terça-feira, 5 de abril de 2016
(RE)LIDO #71
NIRVANA
by Steve Gullick e Stephen Sweet (photographs)
London: Vision On Publishing Ltd., 2001
Passam hoje vinte e dois anos sobre a morte de Kurt Cobain. Vivemos esse dia com uma tristeza que disfarçava, sem escrúpulos e muito egoísmo, algum alívio. Os Nirvana caminhavam para uma massificação perigosa e Cobain, em rota previsível de colisão, agoniava-nos com uma infindável sequência de altos e baixos. Estivemos lá em Cascais uns dias antes (6 de Fevereiro) e, apesar de tudo, o concerto encheu-nos as medidas pelo vigor da massa sonora, pela rigidez adquirida ou não de um Cobain bem comportado e bem secundado. Depois do fatídico 5 de Abril de 1994 desligamos a corrente sobre uma história mexericada já demasiadas vezes contada e recontada e que quase sempre incluí uma série de sinónimos da maldita palavra arrogância. Há uns bons tempos, em plena Vandoma, demos de caras com este livro que desconhecíamos no meio de edições douradas do Eça e atlas do Circulo de Leitores e folheando as suas páginas a preto e branco com fotografias sorridentes e alegres acabamos por trazê-lo sem muito custo para casa. São imagens, algumas que se tornariam clássicas, que dois fotógrafos ingleses conseguiram no auge de uma banda em crescimento rápido, demasiado rápido, desde o London Astoria em 1989 até aos largos recintos da Pensilvânia já em 1993. A cumplicidade deste conjunto salta a olhos vistos, seja em ensaios caóticos, conferências de imprensa, backstages em modo de assalto e, acima de tudo, brilhantes panorâmicas de palcos e multidões em delírio, uma experiência marcante para, por exemplo, Steve Gullick que continua a desbravar o filão sem preconceitos. Um documento notável que prova a bondade de um mito da música moderna e que sempre vimos como um tipo sereno sentado num sofá a dedilhar uma guitarra como na capa escolhida ou, calmo, fumando um cigarro nos camarins do desaparecido pavilhão de Cascais... Come as you are!
segunda-feira, 4 de abril de 2016
DEAD COMBO e AS CORDAS DA MÁ FAMA, Casa da Música, 2 de Abril de 2016
![]() |
| Fotografia de Paulo Homem de Melo / Glam Magazine |
Depois de cidades como Lisboa, Ponta Delgada, Guimarães ou Évora, a chegada a bom Porto do espectáculo dos Dead Combo e As Cordas da Má Fama estreado em 2015 mereceu casa cheia e expectativa elevada. Continuamente inquieto e permeável e na sequência da anterior experiência com o grupo de metais da Royal Orquestra das Caveiras que deu direito até a gravação de um DVD, o duo lisboeta mudou de flanco e a jogada envolve agora um trio de cordas para, supostamente, desconstruir os temas originais. Cenário a rigor - um género de tasca-chique onde as mesas são efectivamente servidas de bebidas o que inclui os próprios músicos, obviamente - questionamos várias vezes ao longo do serão se todos estes apetrechos, o cenário e o tal trio, serão necessários para que a música dos Dead Combo alcance o seu efeito reconhecidamente vibrante. Há muito que viajamos com eles por "paisagens" de cowboys, ruas estreitas e pregões de varinas ou fadunchos de esquina e palito na boca, uma "cinematografia" que rapidamente ganhou fama e traquejo e que Tó Trips e Pedro Gonçalves não dispensaram de vincar na primeira meia-hora do serão em pedaços magníficos raçados de fado como "B.Leza" ou "Esse Olhar Que Era Teu". Quando se juntaram os tais mal afamados não foi fácil, confessamos, "engolir" a receita embora os últimos discos contenham já uma multiplicidade instrumental e sonora que reinventa sem contemplações alguma da rudeza de há dez anos atrás. Tal como uma afamada infusão, a "coisa" lá se foi entranhando mas o entusiasmo da plateia só mesmo no encore arribou em força talvez porque, sem bebida por perto como alguns privilegiados, a "cura" demorasse mais tempo a aportar...
domingo, 3 de abril de 2016
BOB DYLAN, BENDITA MELANCOLIA!
No seguimento do excelente disco "Shadows In The Night" só com versões de temas de Frank Sinatra, Bob Dylan parece empenhado em prolongar o desafio. Um Ep em formato CD originalmente saído aquando da recente digressão japonesa com mais quatro oldies da mesma cepa foi um sinal e sabe-se agora que eles farão parte de um outro álbum a editar em Maio pela Columbia chamado "Fallen Angels". Quanto ao referido Ep, o milagroso Record Store Day será a oportunidade certa para passar a vinil encarnado as quatro canções: "Melancholy Mood", "All Or Nothing At All", Come Rain Or Come Shine" e "That Old Black Magic". A primeira versão, que Sinatra cantava com a James Orchestra em 1939, tem sido apresentada ao vivo de forma quase obrigatória e na rede há para já este doce pedacinho registado aquando da passagem por Paris. Lembramos que Dylan fará 75 anos em 24 de Maio e todos os motivos são bons para comemorar...
quinta-feira, 31 de março de 2016
LLOYD COLE, É ANO DE RETROSPECTIVA!
