Talvez o formalismo do recinto não tenha sido uma boa opção. Talvez as cadeiras de couro fossem dispensáveis. Talvez a dimensão do palco fosse exagerada. Talvez... Demasiados constrangimentos não impediram, contudo, que o auditório de Serralves fosse um obstáculo para os Shellac. Tocar para uma plateia sentada é para a banda, como reconhecido, uma anormalidade. Sentindo, em parte, esse desconforto, Steve Albini não resistiu e ao fim de alguns temas convidou a plateia a juntar-se na frente de palco para que a fruição fosse, para ambas as partes, mais genuina. A resposta não foi massiva e só alguns responderam ao desafio, embora a maioria se tenha levantado. Até aí, já o concerto tinha provado a excelência dum triunvirato instrumental que faz dos Shellac uma máquina intemporal de rock e um verdadeiro caso de genialidade. À brutalidade eficiente da bateria de Todd Trainer e ao baixo carregado e minimalista de Bob Weston, junta-se a guitarra imaculada de Albini, uma receita sonora cuja potência é elevada, não ao quadrado, mas, obrigatoriemente, ao máximo. Não faltou a já clássica sessão de perguntas e respostas comandada por Weston, abortada rapidamente e de forma hilariante quando alguém o questionou sobre qual a parte mais bonita do seu corpo... Balls respondeu Albini! Com o fabuloso The End of Radio, uma das diversas escolhas do alinhamento retiradas do último disco, o concerto chegaria ao final, depois da retirada faseada dos instrumentos do palco e que incluiu a desmontagem ensaiada da bateria e o transporte do próprio baterista, para gaudio da plateia rendida. Um concerto sóbrio, com excelente som e iluminação e a prova que à fama se pode e deve juntar sempre a humildade.
Antes dos Shellac tocaram os Mission Of Burma, um outro caso de longevidade e, já agora, de preserverança. Destaque para o guitarrista Robert Miller, um virtuoso no comando de outro trio agitador que carregou, sem rodeios, no acelerador. Em alguns dos temas, coube a Peter Prescott dar o mote detrás da bateria, com apelos de rebelião contida, que na maioria das vezes foram permeados com longos e solos de guitarra, mas coube a Miller e ao baixista Clint Conley assegurar maioritariamente as vozes. Um excelente aquecimento e também uma óptima oportunidade para descobrir uma banda cujo nome sempre conhecemos mas, tal como grande parte dos presentes, nunca ouvimos seriamente. É para isto que os concertos também servem.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
FESTIVAL CURVO EM AVEIRO

Anuncia-se como um "festival incerto de música urbana", mas a qualidade está praticamente assegurada. O Curvo começa já hoje no Teatro Aveirense com a projecção do filme "All Tomorrow's Parties" de Jonathan Cauette, numa extensão do IndieLisboa'10, mas amanhã e no próximo sábado há quatro nomes/bandas a não perder de vista: o regresso de Matt Elliott e de Scout Niblett e a estreia dos Warpaint e dos Here We Go Magic em terras lusas. Programa e mais pormenores por aqui.
terça-feira, 25 de maio de 2010
SUBURBAN KIDS WITH BIBLICAL NAMES, Mercedes, 24 de Maio de 2010
Perante um bar pouco preenchido e uma plateia que não ultrapassava as trinta pessoas, a banda enfrentou, corajosamente, o espectáculo de frente e a todo o vapor. Não foi difícil, assim, cativar o público para as suas canções orelhudas e plenas de vigor, muito por culpa de um irrequieto Johan Hedberg, metade dos rapazes originais com nome bíblico. Ao vivo, a dupla recebeu a contribuição de mais três jovens músicos que se desdobraram pela bateria, baixo e teclas e até um sonoro trompete, formando um conjunto com assinalável acerto e entrosamento. Em pouco mais de uma hora, desfilaram temas antigos como "Funeral Face" ou o incontornável "Loop Duplicate My Heart", mas foram alguns dos mais recentes originais que impressionaram. Do 4º EP, editado em final do ano passado, foi apresentada a totalidade do alinhamento, sendo muito difícil escolher qual dos quatro temas é o melhor. Foi, no entanto, impossível de resistir ao hino pop "Studenter Pa Flak" cantado em sueco já no final do encore, uma prova fantástica da versatilidade e frescura duma banda que irá, mais dia menos dia, rebentar por todo lado
FICAMOS CRASHADOS!

