Gravado em Janeiro passado nos moldes, agora, tradicionais, isto é, sozinho a tocar quase todos os instrumentos no seu estúdio Wolf Cabin, o inglês confessa que a primazia foi dada à guitarra em detrimento do piano, uma onda de conforto destinada a meses de outono e inverno. São, por isso, tempos certos para este cházinho de orfeu...
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
ED HARCOURT, ORFEUZINHO!
BRUNO PERNADAS, (IM)PROVÁVEL TRIUNFO!
A (pro)fusão de sonoridades, em que o polvilhado nipónico se torna condimento saboroso, mantêm-se numa abrangência que só talvez o jazz abarque, mas que a pop continua a comandar. O gosto antigo pela experiência aporta, por isso, diferentes instrumentos e secções rítmicas cruzadas e comandadas em estúdio no verão passado pelo próprio Pernadas e onde se mesclam vozes de Margarida Campelo, Leonor Arnaut, Maya Blandy e Livia Nestrovski. Esta complementaridade e cumplicidade estão prometidas esticarem-se, como sempre, para cima dos palcos, o que é provável ser triunfal!
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
SINGLES #59
Hey America / Go Power At Christmas Time
France: Polydor, 2001 160, 1971
Dos tempos em que a América, a dos Estados Unidos, era governada por um, agora, moderado Richard Nixon (1913-1994) e de importantes movimentos quanto aos direitos civis ou feministas, preocupações ambientais, escândalos como o Watergate e guerra a sério, a do Vietnam, recorda-se um fabuloso single do mestre James Brown chamado "Hey America".
A canção abria o álbum com o mesmo nome, o trigésimo de uma carreira em roda livre, e foi escrita por Nat Jones (1939-2014), saxofonista e organista da sua banda, e Addie Wiiliams Jones, vocalista e também compositora da mesma entourage. A letra, em jeito de improvisação, aludia ao Natal, mas também a protestos pela paz ou brindes com vinhaça, tudo numa aparente incoerência, mas o resultado é mais um poderoso groove arrasador.
No lado B, outra pedra - "Go Power At Christmas Time", também da mesma proveniência e creditada somente a Nat Jones, é só um reforço funk que permite hoje escolher qualquer um dos lados para agitar uma pista de dança. Permite ainda lembrar que é urgente um grito que a acorde de um pesadelo inacreditável. Hey America, don't you think it's about time!
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
3X20 ESPECIAL 2025
20 CANÇÕES X 20 ÁLBUNS X 20 CONCERTOS
+ 10 Low + 10 High 2025
Lista de coisas boas, cada vez menos, e coisas más, cada vez mais!
1. PULP
- The Hymn of the North »»»
2. BIG THIEF - Incomprehensible »»»
3. MARC RIBOT - Daddy's Trip to Brazil »»»
4. THE DIVINE COMEDY - The Heart Is a Lonely Hunter »»»
5. HANNAH COHEN - Mountain »»»
6. THESE NEW PURITANS - Bells »»»
7. ROBERT FORSTER - Such A Shame »»»
8. MATT BERNINGER - Bonnet Of Pins »»»
9. BONNIE PRINCE BILLY - Boise, Idaho »»»
10. STEREOLAB - Transmuted Matter »»»
11. DESTROYER - Bologna »»»
12. BLACK KEYS - All My Life »»»
13. HURRAY FOR THE RIFF RAFF - Pyramid Scheme »»»
14. SUZANNE VEGA - Chambermaid »»»
15. SHARON VAN ETTEN - Trouble »»»
16. LUCY DACUS - Big Deal »»»