O rol de actuações ao vivo em Portugal de Lloyd Cole é certamente incontável. Nos últimos anos não deixou de marcar presença para vincar o lado mais rock de "Standards" editado em 2013 que apresentou no Mistyfest e, pouco tempo depois, por diversas cidades nacionais, mas a sua aventura electrónica valeu-lhe um amargo de boca com o cancelamento de dois concertos por cá em Setembro passado. Ora bem, tudo se encaminha para um regresso... Há já cinco datas marcadas para Espanha no final de Setembro e início de Outubro (29 de Setembro, Vigo) o que leva supor que, antes ou depois, a digressão acabe por chegar a solo português. Prometida está a obrigação de cumprir setlists retrospectivas somente com material gravado entre 1983 e 1996 onde terá a participação especial do filho Will Cole com quem, aliás, registou um excelente disco acústico em 2012 e também, em algumas datas, a companhia dos The Leopards, a banda que substitui os originais Commontions. Na peugada de uma primeira caixa retrospectiva - "Collected Recordings 1983-1989" - uma segunda dose a sair em Setembro incluirá material compreendido entre 1989 e 1996, ou seja, os primeiros quatro álbuns a solo, um famoso quinto "disco perdido" e uma imensidão de raridades, demos e videos. Prometido está também o regresso à série "Folksinger" cujo terceiro volume será registado em estúdio em Maio com pequenas audiências de 25 pessoas e tudo aponta para um Lloyd Cole em grande forma tal como como nos velhos tempos. Aqui fica esta brilhante sessão de rádio para o provar.
JACK "GREEN" WHITE
O episódio final dos "Marretas" emitido nos E.U.A. no passado dia 1 de Março teve a participação especial de Jack White que, desafiado previamente pelo desesperado sapo Cocas a impressionar a amada Miss Pig, pegou em "You Are The Sunshine Of My Life" de Stevie Wonder e tocou-a à sua maneira e à maneira da marretada e a sua The Eclectric Mayhen Band... Pelo meio há nesta história outras canções como "It's Not Easy Being Green" e o impagável "Fell In Love With A Girl". O melhor é que a versão do clássico de Wonder terá edição em rodela pequena de vinil verde no próximo Record Store Day. O pior é que tamanho docinho só estará à venda nas lojas americanas da Third Man Records. Que raiva...verde!
quarta-feira, 30 de março de 2016
KRISTIN McCLEMENT NO FINAL DE ABRIL

A cantautora Kristin McClement tem pelo menos duas datas marcadas para apresentações ao vivo no final do próximo mês de Abril: a 27, quarta-feira, estará em Bragança e no Sábado seguinte em Coimbra, havendo por aqui dois dias de intervalo para, eventualmente, outras cidades. Nascida na África do Sul mas há muito radicada em Inglaterra, McClement editou em 2015 o álbum de estreia intitulado "The Wild Grips", resultado lógico de uma maturação folk que teve a ajuda na produção de Christian Hardy dos Leisure Society para quem, alíás, assegurou algumas primeiras partes da digressão na primavera passada. Integrada no grupo Wilkommen Collective com sede em Brighton, é partir de lá que, aos poucos e com a ajuda de Joel Owens na bateria, a sua aura brilhante alcançou já a Itália e a França. Chegou a nossa vez!
SCOTT MATTHEWS, SOZINHO EM CASA 2
Tal como sugeria o título do último álbum - "Home Part 1" - surge agora a continuação prometida de sedução a que Scott Mathews nos habituou. "Home Part 2" estará em pré-venda já na sexta-feira via Shedio Records a que se seguirá uma intensa digressão britânica. Por agora, que tal uma amostra perfumada chamada "Drifter"?
terça-feira, 29 de março de 2016
NILS FRAHM, RESTOS DE COLECÇÃO
EXIT NORTH, UMA NOVA SAÍDA!
![]() |
| Feiner e Jansen |
Um segredo bem guardado anda em ensaios por Gotemburgo há alguns meses mas só agora alguém na imprensa sueca o descobriu: Steve Jansen (Japan), Thomas Feiner, Ulf Jansson e Charlie Storm (Hisings) vão gravar um álbum para sair no Verão sob o grande nome de Exit North. Não há, para já, qualquer vestígio sonoro do resultado de tamanha colaboração, mas não será especulativo adivinhar que vamos ter certamente um disco de apelo grandioso e catártico. Feiner tinha já colaborado com Jansen na gravação de "Slope", disco de estreia a solo do baterista dos Japan editado em 2007 pela Samadhi Sound do amigo David Sylvian. Siga para norte!
segunda-feira, 28 de março de 2016
WILCO A 300 QUILÓMETROS!