O novo disco do colectivo congolês Konono nº1 chama-se "Assume Crash Position" e vai deixar qualquer um de rastos. Ritmos avassaladores a que se juntam, pela primeira vez, algumas guitarras eléctricas e até um piano, mas é o som hipnótico dos limkembés que continua a fazer mossa. O tema de abertura "Wumbanzanga" é o ponto de partida para uma viagem alucinante que só termina em "Konono Wa Wa Wa", a melhor canção do ano para dançar. O álbum foi novamente produzido por Vincent Kenis e terá uma edição especial em vinil a ser incluída na "The Congotronics Vinyl Box Set-2010" que junta, ainda, o primeiro disco da banda, entre outras especialidades. Os Konono Nº 1 terminam esta semana em Madrid a digressão europeia e na qual tiveram como convidadas no concerto parisiense do passado dia 22 as Coco Rosie! O efeito konono continua verdadeiramente imparável
segunda-feira, 24 de maio de 2010
HIGH PLACES, Plano B, 21 de Maio de 2010
Apesar do adiantado da hora, Mary Pearson e Rob Barber surgiram em palco nitidamente bem dispostos e prontos a surpreender. Pena que o sistema sonoro da sala ou o que resta dele, tenha pregado algumas partidas, chegando ao ponto do completo "apagão". Nada que a dupla não tenha subtilmente ultrapassado, repetindo até alguns dos temas que não soaram perfeitos. Os High Places estão mais maduros e a timidez de Pearson, revelada no anterior concerto no Passos Manuel, parece ter desaparecido. O seu charme e sensualidade, pelo contrário, cresceram a olhos vistos. Servem-se agora de guitarras para desfilar as canções do novo "High Places vs Mankind", um som mais aberto, mas cuja base agitadora continua eficazmente pré-gravada. Tal como a sua música, um concerto a dividir opiniões, mas, no nosso entender, muito bem conseguido.
MAJOR TOM!

Está quase a chegar às bancas inglesas o número 200 da revista MOJO (Julho). As escolhas editoriais foram atribuídas a Mr. Tom Waits, incluindo fotografias, livros, histórias e alinhamento das canções do CD gratuito. Prevê-se, por isso, um número em cheio!
sexta-feira, 21 de maio de 2010
UM PEDRO E UM JOÃO NO MERCEDES
Parece de propósito! A agenda da próxima semana está repleta de concertos atractivos quase todos os dias. Sobrava segunda feira, dia 24, mas o bar Mercedes na Ribeira "estragou" tudo... Para essa noite está prometida a actuação dos Suburban Kids With Biblical Names, duo sueco que andou em rodagem assídua no nosso iPod há três anos atrás. Promete-se animação qb e doses pop caseiras de travo fresquinho e informal, receita que os SKWBN afinaram afincadamente para o segundo álbum prestes a sair. Tal como em 2007, continuamos a gostar muito deste "Loop duplicate my heart".
VINIL DELUXE
quinta-feira, 20 de maio de 2010
NOVO TEMA PARA GOD HELP THE GIRL