17. DRUGDEALER feat. WEYES BLOOD - Real Thing »»»
18. CASS McCOMBS - Priestess »»»
19. AZYMUTH - Arabutã »»»
20. JEFF TWEEDY - No One's Moving On »»»
20 Álbuns:
1. BIG THIEF - Double Infinity
2. MARC RIBOT - Map of a Blue City
3. PULP - More
4. STEREOLAB - Instant Holograms On Metal Film
5. BLACK COUNTRY NEW ROAD - Forever Howlong
6. NOURISHED BY TIME - The Passionate Ones
7. ROBERT FORSTER - Strawberries
8. CAROLINE - Caroline 2
9. JOAN SHELLEY - Real Warmth
10. BONNIE PRINCE BILLY - The Purple Bird
11. JAPANESE BREAKFAST - For Melancholy Brunettes (& sad women)
12. DESTROYER - Dan's Boogie
13. HANNAH COHEN - Earthstar Mountain
14. MOCKY - Music Will Explain (Choir Music Vol. 1)
15. HAMILTON LEITHAUSER - This Side of the Island
16. SQUID - Cowards
17. MICAH P. HINSON - The Tomorrow Man
18. CASS McCOMBS - Interior Live Oak
19. KOKOROKO - Tuff Times Never Last
20. THE AUTUMN DEFENCE - Here and Nowhere
20 Concertos:
1. DESTROYER, Primavera Sound Porto, 14 de Junho, »»»
2. AMBROSE AKINMUSIRE, Auditório de Espinho, 24 de Maio »»»
3. THE BLACK KEYS, Auditorio de Castrelos, Vigo, 21 de Julho »»»
4. MARK EITZEL & OCTETO DE CORDAS, Auditório de Espinho, 4 de Abril »»»
5. DEVENDRA BANHART, Theatro Circo, Braga, 24 de Novembro »»»
6. CORTO ALTO, Matosinhos em Jazz, 12 de Julho »»»
7. NUBYA GARCIA, Casa da Música, Porto, 9 de Fevereiro »»»
8. EFTERKLANG, Auditório de Espinho, 6 de Abril »»»
9. BLACK COUNTRY NEW ROAD, Festival Paredes de Coura, 15 de Agosto »»»
10. BONNIE PRINCE BILL, GNRation, Braga, 9 de Novembro »»»
11. HAMILTON LEITHAUSER, M.Ou.Co., Porto, 31 de Outubro »»»
12. GEORDIE CREEP, Festival Paredes de Coura, 15 de Agosto »»»
13. NDUDUZO MAKHATINI, Auditório de Espinho, 16 de Maio »»»
14. BILL CALLAHAN, Casa da Música, Porto, 11 de Julho »»»
15. FIDJU KITXORA, Serralves em Festa, Porto, 1 de Junho »»»
16. JO ALICE, M.Ou.Co., Porto, 31 de Outubro »»»
17. THE MAGNETIC FIELDS, CCVFlor, Guimarães, 8 e 9 de Outubro »»»
18. AMARO FREITAS, Matosinhos em Jazz, 6 de Julho »»»
19. SQUID, Primavera Sound, Porto, 14 de Junho »»»
20. JULES REIDY, Serralves em Festa, Porto, 30 de Maio »»»
10 Low:
. a nova definição de consultadoria;
. ainda agora começou e a IA e já não faz falta;
. a tragédia assassina de Gaza;
. Ronaldo e o imperador Trump às gargalhadas;
. um apagão manhoso e nunca explicado;
. o êxtase anacrónico dos Oasis;
. a humanização ridícula de animais de estimação;
. um metro-bus que não consegue dar a volta;
. o roubo no bastião da defesa do património, França;
. que a morte de Bill Fay o consagre como um dos maiores!
10 High:
. o making of surpresa de "o" disco de Nick Drake;
. o bota lume João Almeida nas estradas da Vuelta;
. uma tal Jo Alice e uma versão de "Magnolia";
. o puto João Neves e o maestro Vitinha;
. a clarividência nórdica quanto ao czar Putin;
. o álbum de Cameron Winter do ano passado;
. um fogacho expectante no mayor de NY;
. involuntariamente, voltar a ler o Público em papel;
. apesar de tudo, a Vandoma ao lado da estação Nasoni;
. a recuperação do Discogs como controlador eficaz duma colecção...
