quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

MEMORABILIA #18





















Na chuvosa manhã de sábado passado, ali parados a contemplar a ruína à espera do verde do semáforo, o desgosto conduziu-nos involuntariamente a um leve abanar de cabeça... O quase irreconhecível edifício da Praça da República onde funcionou o Instituto Francês do Porto vai-se desfazendo e enegrecendo a olhos vistos, um encerramento e um posterior incêndio que nunca foram bem explicados e, pior, não devidamente solucionados. Por lá passamos horas infinitas de diversão no jardim traseiro, onde havia um espectacular retiro azulejado perfeito para umas futeboladas e correrias, e também importantes momentos de aprendizagem nas diversas salas do palacete, desde as da cave ate às dos dois andares superiores, as preferidas já que permitiam, à saída, percorrer as escadas sentados no corrimão de madeira em jeito de escorregão, desafio e hábito trazido do velhinho Liceu Rainha Santa Isabel da Rua do Heroísmo. A tradição familiar impôs-nos, desde o secundário, a frequência de verdadeiras lições de língua francesa, o que o Instituto cumpria rigorosamente já que a maioria dos professores, nativos de França, mantinham uma exigência pedagógica onde as acentuações e as regras gramaticais eram pedra de toque obrigatórias e tormentosas. Mas a essa formalidade juntava-se um imenso gosto pela cultura francesa onde as incontornáveis gastronomia, literatura e música ocupavam lugar destacado e que tinham na excelente biblioteca do Instituto um recurso permanentemente actualizado com livros, jornais, revistas e discos... em vinil!

Foi um deles que imediatamente nos veio à memória naquele momento. Trazido debaixo do braço da professora, Madame Millez de seu nome, enorme senhora de arqueado e intocável penteado branco, ela invadia a sala já a cantarolar o "La Bohême" de Charles Aznavour, canção que, como muitas outras de Brel, Piaf ou Bécaud, haveríamos de ouvir vezes sem conta até que a destrinça e a compreensão da letra não permitisse dúvidas. Repetido, muitas vezes a pedido, pelo mágico levantar da agulha do gira-discos previamente instalado na sala, esse clássico de Aznavour era (é!) um hino fascinante e intemporal à cidade de Paris e, já agora, à cultura gaulesa, que permitia ainda que a saudosa professora não dispensasse uns passos de valsa quando a canção se aproximava do fim para gáudio e sorriso colectivo da turma! Uma ida a Paris em 1985 (?), a primeira, numa viagem de uma semana organizada pelo próprio Instituto, foi o culminar desses tempos mas nessa época já os nossos gostos musicais começavam a apontar mais a Norte - os Smiths e os The Sound rolavam já em K7's gravadas em Campanhã onde o amigo HugTheDj mantinha e fazia crescer uma notável colecção de discos - lembramos bem que, a seu pedido, trouxemos da capital francesa o vinil do "Treasure" dos Cocteau Twins, uma verdadeira raridade por cá e que compramos numa enorme FNAC em pleno Centro George Pompidou.    

Quando retomamos o hábito do vinil, deparamos amiúde com singles de cantores franceses que fomos "catando" em catadupa, hábito que resultou já numa caixa inteira de referências desses tempos do Instituto Francês. Um dos primeiros que recolhemos, gasto e usado até à exaustão, foi a rodela pequena do "La Bohéme" editada em 1965 que acima se reproduz e que, mesmo assim, é a que menos vezes aparece entre os muitos que Aznavour editou, talvez porque a canção seja mesmo a que muitos procuram ou insistam em guardar, merecidamente, para sempre. Bem dita nostalgia!              

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

PROMISED LAND SOUND, IRRESISTÍVEL!

O disco, o segundo, dos Promised Land Sound saído em Outubro passado é um daqueles casos de crescimento sustentado em talento. Aveludado, o travo americano tem as castas certas em Dylan, America ou até Midlake e o título do álbum - "For Use And Delight" - deve ser, literalmente, cumprido, respeitado e apreciado. Irresistível!





segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

CAR SEAT HEADREST DE SECRETÁRIA!

LIANNE LA HAVAS À GUITARRA!





















Tem poucos dias um novo EP da maravilhosa Lianne La Havas que pegou em algumas canções do álbum do ano passado "Blood", tirou-lhe os arranjos e orquestrações e sozinha com a guitarra, a fazer lembrar os tempos do início de carreira, torna a infringir-nos saborosas arritmias sonoras de alto calibre como este "Fairytale", um inédito simplesmente majestoso. La Havas vai partilhar uma digressão de Outono com Leon Bridges por terras americanas, numa parceria que, sem ser um conto de fadas, seria de bom gosto trazer até cá...    

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O AMOR ESTÁ NA CHUVA!

Chuva, namorados, amor, amor, namorados e chuva.
Dia perfeito para esta maravilha... 'cause hung-ups need company!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

UAUU #303

JULIA HOLTER, A MENINA DA RÁDIO!













