sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

FAZ HOJE (21) ANOS #51


























JOHN CALE, Auditório de Serralves, Porto, 19 de Fevereiro de 2000 
. O Comércio do Porto, por Miguel Soares, fotografia de Jorge Manuel Gonçalves, 21 de Fevereiro, p. 22 


DNTEL, LIGADO À CORRENTE!

O nome de Jimmy Tamborello ou James Figurine ganhou na primeira década deste século visibilidade sonante ao lado de Benn Gibbard no projecto The Postal Service de boa memória mas aqui na casa continuamos, mesmo com falhas, a segui-lo escondido como Dntel. É certo que não têm sido muitos os erros porque o hiato foi somente preenchido com trabalhos experimentais - o mais recente é de 2018 - uma vertente distinta da luxuosa electrónica instrumental a que em 2010 nos rendemos incondicionalmente. A espera terá em breve um termino reforçado. 

A berlinense Morr Music, casa dos indispensáveis Notwist, prepara-se para editar com a colaboração da francesa Les Albums Claus uma dose dupla de álbuns do mestre californiano ao longo do corrente ano e que começa em Março com "The Seas Trees See" já disponível para audição parcial. O primeiro e inteiro single "Fall In Love" é uma amostra da profundidade ambiental de voz em vocoder que desafia a elegância fascinante e sonhadora da electrónica relaxante. A bonita ilustração da capa pertence ao sueco Peter Gherman. Segue-se, lá mais para o final do verão, um outro disco já baptizado sob o título "Away" e onde se promete um regresso mais evidente à pop music que praticou exemplarmente nos referidos e saudosos The Postal Service, confirmando, assim, uma inata e misteriosa capacidade de metamorfose artística ao longo de vinte anos ligado à corrente.    

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

FIELD MUSIC, UMA LIÇÃO POP!






















Tal como notado há poucos dias, adivinhava-se um álbum de inéditos dos entes queridos Field Music. Ele chama-se "Flat White Moon", tem vários pacotes formosos em pré-encomenda, inclui o tema "Orion From The Streets" conhecido no final de Janeiro e também o novo single "No Pressure" que mereceu tutorial dos próprios vertida em video para ver e rever por todos os que querem e não sabem compor uma canção à maneira. Com o curriculum e tarimba destes "professores", ficamos ansiosamente à espera de outras lições exemplares e, de certeza, de mais um grande disco!


COURTNEY MARIE ANDREWS, POEMAS DE VIDA!






















A pausa forçada nas digressões e concertos permitiu a Courtney Marie Andrews repegar nalguns rabiscos de poemas inacabados e dar-lhe tratamento final na pele da personagem Old Monarch, uma alusão à borboleta laranja e preta muito comum pelo norte dos E.U.A e conhecida por realizar a mais longa migração realizada por um invertebrado numa única geração. A inspiração agarrou-a da própria vida dividida em três momentos de um livro biográfico onde a jornada começa com "Sonoran Milkweed", a infância como pano de fundo pelo Arizona, passa para "Longing In Flight", a saída de casa e o primeiro amor e termina em "Eucalyptus Tree (My Arrival to Rest)" com a chegada de Old Monarch ao jardim das dúvidas metafísicas e filosóficas. O site da editora Andrews McMeel tem já disponíveis alguns destes poemas para leitura prévia de um livro com publicação agendada para Abril.

Entretanto e na faceta de cantora de eleição, Andrews apresentou-se recentemente ao lado da amiga Madison Cunningham para a interpretação caseira do tema "If I Told" do último álbum "Old Flowers" a convite do programa televisivo de Stephan Colbert. Magnífico!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

UAUU #575

MATHUS & BIRD, TREZE É UM BOM NÚMERO!















A amizade antiga de Andrew Bird com Jimbo Mathus da banda The Squirrel Nut Zippers terá dia 5 de Março uma efectiva marca de solenidade - o lançamento de um álbum a meias de aparente e simples estrutura onde se junta o violino de Bird à guitarra de Mathus alternando vozes e histórias. Em "These 13" e sem azares, afirma-se e celebra-se o reencontro de 2018 que permitiu a troca dos primeiros fragmentos das treze novas canções e que são o culminar de uma colaboração espontânea aos poucos testada e sedimentada - em Março passado Mathus foi um dos escolhidos para uma das habituais sessões Live From de Great Room - para satisfação confessada de Bird.

Segundo ele, a intenção foi dar-nos a conhecer, como se fosse a primeira vez, a voz e o talento do parceiro amigo, uma refinada e importante marca patrimonial da música americana que nem o tempo nem a geografia distante devem pôr em risco. Basta ouvir estes dois momentos para o confirmar...


