quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
FINA ESTAMPA!
Uma nova série de selos dedicados a músicos norte-americanos terá Johnny Cash como primeira escolha. Não foi ainda anunciada a data de início de circulação, mas o selo não terá valor monetário impresso sendo actualizado ao preço normal e tendo, por isso, uma validade quase eterna. A magnífica fotografia utilizada foi obtida por Frank Bez para ilustrar a compilação de 1963 "Ring Of Fire: The Best of Johnny Cash", um look vintage a fazer lembrar a capa de um single de vinil. Outros nomes icónicos estão já confirmados, como é o caso da texana Lydia Mendoza cujo primeiro selo será emitido em Março próximo.
ÓPTIMO CARTAZ
Ter os Django Django (foto) e os Alt-J a tocar no mesmo evento e palco em dias seguidos já era uma benesse (Mexefest Lisboa, Dezembro passado). Agora tê-los a ambos no mesmo palco, dia e evento só pode ser uma benção do destino! Vai acontecer no próximo dia 14 de Julho no Palco Heineken, o mais pequeno, durante o último dia do Optimus Alive de Oeiras. Por pouco mais de 50€ há nesse Domingo outros atractivos confirmados como Twin Shadow, Phoenix, Kings of Leon e, incrível, Tame Impala. Life's a beach...
CAVEMAN NA CIDADE
Não, não é, infelizmente, um anúncio da vinda dos Caveman ao Porto! Trata-se do tema inédito "In The City" agora divulgado referente, certamente, a Nova Iorque e que fará parte do homónimo segundo álbum a editar em Abril pela Fat Possum Records. Pode ser que com este sucessor do extraordinário "CoCo Beware" eles acabem por nos visitar...
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
TOP 5 SIDE 1 TRACK 1
A memorável cena de "High Fidelity" em que se escolhe a melhor canção que abre um álbum deu aso a um desafio do Guardian para os seus leitores elegerem e comentarem a sua escolha. Já fizemos a nossa... a descobrir.
JAMES YUILL ESPIRITUOSO
A campanha do britânico James Yuill junto dos fãs mais ferrenhos para concretizar a edição do terceiro álbum de originais vai agora a meio. Já foi alcançado metade do orçamento necessário para que "These Spirits" veja a luz do dia no próximo dia 18 de Março através da própria editora do artista chamada The Happy Biscuit Club e sobram ainda algumas subscrições como a mais cara delas, uma hora de dj set por 350 libras... Para além da capa, surgem aos poucos mais pormenores sobre o novo trabalho, a construção das canções e os recursos utilizados, um desiderato que o próprio Yuill tem enfrentado com boa onda mas a que, por contenções orçamentais, não podemos aderir, embora se precisarem de um dj o nosso preço à hora seja muito mais em conta: dois finos e uma tosta mista!
MARK EITZEL, UM AUTO-RETRATO
Antes do concerto no Lux, dia 8 de Fevereiro, o jornal i fez umas tantas perguntas a Mark Eitzel. Uma conversa matinal e, talvez por isso, de uma lucidez evidente. Ler!
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
JOHN GRANT E OS BEATS
Para quem tem em "Queen Of Denmark" de John Grant um bom exemplo de um disco clássico no sentido da eternidade das canções, não era propriamente este o passo em frente de que estávamos à espera por parte do ex-Czar. Claro que a edição de luxo do álbum já trazia dois temas de cariz electrónico ("That's the Good News" e "Supernatural Defibrillator") que incitavam à dança e confirmavam Grant como um apaixonado da coisa. Mas, como explicado a uma rádio inglesa, uma passagem pela Islândia alterou os planos iniciais (gravar no Texas novamente com os Midlake) que um encontro com Biggi Veira dos Gus Gus ajudou ainda mais a concretizar. Mudou-se para Reiquiavique, montou casa e temos assim um novo trabalho de chilly house-disco de nome "Pale Green Ghosts", com saída prevista para Maio pela Partisan/Bella Union, onde participa, entre outros, Sinead O'Connor e que, fantasmas à parte, vamos aprender a gostar... ou não!
BRUNI-SARKOZY EM PEQUENAS CANÇÕES
Foi uma das nossas perdições há dez anos atrás. Os sussurros de veludo de Carla Bruni do álbum "Quelqu'un m'a dit" fizeram efeito imediato e um sonho de a ouvir a cantar na sala de estar ou no escuro de um pequeno auditório. Mas a menina aburguesou-se ainda mais, casou em 2008 com o senhor Sarkozy e parecia que o regresso aos discos estava irremediavelmente esquecido entre recepções no Eliseu, férias em Cap Negre e uma gravidez tardia. Mas, agora que já não é primeira dama, Bruni aposta num regresso à carreira de cantora lançando hoje, dia de aniversário do seu marido (!), um primeiro single do álbum "Little French Songs" a editar pela Universal em Abril. Inspirada na boémia de Keith Richards e Anne Pallenberg dos anos 70 surge assim "Chez Keith & Anita" com direito a video em estúdio mas cujos comentários no youtube estão desactivados que, claro, isto agora requer vigilância e controle apertado. Mau sinal, mas continua linda!
