Respeitando essas patinas sonoras, é, contudo, o rock americano de setenta que ganha primazia nessa irresistível fusão, tudo bem agitado em canções para dançar em rodopios de várias velocidades, sendo ainda difícil escolher qual delas será a ideal para uma viagem de vidros abertos junto ao mar ou para servir de auxiliar de potência numa qualquer subida de um jogging matinal. Genuíno, Francis (re)criou uma fórmula saborosa que ganha, a cada disco, uma consistência de óbvia classificação vintage. Can't get enough!
sexta-feira, 14 de março de 2025
NEAL FRANCIS, INCONSISTÊNCIA ZERO!
Saiu no dia de hoje um novo trabalho do norte-americano Neal Francis que, ouvido de fio a pavio, é um puro prazer. No disco "Return To Zero", o segundo para a ATO Records, casa independente de Nova Iorque fundado por Dave Matthews e reduto de variados e bons nomes (King Gizzardd, Alabama Shakes ou Midlake, só para citar alguns), balançam uma série de melodias robustas de produção apurada que não escondem o que de bom o yatch-rock ou o funk multiplicaram no passado e continuam a desmultiplicar, sem contemplações, no presente.
THOMAS FEINER, SEGUNDOS DE ESPLENDOR!
São só trinta e oito os preciosos segundos disponíveis para audição prévia de "The Sun Fell Softly on the Ocean", mas bastam para que o encandeamento sonoro a la Thomas Feiner desperte, mesmo assim, todo o seu esplendor.
Trata-se de um single inédito que consiste numa versão de "Så skimrande var aldrig havet", canção do trovador sueco Evert Taube (1890-1971) e, pela primeira vez, com uma variação em inglês para escutar muitas vezes no final do mês (28 de Março). A percussão e guitarras são de Johan Ludvig Rask e a tradução da lírica é de Felix Taube, neto do poeta e músico nórdico.
terça-feira, 11 de março de 2025
THESE NEW PURITANS, MAIS UM GOLPE DE ASA!
Para favorecer a grandeza, ao trabalho dos manos Bernett somou-se a ajuda de Grahm Sutton, membro dos míticos Bark Psychosis e produtor do anteriores álbuns "Hidden" (2010) e "Field Of Reeds" (2013), e a colaboração do baixista Chris Laurence e de Caroline Polacheck, voz de um dueto inesperado entre dois guindastes num estaleiro de obras que, em livre tradução, é explicado por Jack desta forma:
"Caroline canta a parte de um guindaste, eu canto a outra; eles não se podem tocar (os seus movimentos são controlados por um operador), mas quando o sol nasce, eles esperam que suas sombras se cruzem. Gosto de como o título que George criou desvia as expectativas - não é esse tipo de industrial"!
Seis anos depois, os These New Puritans aprontam-se novamente para, rejeitando convenções, se assumirem como uma banda visionária cujo rótulo indefinido é, por si só, um elogio cada vez mais raro. Espera-se, por isso, mais um golpe de asa...
segunda-feira, 10 de março de 2025
ROBERT FORSTER, MORANGOS COM AMOR!
Se atentarmos nos pormenores da letra, são os morangos uma alusão inicial à partilha, ao amor incondicional que os une e que parece inquebrável. A aparente simplicidade do enredo e da encenação luminosa do espaço, a que um gato acrescenta, no exterior, tanta naturalidade, torna a canção num cada vez mais raro momento de ternura e prazer que só Forster sabe fazer. Queremos mais!
FAZ HOJE (24) ANOS #94
. Jornal de Notícias, por Emanuel Carneiro, fotografia de José Mora, 12 de Março de 2001, p. 44
3X20 MARÇO
sábado, 8 de março de 2025
RUFUS WAINWRIGHT, CULTO E ADULTO!
O nosso culto e adulto segundo canal agendeu para o serão de amanhã, Domingo, a emissão de um concerto bastante especial - "Wainwright Canta Weill" foi registado em Março do ano passado ao lado da Pacific Jazz Orchestra, sob condução de Chris Walden, no majestoso United Theatre on Broadway de Los Angeles.