No âmbito da digressão "Star Wars" que andará por Espanha no final de Junho e início de Julho, os maravilhosos Wilco confirmaram um concerto na Corunha no dia 29 de Junho, praticamente a 300 quilómetros do Porto. Será no Palácio de La Opera e os bilhetes estarão à venda a partir de amanhã por aqui. Desafiador!
quinta-feira, 24 de março de 2016
PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #17
Nas férias escolares da Páscoa e com a chegada da Primavera, era certa uma ida à baixa do Porto para uma série de afazeres e compras da época na companhia da nossa mãe e, já agora, uma escapadela à Valentim de Carvalho da Rua 31 de Janeiro. Foi lá, afinal, que tudo começou com duas K7's dos The Beatles, uma história que já contamos por aqui e que nunca mais parou... Mantemos é uma dúvida sobre o efectivo local da loja que julgamos se ter situado, descendo a rua à esquerda, entre os números 210 e 220. Temos a memória de um espaço comprido e com um andar superior que os actuais e enormes vidros destes dois prédios sugerem, embora a Vadeca (as duas iniciais do nome da empresa) fosse um "acrescento" posterior da casa mãe situada mais abaixo no número 176, mesmo ao lado da vistosa Casa Vicent. Lá foi instalado um estúdio de gravação, como se comprova pelo anúncio de imprensa dos anos 40 recolhido pelo blog Restos de Colecção, mas não temos a certeza se funcionou também como espaço comercial. O famoso logótipo da empresa - um V e um C embutidos num disco de vinil - é atribuído ao arquitecto Conceição e Silva e a empresa fundada em 1824 marcou a história de toda a música do país, um assinalável sucesso que teria um final trágico em 2009. Antes, a aposta forte na abertura de lojas - em 2001 eram 24 mas já em dificuldades- de oferta múltipla, de livros a instrumentos musicais, passando pelo DVD ou jogos de computador e espaços de cafetaria, seria uma fuga para a frente que o advento do mp3 haveria de ferir de morte tal como aconteceu a projectos quase paralelos semelhantes (é só lembrar os casos da Virgin, da Bulhosas ou a Megastore Roma no Bolhão). Nesta loja da baixa portuense compramos discos em vinil sem conta - o mais importantes dos Beatles, Pink Floyd e alguns Rolling Stones - e em plenos anos 90, aquando do definhar do formato, acabamos por adquirir uma imensidão de outros bandas e artistas cujos catálogos (da Island, nomeadamente) estavam ao desbarato (p. ex. John Cale). Fizemos, neste âmbito, algumas boas descobertas (os The Innocence Misson!), corremos riscos, cometemos gaffes e vasculhamos com êxito até em K7's VHS, mas rapidamente o monstro FNAC haveria de se instalar (1998) confortavelmente no negócio, aniquilando qualquer concorrência que só mesmo o Carrefour de VNGaia aguentou durante algum tempo.
| Vadeca (?), Rua 31 de Janeiro, 210 ou 220, Porto |
| Estúdio Valentim de Carvalho, Rua St. António, 176, Porto |
quarta-feira, 23 de março de 2016
MATT ELLIOTT, CALMARIA MATURA!
Já em álbuns anteriores Matt Elliott tinha ameaçado a perfeição. Com o recente "The Calm Before", o sétimo disco de uma obra assinalável, o inglês alcança uma maturidade luminosa que brilha do princípio ao fim em temas ofuscantes como "The Allegory of the Cave", "Wings & Crown" e o magistral tema título, quase quinze minutos de beatitude que deveria ser inquestionável em qualquer lista acertada de canções do ano. Mas, logo agora que foi tomado por tamanha inspiração, o regresso ao Porto não aconteceu na actual digressão sabe-se lá porquê (fomos "roubados" pelos amigos galegos), sendo exigível que o reencontro não demore muito tempo. Tendo em conta que Elliott já passou, salvo o erro, pelo Mercedes, pelo ténis de Serralves, pelos Maus Hábitos, pela extinta Jo Jo's ou pela Casa da Música, há ainda pelo menos meia dúzia de espaços e salas que ainda não foram experimentadas...
GLENN JONES EM ESPINHO
Era só para avisar que um senhor bem grande da guitarra primitiva americana estará em Espinho a 6 de Maio próximo, concerto que repete no dia seguinte em Bragança. Chama-se Glenn Jones, já por cá anda a fazer milagres à volta de meia dúzia de cordas desde 2004 e o seu sexto álbum "Fleeting", gravado na casa de um amigo em New Jersey (foto), foi editado pela Thrill Jockey na passada sexta-feira. Prometidos estão "tremores" como estes...
terça-feira, 22 de março de 2016
WILLIS EARL BEAL, NA PENUMBRA!
A promessa de um simples EP de Willis Earl Beal com data prevista de saída para dia 1 de Abril não deve ser levada a sério. É que o disco é quase um álbum, ou não fossem oito faixas mais que suficientes para, certamente, fazer magia sonora. O tema título "Through The Dark" agora divulgado é uma prova cabal dessa potencialidade resultante de um encontro imediato na via pública com um tal Nathan Gibson logo transformado em novo produtor e colaborador. Beal tem concerto marcado para Lisboa para o próximo dia 13 de Abril e só é pena que a viagem nocturna não se estique mais a norte...
segunda-feira, 21 de março de 2016
UM POEMA NOSSO!