Um terceiro e inesperado single do projecto God Help the Girl da responsabilidade de Stuart Murdoch (Belle & Sebastian) é posto à venda na próxima segunda feira. Trata-se de um inédito, "Baby You're Blind", não incluído no álbum do ano passado e que apresenta na voz Linnea Jonsson, lider dos suecos Those Dancing Days. A canção, destinada mas não utilizada no lado B do segundo single "Funny Little Frog", foi gravada em Maio do ano passado. Via Rough Trade haverá um exclusivo 7" de vinil para coleccionar e um video rodado na cidade de Glasgow.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
WE ARE A PSYCHEDELIC ROCK BAND
É assim, sem rodeios, que o trio australiano Tame Impala se apresenta na sua página do myspace. Ouvindo os temas, é fácil confirmar a veracidade da classificação e até rapidamente fazer algumas analogias. Claro que os MGMT e o seu novo álbum "Congratulations" acaba por ser a comparação mais óbvia e não admira, por isso, que na primeira parte dos concertos americanos do próximo mês da banda de "Kids" estejam, precisamente, os Tame Impala. O álbum "InnerSpeaker" está prestes a sair, trabalho que contou com a produção de Tim Holmes dos Death in Vegas e com mistura do consagrado David Fridmann, habituado a semelhantes aventuras com os Flaming Lips ou os já citados MGMT. Já arranjamos um espacinho no nosso iPod para o disco e seria ainda melhor se um qualquer festival de verão nortenho (também não há muitos...) os agarrasse para uma noite de trip(a)s!
terça-feira, 18 de maio de 2010
DUETOS IMPROVÁVEIS #141
IGGY POP & IZIA
Nice to be dead (Pop)
La Musicale, Canal +, França, 27 de Abril de 2009
segunda-feira, 17 de maio de 2010
SERRALVES EM FESTA JÁ MEXE
O fim de semana de 5 e 6 de Junho será marcado pelo regresso da festa ao parque de Serralves. Entre a programação musical, destaque para o concerto de encerramento protogonizado pela Burnt Sugar the Archestra Chamber que apresentará um espectáculo de homenagem a James Brown intitulado "JB's Funky Divas Versus The Revolution of Mind". Um núcleo de doze ou mais músicos americanos em versão mashup e improvisada dos dois míticos álbuns do Rei da Soul a que se acrescenta ainda o disco "Live at the Apollo vol.2". Promete.
GIL SCOTT-HERON, Casa da Música, 15 de Maio de 2010
Para a maioria dos presentes na Sala 2 da Casa da Música ver Gil Scott-Heron em concerto era, até há uns meses atrás, uma aspiração impensável ou um daqueles sonhos inconcretizáveis. Mas quando o gigante personagem, em todos os sentidos, entrou no palco de boina enterrada na cabeça e se sentou atrás dum velhinho piano Rhodes, após algumas impressões satíricas sobre a viagem e a estadia e começou a cantar "Blue Collor" (ver video HugTheDj abaixo), muitos de nós tivemos que nos auto-beliscar! Começou a soar, então, aquela patine soul tão perfeita e genuína que foi impossível não recuar no tempo, não de um forma nostálgica ou balofa, mas sim, dando conta do peso histórico que tamanho som transporta e de quanto ele é, ainda hoje, perfeitamente vibrante. Não admira, por isso, que o mestre se tenha queixado "I've been sampled!", elogiando, sem reservas, artistas como Common, Tupac Shakur ou mesmo PM Dawn que surrupiaram da fonte. Tomara... Como resistir a pérolas como "Winter in America", "Work for Peace" ou o fabuloso "Home Is Where the Hatred Is" do lendário "Pieces of a Man"? Como não cantarolar aquele "kick it, quit it / kick it, quit it" de voz tão marcada e sentida mesmo ali à nossa frente? Como não reparar que "I'll Take Care of You", o único eleito do novo disco, é já um grande clássico? Como esquecer uma plateia rendida que, quase sem querer, cantou e dançou todo o "The Bottle"? Como? É impossível. Uma noite memorável onde o mestre teve a companhia dos velhos amigos Glen Turner nos teclados e harmónica e de Tony Duncanson na percussão e uma noite onde, certamente, todos nós ganhamos mais respeito e carinho por um verdadeiro e renascido génio. Peace, brother!
Gil Scott Heron @ Casa da Música Porto 15-05-10 from hug the dj on Vimeo.
sábado, 15 de maio de 2010
É HOJE OU NUNCA