Nele, Rufus Wainwright dedica-se a recriar canções de Kurt Weill (1900-1950), autor pelo qual o seu fascínio se foi
adensando, germinando muitas das canções em nome próprio, algumas das quais também seleccionadas para interpretação, numa homenagem iniciada em 2023 com uma série de concertos no Cafe Carlyle de Nova Iorque. Não esquecer: RTP2, 22h52. Imperdível!
EXIT NORTH, FORÇA AÉREA!
A dose afixa-se pelos nomes de HARM / TERMS, assim, em maiúsculas, para que se faça acentuar a vibração e a altura da eminência, mas há ainda uma notável remasterização da pérola "A-Shapped Trees", tema de "Anyway, Still", álbum de 2023. A versão CD estará pronta para envio a partir de 1 de Maio.
sexta-feira, 7 de março de 2025
TENNIS, JOGO PERFEITO!
Aproxima-se um sétimo de nome "Face Down In The Garden", de confessada inspiração na roda viva das tournées, das suas virtudes, vicissitudes e crises, uma abordagem artística diferente do habitual que muitas vezes tinha em longos passeios de barco à vela o recurso de composição! O selo comercial é o da Mutually Detrimental, casa onde a banda joga em nome próprio.
Nostálgico, orelhudo quanto baste, os Tennis continuam a não falhar. Bastaria o novo "At the Wedding" para o confirmar... Match-point!
quinta-feira, 6 de março de 2025
ROY AYERS (1940-2025)
Num género de jazz que se aproxima do funk e da soul, a mestria de Roy Ayers sempre foi imbatível, feito talvez explicado pela raridade e subtileza com que o som do vibrafone se entrelaçava, maravilhoso, nas canções.
O instrumento, um género de xilofone ressonador, ocupou, por isso, sempre a frente de palco de todos os seus concertos, como o que testemunhamos na sala pequena da Casa da Música ao lado dos Funkateers numa madrugada de 2005. A sessão terminou com "Everybody Loves The Sunshine", um clássico de planura eterna que, sem culpa, foi escondendo tantas, e tantas, outras peças de um talento único.
Ayers faleceu no dia de Carnaval, uma terça-feira soalheira e amena... Peace!
WILLIAM TYLER, O TEMPO É INDEFINIDO!
O comprovativo da alta chama-se "Time Indefinite", álbum pela Psychic Hotline agendado para Abril, e onde se emaranham uma série de demónios como a solidão, a neurose ou o raio da meia-idade cantados ou tangidos por Tyler de forma a espantar receios e temores, escolhendo uma renovada e arriscada veia musical pronta a bombar tempos incertos e indefinidos.
FAZ HOJE (23) ANOS #93
. Diário de Notícias, por Marcos Cruz, fotografia de Ursula Zangger, 8 de Março de 2002, p. 48
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, fotografia de Pedro Correia, 8 de Março de 2002, p. 49
. Público, por Inês Nadais, fotografia de Paulo Pimenta, 8 de Março de 2002, p. 45
domingo, 23 de fevereiro de 2025
BILL FAY (1943-2025)
A última década trouxe muitos admiradores e novos convertidos à música de Bill Fay, tendência acentuada com o milagroso álbum de regresso "Life Is People" de 2012. Vincaram-se, naturalmente, os elogios, multiplicaram-se as colaborações, as versões e muitas aspirações a vê-lo cantar no escuro de um qualquer velho teatro.
Fomos dos que passamos, desde logo, a vaguear nessa torrente que faz de cada canção um tremor inexplicável e salutar mesmo ao fim de muitas repetições, acelerando a redescoberta dos discos antigos, de demos e demais registos que só aguçaram a veneração a um mundo de espantosas maravilhas. Fay deixou-nos hoje ao fim de oitenta e um anos e o tributo a tamanho talento é simples - espalhem-lhe os discos, ampliem-lhe as canções... Peace!
sábado, 22 de fevereiro de 2025
FIONN REGAN, MAIS UMA!
Repetindo a estratégia de final do ano, há um inédito de Fionn Regan saído em Janeiro de nome "Two Sides", o que talvez sugira que, ainda este mês, seja acrescentada outra pérola. O colar começa a ganhar peso... pluma!
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025
DUETOS IMPROVÁVEIS #301
PERFUME GENIUS & ALDOUS HARDING
No Front Teeth (Genius)
Álbum "Glory", Matador Records,
E.U.A., Março de 2025
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
WILL STRATTON, COLHEITA DE ARREPIOS!
