quarta-feira, 24 de julho de 2013

(RE)LIDO #50




















PERDIDOS NA AMÉRICA
de Joey Goebel.Lisboa: Edições ASA, 2009
"Cinco pessoas que o inconformismo une numa amizade improvável e naquela que será a banda de rock mais estranha do mundo.
O livro de bela capa em relevo e com este pequeno teaser impresso na contra-capa prometia. Sem sequer conhecer o autor, acabamos por não resistir a libertá-lo do monte ao desbarato e a atirá-lo para a cesta do hipermercado entre iogurtes magros e barritas energéticas... "Deve dar para descomprimir" pensamos na altura, mais um para empilhar ao pó em cima do guarda-vestidos à espera de uma oportunidade que acabou por chegar na passada cinzenta tarde de domingo. E então? Então, it rocks! Da tal banda chamada The Anomalies, título da obra no original americano, fazem parte, vejam bem, uma miúda de oito anos de pais ausentes e transviados, a sua babysitter de oitenta, um iraquiano emigrado à procura do perdão de um ianque que alvejou na Guerra do Golfo, uma filha boazona de um padre libertário e um idealista insistente com doze irmãos traficantes de droga! O autor, que é também compositor de canções e frontman de uns tais Dr. Layer (cujo primeiro álbum prestes a sair receberá o título de "Como Fail With Me"...) e que até já passou por uma fase punk com os seus Mullets, encarrega-se de qualificar o seu esforço como "comédia literária", sendo esta a primeira de assinalável êxito pela Europa, continente onde já fez tours literárias, não por simples livrarias ou bibliotecas, mas, claro, por clubes de rock! O guião é o de sempre - ensaiar muito para o primeiro concerto e sonhar com o êxito planetário - mas até à afirmação do seu power-pop new wave heavy metal punk rock (sic) vão-se entremeando situações bizarras, diálogos estranhos e divertidos, um misto ficcional que poderia decorrer simultaneamente em episódios ácidos de "Erva" ou "Californication". A brincar com a música, atacam-se frontalmente alguns dos tabus eternos da sociedade americana como a homossexualidade, o negócio da droga, a guerra, o desemprego ou a religião em anárquicas histórias de vida que, por isso mesmo, davam um belo filme ou uma negra série de fim de noite. Para já, é simplesmente um belo livro.                 

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