Há precisamente 40 anos a XIII edição do Festival da Canção que se realizou em duas datas de Fevereiro e Março de 1976 decorreu de forma inédita - o convite polémico da RTP a Carlos do Carmo para interpretar as oito canções seleccionadas mediante candidatura prévia dos compositores e letristas, resultou numa qualidade geral excepcional e talvez inigualável onde se destacam temas clássicos como "Estrela da Tarde", "Cantiga de Maio", "Novo Fado Alegre" e "Flor de Verde Pinho" que acabaria a eleita pelos votos do público. Todas viriam a fazer parte de um álbum curiosamente chamado "Uma Canção Para Europa" gravado ainda nesse ano e do qual existem em vinil, pelo menos, duas e raras versões. Seria, entretanto, reeditado em 2013 nos âmbito das comemorações dos 50 anos de carreira de Carlos do Carmo.
Mas há uma dessas canções que, no nosso caso, se tornou inesquecível. Classificada em terceiro lugar na tal votação pública, "No Teu Poema" é talvez o exemplo máximo do que deve ser um poema musicado, um legado de uma "portugalidade" sem tempo e que nos estremece sempre que o ouvimos. O autor de tal proeza chama-se José Luís Tinoco, um talentoso e multifacetado artista que foi devidamente reconhecido o ano passado com o Prémio de Consagração de Carreira pela Sociedade Portuguesa de Autores e que, sem se assumir como poeta, escreveu para todo sempre "o" poema que acaba por ser nosso e de ninguém. Merecia ser lido e proclamado em voz alta neste Dia Mundial da Poesia e em todos os outros dias...
No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha
No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
e um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda me escapa
e um verso em branco à espera do futuro
(José Luis Tinoco, 1976)
sexta-feira, 18 de março de 2016
MEMORABILIA #20
A propósito da segunda edição do Piano Day, uma ideia de Nilhs Frahm que se celebra no dia 28 de Março um pouco por todo o mundo (imperdível a playlist resultante do evento de 2015!), fomos ao baú resgatar o nosso velhinho e maltratado piano de miúdo, uma prenda nada inocente dos padrinhos já lá vão mais de 40 anos! A peça em madeira com pouco menos de 40 cm estava, coitada, com mazelas difíceis de curar como alguns furinhos de infestação de caruncho (correctamente designado por Anobium puncataum, para que conste) e a falta de múltiplas cordas de metal, o que torna impossível a execução do instrumento. De resto, como se comprova pelas imagens, a madeira avermelhada adquiriu aquela patine que só o tempo consegue alcançar e que é quase um pecado tentar disfarçar, mantendo assim um aspecto milagrosamente saudável. O pequeno logótipo a verde no canto superior esquerdo refere-se à fábrica Claudio Reig, casa espanhola com sede em Alicante que ainda hoje produz brinquedos semelhantes e que ganhou notoriedade precisamente na construção e comercialização de instrumentos musicais em madeira, actividade que conta já mais de 75 anos. De tradição musical, a família mais próxima tentou sempre incutir-nos o gosto pela música e esta prenda de aniversário comprada, quase de certeza, no mítico Bazar Paris da Rua da Bandeira era só uma primeira e estratégica abordagem à aprendizagem do piano que, pouco tempo depois, haveria de começar. Sessões de solfejo, escalas repetidas, leitura de pautas que um dedicado avô paterno pacientemente nos ensinou, são hoje uma espécie de memória virtual já que dessa prática nada guardamos, sendo um teclado de um piano um quebra-cabeças indecifrável. Obviamente que o brinquedo servia para uma série infindável de tropelias que iam para além do simples carregar nas teclas: retirada a tampa frontal, o pequeno compartimento guardava "tesouros" como ovos de rola, escondia personagens de plástico como os terríveis Snorre ou o Tjure dos Vikings ou o local perfeito para uma garagem anárquica de carrinhos metálicos! Sendo assim, raramente nos sentamos no chão ao jeito do Schroeder que líamos e víamos nos álbuns do Carlitos/Charlie Brown para tocar seja o que fosse, mas também não tínhamos a companhia de nenhum Snoopy inspirador... Viva o piano!
(sugestão para hoje: Quentin Serjacq no Salão Brazil de Coimbra)
quinta-feira, 17 de março de 2016
SUSANNA, TRIÂNGULO DE 23 LADOS!
Um novo disco da norueguesa Susanna é sempre uma boa notícia. Desta vez a aventura incluirá 23 canções registadas em Oslo e Los Angeles e receberá o título de "Triangle", álbum produzido, composto, arranjado e totalmente tocado pela própria! O regresso aos originais, o que já não acontecia desde 2012, tem data marcada de saída para 22 de Abril na casa da artista também conhecida por Susanna Sonata. Aqui ficam os dois primeiros lados, um deles animado!