O nosso fascínio pela música de Julia Holter é constante. Desde que deitamos os ouvidos a "Ekstasis", já lá vão quatro anos, que não há forma de disfarçar a paixão que, em boa hora, confirmamos ao vivo numa pequena mas vibrante sala de Guimarães. A norte-americana, para "castigo" nosso, tem elevado sempre a fasquia a níveis desmesurados com álbuns perfeitos como "Loud City Song" de 2013 e "Have You In My Wilderness" de 2015, ambos rotulados como os melhores de cada ano aqui na casa, não por não terem existido concorrentes de qualidade, mas porque a escuta certa derruba eventuais argumentos. Na marcação cerrada que mantemos à sua vida artística (já agora, há um novo video para "Everytime Boots"), é com satisfação que verificamos que tamanhas virtudes produzem efeitos imediatos para quem andava distraído e as sessões de rádio por onde Holter tem passado nos últimos meses confirmam este feitiço, seja na BBC inglesa ou nas míticas KEXP ou KCRW americanas, momentos que abaixo se reproduzem. Seria bom que a milagrosa vinda ao Porto para o Primavera Sound a levasse a uma rádio ou televisão qualquer para que uma merecida multiplicação do seu talento não deixasse dúvidas a ninguém. Ficamos, perdidamente, à espera!    





BILLY RIDER-JONES, VERSÕES CASEIRAS... MUITAS!





















Dono de um grande disco em 2015 intitulado "West Kirby County Primary", o profícuo e talentoso Billy Rider-Jones desde que deixou os The Coral não tem mãos a medir: bandas sonoras, álbuns instrumentais, colaborações e contribuições diversas com, entre outros, os Last Shadow Puppets ou Artic Monkeys (com quem tocou guitarra na digressão de "AM" e que, supostamente, andou pelo SBSR/Meco de 2013 e, talvez, no Alive de 2014) e até gravações caseiras, muitas, de versões. Neste último capítulo, há já três volumes disponíveis para aquisição no seu Bandcamp, não deixando de arriscar um "River Man" de Nick Drake de belo efeito (coincidência, ou não, Jones têm concerto marcado para o Lunar Festival em Junho que decorre em Tanworth-In-Arden, local onde Drake viveu e acabou por falecer). Entre altos e baixos da enorme variedade, enquanto não deve tardar novo volume, escolhemos estas três variações suspirando que a digressão europeia que em Março chega a Espanha se estenda um pouquinho mais até ao Atlântico...       






quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

BRUCE SPRINGSTEEN, NASCIDO PARA ESCREVER!





















O livro que há muito se pedia e adivinhava vai finalmente ver a luz do dia. A auto-biografia de Bruce Springsteen chama-se naturalmente "Born To Run" e estará nas livrarias no final do próximo mês de Setembro. Trata-se de uma aventura inédita que começou em 2009 após a actuação no intervalo do Super Bowl americano e o conteúdo restrito e privado do relato de uma vida promete revelações e confissões surpreendentes como a que rodeou a composição de "Born To Run", um hit planetário incluído no disco com o mesmo nome de 1975 e que, afinal, esconde outras histórias... Para quem, como nós, tem evitado livros não oficiais, não haverá então como resistir!

3X20 FEVEREIRO













SÃO DUETOS, SENHORES!















A amizade antiga de Sam Beam/Iron & Wine e Jesca Hoop terá finalmente direito a um disco inteiro de canções em jeito de duetos em que o tema principal será, evidentemente, o amor. A preciosidade está já baptizada de "Love Letter for Fire" tem selo da SupPop, data marcada de desenlace - 15 de Abril próximo - e regista a primeira vez que ambos partilham a até agora solitária tarefa da composição. Os treze temas foram gravados em Porland com a ajuda de diversos músicos de eleição como Glenn Kotche dos Wilco ou Eyvind Kend dos The Decemberists, tudo com uma classe que antecipadamente se adivinha e confirma neste maravilhoso "Every Songbird Says". Queremos mais, rápido!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

UAUU #302


CHARLES BRADLEY, AO VIVO E A PRETO E BRANCO!





















Enquanto não chega o novo álbum de Charles Bradley de nome "Changes" previsto para Abril, a Daptone Records inicia a edição de uma nova série de gravações ao vivo - Live From The House Of Soul - precisamente com o mestre da soul. O registo foi captado no pátio traseiro da sede da companhia em Brooklyn, Nova Iorque, onde em 2014 sete canções receberam um tratamento protector a preto e branco com a contribuição da Menahan Street Band e a produção do guitarrista e amigo Tommy Brenneck, ele próprio um elemento essencial dos The Dap King e da Budos Band. Aqui fica um bocadinho saboroso do filme a que juntamos, mais uma vez, o novo e irresistível "Changes".



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

MEMORABILIA #17





















A história que aqui trazemos no dia de hoje há muito que estava para ser escrita. O novelo que ela encerra começa a desenrolar-se a partir de uma simples mas saborosa coincidência com mais de dezassete anos e, por isso mesmo, de difícil memória e a pedir paciência da vossa parte. Começa assim...
Era uma vez quatro primos, entre os quais nos incluímos, que decidiram em 1998 marcar uma viagem de verão à Irlanda e Irlanda do Norte. Nada de transcendente atendendo à beleza do território mas com uma condicionante de última hora - uma semana antes da data da partida (15 de Agosto de 1998) o Reino Unido sofreu um dos piores atentados terroristas perpetrados pelo IRA na localidade de Omagh em pleno Ulster, onde um carro bomba tirou a vida a 29 pessoas e feriu mais de 200! A família sobressaltada recomendou o adiamento, a agência de viagens avançava com algumas reservas, mas a inquietude juvenil e alguma persistência levou-nos a manter o plano.
Chegada a Londres, aluguer de carro, descida até sul de Inglaterra, subida ao País de Gales, ferry para atravessar para a República da Irlanda, visita a Dublin, tudo em regime atraente de bed & breakfast, alguns sobressaltos de condução, paisagens fabulosas, cervejas e carnes da melhor qualidade e entrega do carro final marcada para Belfast de onde viajaríamos até Londres em trânsito para o Porto. O ponto de entrega já aquando do processo de aluguer no Aeroporto tinha merecido por parte do funcionário local alguns reparos atendendo ao período tenso que se vivia, o que rapidamente constatamos quando, no fim-de-tarde agendado, chegamos à cidade - ruas sem vivalma, carros patrulha em circulação lenta e um natural regime de recolhimento. Foi a única dormida em sete dias num chamado hotel e antes do sono, ainda em pleno dia, decidimos dar uma volta ao quarteirão. Aqui começa, então, a história que interessa para tão prolongado intróito!