Não há desculpas! Gil Scott-Heron está hoje na Casa da Música e a revolução faz-se, obrigatoriamente, ao vivo. Ainda por cima, parece que não se vai esquecer do monumento chamado "The Bottle"... Imperdível.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
3 X 20 MAIO

20 canções:
. LCD SOUNDSYSTEM - I can change
. MASSIVE ATTACK - Rush minute
. GORILLAZ - On Melancholy Hill
. FOOL'S GOLD - Ha Dvash
. HERE WE GO MAGIC - Collector
. VAMPIRE WEEKEND - White Sky
. THE FIERY FURNACES - Take me round again (Matthew Friedelberg)
. TORO Y MOI - Thanks vision
. CARIBOU - Sun
. JAMIE LIDELL - It's a kiss
. THE NATIONAL - Conversation 16
. BEACH HOUSE - 10 Mile Stereo
. FRUIT BATS - The Hobo girl
. EFTERKALNG - Natural tune
. OWEN PALLETT - What do you think will happen?
. FANFARLO - Finish line
. GET WELL SOON - Werner Herzog gets shot
. ST. VINCENT - The party
. LAURA VEIRS - Sun is king
. GIL SCOTT-HERON - I'll take care of you
20 versões:
. JIM O' ROURKE - Always something there... (Bacharach)
. RON SEXSMITH - This where I belong (Kinks)
. BECK - There she goes again (Velvet Underground)
. ANE BRUN - True Colors (Cindy Lauper)
. EVELYN EVELYN - Love will tear us apart (Joy Divison)
. SKY FERREIRA - Animal (Miike Snow)
. FLORENCE AND THE MACHINE - Postcards from Italy (Beirut)
. GET WELL SOON - I'm deranged (Bowie)
. GET WELL SOON - I'm deranged (Bowie)
. PETER GABRIEL - Heroes (Bowie)
. THE ANTLERS - VCR (The XX)
. KATE MILLER-HEIDKE - Walking on a dream (Empire Of The Sun)
. I AM THE DOT - It's too late (Carol King)
. PASSION PIT - Dreams (Craneberries)
. LIZ PHAIR - Turning Japanese (The Vapors)
. PATTI SMITH - Twist & Shout/live (The Beatles)
. THE RADIO DEPT- All about love (Sade)
. THE RADIO DEPT- All about love (Sade)
. KATE PERRY - Electric feel (MGMT)
. 27 - Crazy (Gnars Barkley). ALEX WINSTON - Your's to keep (Teddy Bears)
. KIM FOWLEY - Born to be wild (Steppenwolf)
. KIM FOWLEY - Born to be wild (Steppenwolf)
20 remixes:
. FREELANCE WALES - Killer Whales (The Antlers Remix)
. YACHT - The Afterlife (The XX Remix)
. BEACH HOUSE - 10 Mile Stereo (Cough Syrup Remix)
. OF MONTREAL - An Elurdian instance (Styrofoam Remix)
. EDWARD SHAPE & ... - Om Nashi Me (Timmy The Terror Mix)
. MGMT - Of Moons Birds and Monsters (Holy Ghost Remix)
. FOALS - This Orient (G.e.R.M. Remix)
. LEMONADE - Big weekend (Delorean Remix)
. CARIBOU - Odessa (Junior Boys Remix)
. MYSTERY JETS - Half in love with Elizabeth (Delorean Remix)
. CRYSTLE CASTLES - Celestica (Clockwork Remix)
. THE CHEMICAL BROTHERS - Swoon (Don Diablo Remix)
. PHOENIX - Fences (Coupons Unfinishead House Remix)
. PATRICK WOLF - Hard times (James Yuill Remix)
. MONARCHY - The Phoenix alive (Hot Chip Remix)
. LCD SOUNDSYSTEM - Drunk girls (Holy Ghost Remix)
. CHROMEO - Night by night (Midnight Conspiracy Remix)
. THE VERY BEST - Warm Heart of Africa (Violens Remix)
. COLD WAVE - Life magazine (Pantha Du Prince Remix)
. SCHOOL OF SEVEN BELLS - For Kalaja Mari (Drum Outtake Mix)
quinta-feira, 13 de maio de 2010
TRACEY THORN - DIVÓRCIO AO PIANO