As cornetas, no entanto, acabam sempre por tocar, anunciando, neste caso, "Points of Origin", álbum pela Bella Union agendado para 7 de Março, um oitavo longa duração que não deverá fugir da habitual e necessária tendência cinemática, narradora de historias ou cogitações em forma de baladas e voos de borboleta que muito agradecemos.
Atendendo a que Tobias Jesso Jr. se escondeu atrás das cortinas da fama e que andamos a gastar, até à exaustão, as pérolas de Andrew Combs, é bom saber que não iremos ter falta de arrepios... dos bons!
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
NUBYA GARCIA, Casa da Música, Porto, 9 de Fevereiro de 2025
No fabuloso panorama do novo jazz britânico, o nome de Nubya Garcia tem assumido nos últimos anos uma preponderância vital que não se reduz à aparente simplicidade de um saxofone, mas que se enleia numa série colorida de grooves exóticos de dub, tropicalismo ou rythm & blues. O feito, poderoso, tem no segundo disco de originais "Odyssey", lançado o ano passado, um esteio artístico de colaborações diversas e subtis e onde uma componente orquestral e vocal o transforma numa verdadeira, e já modelar, odisseia sonora.
Ao vivo, sem todo esse envolvimento, o fenómeno, quase se imaginava, viria a perder força ou impacto. Um quarteto de jazz clássico - bateria, contrabaixo, teclas/piano e saxofone - tem, no entanto, muitas virtudes e essências de que se desconhecem o limite, embora a sessão de domingo à noite possa servir de exemplo de como a aproximação se pode fazer de forma eloquente e grandiosa.
A viagem, sempre com o saxofone ao leme, serpenteou divertida e vibrante entre a planura dos teclados de Lyle Barton, a subtileza sábia do contrabaixo de Maz Luthert e a destreza e maleabilidade da bateria de Sam Jones, parceiro de longa data e que esteve com Garcia no parque da cidade em 2019.
Essa eterna cumplicidade instrumental, que se obriga presencial em qualquer envolvimento deste tipo de aventura, talvez tenha atingido, no que nos foi dado a ouvir, uma nova obra prima que se deverá legendar como "2025 - Uma Odisseia no Espaço"!
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
DIRTY PROJECTORS, O SOM DA TERRA!
Desde a base construída em período pós-pandémico, e assumindo algum receio em compor para um conjunto de instrumentistas alargado, Longstreth dedicou-se a aperfeiçoar as peças nos Países Baixos, Novo Iorque e Los Angeles com foco no estúdio de gravação e na sua apresentação ao vivo com orquestras, tal como já aconteceu no Barbican de Londres ou na Elphilhramonie de Hamburgo sob o título de "Song of the Earth". O primeiro aperitivo "Uninhabitable Earth - Paragraph One" é esclarecedor quanto à grandeza do projecto de feição ecológica, o sétimo de grande formato dos Dirty Projectors.
Entretanto, uma versão acústica do mesmo tema faz agora parte da enorme compilação "The Super Bloom: A Benefit for Fire Relief in Los Angeles" de apoio aos bombeiros empenhados na tragédia de Janeiro passado, sessenta e duas canções por dez dólares de uma imensidão diversa de artistas e bandas.
Uma outra canção do mesmo trabalho chamado "More Mania" foi também integrada numa outra iniciativa solidária - "Good Music to Lift Los Angeles" decorreu num único dia, 7 de Fevereiro, e compreendeu noventa canções inéditas - versões, remisturas ou gravações ao vivo - agora inactivas, mas valiosas.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
CIRCUIT DES YEUX, ESTRANHO FASCÍNIO!
Mesmo deixando de fora essa tal "God Dick", os nove originais atiram Fohr para uma estratosfera orquestral que não tem medo da percussão electrónica para se aproximar a um surrealismo desafiante de difícil classificação, mas de criação catártica e subliminar. Estranho, como sempre, fascinante, como nunca!
sábado, 8 de fevereiro de 2025
FEDERICO ALBANESE, MONTES DA HERANÇA!