(RE)LIDO #70
UMA RAPARIGA ENDIABRADA
de Nick Hornby. Lisboa: Porto Editora, 2015
Temos por Nick Hornby uma assolapada paixão literária enraizada desde "Alta Fidelidade" (1995), obra notável que o cinema cedo se encarregou de escolher para uma adaptação brilhante e um John Cuzack a todos os níveis memorável. Tamanha atracção tem no mundo da música e em tudo o que o rodeia o principal condimento que Hornby usa, quase sempre com êxito, como aglutinador de enredos e novelas, um recurso que domina e preza de forma perfeita e pertinente. Quando partimos para este "Uma Rapariga Endiabrada" já sabíamos do contexto "anos sessenta em Inglaterra", televisão a preto e branco e uma sitcom "marido/ mulher" - "Barbara (and Jim)" - como fio condutor, o que pressupunha, julgávamos, muitas conexões, lá está, à explosão pop-rock desses tempos de que os The Beatles foram o principal fenómeno. Mas, e esta é logo a principal desilusão, sobre essa expectável (?) abordagem o livro passa completamente ao lado, centrando-se no fenómeno televisivo de forma exagerada e desmotivante, acabando por transformar a sua leitura num tormento sem explicação. Claro que Hornby continua, mesmo assim, a demonstrar todo o seu talento na recriação difícil de um programa de TV que nunca existiu na realidade e que, cedo o percebemos, requisitou uma assinalável pesquisa. O esforço pode funcionar como "o tributo de Nick Hornby à idade de ouro do entretenimento", como se imprime na capa em jeito de sub-título, mas que não chega para elevá-lo ao estatuto de "o mais ambicioso romance até à data..." o que é quase um insulto a muitos das suas obras anteriores. Engraçado ("Funny Girl" é o título orignal...) mas sem ser sequer divertido, a boa forma de Hornby sofre aqui, quanto a nós, uma "lesão" momentânea e que, esperemos, seja rapidamente ultrapassada.
quarta-feira, 16 de março de 2016
MARK KOZELEK, SOZINHO EM MATOSINHOS!
Ora bem, segundo a Pitchfork os Jesu & Sun Kill Moon tem concerto marcado para o Cineteatro Constantino Nery em Matosinhos para 9 de Julho próximo depois de no dia anterior visitarem o MusicBox de Lisboa. Isto, assim de repente, era capaz de ser um dos irresistíveis recitais de 2016 atendendo a que o álbum que publicaram em Janeiro tem, pelo menos, duas das grandes e longas canções do ano: "Exodus" e "Beautiful You". Agora, olhando ao sempre importante pormenor dos asteriscos, afinal o espectáculo será um solo de Mark Kozelek em palco, não havendo assim a presença dos amigos Justin K. Broadrick (Jesu), Steve Shelley (Sonic Youth) ou Neil Halstead (Slowdive/Mojave 3) com quem tem rodado e continuará a rodar tão fabuloso disco. É pena... mesmo assim, rápido à bilheteira!
terça-feira, 15 de março de 2016
(RE)VISTO #64
SHOW ME YOUR SOUL
de Pascal Forneri, França, Arte, 2013
Canal Arte, 12 de Março de 2016
Pode um programa televisivo de música essencialmente negra, do soul clássico ao funk, do disco ou r&b ao rap, entrar de rompante pela televisão americana e deixar um rasto indelével ao longo de 35 anos? A resposta é sim, chamou-se "Soul Train", nasceu em Chicago, transferiu-se para Los Angeles em 1971 e só parou em 2006 com a Internet. A ousadia e façanha coube a Don Cornelius (1936-2012), o mentor, produtor e apresentador cool de voz barítona e radiofónica que trouxe para a televisão uma verdadeira explosão musical onde James Brown, Tina Turner, Curtis Mayfield, Supremes ou Earth Wind & Fire arrebatavam audiências ao mesmo tempo que um conjunto dedicado e imprevisível de dançarinos aparecia perante as câmaras em roupas extravagantes. É essencialmente sobre essa história glamorosa do acto de desfilar ao som de uma canção soul que este documento aborda de forma quase sociológica, entrevistando os então famosos participantes e coreógrafos da "Soul Train Line", uma imagem de marca que tornou o programa um acto religioso para a comunidade negra americana em pleno período de muita conturbação sócio-política. Os testemunhos de Bobby Womack (foto) e de outros músicos compensam a falta óbvia de impressões do próprio Cornelius que haveria de se suicidar em 2012 depois de uma vida privada tumultuosa e perigosa a que o sucesso do programa rapidamente conduziu. Os convites a artistas não negros como Elton John ou David Bowie ajudariam, ainda mais, para que "Soul Train" atingisse comunidades jovens de todas as raças e credos, um êxito massivo que o groove explosivo do disco sound haveria de tornar imparável e que, curiosamente, só definharia com a chegada do hip-hop e do rap. O advento da MTV seria a estocada final... Um excelente documentário televisivo, simples e eficaz como é habitual neste canal cultural (repete dia 19 de Março e 4 de Abril) e que não pode nem deve ser visto sem uma prévia consulta a um outro programa concebido pelo VH1 em 2010 que aqui deixamos. Obrigatório. Peace, love and soul!
domingo, 13 de março de 2016
sexta-feira, 11 de março de 2016
quinta-feira, 10 de março de 2016
THE LAST SHADOW PUPPETS NO VERÃO?