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

DUETOS IMPROVÁVEIS #233

GAL COSTA & RODRIGO AMARANTE 
Avarandado (Caetano Veloso) 
Álbum "Nenhuma Dor", Biscoito Fino, Fevereiro de 2021

(RE)LIDO #90






















COM OS BEATLES CARO JÓ
 
de Luís Pinheiro de Almeida. Lisboa; Sistema Solar (Documenta), 2019 
A história da música costuma acentuar que os The Beatles não pertencem a nenhuma geração. Que são imortais, facilmente permeáveis a idades ou géneros e, por isso, intergeracionais e populares. Certo, mas há uma dessas linhagens iniciais que, vivendo/bebendo pela primeira vez de forma simultânea e apaixonada a explosão, constitui o traço alfa de um fenómeno planetário a que Portugal não escapou mesmo apertado num regime controlado de ditadura e isolamento. São, por isso, não muitos os vestígios sobre o vendaval que os de Liverpool subtilmente provocaram na juventude portuguesa mas que se traduziu inevitavelmente numa influência arterial em bandas-réplica, modas ou costumes que o regime se apressava a negar e combater. É essa raridade, traduzida numa selecção de relatos epistolares resguardados como tesouros, que este livro faz o favor de eternizar evitando esquecimentos e lapsos e, já agora, motivando o destapar e revelação de outros testemunhos que forçosamente se encontrem ainda por "escavar". 

A paixão de Luís Pinheiro de Almeida pelos The Beatles é conhecida e facilmente confirmável noutros livros e experiências, mania saudável a que desde a juventude deu corda infindável e inquebrável traduzida numa partilha com os irmãos e os amigos da natalícia e pacata Coimbra da década de sessenta. Estudante em Lisboa aos 17 anos, uma cidade "chata" nas suas palavras, o quebrar do "exílio" e das distâncias e cumplicidades com os do Mondego fez-se por carta ao compincha Jó a quem passou a escrever regularmente, correio religiosamente salvado durante quarenta anos pelo destinatário e onde relata sem fôlego a vida na capital num concentrado de informações sobre os filmes vistos, os discos ouvidos, as idas a concertos e, principalmente, o despertar dos programas da rádio mais aventureiros na explosão do yé-yé e da pop music. Os Beatles ganham óbvia predilecção e primazia mas há referências a tantas outras bandas e artistas com destaque nas páginas das revistas e jornais recortados com devoção, fobia que alcança números avassaladores num curto período de tempo. A narração dos "acontecimentos" é quase sempre interrompida pela referência à canção que, naquele momento, a rádio transmitia preferencialmente em período nocturno, um tom coloquial de genuíno vernáculo português a motivar a jocosa bola vermelha da capa, e cujo conteúdo era lido em voz alta ou à vez pelos companheiros distantes mas, alegremente, ansiosos. 

Escritas da casa de Lisboa ou da veraneante Mira, sobressai nelas um empolgamento crescente e quase complusivo na obtenção dos discos, das canções, das fotografias, das letras, das histórias ou boatos sobre "os 4 cabeleiras do após-calipso" e o seu mundo vertido pela imprensa ou confirmado em plena rua que alcança múltiplos exageros ou brincadeiras, desde uma informação em maiúsculas "vi agora à venda umas carteiras para rapariga com as fotografias e os autógrafos dos Beatles" (carta de 1 de Outubro de 1964) ao gozo pela chacota invejosa noticiando a presença num concerto dos próprios Beatles no Monumental, descrevendo a suposta proximidade com os músicos, as suas qualidades e uma suspirada sessão de autógrafos donde saiu triunfante (carta de 24 de Julho de 1964). 

Estamos, assim e quase sem querer, a vaguear numa panorâmica sociocultural de uma Lisboa cinzenta mas onde a força da música saída de uma rádio próxima ou distante, em onda curta ou média, permitiu a alguns "passar a palavra" pela partilha de fitas gravadas a custo, pelo empréstimo circular dos vinis ou a arrojada promoção de concertos. Trata-se, afinal, de uma saborosa homenagem à amizade juvenil motivadora da descoberta, da aventura ou da coragem como sinónimo de lealdade e fraternidade. E pensar que, quase sempre, tudo começa numa canção, neste caso esta "Do You Want To Know a Secret" cantada, sem ainda o saber, por um tal George Harrison...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

RYLEY WALKER, REGRESSO RELUZENTE!






















Um novo álbum de Ryley Walker é sempre bem-vindo. Neste caso, "Course In Fable" a sair no início de Abril marca uma ruptura com o passado recente na editora Dead Oceans na qual lançou o excelente "Deafman Glace" em 2018 e outros dois discos anteriores. A responsabilidade assenta agora na Husky Pant Records, casa que o próprio criou em 2019 e onde saiu em Outubro "For Michael Ripps", uma aventura experimental ao lado dos amigos guitarristas J. R. Bohannon e Ben Greenberg e um disco ao vivo captado no festival holandês Le Guess Who? em 2018 com os psicadélicos japoneses Kikagaku Moyo mas entretanto esgotado

No registo de "Course in Fable" destaca-se a colaboração de John McEntire, baterista dos The Sea & The Cake e dos Tortoise e reputado produtor e multi-instrumentalista responsável pela masterização e produção, de Bill MacKay na guitarra e piano e ainda de Douglas Jenkins e Nancy Ives, uma parelha de cordas que faz adivinhar um tratamento cuidado e exemplar. Na capa brilha uma pintura da artista Jenny Wilson que se mistura na sua abstracção da melhor maneira com "Rang Dizzy", o primeiro dos sete temas a reluzir à luz do dia. 

domingo, 14 de fevereiro de 2021

THE DIVINE COMEDY NA DOIS!
