Numa das ruas e sem cafés abertos decidimos, por insistência nossa, entrar numa das poucas lojas em funcionamento - uma loja de discos, claro, para passar tempo e, já agora, talvez comprar algumas pechinchas. No auge do CD e depois de algum tempo a percorrer as prateleiras, pegamos em dois discos de Andy White que desconhecíamos e fomos pagar. O homem por detrás do balcão ficou de boca aberta! Iniciou-se então um inquérito estranho mas natural - de onde éramos, como raio é que viemos ali parar e um carregado "caramba, em tantos discos escolheste logo dois do amigo Andy White!". Seguiu-se uma série de confissões - que Portugal era excelente, que a comida era a melhor do mundo e que tinha sido aqui o único local do planeta onde tinha ouvido uma canção de Andy White na rádio! Lá confessamos gosto pelas suas canções, que o tínhamos visto ao vivo há alguns anos atrás (29 de Novembro de 1990) na primeira parte de um concerto dos Vaya Con Dios no Porto e que até acabamos a beber uns copos com ele no bar do pavilhão Infante Sagres... Quanto ao privilégio radiofónico, teria sido de certeza no "Som da Frente" do António Sérgio, ele mesmo um aficionado do cantautor natural de Belfast e que, quase que juramos, teria comparecido nessa altura no programa do mestre para tocar algumas canções e trocar algumas palavras (quem ajuda?). Vai daí, o nosso entusiasmado anfitrião mandou-nos esperar um pouco, abriu a porta de um pequena arrecadação e, na volta, ofereceu-nos dois discos de vinil de Andy White, um deles o que acima se reproduz editado pela própria loja, o 12" do tema "Six String Street" com desenho de capa do próprio White, entre um forte aperto de mão e votos de boa viagem!

Pois bem, no retomar desta verdadeira memorabilia e com o novelo a desenrolar-se sem freio, acabamos por confirmar o agora óbvio - a loja e editora em questão chamava-se Good Vibrations e o homem desse encontro imediato, bastou ver uma das fotografias pela rede para o confirmar, era Terry Hooley, uma lenda viva do panorama punk-rock de Belfast e do Reino Unido que gravou e contratou os tenros Undertones de "Teenage Kicks", a icónica canção preferida de John Peel. A sua vida já deu um filme de nome "Good Vibrations" estreado em 2013, há planos para uma versão teatral e a loja com o mesmo nome só encerrou o ano passado por doença do próprio Hooley depois de vários contratempos e vicissitudes, como um inexplicável incêndio em 2004 que destruiu o quarteirão, queimando literalmente todos os discos e a história da música local. Da viagem a Portugal há um curioso vestígio, um galo de Barcelos colado no frigorífico lá de casa enquanto se mantêm activo na rede e a rodar música nos bares da cidade!

Quanto a Andy White, emigrado na Austrália, continua felizmente a gravar discos e numa das fotografias surgida nesta nossa pesquisa parece-nos estar à porta da tal loja a tocar para os transeuntes certamente a pedido do amigo Hooley. O disco oferecido da nossa colecção continua disponível, entre quase todos, para venda e agora só falta mesmo ver a película que rapidamente acabamos por encomendar na expectativa de fechar um curioso círculo em que a sempre vibrante história rock & roll é fértil...

I wanna holdher, wanna hold her tight
Get teenage kicks right through the night
Alright

                                        
                 






quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

PRIMAVERA SOUND PORTO: BINGO FLOP!

























A nossa aposta de ontem foi quase perfeita - acertamos em 3 números (PJ Harvey, Savages, Brian Wilson) e duas estrelas (Julia Holter e Destroyer). Fica um grande amargo de boca pelos Last Shadow Puppets e o Richard Hawley não estarem no alinhamento, o que torna o cartaz deste ano no mais fraquinho até à data. Pelo menos vamos finalmente ouvir e sentir isto ao vivo...



PS: contamos, por alto, 8 repetições (Beach House, Wild Nothing, Ty Segall, Deerhunter, Explosions In Th Sky, Savages, Dinosaur Jr., Shellac) o que para um festival na quinta edição nos parece demasiado... triste. Percebe-se agora porque é que não houve este ano cerimónia de apresentação pública do evento!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

PRIMAVERA SOUND PORTO: AMANHÃ ANDA À RODA!





















Amanhã, dia 4 de Fevereiro, veremos a nossa sorte no euromilhões dos concertos.
A nossa aposta simples é esta:
5 números: PJ Harvey, Last Shadow Puppets, Richard Hawley, Brian Wilson, Savages
2 estrelas: Julia Holter, Destroyer.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

OUGHT MEU DEUS!





