O trabalho retoma a temática da, sempre urgente, liberdade, abordagem que provêm do anterior e excelente "Before And Now Seems Infinite" de 2022, mas junta-lhe a agora a inevitável herança e reconexão, para o que foi aperfeiçoado e imaginado nas colinas de Monferrato, região rural e natal do Piemonte, norte de Itália.
O primeiro single "A Story Yet to Be Told" tem video filmado pelo irmão Marco Jeannin, professor de fotografia e video digital numa academia superior de Brescia, e confirma, ao lado de outras imagens entretanto publicadas, a salutar nostalgia em voltar a casa, redescobrir as raízes e conexões e cuidar da tal herança de forma positiva e assumida.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
THE MAGNETIC FIELDS TOTAL!
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
sábado, 1 de fevereiro de 2025
ANNA ST. LOUIS, SABOR CASEIRO!
Depois de fazer alguns concertos a abrir para Iron & Wine já este mês, o novo trabalho celebra-se com a ajuda de uma banda amiga lá para Abril, tournée que se espera possa aterrar nas redondezas...
sexta-feira, 31 de janeiro de 2025
WILCO, CRESCE O FANTASMA!
Na edição de Março da publicação inglesa já em pré-distribuição está incluído um Cd exclusivo com algumas pepitas alternativas aos doze originais então selecionados, mas a edição oficial deluxe, com data anunciada de saída para dia 7 de Fevereiro, contempla nove (!) rodelas de vinil e uma série de outros goodies pela módica quantia de duzentos e muitos euros.
Acresce na mesma revista, entre outros destaques, uma rara entrevista a Vashti Bunyan.
FAZ HOJE (24) ANOS #92
. Público, por Fernando Magalhães, fotografia de Rui Gaudêncio, 2 de Fevereiro de 2001, p. 47
. Jornal de Notícias, fotografia de César Santos, 2 de Fevereiro de 2001, p. 42
quinta-feira, 30 de janeiro de 2025
MARIANNE FAITHFULL (1946-2025)
Depois do carrossel do início da carreira, onde as amizades e aventuras se avolumaram perigosamente ao lado de muitas pedras rolantes, e mesmo com as maleitas da rebeldia vivida, Marianne Faithfull conseguiu encaminhar-se em trilhos de boa composição pop-folk.
Sempre admiramos a sua notável capacidade de reinvenção, ora elegendo uma série de canções para lhe dar a sua indelével versão, ora apaertando a mão a amigos e visionários como Nick Cave ou Warren Willis com quem registou um imenso e último álbum de poesia, dita, musicada. Faithfull faleceu, em paz, no dia de hoje. Peace!
terça-feira, 28 de janeiro de 2025
ALABASTER DePLUME, CUIDEM-SE!
Ao livro, entretanto, esgotado na sua versão autografada, foram acrescentados três temas inéditos, dois deles registados com músicos locais no The Wonder Cabinet, espaço de arquitecura sonora e musical situado no vale de Cremisan em Belém, Palestina, e onde o artista participou, em Maio, na residência "Sounds of Places". O tema inicial, "Honeycomb", foi gravado com o pianista Sami El Enani. O envolvimento e o enlevo não tardaram a fazer efeito que agora se anuncia...
Trata-se do novo álbum "A Blade Because A Blade Is Whole" que, como sempre, se sujeita e escorre de uma série de dúvidas filosóficas e de que a primeira é, certamente, de difícil resposta: de que precisam as pessoas?
Em vários momentos dos concertos ao vivo que, felizmente, têm ocorrido por perto, esta e outras questões tem valido pertinentes e longos diálogos com o público na certeza, porém, de uma resposta ter sido sempre avançada - cura, cuidado. Assumir dignamente essa premissa é um desafio de óbvio valor e de difícil constância, nada que DePlume não insista como vital para que se engrandeça e vitalize um dia-a-dia em que também a música é um pré-requisito indispensável.