O novo disco "Love And Its Opposite" de Tracey Thorn é posto à venda na próxima segunda-feira, 17 de Maio. Em Fevereiro passado, quando por aqui o anunciamos, não nos apercebemos de uma simples curiosidade do single de apresentação "Oh, The Divorces!". Num dos versos Tracey canta "Oh Jens, oh Jens / Your songs seem to look through a different lesn / You're still so young / Love ends just as easy as it's begun", numa referência ao amigo e colaborador Jens Lekman, facto que surpreendeu até o próprio músico sueco. O tema foi escolhido para ser editado em vinil durante o passado Record Store Day (mas ainda disponível...) e tem no labo B uma versão de "Taxi Cab" dos Vampire Weekend! A magnífica capa continua a ser dos londrinos I Want Design e Tracey chegou a gravar ao piano, especialmente para aquele dia, esta caseira e fantástica versão alternativa.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
DIVINE COMEDY NA INDIE DISCO

O primeiro single retirado do novo "Bang Goes The Knighthood" dos Divine Comedy já está escolhido. Trata-se do tema "At the Indie Disco", uma canção a fazer lembrar velhas aventuras de Neil Hannon e com uma letra particularmente hilariante (Give us some Pixies and some Roses and some Valentines / Give us some Blur, and some Cure, and some Wannadies / And now we’re moving to the beat / And staring at each other’s feet). O álbum sai dia 31 de Maio pela sua própria editora, a Divine Comedy Records. Aqui fica o video...
terça-feira, 11 de maio de 2010
MÃOS AO AR!

Após o álbum de versões "All Dressed Up and Smelling of Strangers" editado em 2009, está para breve o regresso de Micah P. Hinson aos originais. Depois da "Empire Orchestra" (2008) e da "Opera Circuit" (2004), temos agora a acompanhar o texano os "The Pioneer Saboteurs", músicos emprestado dos Techanko, Devotcha e Crooked Fingers. O novo registo aposta forte em orquestrações vigorosas gravadas no Colorado e na cidade de Saragoça em Espanha, país por onde o artista andará em digressão já no início de Junho. Uma das datas e mesmo muito perto (Sala Mondo, Vigo, no dia 12). Portanto...
THE UNTHANKS, Auditório de Espinho, 9 de Maio de 2010
Não resistindo às recomendações da imprensa portuguesa do fim-de-semana, aos contínuos elogios espalhados pela rede e, certamente, aos múltiplos prémios entretanto arrecadados, foi um auditório quase repleto que recebeu, no Domingo à noite, as irmãs Unthanks. Confessamos a nossa total ignorância relativamente aos seus discos, embora soubéssemos ao que íamos - um concerto de tradição folk enraizado na principal ilha britânica. As estrelas da companhia foram, sem dúvida, Becky e Rachel Unthank, vozes doces e frescas que adornam qualquer canção, sejam elas originais, melodias tradicionais ou versões alheias. Destaque, assim, para um "Sexy Sadie" dos Beatles cantado por Rachel e um "Riverman" de Nick Drake pela voz de Becky, ambas brilhantes no respeito pela melancolia original, mas com diferentes arranjos. Acresce ainda a destreza das irmãs para a execução de um vistoso sapateado e dança com que preencheram algumas das canções. A envolver tamanhos dotes esteve um conjunto de cinco músicos de cariz acústico, onde prevaleceu a leveza do piano de Adrian McNally, um verdadeiro maestro encoberto, mas foi o duo feminino responsável pelo violoncelo e pelo violino que deu ao espectáculo aquela sempre difícil pedra de toque. Um nota para os momentos iniciais, quando às irmãs se juntou Niopha Keegan na frente do palco para, a capella e sem amplificação, nos fazerem parar a respiração durante a interpretação harmoniosa de um tema tradicional. Um começo arriscado duma noite de música muito agradável.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
DEVENDRA ALIVE