Os canadianos Ought foram uma das surpresas do Primavera Sound portuense do ano passado, um concerto de fim de noite rugoso e lustroso que serviu para destapar um pouco do novo álbum. Esse disco chamado "Sun Coming Down" talvez seja um daqueles casos de falta de atenção colectiva onde desgraçadamente nos incluímos já que a grandeza do registo vai aumentando a cada audição. O tema "Beautiful Blue Sky" merecia mesmo fazer parte da nossa ou outra qualquer lista de canções de 2015 e sempre que o ouvimos damos connosco a matutar o que o saudoso António Sérgio faria com tamanha pérola... Meu Deus!  

UAUU #301

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

EL VY DE SECRETÁRIA!

CHK CHK CHK, SEMPRE EM FESTA!





















O colectivo californiano Chk Chk Chk (!!!) comandado pelo irrequieto Nic Offer editou em 2015 o seu sexto registo longo a que chamou "As If". Quem, por acaso, ouviu nas nossas selecções 3X20 dos últimos meses pode reparar que há por lá quase obrigatoriamente um tema retirado desse disco, um vício a que não conseguimos resistir muito à custo de uma balanço funk-dance-punk a que a banda nos foi habituando ao longo dos anos. Então ao vivo, muito por culpa do espectáculo Offer, tamanha agitação ganha contornos caóticos como os que aconteceram no Primavera Sound portuense de 2014 e que, talvez, se venha a repetir num fim de noite de um qualquer festival nacional (certo é que eles já estiveram em quase todos, só faltará o Serralves em Festa!). A última "aparição" tem poucos dias e resume-se a uma paródia a cargo, claro, de Offer em versão "emplastro" que serviu para fazer saltar mais um single gingão e a que decidimos juntar outros dois mais antigos, é certo, mas igualmente irresistíveis. Party!!!         





BEN WATT, A TERCEIRA VEZ!













A sugestão do início do mês caída na rede pareceu-nos irresistível - tornar a ouvir o primeiro álbum a solo de Ben Watt editado em 1983 e onde cabia também um fabuloso EP com Robert Wyatt. Tem sido nas últimas semanas um prazer renovado a sua escuta, canções sem tempo nem lugar em que a cara metade dos Everything But The Girl se mostrava timidamente ao mundo. Foi preciso esperar por 2014 para que Watt gravasse novamente um disco a sério e "Hendra" foi, sem dúvida, uma boa surpresa que contava com a colaboração decisiva de Bernard Butler, fundador e mentor dos saudosos Suede. Aproveitamos para recordar uma das canções primaveris que resultou desta colaboração, aqui numa versão ao desafio, parceria que se estende no corrente ano a uma intensa digressão com paragem no Primavera Sound Barcelona mas infelizmente já sem espaço (agenda!) para se repetir no Porto. Ah, é verdade, Ben Watt que também se dedica de alma e coração à escrita, gravou já um terceiro disco de originais chamado "Fever Dream", sai em Março, e tem neste fabuloso "Gradually" um primeiro avanço com direito a pequeno filme registado em Hackney e Islington no Norte de Londres pelo jovem realizador galês John Jeanes.    



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

JEFF BUCKLEY, UMA PESSOA COMUM!





















O anunciado disco de versões de Jeff Buckley chamado "You And I" que a Columbia Legacy promete para Março próximo teve já uma antecipação irresistível. No âmbito da Black Friday de Novembro passado e com o selo da "Record Store Day" saiu um single de 7" com a cover de "Everyday People", canção de 1968 da Sly And The Familly Stone, um dos primeiros êxitos da banda a alcançar o número um de vendas americano e que seria incluído no álbum do ano seguinte "Stand". É essa malha que surge no lado B da pequena rodela o que a torna numa saborosa peça de colecção onde a inédita interpretação de Buckley surge quase acústica e sem a veia pop-soul do original, mas definitivamente clássica. A mensagem ("no better / and neither are you / we are the same / whatever we do"), essa continua mais que actual e necessária!



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

LA SERA, MÚSICA PARA OUVIR MÚSICA!





















O regresso da menina Katy Goodman e o seu alter-ego La Sera está marcado para o mês de Fevereiro. A onda é desta vez mais pop, sem o vinco quase punk do anterior disco ("Hour Of The Dawn" de 2014) muito à custa da parceria com Todd Wisenbaker, guitarrista e co-autor das canções que surgirão neste novo "Musis For Listening To Music To". O agora duo e, ao que parece, casal oficial, tem a colaboração de Ryan Adams na produção, uma ajuda que resulta da colaboração de Wisenbaker com o próprio Adams no registo das guitarras do inusitado álbum de versões de Taylor Swift. Aqui ficam as primeiras notas...

UAUU #300

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

THE ARCS DE SECRETÁRIA!

LITTLE WINGS, UMA LENDA VIVA!





