Desta vez, e ao contrário dos discos anteriores em que o material reunido submergiu de uma série de sessões coletivas de improvisação e edição, o novo trabalho foi cuidadosamente composto e arranjado pelo próprio a que, só depois, se convocaram as habituais amizades instrumentais, incluindo Macie Stewart nas cordas, Donna Thompson nas vozes e bateria, Momoko Gill, também nas cordas e vozes ou Rozi Plain no baixo. O local londrino de perfomance colectiva Total Refreshment Center, onde há muito se encontra conectado, foi novamente o ninho criativo eleito de um regresso que se saúda e confirma para dia 7 de Março pela International Anthem. O tema inicial "Oh My Actual Days" tem imagens a cargo de Rebecca Salvadori, responsável ainda pelo artwork (imagem acima). Cuidem-se!
segunda-feira, 27 de janeiro de 2025
LOBO #22
Acutilante, o mestre discorre sobre quem foram ou eram os seus ouvintes, o orgulho na militância, no prémio "Globo de Ouro" e no prazer da escrita para semanário "O Independente". Tempo, ainda, para a recomendação de uma série de conferências que ajudou a organizar para o festival "SBSR" e uma nota sobre o Portugal político da altura, cheio de gorduras e corrupções. Nada mudou.
As fotografias, aparentemente, obtidas num qualquer parque lisboeta, são da Adriana Freire e a de corpo inteiro dava uma bela capa de uma biografia que está ainda por escrever...
sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
DUETOS IMPROVÁVEIS #300
TAMINO & MITSKI
Sanctuary (Tamino)
Álbum "Every Dawn’s a Mountain",
Bélgica, Janeiro de 2025
quinta-feira, 23 de janeiro de 2025
ROSE CITY BAND AO SOL E À SOMBRA!
Não há que enganar quanto ao que os Rose City Band andam há anos a espalhar pela América e arredores a partir de Portland - uma receita de psicadelismo country que não se altera na sua essência e que se revigora a cada disco. O novo chama-se "Sol Y Sombra", segue-se a "Garden Party" de 2023 e poderá ser ampliado na sua totalidade a partir de amanhã, data oficial de lançamento pela Thrill Jockey, mas os três temas já disponíveis só servem para confirmar que o ajuste continua primoroso e viciante.
Ao comando da banda continua Ripley Johnson, o homem forte dos Wooden Ships e Moon Duo, estando outra vez confirmada a participação de Sanae Yamada nas vozes e alguns sintetizadores que se junta aos músicos habituais (John Jeffrey, Barry Walker e Paul Hasenberg). São alguns deles que se sentam no sofá a la The Simpsons e Matt Groening para anunciar a próxima digressão que aterra na Europa em Maio, mais uma vez, sem proximidade ibérica, território privilegiado do tal sol e sombra, de preferência, sem touradas!
quinta-feira, 16 de janeiro de 2025
DAVID LYNCH (1946-2025)
Vistos e revistos os filmes mais antigos, não falhamos todos os outros que se seguiram, descobrindo que o homem também era músico, tinha gosto requintado pelas canções e era até litógrafo artístico! Ficou por ver o return de "Twin Peaks" de 2017, mas algo nos afastou desse remake quase abusivo, às tantas, injustamente. David Lynch faleceu hoje. Surreal. Peace!
quarta-feira, 15 de janeiro de 2025
WILL SAMSON, SENSO-EXPERIÊNCIAS!
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| fotografia: Vera Marmelo |
A música de Will Samson é, por vezes, descrita como “demasiado experimental” ou como “demasiado indie", um terreno movediço que se agudizou depois da pandemia quando o músico foi surpreendido com a suspensão do seu contrato discográfico.
A desilusão não impediu que as experiências tivessem cessado ou adormecido, sendo o sinal desse desassossego o novo álbum "Songs of Beginning & Belonging", uma renovação meditativa que reflecte uma vontade de soterrar o passado, avançar para uma nova fase criativa e, finalmente, conseguir alguma paz interior. O disco foi registado entre Novembro de 2022 e Maio de 2024 no seu antigo estúdio da margem do rio Tejo, em Almada, espaço partilhado com Casper Clausen dos Efterklang, usando novamente o "Uher 4200", gravador de 1970 também primordial no anterior trabalho "Harp Wells".
Uma primeira faixa de nome "Loshult", resultado de uma estadia na mesma localidade sueca, é a prova do impulso artístico que Samson pretende despertar e que terá apresentação ao vivo no final de Fevereiro e início de Março em Lisboa (27, Zé dos Bois), Braga (28, local ainda não divulgado) e Coimbra (1, Salão Brazil), momentos onde terá o acompanhamento da violinista Beatrijs De Klerck.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2025
SONDRE LERCHE, DE PERDER DE VISTA!
