sexta-feira, 14 de março de 2025

NEAL FRANCIS, INCONSISTÊNCIA ZERO!

Saiu no dia de hoje um novo trabalho do norte-americano Neal Francis que, ouvido de fio a pavio, é um puro prazer. No disco "Return To Zero", o segundo para a ATO Records, casa independente de Nova Iorque fundado por Dave Matthews e reduto de variados e bons nomes (King Gizzardd, Alabama Shakes ou Midlake, só para citar alguns), balançam uma série de melodias robustas de produção apurada que não escondem o que de bom o yatch-rock ou o funk multiplicaram no passado e continuam a desmultiplicar, sem contemplações, no presente. 

Respeitando essas patinas sonoras, é, contudo, o rock americano de setenta que ganha primazia nessa irresistível fusão, tudo bem agitado em canções para dançar em rodopios de várias velocidades, sendo ainda difícil escolher qual delas será a ideal para uma viagem de vidros abertos junto ao mar ou para servir de auxiliar de potência numa qualquer subida de um jogging matinal. Genuíno, Francis (re)criou uma fórmula saborosa que ganha, a cada disco, uma consistência de óbvia classificação vintage. Can't get enough! 




THOMAS FEINER, SEGUNDOS DE ESPLENDOR!

São só trinta e oito os preciosos segundos disponíveis para audição prévia de "The Sun Fell Softly on the Ocean", mas bastam para que o encandeamento sonoro a la Thomas Feiner desperte, mesmo assim, todo o seu esplendor. 

Trata-se de um single inédito que consiste numa versão de "Så skimrande var aldrig havet", canção do trovador sueco Evert Taube (1890-1971) e, pela primeira vez, com uma variação em inglês para escutar muitas vezes no final do mês (28 de Março). A percussão e guitarras são de Johan Ludvig Rask e a tradução da lírica é de Felix Taube, neto do poeta e músico nórdico. 


terça-feira, 11 de março de 2025

THESE NEW PURITANS, MAIS UM GOLPE DE ASA!















Cinco álbuns em vinte anos sugere uma ponderação que os These New Puritans assumem como fundamental para a sua essência artística. Dos irmãos Jack e George Barnett, sempre envoltos num misterioso resguardo mediático e pessoal, espera-se uma profundidade desafiadora que dois novos momentos se atestam como ousados - "Bells" e "Industrial Love Song" moldam-se de um poderio melódico comovente, permitindo de olhos fechados confiar em "Crooked Wing", o tal quinto disco de uma banda de culto aqui pela casa. 

Para favorecer a grandeza, ao trabalho dos manos Bernett somou-se a ajuda de Grahm Sutton, membro dos míticos Bark Psychosis e produtor do anteriores álbuns "Hidden" (2010) e "Field Of Reeds" (2013), e a colaboração do baixista Chris Laurence e de Caroline Polacheck, voz de um dueto inesperado entre dois guindastes num estaleiro de obras que, em livre tradução, é explicado por Jack desta forma: 

"Caroline canta a parte de um guindaste, eu canto a outra; eles não se podem tocar (os seus movimentos são controlados por um operador), mas quando o sol nasce, eles esperam que suas sombras se cruzem. Gosto de como o título que George criou desvia as expectativas - não é esse tipo de industrial"! 

Seis anos depois, os These New Puritans aprontam-se novamente para, rejeitando convenções, se assumirem como uma banda visionária cujo rótulo indefinido é, por si só, um elogio cada vez mais raro. Espera-se, por isso, mais um golpe de asa...


segunda-feira, 10 de março de 2025

ROBERT FORSTER, MORANGOS COM AMOR!





















Dando mostras de ânimo e estabilidade emocional, o lutador Robert Forster terá álbum novo no final de Maio pela Tapestry Records e a que chamou simplesmente "Strawberries". O tema título é um excelente cartão de visita ao lado da esposa Karin Bäumler, um género de dueto com imagens gravadas na cozinha lá de casa, retomando um local que Forster escolheu para apresentar a canção "Tender Years" do álbum anterior "The Candle And The Flame" de 2022, período complicado de doença da esposa.