A RTP2 parece ter atinado na selecção dos concertos a incluir na programação - hoje é a vez dos The Divine Comedy de Neil Hannon, um espectáculo de apresentação do álbum "Foreverland" da digressão de 2017 que teve início em três noites de Janeiro no Folies Bergère de Paris e que chegaria poucos dias depois ao Theatro Circo bracarense para um recital divertido e memorável. É às onze e pico...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

A AZÁFAMA DE SHARON VAN ETTEN!
















A listagem de parcerias, colaborações, contributos ou versões que Sharon Van Etten não se cansa de promover é uma tarefa árdua e inconsequente. A menina não pára, isso é certo, e dessa agitação que fomos amiúde dando conta por aqui são exemplo, só mesmo para testar, aparições ao lado de David Lynch, Hercules & Love Affair ou Lee Ronaldo, clássicos natalícios e recentes duetos com Norah Jones ou com os Local Natives que aproveitamos para recordar em versão lo-fi para um programa televisivo. 

Entre as mais frescas novidades e correndo o risco de falhar alguma, contam-se a nova canção "Let Go" para o filme "Feels Good Man" estreado em Outubro, o lançamento oficial do tema "On Your Way Now" da autoria de Marc McAdam utilizado parcialmente no documentário "Made In Boise" de 2019 e ainda uma versão de "In My Room" dos Beach Boys ao lado da dupla Shovels & Rope e incluída no álbum "Busted Juicebox Vol. 3". Ufa, que boa azáfama!




DRY CLEANING, UMA LIMPEZA!

















A vinda dos Dry Cleaning, em exclusivo, ao Primavera Sound portuense mereceu destaque e expectativa por estes lados há coisa de um ano. As dúvidas quanto à realização do evento adiado para Junho próximo acrescentam, no entanto, incerteza a um concerto que ganha agora mais urgência com a edição do álbum de estreia prevista para Abril na 4AD que os arrebanhou para o seu catálogo de eleição numa tendência efervescente de pós-punk inglês onde se joga um xadrez de outros nomes como Bill Nomates, Squid ou os já testados Drhala

Em "New Long Leg" a receita não sofre alteração - a dureza de uma realidade social e familiar que as redes virtuais e a chegada da pandemia acentuaram na robustez serve de prado e surrupio descarado para que Florence Shaw se lance num spoken-word lacónico e quase sempre mordaz sobre consumismo, traição ou descontrole emocional num acento a roçar, propositadamente, a ambiguidade. Do disco há já diferentes e atractivos pacotes em pré-encomenda onde não falta um 7" de vinil para o primeiro single "Scratchcard Lanyard". Uma beleza, melhor, uma limpeza!


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

CHICK COREA (1941-2021)






















Não foram muitas as vezes que testamos a fama do pianista Chick Corea. A primeira, em 1992, num Coliseu do Porto esgotado, local de múltiplas visitas, o recital manteve-se entretido demasiado tempo para só começar a brilhar na última meia-hora, período, aí sim, onde até esquecemos a pequena e contínua dor no tornozelo torcido e das "canadianas" pousadas no chão! A segunda, mais recente, em género de aclamação popular, redundou num recinto exterior do Palácio de Cristal previamente rendido mas Corea mereceu todos os aplausos e gritos da multidão adulta e conhecedora para o que contribuiu a classe doutros figurões em palco como Gary Burton, parcerias e amizades que gostava de incentivar e promover numa carreira imensa e desbravadora. Chick Corea deixou-nos terça-feira... Peace!

LAU NAU & MATTI BYE, POESIA EM SUSPENSÃO!






















Sobre as virtudes e subtilezas transcendentes da finlandesa Lau Nau ficamos já há muito iluminados em forma de respiração artificial através de um qualquer dos seus raros discos ou, então, em modo natural, absorvendo lentamente os mo(e)mentos dos concertos que, em bom tempo, apresentou na cidade. A menina do mar, como carinhosamente lhe chamamos, surge agora mais uma vez irresistível ao lado do pianista sueco Matti Bye, colaborador e cúmplice de longa data, no álbum "Signals" que a ecléctica Time Released Sound acolheu e lançou em Dezembro em formato limitado e exclusivo como peça de colecção

Repetições, insistências, descargas, melancolias em que as teclas de um piano e a gentil audácia electrónica se misturam numa atmosfera anti-stress de misteriosa beleza que ora se dilui lentamente ora se acomoda numa poeirenta brisa que submerge os sentidos e nos acalma pela delicadeza. Poesia em suspensão, como alguém já lhe chamou... 

UAUU #573

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

RICKIE LEE JONES, CRÓNICAS EM LIVRO!






