Apesar da desilusão quanto à não inclusão dos The Last Shadow Puppets no alinhamento do Primavera Sound Porto, voltamos à carga com novo palpite - que tal Paredes de Coura? A banda vai nessa altura andar pela Europa em intensa azáfama e há "vagas" nas datas de 17 a 20 de Agosto (a 19 tocam na Holanda). Vá lá... Certo é que dia 1 de Abril estará cá fora oficialmente o segundo disco "Everything You've Come To Expect" que na sua versão dita luxuosa incluirá, para além da habitual gramagem pesada, um livro de fotografias e um exclusivo 7" de vinil colorido com a canção "The Bourne Identity". Para já, além de "Bad Habbits", ficamos hoje a conhecer o prometedor tema título com direito a video, no mínimo, admiravelmente veraneante!
GNR, Teatro Rivoli, Porto, 9 de Março de 2016
Um irrecusável convite de última hora levou-nos ontem ao Rivoli... Esse monumento pop chamado "Psicopátria" que os GNR gravaram em 1986 faz trinta anos e a ementa para o serão anunciava uma execução de fio-a-pavio da totalidade do álbum que vimos "nascer" ali perto numa ante-véspera de Natal de 1986 no caótico e delirante Auditório Carlos Alberto. A nossa cortina sobre a banda fechou-se, com esforço e desilusão, depois do mega-concerto do estádio das Antas em 1993 para nunca mais se abrir até ontem, ou seja, passados vinte e três anos, já que os fracos apelos criativos e as guinadas sonoras de um dos principais projectos pop-rock portugueses conduziram-nos irremediavelmente à desistência. Valeu a pena o regresso? Sem dúvida. Apesar do som de sala sofrível, apesar de não haver um guitarrista à altura, apesar de algumas fífias vocais mais que habituais mas sempre desculpáveis, a noite valeu pelas canções que rapidamente cantarolamos de forma involuntária, pela boa-disposição do trio progenitor ou pelas sempre sarcásticas mudanças das letras ou apartes em que Reininho é rei, fosga-se! Deu muita vontade de levantar da cadeira e "abanar a estrutura" principalmente quando o alinhamento chegou a "Nova Gente" e "Choque Frontal", um dupla que no disco se tornou um clássico de agitação e que não fora a formalidade e, talvez, a idade do público, devia ter merecido uma invasão do palco a preceito tal como aconteceu naquele Dezembro de 1986. Seja como for, parabéns GNR!
quarta-feira, 9 de março de 2016
ADAM GREEN, UM ALADINO MODERNO!
De Adam Green há que esperar sempre alguma ousadia. É disso que trata "Aladdin", uma película perto da estreia pela América do Norte e que terá versão digital em plataformas globais logo de seguida, onde Green se abalança na direcção e principal papel do personagem de "As Mil e Uma Noites", explorando de forma bizarra temáticas (sempre) actuais como o desenvolvimento tecnológico, a repressão, a ganância ou a pureza do amor. Esta nova aventura, certamente uma pouco mais profissional que a pioneira "The Wrong Ferrari" (inteiramente filmada com um iPhone!!), resulta de uma campanha de recolha de fundos através da Kickstarter, tem entre os actores parceiros o sempre miúdo Macauly "Sozinho em Casa" Culkin e uma banda sonora inteiramente original saída da inspiração acutilante de Green. O brilhante primeiro avanço "Never Lift A Finger" que já adiantamos por aqui prova, mais uma vez, a grandeza e subtileza da composição que motivará uma intensa digressão pela Europa já em Maio. Assim, apesar de ter já visitado Lisboa em 2006 e 2009, é já tempo de voltar para uma apetecível e desejável dose dupla - estrear o filme e, já agora, tocar algumas canções. Será preciso esfregar a lâmpada?
GEORGE MARTIN (1926-2016)
O que teriam sido os The Beatles sem George Martin? A pergunta, talvez inconsequente no dia que marca a sua morte, terá múltiplas respostas. Uma delas, contudo, será comum e abrangente - a música dos Fab Four tem na produção de George Martin (o quinto Beatle...) o condimento milagroso da eternidade, o saber dar a ouvir e a fazer invisível em cima de um palco mas decisivo atrás de uma mesa de mistura. Sir George Martin esteve no Porto em 19 de Outubro de 1995 para conduzir a Orquestra Clássica do Porto num Coliseu cheio, mas não esgotado, num evento patrocinado pela Presidência da República chamado "Beatles Pela Paz". Nem mais... Peace!
terça-feira, 8 de março de 2016
RECORD STORE PRAY 2016
Está já disponível a lista apreciável de edições exclusivas do próximo Record Store Day que se realiza dia 16 de Abril. Como sempre, a prece está dirigida a algumas lojas online e das redondezas onde pode ser que, com sorte, deitemos as mãos a algumas destas "guloseimas".
JEFF BUCKLEY, ELE E ELAS!