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
CHILLY JARVIS, BEIxINHO DE NATAL!
Cantado por Jarvis, tocado ao piano por Chilly, o docinho foi misturado pelo amigo canadiano Howie Beck (o que e feito?) e tem um solo de piano de Stella que faz também vozes de fundo com Nely Allarabaye. Beijinho!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
ZECA VELOSOS, BOAS NOVAS!
O esperado disco de estreia do caçula Zeca Veloso teve, finalmente, edição em final de Novembro pela Sony. Chama-se "Boas Novas" e tem ajudas óbvias dos irmãos Tom e Moreno e do pai Caetano, todos juntos no single "Salvador" e em diversas imagens antigas no video para o tema título lançado há uma tripla de semanas. Tudo abençoado, tudo prometedor!
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
(RE)LIDO #127
Amor, Partilha e Ódio antes da vida online
de José António Moura (comp., org. e intr.).
Lisboa: Holuzam, 2025
Boa parte de uma geração que se habituou a levantar-se às terças-feira para ir para o liceu, passou a ter um religião - comprar o Blitz logo de manhã! Se a aquisição fosse possível ser feita a tempo da entrada no autocarro ainda melhor, já que as páginas dos "Pregões e Declarações" eram logo lidas de fio a pavio a tempo de se mandar umas bocas antes da chegada dos profs, acicatando colegas metaleiros ou comentando sapatos de vela engraçadinhos/engraxadinhos...
Tratava-se de um género de repositório social que nos fomos habituando a ler e absorver com as devidas distâncias, mas a actualização era fundamental para permitir perceber tendências, assumir integrações ou correntes, questionar amizades ou até começar a achar piada a miúdas de atitude atrevida. Um género de interacção sem rosto que cativava pelo fervilhar de polémicas e adorações, em tempos do despertar dos odiados/amados Wham!, vénias crescentes aos U2 e The Smiths, mas também acentuada e nova lábia quanto a sexo, curtições, libertinagem e utopismos. O eterno confronto de virilidade Porto/Lisboa era também assunto recorrente.
Já na faculdade, o costume manteve-se activo (fizeram-nos, em 1990, uma caricatura de curso com o "Blitz" debaixo do braço), afirmativo, embora a degradação e qualidade da publicação semanal fosse mais que evidente e maçuda, mesmo que outras rubricas e participações se tivessem promovido - fotografias ou desenhos com direito a prémios (LP's) que alguns conhecidos chegaram a receber. Tal como o próprio jornal, toda aquela aura inicial de novidade, frescura e irreverência alternativa ganhava na secção "Pregões & Declarações" uma cada vez mais dispensável obrigação de leitura, passando, no nosso caso, a eleger a "Dona Rosa" como destino repetido de demandas esclarecedoras de assuntos musicais, ou seja, discos, concertos, canções, digressões, etc. que isto agora (interesse) era mais a sério.
Pensar que alguém se deu ao trabalho de copiar, alinhar e evidenciar os recados publicados no primeiro ano (1985) da secção afigura-se, desde logo, uma surpresa. Percebe-se a jogada sociológica na confrontação com tempos actuais de facilitismo e excesso comunicacional e confessamos algum esforço na leitura desta recordação impressa em pouco mais de sessenta páginas. A introdução contextual, ouvindo ou recopilando testemunhos de alguns dos causadores (Manuel Falcão, Teresa Ruivo) e das facetas inspiradoras e dos acasos técnicos da coisa, acaba por ser o melhor de um pequeno livro em risografia hoje tão na moda vintage.
Temos dúvidas que outras gerações, que não as que sabem o que isto é (era), tenham motivação para alguma vez aqui virem deitar os olhos. Temos, no entanto, a certeza que o produto das mensagens e apelos vai, algum dia, ser útil (se é que já não foi) em doutoramentos académicos sobre uma juventude a precisar de rebentar convenções e, ainda assim, demasiado solitária e obediente.