O nome Little Wings era aqui na casa, até há pouco tempo, um projecto com quem Feist tinha realizado um dueto em 2010 para incluir num DVD retrospectivo da canadiana e que, na altura, não deixamos de partilhar por aqui. Só que atrás desse nome está Kyle Field, um multifacetado artista californiano que também é ilustrador ou pintor e que gravou já mais de uma dúzia de discos de uma doçura inexplicável, seja pela ambivalência da voz seja pela remarcável beleza dos temas que balançam entre o intemporal Brian Wilson, Bonnie Prince Billy, Devendra Banhart ou o incontornável Bill Callahan. O último álbum "Explains" lançado em Maio de 2015 é o exemplo perfeito desta grandeza, uma pérola de onze nichos/canções que o elevam a um estatuto de "lenda viva" por gente como os Real Estate ou Kevin Morby. Agarrem-no logo que possam...






domingo, 24 de janeiro de 2016

JACCO GARDNER, Café Concerto CCVF, Guimarães, 23 de Janeiro de 2016

















Desde que se estreou em 2011 por terras lusas ainda encoberto no duo The Skywalkers, o holandês Jacco Gardner tem repetido a visita em diversas ocasiões ora em salas da Invicta (Hard Club em 2015 e Passos Manuel em 2014) ora em ambiente de festival como no Milhões barcelence de 2013. Só desta vez, contudo, tivemos a felicidade de comparecer à celebração nocturna, um serão bem preenchido de público e com ambiente bastante acalorado a puxar à bebida, onde, sem contemplações, desfilaram as canções do último "Hypnophobia", expressão alusiva a um certo medo de dormir que funciona como um exercício de psicadelismo sem idade e de elevado calibre. O álbum em versão ao vivo é ainda mais vibrante muito à custa de um poderoso colectivo instrumental que rapidamente espalhou uma dose de intensidade eficaz em canções como "Outside Forever" ou "Before Down", quase dez saborosos minutos de transe hipnótico! Simples, eficaz e, acima de tudo, cativante e sem rodeios, tamanha receita sonora estava bem espelhada nos rostos de um plateia satisfeita e que, sem esforço, se tornou já um público fiel. É só esperar pela próxima oportunidade que, como prometido, estará já agendada para muito em breve...        








sábado, 23 de janeiro de 2016

(RE)LIDO #69



















SÓ DESISTO SE FOR ELEITO
de Manuel João Vieira. Lisboa: Artemágica, 2004
"Só desisto de beber se for eleito"
"Mais sério do que isto já não é política, já é vida real"
"Portugal está uma pia. Vieira promove utopia"
Em dia de reflexão para a eleição presidencial de amanhã, estes três slogans do candidato Vieira da campanha de 2001 continuam e, certamente, continuarão a fazer todo o sentido. Atendendo à qualidade da discussão entre os dez cidadãos candidatos em 2016, atendendo ao (não) estado do país, atendendo à nossa indecisão em quem votar, é pena que o candidato Vieira não tenha desta vez avançado seriamente para Belém apesar de não ter deixado de comparecer nas ondas hertezianas. Teria elevado em muito o dia-dia dos penosos últimos quinze dias. Como diria o próprio, "vou ser eleito porque é impossível ganhar", o que nos remete para a brilhante crónica de Ferreira Fernandes no "Diário de Notícias" de hoje, uma utopia sarcástica que responde a esta verdadeira pantomina em que se transformou a política e, acima de tudo, a classe dos políticos. O Pacheco Pereira disse que não sabia ainda em quem iria votar, o que é o estado de alma de uma imensidão de portugueses envergonhados com quem os poderá a vir a presidir. Talvez a leitura deste repositório de "ideias", as tais que os candidatos dizem sempre apresentar, permitisse melhorar a colorir o cinzentismo do debate. É que se for para nos dar música como a que foi "tocada" nos últimos oito anos, então que seja música de qualidade... sempre vamos, pelo menos, sorrindo!            





segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

WHITE DENIM, PRONTOS A ESTOURAR!





















Com dois grandes discos já editados ("D" e "Corsicana Lemonade") que aqui pela casa continuam a fazer furor, os White Denim regressam em 2016, ano que, esperamos, lhes faça finalmente justiça e multiplique o êxito. Reconhecidos como uma máquina de rock psicadélico e de todos os outros afluentes, que impressionam também ao vivo - que o digam os Tame Impala que o confessaram de viva voz para a posteridade - o álbum receberá o simples título de "Stiff", sai em Março e a digressão que se segue promete agitar grandes plateias como as que estão já agendadas para vários festivais americanos e que certamente também dará a volta à Europa. Aqui fica o primeiro estouro...

UAUU #298

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

IRRESISTÍVEL PROFESSOR GONZALEZ!















Ao longo de 2014 e 2015 e a convite do canal alemão WDR1, o irrequieto Chilly Gonzalez tem desconstruído algumas canções pop ao piano num programa intitulado "Chilly Gonzalez Masterclasses: Pop Music". Será difícil escolher um destes hilariantes momentos de pedagogia musical, uma mistura confluente de classicismo, antiguidades ou pérolas sem idade, que só o talento arrebatador do "musical genius" canadiano permite e que nos cola ao ecrã instantaneamente. Irresistível! Aqui deixamos duas abordagens em que se eleva o génio de Bowie, um deles integrante do documentário "David Bowie, L'Homme Cent Visages" que o canal France4 emitiu no passado da 6 para assinalar o lançamento do disco "Blackstar" (para ver na sua totalidade já no Youtube).



NATALIE MERCHANT DE SECRETÁRIA!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

ELEANOR FRIEDBERGER, NOVO OLHAR



















Estará cá fora dia 22 de Janeiro o novo álbum de Eleanor Friedberger chamado "New View". Para além de um recente video para o tema "Sweetest Girl" a artista passou pelo estúdio/arquivo improvisado da revista Paste e deixou-nos alguns pedacinhos a solo que talvez se repitam por perto na digressão que a trará à Europa já em Fevereiro. Pode ser que...





BOWIE, RECORDANDO ALVALADE!