Se atentarmos nos pormenores da letra, são os morangos uma alusão inicial à partilha, ao amor incondicional que os une e que parece inquebrável. A aparente simplicidade do enredo e da encenação luminosa do espaço, a que um gato acrescenta, no exterior, tanta naturalidade, torna a canção num cada vez mais raro momento de ternura e prazer que só Forster sabe fazer. Queremos mais!

FAZ HOJE (24) ANOS #94





















GOLDFRAPP, Festival SBSR, Hard Club, Vila Nova de Gaia, 10 de Março de 2001
 
. Jornal de Notícias, por Emanuel Carneiro, fotografia de José Mora, 12 de Março de 2001, p. 44

3X20 MARÇO

















Em mês de Piano Day (29 de Março) e na já habitual ausência de comemorações ou lembranças, insistimos nos teclados, orgãos, pianos ou derivados...
 

sábado, 8 de março de 2025

UAUU #738

RUFUS WAINWRIGHT, CULTO E ADULTO!

O nosso culto e adulto segundo canal agendeu para o serão de amanhã, Domingo, a emissão de um concerto bastante especial - "Wainwright Canta Weill" foi registado em Março do ano passado ao lado da Pacific Jazz Orchestra, sob condução de Chris Walden, no majestoso United Theatre on Broadway de Los Angeles. 

Nele, Rufus Wainwright dedica-se a recriar canções de Kurt Weill (1900-1950), autor pelo qual o seu fascínio se foi adensando, germinando muitas das canções em nome próprio, algumas das quais também seleccionadas para interpretação, numa homenagem iniciada em 2023 com uma série de concertos no Cafe Carlyle de Nova Iorque. Não esquecer: RTP2, 22h52. Imperdível!

EXIT NORTH, FORÇA AÉREA!





















Apresentado como um double A single, há nas duas novas canções dos Exit North uma energia inesperada que se estende, intensa e aérea, numa epicidade ressentida. 

A dose afixa-se pelos nomes de HARM / TERMS, assim, em maiúsculas, para que se faça acentuar a vibração e a altura da eminência, mas há ainda uma notável remasterização da pérola "A-Shapped Trees", tema de "Anyway, Still", álbum de 2023. A versão CD estará pronta para envio a partir de 1 de Maio.

sexta-feira, 7 de março de 2025

TENNIS, JOGO PERFEITO!





















Não existem tempos, meses, dias ou horas ideais para as canções dos Tennis. Desconfiamos, um pouco, da sua eficácia inicial, mas o casal Alaina Moore e Patrick Riley tem mantido e depurado a receita pop num calibre alto ao longo de seis álbuns desde 2011, sempre bem-vindos, airosos e frescos. 

Aproxima-se um sétimo de nome "Face Down In The Garden", de confessada inspiração na roda viva das tournées, das suas virtudes, vicissitudes e crises, uma abordagem artística diferente do habitual que muitas vezes tinha em longos passeios de barco à vela o recurso de composição! O selo comercial é o da Mutually Detrimental, casa onde a banda joga em nome próprio. 

Nostálgico, orelhudo quanto baste, os Tennis continuam a não falhar. Bastaria o novo "At the Wedding" para o confirmar... Match-point!


quinta-feira, 6 de março de 2025

ROY AYERS (1940-2025)














Num género de jazz que se aproxima do funk e da soul, a mestria de Roy Ayers sempre foi imbatível, feito talvez explicado pela raridade e subtileza com que o som do vibrafone se entrelaçava, maravilhoso, nas canções. 

O instrumento, um género de xilofone ressonador, ocupou, por isso, sempre a frente de palco de todos os seus concertos, como o que testemunhamos na sala pequena da Casa da Música ao lado dos Funkateers numa madrugada de 2005. A sessão terminou com "Everybody Loves The Sunshine", um clássico de planura eterna que, sem culpa, foi escondendo tantas, e tantas, outras peças de um talento único.

Ayers faleceu no dia de Carnaval, uma terça-feira soalheira e amena... Peace!


WILLIAM TYLER, O TEMPO É INDEFINIDO!





















As estranhezas detectadas nas mais recentes opções sonoras de William Tyler já por aqui foram sinalizadas a tempo de, agora, se confirmarem como explicáveis. A história detalhada é contada pelo jornal inglês The Guardian, preenchendo assim as respostas a algumas das anomalias (cancelamento de concertos ou parcerias artísticas) advindas de uma reabilitação necessária face aos perigos do álcool ou do isolamento. 