Com uma carreira a aproximar-se dos cinquenta anos e com mais de uma vintena de álbuns gravados, Rickie Lee Jones terá, de certeza, muito para contar e desvendar. O ambicionado livro de memórias é um projecto antigo que, apesar de vários adiamentos, tem agora o mês de Abril próximo como data definitiva de edição pela Grove Atlantic

Em "Last Chance Texaco: Chronicles of an American Troubadour" estão prometidas revelações difíceis sobre um esforço desmesurado no triunfo artístico de uma mulher num mundo de homens mas onde se misturam as vicissitudes de uma vida rebocada por uma família ambulante, o abandono do pai e a consequente roda livre itinerante de uma juventude problemática onde as drogas e algumas relações tumultuosas - nomeadamente com Tom Waits - fizeram feridas difíceis de sarar. A música e a composição aliviaram, contudo, muitas destes contratempos, como aliás se pôde já comprovar nas imagens do filme de 2016, prolongando uma carreira de qualidade extrema e resiliência longínqua que nos merece o maior respeito e admiração.

Aqui ficam algumas revelações prévias numa antiga entrevista radiofónica e uma memória pertencente a um dos nossos discos de eleição chamado "Pop, Pop" de 1991 - a versão de "Comin' Back To Me" dos Jefferson Airplane que, quem sabe, talvez mereça da própria alguma referência... ou não! 


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

JAMES YUILL, ADESÃO À TV CABO!














A mudança proposta por James Yuill em 2017 parece não ter surtido qualquer efeito - o inglês continua, persistentemente, a forçar o valor da sua música que sempre reconhecemos como atraente mas a precisar de maior aprovação e divulgação. Em 2020 decidiu romper com o passado - James Yuill é, segundo o próprio, "soooooo 2010!" - passando a editar sob o nome de Cable TV e já com direito a três "canais" separados por seis meses. Adivinha-se, assim, um novo álbum na sua editora Happy Biscuit Club, mas, atendendo às actuais condições de mercado e promoção, o período de adesão tenderá a ser mais que prolongado... 

 
 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

SUSPIRO #05

RÓSÍN MURPHY 
Acoustic Set, Esquire Townhouse @ Your House, The Court 
Soho, Londres, Inglaterra, Outubro de 2020

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

LONEY DEAR, DE NOVO A BORDO!















Apelidado por um reputado jornal inglês como um miserabilista à custa das inúmeras paredes e buracos onde tem amiúde batido e caído, as notícias sobre o sueco Emil Svanängen, ou seja, os Loney Dear, são desta vez, animadoras apesar de um recente acidente de bicicleta que o fez parar temporariamente. Sem outros contratempos, chegará em breve um novo álbum na casa Real World de Peter Gabriel onde ingressou em 2017 com a ajuda da amiga Ane Brun depois de mais um passo em falso

A previsão aponta a edição de "A Lantern and A Bell" no final do mês de Março, trabalho registado no mítico estúdio Södermalm de Estocolmo com o produtor Emanuel Lundgren e do qual se conhecem duas canções - "Habibi (A Clear Black Line") lançada perto do Natal e "Trifles", a confirmação das capacidades pop de Emil a que nos agarramos sem largar há mais de uma década e que continuam perfeitamente intactas e sempre poderosas. Na capa consta uma bandeira marítima que sugere uma mudança de rumo mas que não dispensa a cheiro do mar, o pio das gaivotas e o barulho do motores dos barcos como inspiração longínqua da sua música. All aboard!


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

UAUU #572

ARLO PARKS, IT'S SO COOL!






















A estreia nos discos grandes da britânica Arlo Parks com o álbum "Collapsed In Sunbeams" saído em Janeiro mereceu aclamação exagerada de alguns e desprezo de muitos outros, o que não acontece, nem podia acontecer, nesta casa. 

Acompanhamos desde o início o crescimento sustentado das suas canções e da sua notória classe e há muito que uma delas nos deixa sempre maravilhosamente intrigados - "Black Dog", tal como uma das últimas canções que Nick Drake escreveu ("Black Eyed Dog", 1974), é sobre depressão e vazios que o isolamento espalhou de forma acelerada mas sempre que a ouvimos a sensação como que se inverte. As razões do efeito não nos preocupam mas cada vez mais gostamos de cantarolar em voz alta o "You do your eyes like Robert Smith" e o "It's So Cruel" original tornou-se obrigatoriamente num sorridente "It's So Cool"...


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

RON GALLO A ACREDITAR NELE PRÓPRIO!






















Sobre as proezas do jovem Ron Gallo já por aqui destacadas e, em bom tempo, confirmadas em regime presencial, há notórias mudanças em curso. Rotulado ironicamente como um simples ser humano amplamente associado à música, as boas diferenças emergem das várias canções que foi espaçadamente deixando cair nos últimos meses e que caberão todas no álbum "Peacemeal" a sair no início de Março. Percebe-se também que a uma vertente menos puro-rock e mais blue wave a la DeMarco se junta algum desalento com o negócio e o mundo traiçoeiro da própria música em que se julgava seguro ao fim de quatro álbuns... 

É ao ouvir "Can We Still Be Friends?", o último dos singles a submergir, que todas estas circunstâncias e derivações se confirmam numa tendência franca e até jocosa traduzida numa lírica confessional e provocatória a que juntou o desafiador solo de guitarra a cargo da esposa italiana Chiara. O disco foi composto no verão passado em isolamento forçado depois de ser obrigado a regressar de Itália, onde tencionava ficar, para os E.U.A. à custa de uma intimação dos serviços de emigração, fazendo desta adversidade um estimulante profissional de auto-confiança. Força aí!