A piada do lembrete é, contudo, bem-vinda e a nota da capa "Ano 1: 1985" assusta-nos, sugerindo que outros volumes se projectam e temos medo de vir a bater de frente com alguma das propostas indecentes/inocentes enviadas. Seja como for, este é o melhor dos pregões aqui republicados:
"Caro António Sérgio: és baril, mas irritante. Deixa-nos gravar. Não fales tanto. - Lisboa" (p. 51).
Só alguns, mesmo assim, muitos, percebem o seu fascínio... aqui vai malha!
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
THE AUTUMN DEFENSE, AMÉRICA VENTUROSA!
A maravilha de longa duração é uma refrescante memória sonora de West Coast, onde não se esconde a vénia aos saudosos, e ainda activos, América, autores de monumentos como "Ventura Highway", "Tin Man" ou "Horse With no Name", aos The Beach Boys ou a pérolas rosadas de Carole King e em que a guitarra dita espanhola não é um estorvo, mas sim uma assumida e inseparável vibração instrumental ao serviço de uma envolvência melodiosa e onírica.
Agora que Jeff Tweedy exagerou na dose (em trinta canções de "Twilight Override" aproveitam-se para aí... dez!), e penitenciando-nos pela desatenção, nada como um pouco mais de cortesia aos parceiros ocultos e modestos dos Wilco que também sabem fazer boa música, americana e venturosa!
sábado, 6 de dezembro de 2025
LUBOMYR MELNYK, ÉPICO!
“ …the greatest epic of piano-music of all time… ”
Assim se descreve "Windmills", uma peça ao piano de Lubomyr Melnyk que se tornou mítica. Temos na memória a impressiva comoção que ela causou aquando da então inédita presença do ucraniano na catedral de Viseu em Julho de 2015, momentos ao vivo depois várias vezes repetidos em regressos triunfais ao nosso país. Certo é que "Windmills", nos seus quarenta e cinco minutos de duração, não foi mais escolhida.
Mesmo que a peça tenha já tido circulação diversa, como a de marca própria de 2022 ou a destinada a dois pianos de 2013, o que agora se edita é a prova indelével e definitiva de um épico da chamada continuous music. Para o efeito, a editora Jersika Records promoveu, em Agosto de 2019, uma sessão no Concert Hall Latvija em Ventapils na Letónia para se registar, com todo o cuidado e rigor, uma composição que só Melnyk seria capaz de criar e executar na sua apurada técnica ao piano.
Assim e pela primeira vez, "Windmills" está, desde ontem, disponível em disco de vinil minucioso com capa histórica onde se reproduz "The Windmill at Wijk bij Duurstede", pintura famosa do holandês Jacob Isaacksz van Ruisdael (1628-1682), um óleo sobre tela que pertence à colecção do Rijks Museum de Amesterdão.
Épico!
FAZ HOJE (32) ANOS #116
LULU BLIND + MANIC STREET PREACHERS, Coliseu do Porto, 6 de Dezembro de 1993
. Público, por Amílcar Correia, fotografia de Alexandre Carvalho, 8 de Dezembro, p. 31
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
BILL FAY, DO FUNDO DE UM RELÓGIO!
Até agora somente disponível em cd e mantendo uma aura de raridade, a editora Dead Oceans repegou no tesouro e deu-lhe o seu toque habitual de bom gosto, parafinando os vinte cinco pedaços para níveis de digitalização sofisticados, mantendo a imagem original e um design aproximado ao utilizado em anteriores edições alusivas a Fay e que tem em Miles Johnson o artista gráfico certo.
