Will Never Wear Stilettos". Agitadora, mas, mesmo assim, algo nervosa, foi com "Causing Trouble Again", do mais recente álbum na Third Man Records (2025), que um coro alto da plateia se fez ouvir, em bom som, na simplicidade de um grito: trouble... agitpop do bom! 

Dois anos depois, Devendra Banhart voltou ao Theatro Circo para uma esperada redenção. Não seria difícil fazer melhor que a falhada estadia de 2023 e a faceta de "sozinho em palco" mostrava-se como sendo a adequada para que a estrela se invertesse no brilho. Sem dificuldade, Devendra cedo se mostraria fino, delicado, intenso, mesmo que uma certa anarquia no alinhamento das canções tenha rodado o serão num corrupio em que emergiu muita boa disposição à volta de microfones, bexigas, casas de banho e algum portunhol... 

A proposta transmitida em jeito de aviso consistia numa sugestiva ordem cronológica dos seus melhores temas, começando pelos mais antigos, pretensão parte cumprida, parte subvertida sem consequências. Acabou por faltar umas das nossas preferidas ("Daniel"), talvez alinhada, mas esquecida, substituída de certeza por outra ainda melhor, todas de acústica refinada e certeira em que a voz se elevou, desta vez, a nível de excelência. Apesar da dupla sugestão da plateia, interacção autorizada previamente, de "Santa Maria da Feira" soaram só os primeiros dez segundos, brincadeira que foi também aplicada a outras como "Quedate Luna", mas só pelo tratamento dado a uma inesperada "Carolina" não são requisitadas quaisquer desculpas. 

Quanto a versões, que afinal ninguém sugeriu (podia ser o "Pink Moon", em dia funesto para Nick Drake, ou o "Leãozinho" que calhava sempre bem), Devendra convidou Gina Birch para uma variação de "Rilkean Heart", pérola antiga dos Cocteau Twins, parceria improvisada longe da perfeição, mas de merecida cortesia à companheira de curta partilha e de longínqua veneração. 

Playing solo (giving it a shot), assim se chama a actual digressão, foi, pois, isso mesmo, a sinceridade de um artista dono de um cancioneiro robusto, envolto de envelhecimento activo ainda essencial e de deliciosa fruição, não estranhando que, passados mais de vinte anos, a cada aproximação ao nosso país as salas continuem a esgotar-se de ansiedade e de vibração. Foi um placer...

terça-feira, 25 de novembro de 2025

CAROLINE, TRANSCENDÊNCIA GNRACIONAL!





















Os britânicos Caroline são um caso sério de indefinição. Ainda bem. Há por aqui deslizes suficientes para lhe prestarmos toda uma necessária atenção desperta pelo álbum homónimo de 2022 e de um segundo já de Maio deste ano. O género sonoro ergue-se como uma improvisação de labirinto na folk antiga, fios de pós-rock e até em alguma sofisticação orquestral a la Black Country New Road. 

O octecto espraia-se de forma pausada, enredando instrumentos e vozes que no disco teve, who else, Caroline Polachek como cúmplice surpreendente, um todo que será ao vivo uma experiência de intensidade assinalável já testada em TinyDesk vibrante

Será, pois, mais que recomendável não perder a próxima digressão pela Europa que terá no GNRation bracarense o espaço ideal para a estreia portuguesa (2 de Abril de 2026, quinta-feira) e que alcança Lisboa no dia seguinte (B Leza). Bilhetes transcendentes.


FAZ HOJE (24) ANOS #114





















TRICKY, Teatro Sá da Bandeira, Porto, 25 de Novembro de 2001
 
. Diário de Notícias, por Rui Frias, fotografia de Tânia Cerqueira, 27 de Novembro de 2001, p. 42

DUETOS IMPROVÁVEIS #309

ANNA CALVI & PERFUME GENIUS 
I See A Darkness (Bonnie Prince Billy) 
Carving Silver in Strange Weather (Substack),
Outubro de 2025 

domingo, 23 de novembro de 2025

FAZ HOJE (24) ANOS #113














SNOOZE + MOUSE ON MARS + KID 606 + KHAN, Festival Blue Spot, Teatro Sá da Bandeira, Porto, 23 de Novembro de 2001 
. Diário de Notícias, por Marcos Cruz, 25 de Novembro de 2001, p. 53 
. Jornal de Notícias, por Emanuel Carneiro, fotografia de Pedro Correia, 25 de Novembro, p. 44


sexta-feira, 21 de novembro de 2025

TOBIAS JESSO JR., CINTILA UM MILAGRE!





















Dez anos passaram sobre "Goon", disco de estreia de Tobias Jesso Jr. que se tornou um clássico intemporal que não teve sequela. Bem perguntámos o que era feito do, então, ainda jovem compositor e de que se sinalizou só o ano passado algum reconhecimento como compositor premiado com Grammy. Um álbum novo era hipótese remota. Até hoje! 

Podem já ouvir "shine" na sua totalidade via spotify, trinta minutos de oito canções poderosas onde o piano se evidencia numa auto-produção misturada por Shawn Everett. Aceitam-se encomendas de linda brancura em vinil e de design cintilante

Os novos temas assentam no amor pela mãe, pelo filho, mas também em alguma amargura fruto de rompimentos e separações e teve ajudas de amigos como Danielle Haim, Justin Vernon e de alguma e útil psicanálise. O primeiro single "I Love You" deverá ser sempre escutado até quase ao final... poderoso. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

EZRA COLLECTIVE, NATAL FOFINHO!















O colectivo londrino Ezra Collective decidiu que a proximidade do Natal merecia alguma ternura de sonoridade jazz que a envolvesse de alegria e fofura, escolhendo-se dois clássicos ingleses setecentistas ("Joy To the World" e "Hark! The Herald Angels Sing") para amaciar os excessos indesejados. 

A proposta imita um versão de "God Rest Ye Merry Gentlemen", tradicional de estação também britânico que a banda lançou o ano passado, naquilo que agora se começa a assumir como uma salutar tradição. Só falta a rodelinha de vinil...