O comprovativo da alta chama-se "Time Indefinite", álbum pela Psychic Hotline agendado para Abril, e onde se emaranham uma série de demónios como a solidão, a neurose ou o raio da meia-idade cantados ou tangidos por Tyler de forma a espantar receios e temores, escolhendo uma renovada e arriscada veia musical pronta a bombar tempos incertos e indefinidos. 

FAZ HOJE (23) ANOS #93



















TOMAHAWK, Hard Club, Vila Nova de Gaia, 6 de Março de 2002
 
. Diário de Notícias, por Marcos Cruz, fotografia de Ursula Zangger, 8 de Março de 2002, p. 48 
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, fotografia de Pedro Correia, 8 de Março de 2002, p. 49 
. Público, por Inês Nadais, fotografia de Paulo Pimenta, 8 de Março de 2002, p. 45

domingo, 23 de fevereiro de 2025

BILL FAY (1943-2025)














A última década trouxe muitos admiradores e novos convertidos à música de Bill Fay, tendência acentuada com o milagroso álbum de regresso "Life Is People" de 2012. Vincaram-se, naturalmente, os elogios, multiplicaram-se as colaborações, as versões e muitas aspirações a vê-lo cantar no escuro de um qualquer velho teatro. 

Fomos dos que passamos, desde logo, a vaguear nessa torrente que faz de cada canção um tremor inexplicável e salutar mesmo ao fim de muitas repetições, acelerando a redescoberta dos discos antigos, de demos e demais registos que só aguçaram a veneração a um mundo de espantosas maravilhas. Fay deixou-nos hoje ao fim de oitenta e um anos e o tributo a tamanho talento é simples - espalhem-lhe os discos, ampliem-lhe as canções... Peace! 




sábado, 22 de fevereiro de 2025

FIONN REGAN, MAIS UMA!

Repetindo a estratégia de final do ano, há um inédito de Fionn Regan saído em Janeiro de nome "Two Sides", o que talvez sugira que, ainda este mês, seja acrescentada outra pérola. O colar começa a ganhar peso... pluma!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

DUETOS IMPROVÁVEIS #301

PERFUME GENIUS & ALDOUS HARDING 
No Front Teeth (Genius) 
Álbum "Glory", Matador Records, 
E.U.A., Março de 2025

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

WILL STRATTON, COLHEITA DE ARREPIOS!





















Demoram sempre umas valentes temporadas as boas-novas sobre Will Stratton. O cantautor norte-americano parece não ter pressa em destapar a propagação de novas canções, certamente, entretido com outras tarefas como a que partilha com Martin Courtney (Real Estate) na produção e gravação de música no pequeno estúdio Roxaboxen Recording situado em Beacon, Nova Iorque, ou escrevendo textos sobre os mesmos assuntos para revistas digitais. 

As cornetas, no entanto, acabam sempre por tocar, anunciando, neste caso, "Points of Origin", álbum pela Bella Union agendado para 7 de Março, um oitavo longa duração que não deverá fugir da habitual e necessária tendência cinemática, narradora de historias ou cogitações em forma de baladas e voos de borboleta que muito agradecemos. 

Atendendo a que Tobias Jesso Jr. se escondeu atrás das cortinas da fama e que andamos a gastar, até à exaustão, as pérolas de Andrew Combs, é bom saber que não iremos ter falta de arrepios... dos bons!



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

NUBYA GARCIA, Casa da Música, Porto, 9 de Fevereiro de 2025

No fabuloso panorama do novo jazz britânico, o nome de Nubya Garcia tem assumido nos últimos anos uma preponderância vital que não se reduz à aparente simplicidade de um saxofone, mas que se enleia numa série colorida de grooves exóticos de dub, tropicalismo ou rythm & blues. O feito, poderoso, tem no segundo disco de originais "Odyssey", lançado o ano passado, um esteio artístico de colaborações diversas e subtis e onde uma componente orquestral e vocal o transforma numa verdadeira, e já modelar, odisseia sonora. 