É dele o visualiser para a primeira revelação, "Maudy La Lune", mas está prometido um outro para "Warwick Town", tema que abre um alinhamento a ferver por redescoberta, partilha e contínua surpresa.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
FAZ HOJE (25) ANOS #115
THIEVERY CORPORATION, Cinema do Terço, Porto, 3 de Dezembro de 2000
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, fotografia de Malacó, 5 de Dezembro de 2000, p. 42
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
THE DELINES, MAIS CINEMAsCOPE!
Com produção renovada e firme de John Morgan Askew, o novo "The Set Up" sairá na habitual Decor Records em Março do próximo ano. Acrescenta-se ainda, em versões limitadas da Rough Trade, um CD com a banda sonora instrumental para "The Left & The Lucky", o novo livro de Willy Vlautin.
Para já, projecta-se de forma alargada "Dilaudid Diane", um pedacinho mais daquilo que alguém já sugeriu ser "CinemaScope Delines"...
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
GINA BIRCH + DEVENDRA BANHART, Theatro Circo, Braga, 24 de Novembro de 2025
Se as The Raincoats foram veia inspiradora para muitas bandas, à boa tensão entre Ana Silva e Gina Birch se deveu essa salutar desmultiplicação em que a irreverência foi (é) palavra de ordem. Regressada ao Minho (passaram por Coura em 1996 e, possivelmente, pelo GNRation em 2018), Birch só em 2021 se lançou a solo nisto dos álbuns e das canções. A primeira delas chamou-se "Feminist Song", assumindo sem contemplações a luta contra uma desigualdade secular e mantendo, como não, a tal irreverência.
Ela não podia faltar e não faltou logo em "I Am Rage" com que abriu o pequeno set, escolhendo imagens de fundo de autoria própria, uma vertente artística tarimbada em anos de estudo e prática, e que se haveriam de mostrar notáveis logo de seguida na referida "Feminist Song", em "I Thought I'd Live Forever" ou "I Will Never Wear Stilettos". Agitadora, mas, mesmo assim, algo nervosa, foi com "Causing Trouble Again", do mais recente álbum na Third Man Records (2025), que um coro alto da plateia se fez ouvir, em bom som, na simplicidade de um grito: trouble... agitpop do bom!
Dois anos depois, Devendra Banhart voltou ao Theatro Circo para uma esperada redenção. Não seria difícil fazer melhor que a falhada estadia de 2023 e a faceta de "sozinho em palco" mostrava-se como sendo a adequada para que a estrela se invertesse no brilho. Sem dificuldade, Devendra cedo se mostraria fino, delicado, intenso, mesmo que uma certa anarquia no alinhamento das canções tenha rodado o serão num corrupio em que emergiu muita boa disposição à volta de microfones, bexigas, casas de banho e algum portunhol...
A proposta transmitida em jeito de aviso consistia numa sugestiva ordem cronológica dos seus melhores temas, começando pelos mais antigos, pretensão parte cumprida, parte subvertida sem consequências. Acabou por faltar umas das nossas preferidas ("Daniel"), talvez alinhada, mas esquecida, substituída de certeza por outra ainda melhor, todas de acústica refinada e certeira em que a voz se elevou, desta vez, a nível de excelência. Apesar da dupla sugestão da plateia, interacção autorizada previamente, de "Santa Maria da Feira" soaram só os primeiros dez segundos, brincadeira que foi também aplicada a outras como "Quedate Luna", mas só pelo tratamento dado a uma inesperada "Carolina" não são requisitadas quaisquer desculpas.
Quanto a versões, que afinal ninguém sugeriu (podia ser o "Pink Moon", em dia funesto para Nick Drake, ou o "Leãozinho" que calhava sempre bem), Devendra convidou Gina Birch para uma variação de "Rilkean Heart", pérola antiga dos Cocteau Twins, parceria improvisada longe da perfeição, mas de merecida cortesia à companheira de curta partilha e de longínqua veneração.