Está marcado para a próxima sexta-feira, dia 11, o lançamento do disco "You & I" de Jeff Buckley, uma colectânea de versões e raridades solitárias que aficionados antigos e atentos há muito tempo partilhavam em catadupa religiosa. A vantagem da edição oficial permite, obviamente, um "paladar" mais cristalino e rarefeito dessas pérolas, mas muito sinceramente nada acrescenta em particular ao conhecido e imbatível talento que Buckley, de guitarra em punho, aplicava a canções que, não sendo suas, soam como se o fossem... Aproveitando a "onda" e dando seguimento a uma estratégia previamente testada, o disco vem acompanhado por um novo 7" de vinil à venda no mesmo dia em algumas lojas especializadas, onde se destaca a versão "The Boy With The Thorn Is His Side" dos The Smiths e uma cover ao vivo de "If You Know" da eterna e sempre inspiradora Nina Simone. A propósito e em dia de iluminação feminina, aproveitamos para aqui deixar a melhor versão do disco, essa sim a merecer uma outra rodela pequena!
terça-feira, 1 de março de 2016
RUFUS WAINWRIGHT, SÃO SONETOS!
No ano em que se assinalam os 400 anos da morte de William Shakespeare, a paixão de Rufus Wainwright pelos seus sonetos merecerá a edição de uma selecção de 16 desses célebres 154 poemas em forma de disco na reputada Deutsche Grammophon já em Abril próximo. Para o efeito, Wainwright escolheu boas companhias quer para a execução vocal (para além dele próprio, há contribuições da irmã Martha, de Florence "And The Machine" Welsh e da soprano austríaca Anna Prohaska) quer para a recitação dos versos (onde pontuam os actores William Shatner, Carrie Fisher, Siân Phillips e a amiga Helena Bonham Carter), tudo devidamente orquestrado pela BBC Symphony Orchestra conduzida pelo maestro Jayce Ogren. A nova aventura dá continuidade a uma primeira abordagem ao poeta inglês quando em 2009 foi convidado por Robert Wilson a musicar alguns sonetos e cujo resultado Wainwright haveria de incluir em parte no disco "Songs For Lulu" do ano seguinte. Quatro deles surgirão novamente neste novo álbum "Take All My Loves" em diferentes versões produzidas por Marius de Vries como é caso deste magnífico "A Woman's Face" (Sonnet 20).
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
STRANDED HORSE, UM LUXO!
Passaram já cinco anos desde que o francês Yann Tambour aka Stranded Horse aterrou calmamente no escuro do Passos Manuel. Fomos uns dos poucos felizardos que comparecemos ao chamamento atraídos pela singular história de um músico que, da guitarra clássica, passou para a kora africana, adornando-a à sua maneira, aprendendo e gravando com os melhores (Ballaké Sissoko, p.ex.) e viajando para Dakar para que a inspiração o arrebatasse. Foi de lá que em 2012 se atirou, sem freio, a uma versão de "Transmission" dos Joy Division que repousa num obrigatório 7" em vinil, foi para lá que voltou em 2013 onde testou as suas próprias koras feitas em casa e que evoluíram para um género muito próprio e colorido do instrumento baptizado de "formikora". Já de regresso a lar gaulês, o capítulo seguinte, que está já registado e editado desde final de Janeiro, chama-se simplesmente "Luxe" e conta com colaborações, entre outros, do colega de editora Amaury Ranger dos François And the Atlas Mountains, de Bakoutoubo Dambakhate e Puolo K. com quem gravou o referido 7" e também da contrabaixista francesa Sarah Murcia. Há por lá, claro, uma nova versão que desta vez acertou em "My Name Is Carnival" do imortal Jackson C. Frank e muita sedução que precisava, obrigatoriamente, de ser (re)testada ao vivo. Seria um luxo!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
THE HIGH LLAMAS, ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ!
Sempre que o irlandês Sean O'Hogan se digna editar um disco em nome dos The High Llamas já sabemos o que nos espera. É assim há mais de vinte cinco anos desde que a interessante vida dos Microdisney se finou e uma nova receita sonora nasceu, infalível, sedutora e que imediatamente se reconhece em qualquer hora ou lugar - uma mistura de super-pop, tropicalismo e muita, mas mesmo muita, inocência. Saído em Janeiro passado, "Here Comes The Ratting Trees" é mais um bucólico álbum que dá continuidade à dúzia de outros discos entretanto editados e que resulta de um inédito espectáculo apresentado em Londres em 2014 onde a banda se misturou em palco com alguns actores para uma rábula crítica à vida contemporânea da cidade contada em historinhas. E pronto, tal como uma caixa de música macia que se fixa à caminha com umas fitinhas coloridas, andamos por estes dias embalados com estas doces melodias e um sorriso de "covinha a covinha" que se vai prolongando horas a fio... que bom soninho!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
DAMIEN JURADO, A CONSAGRAÇÃO!