Ao vivo, sem todo esse envolvimento, o fenómeno, quase se imaginava, viria a perder força ou impacto. Um quarteto de jazz clássico - bateria, contrabaixo, teclas/piano e saxofone - tem, no entanto, muitas virtudes e essências de que se desconhecem o limite, embora a sessão de domingo à noite possa servir de exemplo de como a aproximação se pode fazer de forma eloquente e grandiosa. 

A viagem, sempre com o saxofone ao leme, serpenteou divertida e vibrante entre a planura dos teclados de Lyle Barton, a subtileza sábia do contrabaixo de Maz Luthert e a destreza e maleabilidade da bateria de Sam Jones, parceiro de longa data e que esteve com Garcia no parque da cidade em 2019. Essa eterna cumplicidade instrumental, que se obriga presencial em qualquer envolvimento deste tipo de aventura, talvez tenha atingido, no que nos foi dado a ouvir, uma nova obra prima que se deverá legendar como "2025 - Uma Odisseia no Espaço"!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

DIRTY PROJECTORS, O SOM DA TERRA!





















Passaram três anos sobre uma jornada intensa de composição levada a cargo por David Longstreth como desafio acicatado pela orquestra instrumental berlinense Stargaze. O resultado traduziu-se num ciclo de vinte e quatro canções para vozes e orquestra que se agrupam num novo álbum dos Dirty Projectors a lançar pela Nonesuch em continente americano e pela Transgressive Records na Europa já no início de Abril. São decisivas as ajudas das parceiras de banda habituais Felicia Douglass, Maia Friedman e Olga Bell e, para além da referido colectivo alemão, colaboram ainda no disco, entre outros, Phil Elverum dos Mount Eerie e Tim Bernardes. 

Desde a base construída em período pós-pandémico, e assumindo algum receio em compor para um conjunto de instrumentistas alargado, Longstreth dedicou-se a aperfeiçoar as peças nos Países Baixos, Novo Iorque e Los Angeles com foco no estúdio de gravação e na sua apresentação ao vivo com orquestras, tal como já aconteceu no Barbican de Londres ou na Elphilhramonie de Hamburgo sob o título de "Song of the Earth". O primeiro aperitivo "Uninhabitable Earth - Paragraph One" é esclarecedor quanto à grandeza do projecto de feição ecológica, o sétimo de grande formato dos Dirty Projectors. 

Entretanto, uma versão acústica do mesmo tema faz agora parte da enorme compilação "The Super Bloom: A Benefit for Fire Relief in Los Angeles" de apoio aos bombeiros empenhados na tragédia de Janeiro passado, sessenta e duas canções por dez dólares de uma imensidão diversa de artistas e bandas. 

Uma outra canção do mesmo trabalho chamado "More Mania" foi também integrada numa outra iniciativa solidária - "Good Music to Lift Los Angeles" decorreu num único dia, 7 de Fevereiro, e compreendeu noventa canções inéditas - versões, remisturas ou gravações ao vivo - agora inactivas, mas valiosas. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

CIRCUIT DES YEUX, ESTRANHO FASCÍNIO!





















Data de Outubro passado um inédito de Hale Fohr aka Circuit des Yeux que recebeu como título um inequívoco "God Dick", mais um estremecedor sonoro de laivos electrónicos, género que a artista norte-americana têm aperfeiçoado de forma inédita e única. A transmutação que rodeia o seu mundo, que vai de negro profundo ao mais cintilante dos clareados, tem emersão total prometida para Março quando "Halo In The Inside" sair pela habitual Matador Records, naquilo que parece ser mais um renovado e pasmado portefólio artístico. 

Mesmo deixando de fora essa tal "God Dick", os nove originais atiram Fohr para uma estratosfera orquestral que não tem medo da percussão electrónica para se aproximar a um surrealismo desafiante de difícil classificação, mas de criação catártica e subliminar. Estranho, como sempre, fascinante, como nunca! 


3X20 FEVEREIRO

sábado, 8 de fevereiro de 2025

FEDERICO ALBANESE, MONTES DA HERANÇA!





















Um novo capítulo da composição ao piano de Federico Albanese chamado "Blackbirds and the Sun of October" saiu ontem pela XXIM Records, casa editora lançada pela Sony Music em 2021 para dar a conhecer música instrumental de teor impressivo e, já agora, progressivo. 