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
VERSÃO IMPROVÁVEL!
Não sabemos como é que o comediante inglês Adam Buxton conseguiu tamanha imitação, mas a versão de "Scream & Shout" de Will.i.am e Britney Spears ao verdadeiro estilo contemporâneo de Scott Walker é de se lhe tirar o chapéu!
sábado, 26 de janeiro de 2013
PATRICK WOLF, Casa das Artes, V. N. Famalicão, 25 de Janeiro de 2013
O talento de Patrick Wolf está sempre a ser posto à prova. Sozinho em cima do palco com o violino como parceiro (Santa Maria da Feira, 2005) ou acompanhado por uma verdadeira banda (Braga, Theatro Circo, 2007) o inglês impressionou-nos sempre pela magnífica construção de canções que ao vivo, apesar da complexidade sonora, brilharam na perfeição em ambos os formatos. Faltava, então, uma experiência como a de ontem à noite, um semi-acústico descomprometido de revisão da matéria que despisse a tal complexidade e a destapasse sem vergonhas. O resultado, na maioria dos casos, pode ser classificado com um "bom com distinção", embora algum desacerto na afinação dos instrumentos ou na posição da voz tenham soado perigosos. Corrigidas as falhas, a plateia quase esgotada da Casa das Artes mostrou-se receptiva ao novo formato e bastante agradada com o alinhamento que verdadeiramente só começou a fazer efeito lá mais para o fim com aquelas canções mais esperadas como "The City" ou "The Magic Position" a merecer acompanhamento tímido com palmas ritmadas. Uma noite de conquistas, mais uma, que confirma Wolf como um artista pouco acomodado ao mainstream, arriscando sem perder o charme e triunfando com aquela naturalidade só ao alcance dos predestinados.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
BENOÎT PIOULARD DE VOLTA
O disco "Lasted" de Benoît Pioulard que tantas vezes ouvimos repousa agora no iPod antigo e por isso é quase um sacrilégio não voltar a ele mais vezes. Mas eis que Thomas Meluch, o norte-americano que se esconde atrás desse francesismo, terá novo álbum em Março, pela habitual Kranky, que receberá o nome de "Hymnal" e do qual há o fabuloso "Margin" para ouvir e chorar por mais. Gravado em Ramsgate (Kent, Inglaterra) esperam-se imediatos encantamentos sonoros com "imagens dentro" dum génio que já foi/é baterista, fotógrafo e produtor. Entretanto a colaboração com Warren Hidebrand/Foxes in Fiction terá também edição através de um single de 7" limitado numa casa especializada, a Wool Recordings, habituada a parcerias arrojadas de gente como Laetitia Sadier ou Peter Broderick. Esperemos, então, por nova visita de Pioulard a Portugal que, sem desculpa, falhamos em 2011 por terras de Coimbra, Estarreja ou Guimarães e de que, aparentemente, ficaram algumas marcas - ouçam só ou guardem a versão que ele fez para um tema dos conimbricenses Birds Are Indie!
NAIFA AFIADA!
Atendendo à velocidade com que o novo single dos The Knife vai e vem das redes, pode acontecer que quando lerem esta mensagem o video abaixo já não funcione. "Full Of Fire" é o primeiro avanço para o álbum "Shaking The Habitual", o terceiro do duo sueco. São mais de nove minutos de hipnotismo que gostávamos mesmo muito de saborear a vivo agora que a presença confirmada na Primavera de Barcelona permite sonhar com uma vinda ao Porto dos irmãos Dreijer. A digressão há muito esperada está já lotada em quase todas as datas anunciadas...
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
KRULE CONTINUA A REINAR
As canções do miúdo King Krule continuam a crescer a cada audição e já desesperamos por mais algumas. No lado B do single "Rock Bottom" está outra pérola chamada "Octopus" já por aqui elogiada e que agora tem direito a video manhoso.