Playing solo (giving it a shot), assim se chama a actual digressão, foi, pois, isso mesmo, a sinceridade de um artista dono de um cancioneiro robusto, envolto de envelhecimento activo ainda essencial e de deliciosa fruição, não estranhando que, passados mais de vinte anos, a cada aproximação ao nosso país as salas continuem a esgotar-se de ansiedade e de vibração. Foi um placer...
terça-feira, 25 de novembro de 2025
CAROLINE, TRANSCENDÊNCIA GNRACIONAL!
O octecto espraia-se de forma pausada, enredando instrumentos e vozes que no disco teve, who else, Caroline Polachek como cúmplice surpreendente, um todo que será ao vivo uma experiência de intensidade assinalável já testada em TinyDesk vibrante.
Será, pois, mais que recomendável não perder a próxima digressão pela Europa que terá no GNRation bracarense
o espaço ideal para a estreia portuguesa (2 de Abril de 2026, quinta-feira) e que alcança Lisboa no dia seguinte (B Leza). Bilhetes transcendentes.
FAZ HOJE (24) ANOS #114
. Diário de Notícias, por Rui Frias, fotografia de Tânia Cerqueira, 27 de Novembro de 2001, p. 42
DUETOS IMPROVÁVEIS #309
ANNA CALVI & PERFUME GENIUS
I See A Darkness (Bonnie Prince Billy)
Carving Silver in Strange Weather (Substack),
Outubro de 2025
domingo, 23 de novembro de 2025
FAZ HOJE (24) ANOS #113
SNOOZE + MOUSE ON MARS + KID 606 + KHAN, Festival Blue Spot, Teatro Sá da Bandeira, Porto, 23 de Novembro de 2001
. Diário de Notícias, por Marcos Cruz, 25 de Novembro de 2001, p. 53
. Jornal de Notícias, por Emanuel Carneiro, fotografia de Pedro Correia, 25 de Novembro, p. 44
sexta-feira, 21 de novembro de 2025
TOBIAS JESSO JR., CINTILA UM MILAGRE!
Podem já ouvir "shine" na sua totalidade via spotify, trinta minutos de oito canções poderosas onde o piano se evidencia numa auto-produção misturada por Shawn Everett. Aceitam-se encomendas de linda brancura em vinil e de design cintilante.
Os novos temas assentam no amor pela mãe, pelo filho, mas também em alguma amargura fruto de rompimentos e separações e teve ajudas de amigos como Danielle Haim, Justin Vernon e de alguma e útil psicanálise. O primeiro single "I Love You" deverá ser sempre escutado até quase ao final... poderoso.
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
EZRA COLLECTIVE, NATAL FOFINHO!
O colectivo londrino Ezra Collective decidiu que a proximidade do Natal merecia alguma ternura de sonoridade jazz que a envolvesse de alegria e fofura, escolhendo-se dois clássicos ingleses setecentistas ("Joy To the World" e "Hark! The Herald Angels Sing") para amaciar os excessos indesejados.
A proposta imita um versão de "God Rest Ye Merry Gentlemen", tradicional de estação também britânico que a banda lançou o ano passado, naquilo que agora se começa a assumir como uma salutar tradição. Só falta a rodelinha de vinil...
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
terça-feira, 18 de novembro de 2025
RUFUS WAINWRIGHT, REINVENÇÃO WEILL!
Pois bem, chama-se "I'm A Stranger Here Myself: Wainwright Does Weill - Rufus Wainwright with the Pacific Jazz Orchestra", e promete ser um tributo de um fã fervoroso e fascinado pela envolvência de um songbook intemporal que foi, ele próprio, uma das principais influências da composição que Wainwright imprimiu, desde muito novo, à sua carreira. Ainda por cima, tudo muito natalício!
sábado, 15 de novembro de 2025
LAURIE ANDERSON & SEXMOB, Teatro Rivoli, Porto, 13 de Novembro de 2025
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| Fotografia: facebook do Teatro Municipal do Porto |
Vinte anos depois, e na companhia inédita da banda nova-iorquina SexMob, Anderson trouxe à cidade "X²", um (des)concerto que, não sendo só musical, também não foi só comunicacional. A hibridez aportada para a sala envolveu-se de imagens e luzes, de sons e crescendos jazzísticos em que o violino, o seu e mais dois, assumiram a centralina de alguma electrónica e demasiada, impertinente, percussão que chegou ao segundo balcão em modo quadrado, chapado, confirmando as deficiências acústicas de um teatro que não gosta nada de concertos rock ou outros...