O trabalho retoma a temática da, sempre urgente, liberdade, abordagem que provêm do anterior e excelente "Before And Now Seems Infinite" de 2022, mas junta-lhe a agora a inevitável herança e reconexão, para o que foi aperfeiçoado e imaginado nas colinas de Monferrato, região rural e natal do Piemonte, norte de Itália. 

O primeiro single "A Story Yet to Be Told" tem video filmado pelo irmão Marco Jeannin, professor de fotografia e video digital numa academia superior de Brescia, e confirma, ao lado de outras imagens entretanto publicadas, a salutar nostalgia em voltar a casa, redescobrir as raízes e conexões e cuidar da tal herança de forma positiva e assumida. 




sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

THE MAGNETIC FIELDS TOTAL!





















Os desconcertantes The Magnetic Fields, liderados por Stephin Merritt, comemoram os vinte cinco anos do lendário e sempre moderno "69 Love Songs" com uma digressão pela Europa em Outubro e Guimarães é uma da paragens agendadas - dias 8 e 9 de Outubro os temas serão na sua totalidade apresentados num género de "dois em um", isto é, o bilhete geral dará acesso às duas noites que, separadas, se completam! A maratona começará, certamente, assim...

sábado, 1 de fevereiro de 2025

ANNA ST. LOUIS, SABOR CASEIRO!


















Em pleno Inverno e no conforto do lar, a menina Anna St. Louis registou um novo EP com saída anunciada para o final de Março - "Home Recordings" é somente o repositório de algumas canções sem muito refinamento, mas de assumida soltura passageira e beleza duradoura. 

Depois de fazer alguns concertos a abrir para Iron & Wine já este mês, o novo trabalho celebra-se com a ajuda de uma banda amiga lá para Abril, tournée que se espera possa aterrar nas redondezas...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

WILCO, CRESCE O FANTASMA!





















Tal como aconteceu com a comemoração dos vinte anos (2022) do álbum "Yankee Hotel Foxtrot", a revista Uncut torna a dar capa aos Wilco e ao seu principal mentor, Jeff Tweedy, desta vez, aludindo aos vinte anos de outra maravilha - "A Ghost Is Born", disco talvez imbatível dos de Chicago saído em 2004. 

Na edição de Março da publicação inglesa já em pré-distribuição está incluído um Cd exclusivo com algumas pepitas alternativas aos doze originais então selecionados, mas a edição oficial deluxe, com data anunciada de saída para dia 7 de Fevereiro, contempla nove (!) rodelas de vinil e uma série de outros goodies pela módica quantia de duzentos e muitos euros. 

Acresce na mesma revista, entre outros destaques, uma rara entrevista a Vashti Bunyan.

FAZ HOJE (24) ANOS #92















RICKIE LEE JONES, Aula Magna da Universidade de Lisboa, 31 de Janeiro de 2001
 
. Público, por Fernando Magalhães, fotografia de Rui Gaudêncio, 2 de Fevereiro de 2001, p. 47 
. Jornal de Notícias, fotografia de César Santos, 2 de Fevereiro de 2001, p. 42


FAYE WEBSTER DE SECRETÁRIA!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

MARIANNE FAITHFULL (1946-2025)





















Depois do carrossel do início da carreira, onde as amizades e aventuras se avolumaram perigosamente ao lado de muitas pedras rolantes, e mesmo com as maleitas da rebeldia vivida, Marianne Faithfull conseguiu encaminhar-se em trilhos de boa composição pop-folk. 

Sempre admiramos a sua notável capacidade de reinvenção, ora elegendo uma série de canções para lhe dar a sua indelével versão, ora apaertando a mão a amigos e visionários como Nick Cave ou Warren Willis com quem registou um imenso e último álbum de poesia, dita, musicada. Faithfull faleceu, em paz, no dia de hoje. Peace!


terça-feira, 28 de janeiro de 2025

ALABASTER DePLUME, CUIDEM-SE!





















