Em quarenta e cinco minutos de recital, perante uma plateia sepulcral na bondade e respeito por um punhado de canções de dois álbuns já editados, tempo ainda para uma dupla de inéditos de um outro com data marcada para fruição total em Maio próximo. Na sua metade, quando já todos, quedos, contínhamos a respiração, emergiu "Husk", monumental homenagem ao que se chama morte, aqui moldada numa dádiva apontada ao alento gerador de vitalidade e a que a própria deu fundo em imagens de coreografia de negro colorida.
De Vermont para Guimarães, reduzindo as magníficas e sofisticadas orquestrações dos seus discos a uma guitarra e voz, a Frances não se podia, nem devia, pedir mais - fazer da aparente simplicidade de uma melodia e de uma lírica, a poção mágica em que a música se eterniza e nos continua, maravilhosamente, a emocionar!
Descendo às galerias do mesmo teatro, sugerindo um palco, às tantas, demasiado grande na dimensão, Jana Horn e o parceiro baterista não se intimidaram. Já chamada de folk surreal, foi na tristeza e na espera que a rudeza das canções se foi enleando na pouca luz de palco, um jeito lo-fi, por vezes dissonante, de contar histórias, adivinha-se, de cariz pessoal e autoral.
De apelo e fixação contínua por uma plateia já bem composta e na expectativa, tudo sugeriu estar inacabado, uma falta de depuramento propositada já por muitos tentada, sem sucesso, mas que alcançou ao fim de algum tempo a categoria de imperfeição bem-vinda a que a o botão da audição foi estimulando no nivelamento desejado. Curto, como se requeria, e sem truques, alguns farão a pergunta "É só isto?". Resposta: "E não é pouco!"
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