OWEN PALLETT, NOVELA GRÁFICA!

O grande disco do ano passado "Island" de Owen Pallett tem sofrido ultimamente um género de melhoria visual através do contributo do reputado ilustrador e cartunista Eric Kostiuk Williams na criação de uma novela gráfica quase sempre a preto e branco para alguns videos das canções. Não sabemos quantas e quais delas terão ainda direito à narrativa mas as duas primeiras são, por si só, excelentes! 


sábado, 30 de janeiro de 2021

SUSPIRO #04

RUFUS WAINWRIGHT 
Live KEXP at Home Radio 
Seattle, E.U.A., Dezembro de 2020

DUETOS IMPROVÁVEIS #232

SAM EVIAN & ANDY SHAUF 
I'll Be Home (Randy Newman) 
Dezembro de 2020

ALLRED & BRODERICK, (RE)SUMO!














A colaboração entre David Allred e Peter Broderick deu já fruto maduro num excelente álbum editado em 2018 que confirmava parcerias antigas e amizade crescente quer na partilha da casa Erased Tapes quer em aventuras desafiantes. Uma delas, no mesmo ano, foi a composição original da música para o filme #monalisa, uma maratona fílmica de onze horas, que agora sofreu uma apertada e sumarenta selecção destinada a um álbum de quarenta e dois minutos chamado "What the Fog" editado pela Dauw, casa avant-garde de Ghent que associa música ao lindíssimo trabalho artístico de Femke Strijbol. A versão de vinil em edição limitada é, aliás e mesmo à distância, uma peça apetecível

Quanto ao filme, uma totalidade de imagens impressionante disponível para visualização ali a baixo, resulta de uma constatação evidente e questionável que confirma que oitenta por cento dos 10,2 milhões de visitantes do Museu do Louvre só querem ver a Monalisa de Leonardo da Vinci. A dupla de realizadores Jennifer Anderson e Vernon Lott, parelha que realizou já alguns videos para o próprio Broderick, decidiu filmar então o comportamento desse público em câmara-lenta ao longo de três dias - se efectivamente olham ou não para a pintura, como desprezam outras maravilhas ou como tiram as famosas selfies - o que nos proporciona uma panorâmica brutal sobre os saudosos tempos pré-pandémicos...



quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

FIELD MUSIC, UMA CANÇÃO E UMA EXPOSIÇÃO!















Talvez a melhor descrição dos nossos queridos irmãos Brewis de estimação, os britânicos Field Music, começava com qualquer coisa como "se a aclamação da crítica fosse trocada por dinheiro, os Field Music comprariam casas enormes no campo"... A qualidade dos discos e das canções pode, obviamente, espelhar muitas influências e géneros mas a banda alcançou, desde sempre, um som muito próprio de inegável mestria pop que, infelizmente, continua a passar ao lado de uma imensa maioria e que merceria outro reconhecimento. Aqui pela casa não perdemos nunca tempo a fomentar e divulgar a sua validade e urgência, o que torna a acontecer com o novo tema "Orion From The Street" surgido em Dezembro e que agora recebeu tratamento video a cargo do mano Peter e animação artística de Kevin Dosdale, multi-instrumentista da banda. Adivinha-se, assim, mais um potencial grande álbum sem data definida mas que será, como todos, bem recebido. 

Entretanto, à faceta de criadores de canções junta-se também a de curadores como se prova pelo convite recebido do Arts Council de Sunderland, cidade natal do noroeste de Inglaterra, para a definição de um percurso expositivo selecionado a partir das colecções públicas e que culminou na mostra "Paint the Town in Sound", uma exploração da relação da arte com a música e que inaugurou ainda um novo local de concertos e perfomances chamado The Fire Station. Entre peças de Helen Cammock, Jeremy Deller, Peter Blake, Anthea Hamilton, Graeme Hopper ou Roberta Smith contam-se também capas de discos dos The Kane Gang, Prefab Sprout, Pet Shop Boys, The Buggles ou até os Dire Straits a que se juntou uma lista de canções seleccionada pelos próprios em tons de banda sonora paralela e que podem ouvir aqui. A mostra pode ver-se e rever-se online até 21 de Fevereiro.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

BUZZY LEE, FILHO DE PEIXE (NÃO)...
















Filho de peixe sabe nadar. Em qualquer ditado dito popular a regra nem sempre se confirma, o que no caso de Sasha Spielberg, isso mesmo, filha de Steven Spielberg, é mesmo verdade apesar de uma semi-carreira de actriz em muitas películas do pai (de "Terminal de Areoporto", a "Munich" ou "The Post") e outras de teor secundário. A menina apostou foi a sério na música desde pelo menos 2013 ao lado do seu amigo de colégio Nicolas Jaar com quem formou o duo Just Friends de travo pop-electrónico mas que em 2018 ganhou contornos a solo atrás do nome Buzzy Lee. Manteve-se, no entanto, a colaboração decisiva do compadre Jaar no EP de estreia "Facepaint" que agora se alonga a um álbum inteiro a sair depois de amanhã. 