A confirmação do concerto de Devendra Banhart no Optimus Alive! é, sem dúvida, uma boa surpresa. O músico, que partiu uns ossitos em Março depois de um queda de skate, teve que cancelar alguns espectáculos e promete aos fãs um regresso arrasador após algum tempo de retiro. Só ainda não percebemos uma coisa: como é que tantos e bons artistas vão tocar no palco mais pequeno do festival numa só noite? Será que os concertos vão durar, cada um, uns míseros trinta minutos? Foolin...
Devendra Banhart "Foolin"
Devendra Banhart MySpace Music Videos
EL GUINCHO, Plano B, 8 Maio de 2010
A primeira surpresa, agradável, foi perceber que Pablo Díaz-Reixa não estaria sozinho em palco, mas sim acompanhado por um baixo e guitarra. A segunda surpresa, desagradável, foi não entender a fraca adesão de público. Poder-se-ia dizer "poucos mas bons", o que não foi o caso, já que só ao fim de uma boa meia hora, a sala viveu alguma efervescência, com direito a “comboinho” e tudo. Para trás, contudo, já alguns momentos teriam merecido maior agitação e festa, como é caso dos irresistíveis “Palmitos Park”, “Kalise”ou “Costa Paraiso”, usado logo para abrir a contenda. “Que estais muy frios!” foi o desabafo de Pablo, que aproveitou para apresentar alguns temas dum terceiro disco a editar depois do verão e onde se continuam a notar inclassificáveis e estranhas misturas sonoras. Um baile de paróquia algo murcho, mas, mesmo assim, saboroso.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
PURA MAGIA