Testado, o projecto denominado "Sea of Sights" cola-se em cinco pedaços inspirados nos mestres Sakamoto e Yoshimira e em todos os veteranos da música experimental europeia, um majestoso minimalismo, ainda assim, pleno de arranjos e sonoridades sofisticadas. Há retomas de originais antigos como "Sentimentalist" do álbum "Please" de 2014, agora travado na boa progressão com o auxílio de Gabriela Garrubo, amiga com quem tinha já feito um dueto de "Amor Ainda Espera", variação do original "My Love Still Waits".
O resultado final, traduzido numa inesperada sequência de trinta e cinco minutos, é mesmo uma viagem de atmosfera relaxada e de leve inquietude que merece atenção e desfrute obrigatório, um prazer de perder de vista!
sábado, 11 de janeiro de 2025
BRIGID MAE POWER, VERSÕES CARINHO!
A nova insistência advêm de um denominador comum: os temas eram da preferência do pai da artista ou canções escutadas quando dele cuidava durante o fatídico ano de 2024, funcionando o conjunto como um tributo discreto, mas sentido, em sua carinhosa memória. Entre alguma melancolia e subtileza da sequência, surpreendem originais de Cass McCombs ("Angel Blood"), o mais recente, ou dos Television ("See No Evil"), sendo a restante selecção de um ecletismo inesperado que se alonga, mesmo assim, a nomes mais renomados como Roy Orbinson ("In Dreams"), Neil Young ou Ray Charles ("You Don't Know Me").
sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
DESTROYER ENTRAM NA DANÇA!
O primeiro recebeu o rótulo de "Bologna", onde Bejar confessa dificuldade em cantar, sabe-se lá porquê, o primeiro e o terceiro verso. Para acentuar a gravidade e coragem foi, então, convidada Simone Schmidt aka Fiver, colaboradora antiga da banda e que assegura ao tema o necessário voo rasteiro. As imagens ficaram a cargo de David Galloway, compincha que desde 2019, e com "Crimson Tide", é o autor de uma série diversa de narrativas visuais para temas dos Destroyer.
Afigura-se, sem dúvida, desafiante imaginar tamanho boogie em cima de um palco como o que os espera a 12 de Junho no primeiro dia do Primavera Sound Porto. A menina dança?
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
FAROL #157
No passado fim de semana, David Longstreth aka Dirty Projectors teve o privilégio de participar num concerto em Los Angeles que serviu para celebrar a vida e a música de David Berman no dia daquilo que seria o seu 58º aniversário (4 de Janeiro). O talentoso poeta e compositor, falecido em 2019, comandou projectos sedutores e estelares como os Silver Jews ou os Purple Mountains.
Nesse sábado, Longstreth apresentou três versões de outros tantos originais de Berman - "Black and Brown Blues", "Pet Politics" e "Random Rules - e não descansou enquanto não os eternizou à sua maneira. Na manhã seguinte, montados os microfones lá de casa, registou-os para nossa sorte e bênção que agora se encontra disponível à distância de um estalido com o nome de "Covers For A Belated Birthday". Click..
BONNIE PRINCE BILLY, ANDORINHA EM JANEIRO!
No final do mês chega, então, "The Purple Bird", pra aí o vigésimo quinto álbum em nome próprio e que, atendendo aos já três pressupostos sonoros, só pode vir a acrescentar ainda mais patina a uma já longa tradição folk-country. A composição não engana, não pode enganar, qualquer que seja ouvido, novo ou velho, a que se juntaram, desta vez, amigos como John Anderson, lenda de Nashville que canta a mielas em "Downstrem", descrita como uma eco-balada, por sinal, lindíssima!
Nashville foi, pois, o local de gravação ao lado do produtor Dave Ferguson, um raridade funcional só agora uma segunda vez repetida num encorpado songbook com mais de trinta anos. Para que o efeito se eternize, juntaram-se dos melhores músicos da cidade e ainda Tim O'Brian, nome histórico do bluegrass americano, uma entreajuda que motivou a partilha dos créditos da composição pelos vários intervenientes, estando Ferguson, "Ferg" para os amigos, creditado como co-autor em sete das doze canções. Em Maio, há digressão pela Europa e...
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