Do disco "Spoiled Love", registado em Los Angeles e inicialmente previsto para Novembro último mas, como muitos, forçosamente adiado, conhece-se o único e excelente tema "What Has A Man Done", aumentando a expectativa sobre as restantes oito canções, o que atendendo a uma ecléctica lista de escolhas divulgada e assumida nos sugere estarmos perante uma agradável surpresa. As encomendas físicas são já possíveis e podem até escolher a cor da capa (já não é só a cor do vinil) mas vão ter que esperar até Abril.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

PEARL CHARLES, RETRO-DELÍCIA!






















Se há por aí alguém que despreza os ABBA ou a Olivia Newton John pode passar à frente desta confissão. Como aqui pela casa fomos habituados a cantarolar bem alto e de cor muitas das suas canções com o gira-discos em modo repeat (sim, a tecnologia analógica também o permitia e sem avarias), acabamos rendidos, neste maldito início de ano, ao terceiro disco da jovem Pearl Charles

O seu título, nada ingénuo, "Magic Mirror" é mesmo uma alusão feliz ao regresso vibrante e simultaneamente nocturno e soalheiro a uma onda west coast com toques de slide guitar country, saxofones 80's e uma coceira disco de tirar o pó às lantejoulas. Nada de novo, é certo, se pensarmos noutras recentes tentativas bem sucedidas de Natalie Prass ou Kacey Musgraves, mas já não temos cura nem vacina eficaz para estas delícias retro. Dig in the dancing queen...



FUTURE ISLANDS DE SECRETÁRIA (CASA)!

WHITE & HOLLEY, UMA REFLEXÃO EXPERIMENTAL!

Prever o conteúdo do álbum que Matthew E. White e Lonnie Holley vão editar em Abril tem nos mais de sete minutos de "This Here Jungle of Moderness/Composition 14" uma misteriosa mas segura pista. A inesperada colaboração, motivada por um encontro ao vivo em 2019, aposta abertamente numa vertente experimental de poderosa energia onde às líricas surrealistas e de denúncia ecológica e social que Holley não dispensa se junta uma contínua e robusta sinfonia groove de cordas, coros e metais saídas do intocável dão de arranjador a que White nos foi habituando. 

São, assim, cinco as longas composições escritas a meias que integram "Broken Mirror: A Selfie Reflection" com desenho e artwork trabalhado por Holley com a ajuda de Travis Robertson e com selo da Spacebomb Records, casa de discos do próprio White fundada em 2012. Promissor!

domingo, 24 de janeiro de 2021

NICK CAVE, PARA MATAR SAUDADES!

Sabemos que o concerto de Nick Cave & The Bad Seeds na Royal Arena de Copenhaga registado em Outubro de 2017 e editado em disco um ano depois está quase todo aos bocadinhos no youtube. Mas, adivinhando a madorra da noite de hoje, sintonizem a RTP2 ali perto das 23h00 e vão com certeza dormir melhor...

KING KRULE, IMAGINE-SE!

Uma versão de "Imagine" de John Lennon talvez fosse uma das últimas coisas saídas da vontade de King Krule que a registou, mesmo assim, a pedido de um amigo no verão passado. Ao ouvi-la, afinal, tudo faz sentido. Magnífica! (o desenho é da autoria do irmão Jack Marchall).

sábado, 23 de janeiro de 2021

VAMOS LÁ, FIQUEM EM CASA PARTE II

Onze meses depois, o regresso penoso a um confinamento indesejável acrescenta medos e, infelizmente, multiplica receios. Valha-nos a boa disposição de Erlend Oye e Cª. #stay Safe stay Strong!

LAURE BRIARD, TUDO NUMA BOA!






















Remonta a 2017 o encontro da francesa Laure Briard com os amigos Boogarins num estúdio de São Paulo, Brasil, uma parceria que floresceu no EP "Coração Louco" do ano seguinte que por aqui elogiamos e aplaudimos num esforço inteiramente cantado em português. A menina, contudo, voltaria à língua materna com o álbum "Un Peu Plus D'amour S'il Vous Plaît" motivo para uma alargada digressão nacional no final de 2019 a que alguns, poucos, compareceram. Em palco, essa marca tropical confirmou-se no entanto bem enraizada, assumindo sem medo a língua portuguesa mesmo que por vezes incompreensível mas notoriamente prazenteira. Há agora uma nova insistência...

A amizade referida com os Boogarins sugere ser a responsável por um outro EP de nome "Eu Voo", começado no registo há quatro anos mas que só recebeu os toques finais em Janeiro passado no Dissenso Studio pelo mesmo produtor Marius Duflot. O tema título tem já video oficial registado por terras espanholas e o disco de seis temas inteiramente em português estará disponível em Fevereiro pela Midnight Special Records, casa que editou em Junho último uma inesperada recreação de "Grandeza" da autoria de Sessa, outra amizade paulista, inicialmente pensada para uma adaptação em francês mas que se quedou na versão original de formosa onda pop. Tudo numa boa!



sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

MAX RICHTER DE SECRETÁRIA (CASA)!

MUNDO ESPERANÇA!