Os Here We Go Magic começaram por ser um projecto a solo de Luke Temple, dedicado músico de Brooklyn. Sozinho, gravou um primeiro disco editado em 2009 e com o qual, desde logo, chamou a atenção de diversas editoras. A Scretly Canadian adiantou-se e prepara-se agora para pôr cá fora o segundo disco intitulado “Pigeons”. O projecto, entretanto, cresceu para um colectivo enérgico e que ao vivo parece fazer mossa. Por isso mesmo, torna-se imperdível a passagem da banda por Aveiro já no próximo dia 29, um dia depois do Primavera Sound de Barcelona, no âmbito do estreante Festival Curvo. No excelente novo álbum há muito por onde escolher, mas elegemos o primeiro single, “Collector”, disponível para download no site da editora e com um fantástico vídeo não-oficial no Youtube! Uma das canções do ano.
RUFUS WAINWRIGHT, Coliseu do Porto, 6 de Maio de 2010
Primeira parte - as trevas
Um aviso afixado nas portas de entrada do Coliseu agradecia que, a pedido do artista, não se batessem palmas na primeira parte do concerto. Um outro aviso sonoro, mesmo antes do início, reforçava o pedido, alargado à própria entrada e saída do músico e à proibição de tirar fotografias, informando ainda que o espectáculo seria acompanhada por uma projecção de imagens. Ao piano, trajando de preto, Rufus escolheu apresentar na totalidade (?) o recente "All Days Are Nights...", um A to Z(ebulon) negro de pesar pela morte da sua mãe. Não foi fácil à plateia, surpreendentemente cheia, cumprir as referidas recomendações. Nos primeiros minutos, algumas palmas ainda soaram no fim das primeiras canções, mas logo foram abafadas por uns escrupulosos "shhhhhs". No ecrã, um olho negro, que faz a capa do disco, abria e fechava em câmara lenta, donde, por vezes, descia uma lágrima e o silêncio da sala entre os temas, criava uma tensão propositada, mas desconfortavelmente fria. No final de "Zebulon", ao fim de quase uma hora, Rufus levantou-se e, da mesma forma que entrou, percorreu vagarosamente o palco até à saída, arrastando, na penumbra, uma longa capa preta. Como perfomance, o "velório" fez algum sentido e as canções soaram irrepreensíveis, mas como concerto pop, o exagero era dispensável.
Segunda parte - a luz
Palmas, muitas palmas, para o que todos estavam à espera. Um Rufus solto, bem disposto e acutilante, para uma brilhante sequência ao jeito de best of. Sem rigor, por lá passaram, entre outros clássicos, "Going to a Town", "Nobody's off the Hook", "Dinner at Eight", "Vibrate", "Little Sister", "Memphis Skyline", "Leaving for Paris nº2", "The Art Teatcher", "Cigarettes & Chocolate Milk" e um indispensável "Poses" já no encore. Como sempre, voz e piano imbatíveis, num concerto onde, pela primeira vez, deixou a viola de lado. Para terminar, escolheu adequadamente uma versão de um tema antigo de Kate McGerrigle, sua mãe, talento que aconselhou todos a redescobrir. Fez-se luz e fez-se história - o Coliseu quase encheu para ver Rufus Wainwright. Na próxima vez vai esgotar!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
COZINHEIRO RUFUS

Hoje em dia, vale tudo em televisão. Sendo assim, já não surpreende que exista um programa de culinária para o qual são convidados artistas indie. A coisa passa desde final do mês de Abril no canal norte-americano IFC TV, chama-se “Dinner With the Band” e tem no chefe Sam Mason o mestre de cerimónia. O primeiro a arriscar foi um atrapalhado Rufus Wainwright, um não-cozinheiro confesso, que aprendeu (!) a fazer schnitzel, spaetzle e sauerkraut, tudo pratos de influência alemã. Para os mais curiosos, aqui ficam as receitas…
segunda-feira, 3 de maio de 2010
AMIGOS, AMIGOS, CONCERTOS À PARTE?

Os Ruby Suns e o projecto El Guincho do barcelonista Pablo Díaz-Reixa são já velhos compinchas. Tocaram juntos em diversos concertos, como no Sonar de 2008 (foto) e há até um fantástico single de vinil do tema “Palmitos Park” com uma cover valente dos Ruby Suns no lado B e que os próprios nos fizeram o obséquio de assinar no grande espectáculo conimbricence do ano passado. Os Ruby Suns voltam à carga já em Junho com concertos agendados para Coimbra (dia 17, Oficina Municipal do Teatro), Lisboa (dia 18, LX Factory Casting Club) e Guimarães (dia 19, CCVFlor)! E então, o El Guincho? Pois é, segundo a TimeOut Porto deste mês (pag. 79), o espanhol tem concerto marcado para o próximo Sábado, dia 8, no Plano B, embora o myspace do músico nada confirme. Quanto ao site oficial do bar portuense, evaporou-se! Infelizmente, deve ser engano…
Actualização (5/5/2010): Afinal há mesmo concerto de El Guincho (10€, PlanoB)!
FAZ-SE LUZ SOBRE OS INTERPOL

Um novo tema dos Interpol pode ser ouvido ou descarregado gratuitamente no site oficial. Chama-se “Lights” e deve fazer parte do próximo disco, o tal com orquestrações sofisticadas, segundo Paul Banks, ou o tal que marca o regresso às origens, segundo o baterista Sam Fogarino. Confuso!
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