                                          Arquivo "Diário de Notícias"










Arquivo "Diário de Notícias"




















14 de Setembro de 1990. Rumo ao Estádio de Alvalade, que era para ser o Restelo, viajamos à bolina do Porto para Lisboa na companhia dos amigos HugTheDj, mastigamos qualquer coisa rápido numa "lanchonette" e saltamos para o meio dos vinte mil que esperavam David Bowie há muito tempo. Ontem, via RTP Memória, foi com um nozinho na garganta e um brilhozinho nos olhos que recordamos essa noite para todos os efeitos memorável que, na altura, a RTP transmitiu (em directo?) e onde desfilaram as canções que todos queríamos sentir! Não percam (grande serviço público)!



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

DAVID BOWIE (1947-2016)
















Não saberíamos nunca como dar esta notícia porque, mesmo não parecendo, David Bowie era mesmo deste mundo de terra azul. A sua morte, tal como a sua vida, será sempre um misterioso ponto de partida... Peace!    

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

FAMÍLIA VOLEIBOLÍSTICA!




















Estes quatro miúdos de Cheltenham, Filadélfia, E.U.A., andam a estudar juntos (?) na mesma escola e decidiram formar uma banda, o que acontece, e ainda bem, um pouco por toda a parte. Surpresa agradável e inédita (?) é o nome artístico escolhido para o projecto - Family Volleyball! Nós que durante anos a fio sempre fizemos parte de uma dita família voleibolística, ligação umbilical cada vez mais informal que ainda mantemos às sextas-feiras à noite, só temos é que que lhes dar os parabéns mesmo não sabendo se são praticantes da modalidade mais bonita à face da terra ou se, simplesmente, escolheram o nome porque soa bem. Quanto à música, há já dois Ep's editados cheios de guitarras atraentes e uma sessão no programa "The Key Studio Sessions " da WXPN, rádio universitária da cidade, onde se confirmam todas as esperanças... voleibolísticas!              

THE INNOCENCE MISSION, DE OLHOS EM BICO!





















Sobre os The Innocence Mission é melhor tentar não dizer muito... basta ouvir as suas canções e os seus discos como o último editado em Outubro passado para os transformar num caso de avareza sonora que queremos só nosso, só para nós! Para acompanhar a edição desse último álbum pela Ásia, a editora japonesa P-Vine convidou o crítico musical Yuki Yamamoto para escolher duas dúzias de canções da dupla Karen e Don Peris a incluir numa compilação exclusiva chamada "For Quiet Corner" com a habitual e linda capa a cargo da própria Karen. Entre versões e um inédito, há pérolas atrás de pérolas para ouvir enquanto a chuva cai ao jeito de um desumidificador sonoro que nos aquece sem contemplações. Não resistimos, contudo, a trazer até aqui este encantador "When the One Flowered Suitcase" do recente "Hello I Feel The Same" numa versão radiofónica enquanto suspiramos por uns raios de sol...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

BOWIE VINTAGE!

É puro deleite...

STONES EM EXIBIÇÃO














É uma das grandes exposições marcadas para o novo ano e promete! Os Rolling Stones e tudo à volta a partir de 5 de Abril na Saachi Gallery de Londres num projecto apropriadamente intitulado "Exhibitionism". Já há bilhetes. Dá mais que vontade de regressar a terras britânicas...




quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

BOM ANO!

Every night before I go to sleep
Find a ticket, win a lottery
Scoop the pearls up from the sea
Cash them in and buy you all the things you need


Assim seja... UM GRANDE 2016!

(RE)LIDO #68





















VIDA DUPLA
de Sérgio Godinho. Lisboa; Quetzal, 2014
As histórias contadas por Sérgio Godinho em formato de canção são, no âmbito de uma suposta hierarquia da música popular portuguesa, do melhor que a lusofonia conheceu nas últimas décadas. Como ouvimos de viva voz em 2012, as influências ou estilos são certamente diversos mas a sua inquietude permanente confirma uma irreverência artística que nunca se confinou à música e cedo se espalhou ao guionismo para cinema, às peças de teatro, histórias infantis, poesia ou crónicas como as que se reuniram em "40 Caríssimas Canções". Faltava a estreia na ficção dita adulta que aconteceu o ano passado com "Vida Dupla", um conjunto solto de nove histórias na primeira pessoa e que teve como ponto de partida o conto "Notas Soltas da Corda e do Carrasco", um encomenda da já extinta Biblioteca Digital do "Diário de Notícias" iniciada em 2012. Como sempre, é a vida quotidiana e as suas perturbações (in)comuns o principal campo de manobra ficcional do multifacetado autor sem que, contudo, alguns dos personagens não pareçam pertencer a este mundo terreno de que é exemplo a cavaleira de "O Circo de Três Pistas", um fabuloso conto que dá vontade que não acabe. Esse é mesmo um dos "problemas" do livro - quando já estamos envolvidos e absortos a história termina ao jeito, lá está, de uma canção sem tempo nem lugar. Com setenta anos de vida completados este ano e uma longa vida artística, de Sérgio Godinho só podemos esperar que estes pequenos enredos se transformem algum dia em grandes canções destinadas a encantar. Como esta pré-história...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

THE LAST SHADOW PUPPETS NA (NO?) PRIMAVERA















A dupla maravilha Alex Turner e Miles Kane, ou seja, os The Lat Shadow Puppets que surpreenderam meio mundo em 2008 com o álbum de estreia "The Age of Understatement", tem regresso marcado para a primavera do próximo ano. Certa é a insistência no mesmo produtor, James Ford e no mesmo arranjador, nada mais nada menos que Owen Pallett! Aqui ficam dois teasers saídos das câmaras de amigos e namoradas. Esperamos encontrá-los num parque à beira-mar em plena Primavera...