Foi pena, por isso, que pérolas como "Big Science" ou "Language is Virus", escolhidos logo na primeira meia-hora para reafirmar a actualidade da mensagem, não tenham despertado grande entusiasmo, como que encolhidas e despercebidas numa amálgama multimédia e instrumental excessivas. Valeram, como sempre, as vozes, as histórias, os acentos que Anderson escolheu para contar, narrativas de frisado ora político, em que o seu presidente foi o alvo-mor, ora biográfico, com destaque para Dylan e o seu Lou Reed.
Surpreendente o capítulo dedicado ao pai, vida de um muito jovem emigrante da Suécia que a IA fez o favor de revolver e reinventar em imagens a preto e branco saborosas, engraçadas e despertadoras de alguma da maçada em que o serão, perigosamente, parecia ir patinar. Como que por magia, a noite ganhou novas asas para voar bem melhor até ao fim, um género de segunda-parte sem direito a intervalo em que a delicadeza, a cambiante visual e até o tai chi colectivo praticado sem constrangimento funcionaram, efectivamente, como um alívio compensador.
Uma noite demasiado longa, a precisar de maior e mais pertinente restrição, confirmando, no nosso entender, que a magia única que Laurie Anderson emana se afigura ainda suficiente para brilhar sem necessidade de uma qualquer coadjuvação. A grande ciência faz-se sozinha...
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
MICAH P. HINSON, O HOMEM DO AMANHÃ!
Para trás sugere ter ficado a longínqua onda folk-rock de veia trágica que, ao vivo, era (é?) pura diversão, sobreposta que foi agora por sedutoras orquestrações e alguma melancolia de novo crooner que lhe assenta muito bem.
Ao álbum, saído no final de Outubro na casa Ponderosa Music Records de Milão, só faltará acrescentar o teste de um concerto para a prova definitiva. Talvez ao piano, como em Cerveira no verão de 2024...
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
ONEOHTRIX POINT NEVER, Theatro Circo, Braga, 9 de Novembro de 2025
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| Fotografia: facebook do Thetaro Circo |
Comparecer, por isso, a um dito concerto de Daniel Lopatin aka Oneohtrix Point Never em sala grande, distinta e nobre como a de Braga será um eufemismo que os tempos performativos foram diluindo. O género de música sintetizada que o artista tem desenvolvido nos últimos quinze anos aproxima-o a um condão efectivo de bom gosto e transcendência que tem alimentado bandas-bonoras de acutilância e mistério, capacidades que outros inovadores como Anohni, David Byrne, James Blake ou o saudoso Ryuichi Sakamoto não dispensaram para fazer abrir novos caminnhos sonoros.
O motivo da, dita assim, perfomance chama-se "Tranquilizer", um novo álbum a sair para semana na Warp Records, e o serão do Domingo serviu com uma refinada e antecipada listening party colectiva da totalidade das quinze peças, a que se juntou uma notável imersão visual da responsabilidade de Freeka Tet, entremeada por fumarolas e strobes que nos pareceram de exagero desnecessário, talvez porque já não estamos há muito habituados a isto das noitadas e das batidas...
