terça-feira, 6 de outubro de 2026

MERCURY REV, Hard Club, Porto, 2 de Outubro de 2026

O regresso ao Porto dos Mercury Rev tinha tudo para ser triunfal. Sala pequena de proximidade assinalável, plateia fiel de cem aficionados e músicos bem dispostos e interessados na partilha, mas um pormaior como que foi, no entanto, olvidado - o raio do SOM! 

Foi confrangedor, desde que Jonathan Donahue assumiu o microfone, a imperceptibilidade da sua voz, pior, a sua indefinição entre uma massa instrumental demasiado alta e em qua bateria assumiu particular reverberamento mutilador. 

Julgou-se, suspirou-se, para que o acerto fosse de imediato reposto por ser a falha demasiada notória. Apesar dos avisos de alguns espectadores fronteiros ao palco, sinalizando-a para o vocalista, ninguém, nem a banda, se interessou em perceber o defeito, não se vislumbrando alguma, qual quê, preocupação em melhorar. 

Mesmo que um ligeiro, ténue, aperfeiçoamento do nível se tenha, a instantes, verificado, o concerto estava como que condenado à desilusão apesar do forte empenhamento posto num alinhamento comemorativo dos vinte cinco anos de "All is Dream", de onde soaram, potencializados, "Hercules" ou o terminal "The Dark Is Rissing". 

Há, desde sempre, na atmosfera das canções, raízes de subtileza lírica e de instrumentalidade que fizeram dos Mercury Rev, quer em disco, quer em palco, uma instituição segura. Ao contrário e entre as muitas fumarolas, a noite desleixada de sexta-feira, mesmo que de psicadelismo exagerado, tornou-se quase ofensiva (a versão de "Holes" foi, a esse nível, exemplar) e de um estranho mercúrio adulterado...

TIM BERNARDES DE SECRETÁRIA!

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

UAUU #762

DAVID SYLVIAN, SILÊNCIO NA DISTÂNCIA!





















Desde que a versão eremita de David Sylvian teve início há mais quinze anos, têm sido poucas e raras as novidades ou surpresas. Entre reedições e remisturas, e mesmo que algumas preciosidades tenham emergido, a questão principal ficava sempre sem resposta - e quanto a um novo álbum de originais? 

Depois de "Manafon", de 2009, nada se afigura tão perentório como "The Distance Between the Killer and the Killing", o tal disco há muito esperado que esta semana se anunciou para sair na NANOQ Records,editora criada à medida da dimensão misteriosa com que Sylvian impregnou a sua carreira artística. 

Nada se consegue escutar da novidade, uma única peça instrumental de quarenta e seis minutos que resulta de várias sessões de improvisação registadas entre 2012 e 2025 com ajuda e colaboração de, entre muitos, Otomo Yoshihide, Jamie Drouin, Biliana Voutchkova e do amigo Ryuichi Sakamoto. 

Um pouco antes do final de Fevereiro do próximo ano, quando se farão já entregas físicas, a partir da Alemanha, das rodelas vistosas, talvez seja possível apreciar a beleza da nomeada distância mortífera. Para já é isto...