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

WHAT WOULD NICK DRAKE DO?











A resposta à pergunta que surge quase imperceptível e em coro logo no início de uma canção chamada "Nick Drake" é inconsequente... A autora da façanha nada inédita (por exemplo, já os Mogwai o tinham feito há muito) tem o nome artístico de Miynt, uma jovem sueca que escreve e produz os seus próprios temas ao jeito dos MO, Oh Land ou Lana Del Rey. Ao longo de 2015 foi fazendo um pequeno furor na rede que resultou num sete polegadas em vinil e uma versão orelhuda de "Baby One More Time" de Britney Spears. Certo é que a tal Miynt não se sai nada mal e a inspiração confessada em Drake talvez não seja descabida... mas, já agora, alguém arrisca hipóteses sobre o que Nick Drake faria ao ouvir isto?
       






segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

RADIOBOND!

“Last year we were asked to write a theme tune for the Bond movie Spectre. Yes we were. It didn’t work out, but became something of our own, which we love very much. As the year closes we thought you might like to hear it. Merry Christmas. May the force be with you.” 

Radiohead 

Obrigadinho... é só decarregar!


JACCO GARDNER NO BERÇO!













Caído do céu, está agendado para dia 23 de Janeiro, sábado, um concerto do fabuloso Jacco Gardner no Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor em Guimarães, por sinal o único por terras lusas no âmbito do arranque da nova digressão europeia. Por todas as razões, imperdível... o bilhete custa 3€!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

BOM NATAL!

SINGLES #37





















FRANK SINATRA Chante Noel
Whatever Happened To Christmas? / I Wouldn''t Trade Christmas
France, RV.20186, Reprise Records, 45 RPM, 1968
Em 1968 Frank Sinatra reuniu Nancy, Tina e Frank Jr., filhos do primeiro casamento com Nancy Barbato, convocou dois dos seus melhores colaboradores e compositores- Nelson Riddle e Don Costa - e gravou um álbum inteiro de canções de Natal a que chamou "The Sinatra Familly Wish You a Merry Christmas". Ainda hoje uma raridade em vinil, o disco, apesar de alguns desequilíbrios, tem aquela aura "good feeling" muito por culpa das orquestrações quase pop de Don Costa e de uma produção sem mácula do habitual Sonny Burke, mas o projecto seria mais uma daquelas apostas arriscadas do Old Blue Eyes, numa época conturbada da sua vida artisticamente chamada "The Reprise Years" e que, mesmo assim, nos deu fabulosos álbuns como os que gravou com António Carlos Jobim. A presença a solo da sua voz nesta reunião de família resume-se a dois temas: "The Christmas Waltz" e "Whatever Happenned To Christmas?" que encabeçou um single de vinil com várias edições (a francesa, que aqui trazemos, parece ser desconhecida) e que constitui mais uma grande canção só ao jeito de Sinatra, remetendo-nos para uma nostalgia natalícia que todos vamos vivendo à medida que os anos passam. O que é feito do Natal? (suspiro...)




UAUU #295

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

(RE)LIDO #67





















BOB DYLAN
Forever Young
New York; Life Books, 2012
Agora que se aproximam os 75 anos de Bob Dylan, convertendo 2016 num ano especialmente apetecível para uma intensa digressão (para já só o Japão está confirmado) que, quem sabe, chegará até cá (allô Primavera Sound Porto... we've got a feeling! ) e, certamente, intermináveis comemorações disco e videográficas, nada como começar pelo princípio. Este livro saído do arquivo da mítica revista Life é o perfeito exemplo do que deverá ser uma excelente introdução ao mundo longínquo de Dylan para o grande público, um desígnio que sempre acompanhou a famosa publicação americana, mas que sem dificuldade se estende a aficionados na demanda de pormenores ou, principalmente, imagens raras e desconhecidas. Impresso em papel couché de brilho fácil revelando todo o fascínio das fotografias a preto-e-branco, a quase centena de páginas demonstra o habitual bom gosto da paginação numa forma clássica de intercalar as imagens com uma escrita escorreita e altamente credenciada e documentada sobre o eternamente jovem Dylan, desde a chegada a Nova Iorque em 1962 até fases mais recentes, dos Travelling Wilburys, doutroramentos Honoris Causa ou idas à Casa Branca de Barack Obama. A faceta intitulada "Dylan at the Movies", o que nos sugere a homenagem de um certo colectivo escocês, relembra-nos que o homem até um Óscar já ganhou com uma grande canção, num curriculum na sétima arte simplesmente intocável, continuando a sua vida pessoal a ser ainda hoje um incontornável mistério. Por pouco menos de 20€, este é sem dúvida um verdadeiro achado para a compreensão ou o adensar das incógnitas e surpresas - veja-se o fabuloso álbum de versões de Sinatra saído este ano - sobre uma das últimas lendas vivas da história da música popular.