Em Outubro último o britânico Albaster DePlume publicou um primeiro livro de poesia a que deu o nome de "Looking For My Value: Prologue To a Blade". Inquietudes como a dignidade, a soberania ou até a urgência da cura são motivo de reflexão de um ser humano que DePlume encarna e rodeia de responsabilidade, mas também de vulnerabilidade. 

Ao livro, entretanto, esgotado na sua versão autografada, foram acrescentados três temas inéditos, dois deles registados com músicos locais no The Wonder Cabinet, espaço de arquitecura sonora e musical situado no vale de Cremisan em Belém, Palestina, e onde o artista participou, em Maio, na residência "Sounds of Places". O tema inicial, "Honeycomb", foi gravado com o pianista Sami El Enani. O envolvimento e o enlevo não tardaram a fazer efeito que agora se anuncia...

 

Trata-se do novo álbum "A Blade Because A Blade Is Whole" que, como sempre, se sujeita e escorre de uma série de dúvidas filosóficas e de que a primeira é, certamente, de difícil resposta: de que precisam as pessoas? 

Em vários momentos dos concertos ao vivo que, felizmente, têm ocorrido por perto, esta e outras questões tem valido pertinentes e longos diálogos com o público na certeza, porém, de uma resposta ter sido sempre avançada - cura, cuidado. Assumir dignamente essa premissa é um desafio de óbvio valor e de difícil constância, nada que DePlume não insista como vital para que se engrandeça e vitalize um dia-a-dia em que também a música é um pré-requisito indispensável. 

Desta vez, e ao contrário dos discos anteriores em que o material reunido submergiu de uma série de sessões coletivas de improvisação e edição, o novo trabalho foi cuidadosamente composto e arranjado pelo próprio a que, só depois, se convocaram as habituais amizades instrumentais, incluindo Macie Stewart nas cordas, Donna Thompson nas vozes e bateria, Momoko Gill, também nas cordas e vozes ou Rozi Plain no baixo. O local londrino de perfomance colectiva Total Refreshment Center, onde há muito se encontra conectado, foi novamente o ninho criativo eleito de um regresso que se saúda e confirma para dia 7 de Março pela International Anthem. O tema inicial "Oh My Actual Days" tem imagens a cargo de Rebecca Salvadori, responsável ainda pelo artwork (imagem acima). Cuidem-se!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

LOBO #22

 












Aquando da edição da compilação "Som da Frente" em 2002, onde António Sérgio elegia trinta e seis temas, diríamos, clássicos do programa da rádio com o mesmo nome, então, a comemorar vinte anos, Rui Pedro Tendinha realizou-lhe uma curiosa entrevista para a secção "Talk Show" da revista "Notícias Magazine" de 17 de Março. 

Acutilante, o mestre discorre sobre quem foram ou eram os seus ouvintes, o orgulho na militância, no prémio "Globo de Ouro" e no prazer da escrita para semanário "O Independente". Tempo, ainda, para a recomendação de uma série de conferências que ajudou a organizar para o festival "SBSR" e uma nota sobre o Portugal político da altura, cheio de gorduras e corrupções. Nada mudou. 

As fotografias, aparentemente, obtidas num qualquer parque lisboeta, são da Adriana Freire e a de corpo inteiro dava uma bela capa de uma biografia que está ainda por escrever...

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

ROSE CITY BAND AO SOL E À SOMBRA!

















Não há que enganar quanto ao que os Rose City Band andam há anos a espalhar pela América e arredores a partir de Portland - uma receita de psicadelismo country que não se altera na sua essência e que se revigora a cada disco. O novo chama-se "Sol Y Sombra", segue-se a "Garden Party" de 2023 e poderá ser ampliado na sua totalidade a partir de amanhã, data oficial de lançamento pela Thrill Jockey, mas os três temas já disponíveis só servem para confirmar que o ajuste continua primoroso e viciante. 

Ao comando da banda continua Ripley Johnson, o homem forte dos Wooden Ships e Moon Duo, estando outra vez confirmada a participação de Sanae Yamada nas vozes e alguns sintetizadores que se junta aos músicos habituais (John Jeffrey, Barry Walker e Paul Hasenberg). São alguns deles que se sentam no sofá a la The Simpsons e Matt Groening para anunciar a próxima digressão que aterra na Europa em Maio, mais uma vez, sem proximidade ibérica, território privilegiado do tal sol e sombra, de preferência, sem touradas!  