O mais tocante momento da tomada de posse do presidente Joe Biden está para sempre eleito - o poema "The Hill We Climb" da autoria e apresentação da jovem poetisa Amanda Gorman. Um dos que, como muitos, se emocionaram foi Rostam Batmanglij, teclista dos Vampire Weekend, que decidiu improvisar ao piano e em G Major um fundo musical para o poema, um esforço desnecessário que podem ouvir abaixo. Diríamos que os cinco minutos originais de transcendência e beleza bastam por si só para que a esperança, pouca, num mundo melhor se mantenha acesa...


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

SUSPIRO #03

MATT BERNINGER 
Long Distance Call, Arte Concert Festival
Los Angeles, E. U. A., Novembro de 2020
 

BILL CALLAHAN, DOCES DA CASA!













O momento é, para além de saboroso e divertido, uma raridade - Bill Callahan em conversa (à distância?) com Stephan Kallao do programa World Cafe da WXPN, rádio pública da Universidade de Pensilvânia, Filadélfia e a partilha de três docinhos caseiros, a saber, "Let's Move to the Country", "35" e "Protest Song", todos do último "Gold Record". Para ouvir gostosamente em casa, como só pode e deve ser.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

ED HARCOURT, CELEBREMOS!






















Chama-se "Kakistocracy" o álbum comemorativo da partida de Trump, e o finar da sua caquistocracia, que o britânico Ed Harcourt decidiu oferecer para descarga gratuita durante vinte e quatro horas (já não fomos a tempo) e onde se revelam treze instrumentais criados, segundo o artista, aquando da tomada de posse há quatro anos. São de Harcourt a totalidade dos instrumentos com a excepção do violino de Gita Langley. Hip, hip...

UAUU #569

GO, JOE!

Em 1973 os The Honey Drippers lançaram a canção "Impeach the President" como forma de protesto no forçar da destituição do presidente Richard Nixon então envolvido no escândalo do "Watergate" que o obrigaria à renúncia e consequente demissão no ano seguinte. O tema, contudo, seria ao longo dos anos seguintes continuamente samplado por mais de 700 vezes muito à custa dos famosos breaks de bateria, mantendo a sua frescura e validade até sempre... 

No dia de hoje, em que nos despedimos de um político figurão que só esteve interessado em desunir pela mentira e prepotência gananciosa, nada como voltar a ouvir a canção na excelente versão lançada já em 2019 pela The Sure Fire Soul Ensemble com a ajuda de Kelly Finnigan na voz e do famoso Jake Najor na indispensável bateria. Para que o seu mau exemplo seja também uma lição de história que não se pode esquecer mas pela qual se pode prevenir na repetição, seria bom que a destituição acabasse mesmo por se concretizar como bandeira desfraldada de justiça e esperança. Go, Joe!


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

DANIEL JOHNSTON, A EXPOSIÇÃO!






















A faceta de cartoonista ou outsider do desenho de Daniel Johnston terá a partir do final do mês uma homenagem em forma de exposição sob tutela dos Electric Lady Studios de Nova Iorque, entidade que organizou e supervisionou em Setembro passado um tributo ao saudoso músico falecido em 2019. Em "Daniel Johnston: Psychedelic Drawings" serão apresentados cerca de trinta originais feitos no habitual marcador que poderão ser apreciados presencialmente mediante marcação prévia ou online de 28 de Janeiro a 7 de Fevereiro como fazendo parte da edição deste ano da Outsider Art Fair da cidade. 

A mostra com curadoria de Gary Panter, ele próprio um desenhador e músico em part-time, reforça e engrandece certamente um mundo muito próprio cheio de heróis pop de eleição como o Capitão América ou personagens (Satanás, p.ex.) revertidos pelo espelho das suas próprias aspirações, medos ou resistências como as que teve de enfrentar ao longo da sua vida e que foram já publicadas em livro em 2009. 


HANDS HABITS, MÃOS NO LIXO!






















Uma nova canção e uma versão inédita de Meg Duffy aka Hand Habits serão incluídas num novo EP a sair em Fevereiro pela Saddle Creek e com direito a 7" de vinil - "dirt" contempla o tema "4th of july", uma cover de "I Believe in You" de Neil Young (uma tendência coincidente nos últimos meses com reprises a cargo de Helado Negro, Kurt Vile ou Moutain Man) e ainda uma remistura de "what's the use" pela jovem australiana Katie Dey que recentemente fez também uma remix para "Hours", tema do último EP de Tomberlin. 

Já agora, continuam gratuitamente disponíveis as três covers (Fleetwood Mac, Simon & Garfunkel e AABondy) realizadas por Duffy para a The Lagniappe Sessions do sítio do costume.... 

sábado, 16 de janeiro de 2021

SUSPIRO #02

LAURA VEIRS 
Discoteca Music Millenium
Portland, E.U.A., 2 de Novembro de 2020

BEAUTIFY JUNKYARDS, VIBRAÇÃO CÓSMICA!






