BARCELONA vs PORTO
Podia ser a final da Champions, o que até era bom sinal. Mas, para já, não é... São só alguns dos nomes por aqui adiantados que se confirmam para o Primavera de Barcelona. Esperemos que muitos deles compareçam na Invicta para a segunda mão!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
KURT VILE VINTAGE
Em Dezembro de 2009 os Maus Hábitos portuenses presenciaram a estreia ao vivo de Kurt Vile em Portugal, momento surpreendente e vibrante de rock a la Crazy Horse com Vile e os supostos The Violators que o acompanhavam a fazerem história para uma plateia mínima. Recordamos a intensidade e consistência da banda e alguns discos à venda no final. Às tantas, estaria por lá um registo live de nome "The Hunchback" que não compramos mas que agora via Testos Tertunes recebe uma reedição gorda. Juntam-se ao EP original de 2009 mais alguns outros temas ao vivo que acompanham uma atractiva edição em vinil a merecer um pick-up urgente!
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
NATAL É TODOS OS DIAS
O Natal já lá vai há quase um mês mas só hoje é que descobrimos uma prendinha que nos faltava no sapatinho. Chama-se "Kalla Hus" e é uma grande canção que Damien Jurado e o amigo Kyle Zantos decidiram compor ao jeito de reflexão sobre uma data nem sempre festiva. Mesmo fora de época, obrigatório.
FAROL #108

Aproveitando o enlevo e já depois de ouvir ao longo de anos várias gravações pirata de Tom Waits deixamos o caminho ainda disponível para aquela que mais gostamos - Waits na BBC em 1979 numa toada calma muito jazzy e sempre acutilante.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
(RE)LIDO #45

LOWSIDE OF THE ROAD
A LIFE OF TOM WAITS
de Barney Hoskyns. Londres: Faber & Faber, 2009
O sub-título desta imensa biografia não é, certamente, inocente. Trata-se das poucas tentativas de documentar não oficialmente uma vida de Tom Waits, tarefa hercúlea onde Barney Hoskyns, aficionado que já esteve pela Invicta, aposta numa intrincada e diversificada recolha de fontes indirectas. A aventura afigura-se complicada mas notoriamente compensadora e prazenteira para um fã assumido do génio e da sua música. Sempre fugidio a vedetismos, imiscuições privadas ou entrevistas de fundo, retratar Waits resulta, mesmo assim, num exercício de fascínio e descoberta de inúmeras respostas a perguntas que sempre nos intrigaram, das mais banais aquelas de solução mais rebuscada. A vantagem ou desvantagem, dependendo do ponto de vista, é que o autor dispensa poucas páginas a contar historietas paralelas para se concentrar um pouco exageradamente no essencial: a construção das canções, as influências, as amizades importantes, os músicos, os concertos e os discos desde 1973 (Closing Time) até 2006 (Orphans). Demora tempo, assim, a percorrer tamanha dose de informação, mas acabar o livro quase ao fim de um ano de cabeceira não é sinal de aborrecimento ou enfado. É necessária concentração, fazer ligações, assentar ideias e ler devagar para perceber razões, saborear surpresas e, obviamente, este é o tipo de literatura que requer disposição... Entre tantas coisas e poucas loisas, fez-se luz sobre a rouquidão da voz, a mais que amizade com Rickie Lee Jones, a relutante faceta de actor, quem foi a tal Matilda dinamarquesa que deu origem a uma das melhores canções de sempre ou o acaso do álbum maravilha com Crystal Gale para o filme "One From the Heart" a convite de Coppola, momento muito importante pois aí conheceu Kathleen Brennam, com quem haveria de casar (1980) e mudar de vida. A carreira passa, então, a estar mais controlada, a família ganha uma importância vital e o mito cresce em inacessibilidade e ecletismo. As digressões contam-se pelos dedos e ver Waits ao vivo passa a ser uma aspiração sufocante para meio mundo. O que vale a internet abre-se para arquivos e imagens que reduzem as distâncias, aguçam a curiosidade, confirmando e revelando histórias que só Waits sabe contar (como as do Storytellers da VH1, ainda hoje maravilhosas) mas que não chegam para disfarçar o mau estar do autor por Waits (ou supostamente a própria Kathleen) ter avisado todos os amigos e músicos que as respostas às perguntas de Hoskyns tinham como destino uma biografia não autorizada! Atendendo a este e a muitos outros constrangimentos, estamos perante uma obra cujo grau de credibilidade só mesmo o próprio artista poderá confirmar. Hoje, tempos em que tal figurão supremo da santidade rock dita moderna aparece a dar voz em episódios dos Simpsons ou que permite que Corbijn o fotografe para a posteridade para livros de luxo, vamos ficar à espera que um qualquer milagre o aproxime da nossa vista não numa televisão 3D mas sim a três dimensões realmente presenciais para lhe perguntar se ele leu efectivamente o livro... Não vamos desistir facilmente como uns maiorquinos! Estamos, claro, a brincar, tal como Waits continua a fazer como mais ninguém.
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