CARMINHO DE SECRETÁRIA!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

DAVID LYNCH (1946-2025)















Quando "Twin Peaks" estreou em Portugal em 1990 o nome de David Lynch era para nós um exotismo distante elogiado na imprensa, mas de que nunca tínhamos testado qualquer filme. Lembramos bem esses serões televisivos do "Diário Secreto de Laura Palmer", um notável enredo de surpreendente e assombroso efeito que um genérico instrumental adensava no mistério... eternamente. 

Vistos e revistos os filmes mais antigos, não falhamos todos os outros que se seguiram, descobrindo que o homem também era músico, tinha gosto requintado pelas canções e era até litógrafo artístico! Ficou por ver o return de "Twin Peaks" de 2017, mas algo nos afastou desse remake quase abusivo, às tantas, injustamente. David Lynch faleceu hoje. Surreal. Peace!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

WILL SAMSON, SENSO-EXPERIÊNCIAS!

                                                                  fotografia: Vera Marmelo













A música de Will Samson é, por vezes, descrita como “demasiado experimental” ou como “demasiado indie", um terreno movediço que se agudizou depois da pandemia quando o músico foi surpreendido com a suspensão do seu contrato discográfico. 

A desilusão não impediu que as experiências tivessem cessado ou adormecido, sendo o sinal desse desassossego o novo álbum "Songs of Beginning & Belonging", uma renovação meditativa que reflecte uma vontade de soterrar o passado, avançar para uma nova fase criativa e, finalmente, conseguir alguma paz interior. O disco foi registado entre Novembro de 2022 e Maio de 2024 no seu antigo estúdio da margem do rio Tejo, em Almada, espaço partilhado com Casper Clausen dos Efterklang, usando novamente o "Uher 4200", gravador de 1970 também primordial no anterior trabalho "Harp Wells". 

Uma primeira faixa de nome "Loshult", resultado de uma estadia na mesma localidade sueca, é a prova do impulso artístico que Samson pretende despertar e que terá apresentação ao vivo no final de Fevereiro e início de Março em Lisboa (27, Zé dos Bois), Braga (28, local ainda não divulgado) e Coimbra (1, Salão Brazil), momentos onde terá o acompanhamento da violinista Beatrijs De Klerck.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

SONDRE LERCHE, DE PERDER DE VISTA!





















Numa noite de final de Outubro, sozinho num quarto de hotel em Shibuiya, Japão, Sondre Lerche imaginou uma série de temas instrumentais que não demoraram a ganhar forma. Logo em Novembro e já em território norueguês, sessões entre Oslo e Bergen moldaram as peças no sentido certo, se bem que e logo depois, umas pequenas férias em Veneza puseram o conjunto a marinar até ao ponto certo mesmo antes do Natal. 

Testado, o projecto denominado "Sea of Sights" cola-se em cinco pedaços inspirados nos mestres Sakamoto e Yoshimira e em todos os veteranos da música experimental europeia, um majestoso minimalismo, ainda assim, pleno de arranjos e sonoridades sofisticadas. Há retomas de originais antigos como "Sentimentalist" do álbum "Please" de 2014, agora travado na boa progressão com o auxílio de Gabriela Garrubo, amiga com quem tinha já feito um dueto de "Amor Ainda Espera", variação do original "My Love Still Waits". 

O resultado final, traduzido numa inesperada sequência de trinta e cinco minutos, é mesmo uma viagem de atmosfera relaxada e de leve inquietude que merece atenção e desfrute obrigatório, um prazer de perder de vista!  



sábado, 11 de janeiro de 2025

UAUU #735

BRIGID MAE POWER, VERSÕES CARINHO!





















Não é de hoje o gosto de Brigid Mae Power pelas versões. Já em 2021 um luminoso EP aclarava as capacidades de recriação desta irlandesa a quem, aqui pela casa, se abrem sempre as janelas de par em par. A tendência não foi esquecida em 2023 aquando da edição do álbum "Dream from the Deep Well", flutuando por lá uma brilhante variação de "I Must Have Been Blind" de Tim Buckley. Acrescenta-se agora "Songs for You", um disco com nove covers inéditas, na sua maioria, a solo ou com a simples ajuda de bateria e baixo. 