O colectivo lisboeta Beautify Junkyards publicou ontem o quarto álbum de originais, neste caso o segundo na casa inglesa Ghost Box depois de "Invisible World" de 2018. A receita espalha-se em curtas distâncias entre o habitual psicadelismo pastoral e a tropicalia onde colaboram Nina Miranda (Smoke City), Alison Bryce (Lake Ruth) ou o harpista Eduardo Raon e que resultam numa colorida panóplia de sonoridades e perspectivas agregadas na sua plenitude a uma "Cosmorama", título virtuoso e metafórico do novo disco. Um reforço notável de um mundo cativante e muito próprio de uma banda cósmica de que nos devemos orgulhar...  
  

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

THE WEATHER STATION, BENDITA IGNORÂNCIA!

O lamiré de Outubro passado antecipava a boa novidade - um disco de originais de The Weather Station a sair em Fevereiro a que se chamou ironicamente "Ignorance" e onde a menina Tamara Lindman se aproxima de uma plenitude artística assinalável. 

O desiderato, já registado em 2019, nota-se ao longe na qualidade e conceitos dos videos para as novas canções, nota-se nos arranjos da própria ou de Owen Pallett para o conjunto de cordas, na sua auto-produção ou na masterização a cargo do consagrado português João Carvalho no seu famoso estúdio canadiano. Ou seja, só bom tempo que não se pode, de maneira nenhuma, ignorar.  


quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

UAUU #567

SUSPIRO #01

Atendendo a que a data de regresso aos concertos internacionais não se afigura fácil de adivinhar, quanto mais de concretizar, a nova rubrica pretende ser uma suspirada e paliativa selecção semanal de perfomances à distância a que infelizmente nos fomos habituando. Até quando? 

AOIFE NESSA FRANCES 
A Live Concert Film, Set Theatre 
Kilkenny, Irlanda, 22 de Dezembro de 2020

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

CASSANDRA JENKINS, O REEQUILÍBRIO!






















Cassandra Jenkins, habitual colaboradora de Eleanor Friedberger, Craig Finn (Hold Steady) ou dos extintos Purple Mountains, tem agora pronto um segundo disco de originais que sairá em Fevereiro próximo pela Ba Da Bing Records de Brooklyn, uma casa nos E.U.A. onde se dão a conhecer outras vozes maravilha como Aoefi Nessa Frances, Tiny Ruins ou Katie Von Schleicher. 

A própria confessa alguma dureza no cimentar das novas canções depois de um período definido como difícil na procura de conforto entre o caos vivido no passado e alguma estabilidade emocional mais recente, um limbo que "An Overview on Phenomenal Nature", nome nada inocente do disco, tenta ultrapassar. Na capa brilha "Light, kite and string" (acima), uma criação original do artista norueguês Ole Brodersen pertencente à série "Trespassing" (2015-2016). Como atestado primeiro avanço desse aparente reequilíbrio aqui fica "Michelangelo".  

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

MOLLY BURCH GOES WILD... NOTHING!
















Colegas de editora, a nova-iorquina Captured Tracks, a menina Molly Burch e o menino Jack Tatum aka Wild Nothing gravaram pelo menos uma canção juntos numa sessão realizada em Fevereiro passado em Richmond, Virginia, cidade natal de Tatum. Ao ouvir "Emotion", assim se chama a inesperada novidade, percebe-se melhor do que se trata: uma canção cuja híbridez traz alguma anomalia no tempo que demora a entranhar-se.... 

BUCK MEEK, SEGUNDO A SOLO!

Aproxima-se um segundo álbum a solo de Buck Meek, guitarrista dos Big Thief e peça fundamental na sonoridade da banda. Com "Two Saviors" a sair dia 15 de Janeiro talvez se perceba em definitivo que à magistral composição de Adrianne Lenker se deva juntar a perseverança e robustez das canções de Meek, um mundo muito próprio que se transmite no primeiro avanço "Pareidolia" que, aliás, tocou a solo em estreia misteriosa aquando da passagem pelo Parque da Cidade em Junho de 2019. 

O novo trabalho foi produzido por Andrew Sarlo, totalista nessa função nos quatro discos de Big Thief, e resulta de oito dias contados de azáfama em Julho passado numa antiga casa junto ao Mississipi e sob uma condição funcional - não podiam ser ouvidos nenhuns takes das canções até ao último dia e onde, obrigatoriamente, se utilizaram equipamentos e adereços analógicos sem recurso a qualquer tipo de auscultadores! Da banda fez parte o irmão Dylan Meek no piano, Mat Davidson no baixo e pedal steel, Adam Brisbin na guitarra e Austin Vaugh na bateria. A fotografia da capa é da amiga Adrianne Lenker. A edição limitada de vinil azul está já fase de evaporação...


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

CARLOS DO CARMO (1939-2021)















Em 2012 fomos com os amigos ouvi-lo e senti-lo em Famalicão, uma missão finalmente concretizada na confirmação de um artista que cá por casa sempre se ouviu com gosto no gira-discos da sala. Ficamos à conversa, boa, no camarim uns bons quinze minutos e ficamos conquistados para sempre. Um mestre da cortesia, da reinvenção artística onde cantou Sinatra e tantos outros, onde fez duetos e parcerias alargadas nos géneros e sinceras na partilha mas que no fado tem em "Um Homem na Cidade" uma das maiores obras da música portuguesa e da humanidade. Paz, mestre!