Agora sim, agora que já ouvimos devidamente o disco "Visions of Us on the Land" de Damien Jurado, não será difícil concluir que a trilogia prometida que começou com "Maraqopa" (2012) e teve continuidade com "Brothers and Sisters of the Eternal Son" (2014) tem um epilogo verdadeiramente épico. São dezassete canções de uma imensidão avassaladora onde o mundo muito próprio de Jurado recebe o abençoado e habitual "toque de Midas" de Richard Swift, transformando o álbum num requintado exercício de viagem interior onde se misturam influências, crenças e, acima de tudo, talentos. Como, erradamente, anunciamos há afinal uma data portuguesa (4 de Maio no Musicbox, Lisboa) na digressão prometida para a Primavera pela Península Ibérica (5 datas em Espanha!) e onde Jurado terá, como da última vez, companhia feminina de calibre elevado, cabendo à canadiana Tamara Lindeman aka The Weather Station fazer o obséquio da primeira parte. Aqui ficam, então, três maravilhas: o fresquinho video para a nova "QACHINA", a recordação acústica de "All For You" e uma grande canção do disco "Loyalty" de 2015 dos atraentes The Weather Station.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
sábado, 20 de fevereiro de 2016
MYLES SANKO, Casa da Música, Sala 2, Porto, 19 de Fevereiro de 2016
O regresso de Myles Sanko ao Porto quatro meses depois do concerto com os Incognito não acontece por acaso. Notoriamente, há já um público adulto conquistado e de adesão espontânea que foi "passando a palavra" e o resultado foi uma sala cheia, bem disposta e pronta para a festa que não demorou muito a rebentar. É certo que as canções de Sanko, embebidas nas referências clássicas, não trazem de nada de novo ao sempre válido e intemporal mundo da soul, mas as letras das canções brandidas em coro particularmente pelo mulherio em pré-delírio injustificado, significava que a (alguma) rádio, a rede e a partilha facilitada conduziram Sanko a um fenómeno local (?) que, de inesperado, poderá rapidamente ganhar proporções mais abrangentes. Se os originais ao vivo, tal como nos discos, nos pareceram previsíveis já a cartada que Sanko jogou com uma escolha criteriosas de algumas versões elevou, em muito, o nível do espectáculo. Com a ajuda de um oleado combo de rectaguarda, foi com covers de Otis Redding, Marvin Gaye e até Edwin Collins (o óbvio "A Girl Like You") que o serão permitiu, como sempre, confirmar que o funk, o soul e os seus sempre novos e imortais caminhos mereciam um festival exclusivo onde estes géneros, sem dificuldade, teriam êxito assegurado... como o de ontem!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
KEATON HENSON, (MUITO) BOM COMPORTAMENTO!
Sobre Keaton Henson, e por muito que se resguarde na sombra, há sempre duas certezas - primeiro, que a actividade criativa é contínua e, segundo, tudo tem o carimbo da melhor qualidade. Exemplos? Podemos começar pelo luxuoso livro multifacetado chamado "5 Years" que reúne letras, fotografias e oito canções inéditas que se podem ouvir na totalidade abaixo, tudo adornado e ilustrado pelo próprio. Podemos saltar para o disco de nome "Behaving" que se (con)funde como um novo arrojo de veia electrónica, mas onde o piano continua a marcar o caminho e que recebeu, para além da edição exclusiva em vinil, um novo video para belíssimo tema "The River". Podemos ainda falar de um livro de poemas solitários inspirados nos concertos, em hotéis ou apartamentos e primorosamente catalogado como "Idiot Verse". Podemos acabar, por agora, com a exposição inaugurada ontem de forma privada na galeria londrina Lawrence Alkin onde repousam uma série de magníficos desenhos reunidos sob o título de "Almost Beautiful" e para os quais Henson escreveu uma banda sonora inédita só disponível como ambiente sonoro da mostra. Escusado será dizer que a maioria dos trabalhos já foram vendidos...
BAT FOR LASHES, MARQUEM NA AGENDA!
O dia, sexta, 1 de Julho. O disco, novo, de Bat For Lashes. O título, duvidoso, "Till Death Do Us Part". O primeiro single, encantador, "I Do". Parece uma boa data para casamento. Aqui fica o convite...
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
MAYER HAWTHORNE, O DETECTIVE COOL!
Sobre o disco que marca o regresso de Mayer Hawthorne, que só chega em Abril, o conceito assenta na experiência própria de viver numa grande cidade (Los Angeles), as festas, os artistas e os romances e em que cada canção é um capítulo pessoal dessa vivência. Para o efeito, o homem largou os óculos, arranjou um chapéu à maneira, engraxou os sapatos e, pronto, dá para tudo, até para encarnar (vide video de "Cosmic Love abaixo) um género de David detective e protector de Maddie como no memorável "Modelo e Detective" do final dos anos oitenta... e que terá mais duas sequelas prometidas. A música, pelas amostras, continua macia, adorável e a puxar para pista de dança como convêm em que quase tudo ficou nas mãos do polivalente Mayer. Confissões e outras histórias - a obssessão por discos de 7", por exemplo - podem e devem ser confirmadas aqui. Cool!
Subscrever:
Mensagens (Atom)

