A nova insistência advêm de um denominador comum: os temas eram da preferência do pai da artista ou canções escutadas quando dele cuidava durante o fatídico ano de 2024, funcionando o conjunto como um tributo discreto, mas sentido, em sua carinhosa memória. Entre alguma melancolia e subtileza da sequência, surpreendem originais de Cass McCombs ("Angel Blood"), o mais recente, ou dos Television ("See No Evil"), sendo a restante selecção de um ecletismo inesperado que se alonga, mesmo assim, a nomes mais renomados como Roy Orbinson ("In Dreams"), Neil Young ou Ray Charles ("You Don't Know Me"). 



sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

DESTROYER ENTRAM NA DANÇA!





















Curado da labirintite anterior, Dan Bejar e os seus inconfundíveis Destroyer prepararam outra inflamação sonora com base num passado desconhecido - imaginou-se, a partir dele, um género de cantor lounge, também bandido, cheio de fantasias e contradições cujas histórias se enroscam a nove canções de salão de casino ou bar de fim de noite. Ao conjunto chamou-se "Dan's Boogie" e prometidos estão desaterros surpreendentes. 

O primeiro recebeu o rótulo de "Bologna", onde Bejar confessa dificuldade em cantar, sabe-se lá porquê, o primeiro e o terceiro verso. Para acentuar a gravidade e coragem foi, então, convidada Simone Schmidt aka Fiver, colaboradora antiga da banda e que assegura ao tema o necessário voo rasteiro. As imagens ficaram a cargo de David Galloway, compincha que desde 2019, e com "Crimson Tide", é o autor de uma série diversa de narrativas visuais para temas dos Destroyer. 

Afigura-se, sem dúvida, desafiante imaginar tamanho boogie em cima de um palco como o que os espera a 12 de Junho no primeiro dia do Primavera Sound Porto. A menina dança?

3X20 JANEIRO

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

FAROL #157















No passado fim de semana, David Longstreth aka Dirty Projectors teve o privilégio de participar num concerto em Los Angeles que serviu para celebrar a vida e a música de David Berman no dia daquilo que seria o seu 58º aniversário (4 de Janeiro). O talentoso poeta e compositor, falecido em 2019, comandou projectos sedutores e estelares como os Silver Jews ou os Purple Mountains. 

Nesse sábado, Longstreth apresentou três versões de outros tantos originais de Berman - "Black and Brown Blues", "Pet Politics" e "Random Rules - e não descansou enquanto não os eternizou à sua maneira. Na manhã seguinte, montados os microfones lá de casa, registou-os para nossa sorte e bênção que agora se encontra disponível à distância de um estalido com o nome de "Covers For A Belated Birthday". Click..

ELVIS 90!















Parabéns para o Rei!

BONNIE PRINCE BILLY, ANDORINHA EM JANEIRO!





















Um novo disco de Will Oldhman aka Bonnie "Prince" Billy pode já não ser notícia de destaque por esse mundo fora. No nosso, o facto é sempre motivo de expectativa e regozijo, na certeza que do músico norte-americano não se conhecem falhanços ou salamaleques escusados. 

No final do mês chega, então, "The Purple Bird", pra aí o vigésimo quinto álbum em nome próprio e que, atendendo aos já três pressupostos sonoros, só pode vir a acrescentar ainda mais patina a uma já longa tradição folk-country. A composição não engana, não pode enganar, qualquer que seja ouvido, novo ou velho, a que se juntaram, desta vez, amigos como John Anderson, lenda de Nashville que canta a mielas em "Downstrem", descrita como uma eco-balada, por sinal, lindíssima! 

Nashville foi, pois, o local de gravação ao lado do produtor Dave Ferguson, um raridade funcional só agora uma segunda vez repetida num encorpado songbook com mais de trinta anos. Para que o efeito se eternize, juntaram-se dos melhores músicos da cidade e ainda Tim O'Brian, nome histórico do bluegrass americano, uma entreajuda que motivou a partilha dos créditos da composição pelos vários intervenientes, estando Ferguson, "Ferg" para os amigos, creditado como co-autor em sete das doze canções. Em Maio, há digressão pela Europa e...