O disco e os videos, contudo, são de justa e, sem esforço, recomendada fruição.
terça-feira, 11 de novembro de 2025
BONNIE PRINCE BILLY, GNRation, Braga, 9 de Novembro de 2025
São muitas e boas as memórias de concertos de Will Oldham aka Bonnie Prince Billy. Serão imbatíveis, contudo, as que se aclaram saídas do granito do saudoso bar Mercedes da Ribeiro portuense em 2008, bem diferentes de uma anterior e mais atribudada passagem pelo Theatro Circo minhoto. Estava, pois, na hora certa para a insistência ao vivo num, há muito, mítico trovador americano que faz da música a única e virtuosa forma de vida - "I want to make music all the time / Not just in fits and skirmishes / I wanna be wholly consumed in rhyme / And bend my whole to her wishes", faria ele o favor de recordar em "Behold! Be Held!".
O cancioneiro é, assim, de uma vastidão infindável, mas o motivo principal residia no novo, de meses, "The Purple Bird", mais um disco de consistência e validade assinalável que se arriscou passar para cima do palco de forma surpreendente - sem qualquer percussão, as canções como que se ondularam, eruditas, numa intimidade e simbiose de perfeição tocante ou não fosse Eamon O’Leary no bouzouki, Thomas Deakin na guitarra eléctrica e clarinete e o, literalmente, grande Jacob Duncan na flauta e saxofone, um trio de astuta e rara cumplicidade. Tamanha elevação, mesmo com alguns atropelos irrelevantes nos acordes, teve na caixa negra do último piso do antigo quartel bracarense um reduto de resguardo e conforto a uma audiência esgotado de devotos silenciosos, apreço de requisito bendito em tempos de banalização lesiva do ruído.
No seu trejeito engraçado (aquele equilíbrio em pé de galo continua intratável), Oldham mostrou-se empenhado e certeiro na abordagem a um reportório de veia na americana de raiz folk, em que a liberdade e a camaradagem continuam a ser a seiva de uma composição peculiar e em contínuo batimento. Respirou-se, por isso, tanto em palco como na plateia, um amor verdadeiro pela boa música, daquela que há décadas o mestre Billy não se cansa, sem poluentes, de produzir milagrosamente. Uma lenda viva, viva a lenda!
BILL CALLAHAN, TEMOS HOMEM!
A contenda, a oitava em nome próprio, parece continuar um trilho experimental que "Reality" de 2022 desbravou, um género de registo sitiado numa sala de estúdio onde os erros e as surpresas continuam a acontecer. Um milagre é o que é, que só ele e os parceiros sabem fazer e que, neste caso, têm nome - Matt Kinsey, guitarrista, Dustin Laurenzi, saxofonista e Jim White, baterista.
Depois de umas poucas amolgadelas e muitos cruzamentos instrumentais, o resultado afigura-se enérgico, de profundeza desconhecida como convêm, mas de uma espontaneidade bravia que crescerá naturalmente. Ouça-se "The Man I'm Supposed To Be"... temos homem!
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
terça-feira, 4 de novembro de 2025
FAZ HOJE (31) ANOS #112
. Diário de Notícias, por Miguel Carvalho, fotografia de Orlando Teixeira, 6 de Novembro, p. ?
. Público, por Fernando Magalhães, fotografia de Paulo Pimenta, 6 de Novembro, p. 38
KEATON HENSON, O PONDERADO!
As novas canções quase nos fazem regressar a tempos do grunge, uma marca que na sua juventude se impregnou sem direito a dissolvente de nódoas, que isto das raízes não permite cortes profundos. A vontade com que gravou o disco é só sinónimo de uma sinceridade aberta a memórias e facetas antigas que não se escondem, não se apagam e que, na sua impetuosidade, ajudam a moldar uma evidência - temos homem confiante.
Curiosa a estratégia aplicada - a cada novo single têm-se seguido uma versão acústica caseira, talvez lembrando os fãs que a delicadeza continua activa, mesmo assim, validada por um desses novos temas de nome "Past It". Outras pérolas, como "Lazy Magician", tema que conta com a ajuda de Julia Steiner, são só mais contrapesos de um balanço ponderado.
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