UAUU #294

(RE)LIDO #66





















THE LOOK
Adventures in Rock & Pop Fashion
de Paul Gorman: London; Adelita, 2006
A ligação eterna entre a moda e a música ou vice-versa permitiria, certamente, organizar uma enciclopédia de uma vintena de volumes e ainda alguns anexos remissivos. O que Paul Gorman se propôs há quase dez anos tem, no entanto, um fio condutor bem definido e decisivo - Londres, cidade sempre na vanguarda destas duas expressões artísticas embora o início de tamanha aliança pecaminosa passe obrigatoriamente, nos anos cinquenta, pela americana Memphis de Elvis Presley, lenda em destaque merecido e infalível na capa e primeiras páginas deste magnífico álbum visual e histórico. Depois tudo se precipitou por terras de Sua Majestade numa avalanche de tendências e loucuras que a explosão da música pop incendiou, passando a ser muitos os figurões que entram porta dentro das novas lojas atraídos por amigos modistas de vanguarda, amizades que o livro documenta na perfeição ao longo de 31 capítulos. Esses "figurões" são quase sempre de elevado calibre, de Miles Davis, aos Stones, ao lado de Jimmy Hendrix, Bowie, Roxy Music, The Who, Sex Pistols ou os The Clash e as suas meias brancas, tocando, claro, nos The Beatles em fase psicadélica e o fiasco da Apple Boutique, três andares numa esquina londrina que durou oito meses e custou, na altura, 100.000 libras esterlinas! Curiosidades e extravagâncias são muitas mas não resistimos a destacar o pormenor daqueles estranhos sapatos que Nick Drake tem descalçados na capa do álbum "Bryter Later" (1971), afinal uma criação da influente loja Mr. Freedom de King's Road e a referência a uma tal "Plazza", marca portuguesa (!) para a qual o afamado Antony Price desenhou, por volta de 1975, as primeiras t-shirts de mangas ultra-curtas tão ao gosto de muitos rockers. Mais próximo da nossa geração, ou seja, os anos oitenta trouxeram personagens arrojados como Kevin Rowland em figuras tristes e os seus Dexy's Midnight Runners ou o visionário Malcolm Mclaren, mas a obra não deixa de destacar a "gaulteriana" Madonna, Andre 3000, as Spice Girls e o auto-didatismo de uma sempre brilhante Alison Goldfrapp. Ou seja, um livro que, sendo já uma peça de colecção a precisar de actualização, constitui ainda uma referência para o estudo da cultura contemporânea na sua expressão ocidental a que se acrescenta uma excelente selecção de canções que cabem num magnífico CD de bónus.






segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

SHARON JONES DE SECRETÁRIA!

UAUU #293

(RE)LIDO #65





















OS BEATLES POPULARES
Os Beatles na Imprensa Portuguesa
1963-1970: Os Jornais
de Abel Soares Rosa. Lisboa: Blogue Beatles Forever, 2015
A saga de Abel Rosa tem neste final do ano um novo capítulo, talvez o último: mais uma compilação de notícias em jornais onde os The Beatles como banda ou a solo tiveram destaque, principalmente numa trilogia de diários lisboetas constituída pelo "Diário de Lisboa", o "Diário de Notícias" e o "Diário Popular", tendo este último servido de inspiração para o cabeçalho da capa e título do livro. Pena que a diversidade não seja mais abrangente, talvez mesmo porque não existiu, mas atendendo a que só no Porto saíam neste período três jornais centenários que amiúde lá vão aparecendo reproduzidos (de "O Comércio do Porto" não há uma única referência!), significa que pela Invicta os Fab Four não seriam assim tão populares... ou então a linha editorial era de certeza mais conservadora. Tal como anteriormente, a primazia recai, obviamente, sobre o fait-divers, o superficial ou sensacional mas há excepções: por exemplo, a interessante entrevista de Joaquim Letria a Paul McCartney em Albufeira ("O Sansão era da Bíblia... a nossa força não reside nos cabelos" in "Diário de Lisboa", 30 de Maio de 1965) mas é bom constatar que a unanimidade da época sobre os ingleses era, mesmo entre os mais jovens, inexistente. Uma jovem loura portuguesa responde mesmo que os Beatles "não têm qualquer interesse. Não gosto deles. Não me satisfazem, nem como estilo de música nem como figuras. Prefiro, então, a Françoise Hardy ou a Sylvie Vartan" ("Diário de Lisboa", 31 de Maio de 1965). Ora toma! Um dos textos introdutórios da autoria de Afonso Cortez ("A popularidade dos Beatles Nunca Foi Grande Entre Nós", pág 2 e 3) ajuda talvez a perceber o fenómeno invertido, mas a conclusão a que já fomos aludindo aquando da leituras dos capítulos anteriores desta série é que, como fenómeno musical e social importantes, os The Beatles foram por cá simplesmente ignorados e desprezados, contrariando o vaticínio da época de Mahrashi Maresh, guru da meditação transcendental, sobre os seus pupilos: "Os Beatles são os maiores filósofos práticos deste século..." (in "Diário de Lisboa", 29 de Agosto de 1967). Helllo!

sábado, 19 de dezembro de 2015

IRMÃOS MARSHALL: O LIVRO + DISCO





















O nome artístico de King Krule esconde a história do miúdo inglês Archy Marshall, um caso sério de talento que tem na música a expressão mais visível e reveladora e que conhece agora uma outra dimensão. Ao lado do irmão Jack, o processo criativo abrange outras artes como a poesia ou a pintura na casa do Sul de Londres que se vê agora revelado através de um fabuloso livro projecto chamado "A New Place 2 Drown" e que se estica ainda a um envolvente disco de 12 pequenos temas já disponíveis digitalmente via Amazon inglesa. O pequeno filme da responsabilidade de Will Robson Scott aqui abaixo só serve para fazer crescer o apetite...