segunda-feira, 15 de março de 2010

3 X 20 MARÇO


20 canções:
. JULIAN CASABLANCAS - Out of the blue
. CARIBOU - Leave house
. FOOL'S GOLD - Night dancing
. THE VERY BEST - Nsokoto
. PHANTA DU PRINCE - Satellite sniper
. THE RUBY SUNS - Cinco
. FIELD MUSIC - Measure
. TUNNG - Hustle
. SAMBASSADEUR - Albatross
. JOSH ROUSE - Sweet Elaine
. TAXI TAXI! - Birdful eyes
. CLOGS feat. Shara Worden - On the edge
. JOANNA NEWSON - '81
. SUSANNA & THE MAGICAL ORCHESTRA - Come on
. FIONN REGAN - Lines written in winter
. LISA GERMANO - To the mighty one
. ANIMAL COLLECTIVE - Graze
. OWEN PALLET - Lewis takes off his shirt
. EFTERKLANG - I was playing drums
. THE OCTUPUS PROJECT - Half a nice day

20 versões:
. TOO SHORT - Whip it (Devo)
. MUNFORD & SONS - Cousisn (Vampire Weekend)
. CYMBALS EAT GUITARS - Ballad of nothing (Eliott Smith)
. TORO Y MOI - Master of none (Beach House)
. WE ARE SCIENTISTS - Be my baby (The Ronettes)
. BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB - Ring of fire (Cash)
. DAMIEN RICE - When doves cries (Prince)
. BILL JANOVITZ - Rocket man (Elton John)
. FLEET FOXES - On a good day (Joanna Newson)
. NATALIE MERCHANT - Space oddity (Bowie)
. DAMIEN JURADO - Murderer (Low)
. MARK GEARY - All I want is you (U2)
. HARPER SIMON - In between days (Cure)
. DM STITH - A soft seduction (David Byrne)
. THE WHIP - White wedding (Billy Idol)
. FRUIT BATS - Never tear us apart (INXS)
. FANFARLO - A minor place (Bonnie Prince Billy)
. THE MYSTERIES OF LIFE - This must be the place (Talking Heads)
. MAYER HAWTHORNE - This moon (James Pants)
. MASSIVE ATTACK feat. Tracey Thorn - The hunter gets captured... (Smokey Robinson)

20 remixes:
. STARS - Your ex-love is dead (Final Fantasy remix)
. PAUL WELLER - Wild wood (Portishead remix)
. BJORK - Wanderlust (Ratatat remix)
. THE XX - Islands (CHLLNGR remix)
. FOALS - Spanish Sahara (Mount Kimbie remix)
. LCD SOUNDSYSTEM - Bye bye Bayou (Baruk remix)
. OH NO ONO - Eleanor speaks (Caribou remix)

. NEON INDIAN - Shoul have taken acid... (Future Rock remix)
. THE VERY BEST - Warm heart of Africa (Theophilus London remix)

. PASSION PIT - Moths wings (Eric Salomon remix)
. WHITE LIES - Farewell to the fairground (Rory Phillips remix)
. THE JUAN MCLEAN - A human disaster (House of House remix)
. VITALIC - Second lives (The Bloody Beetroots remix)
. ROYKSOPP - Tricky tricky (No Kiss with Gloss remix)
. NEW YOUNG PONY CLUB - Chaos (Melé remix)
. HOT CHIP - I feel better (Dancing Robot Music remix)
. YEASAYER - One (XXX Change remix)
. GOLDFRAPP - Rocket (Grum remix)
. PHANTA DU PRINCE - Stick to my side (Fourtet version)
. THE PHENOMENAL HANDCLAP BAND - Baby (Clock Opera remix)

sexta-feira, 12 de março de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #134

DIRTY PROJECTORS & BJORK
Cannibal resource (Dirty Projectors)
Ao vivo, Housing Works Bookstore, Nova Iorque
8 de Maio de 2009

O QUE É NACIONAL


... deverá ser bom! O novo “Highviolet” dos The National sai em Maio pela 4AD, mas, tal como demos conta por aqui, os novos temas já andam ser experimentadas há quase um ano. Pormenores no site exclusivo.

EFTERKLANG NA INTIMIDADE


Os dinamarqueses Efterklang estrearam-se na editora 4AD com um grande disco! Não é só o incontornável single “Modern Drift” que engrandece o álbum “Magic Chairs”, havendo outras pérolas assinaláveis como “I was playing drums” ou “Alike”. A banda gravou uma notável sessão live para a editora no principal teatro da sua cidade natal, Copenhaga, onde se apresenta no formato escolhido para a actual digressão, um círculo ao jeito de ensaio. Não percam.

KAKI KING RULES


A jovem guitarrista Kaki King, que passeou talento no Theatro Circo em Julho passado, tem um novo álbum de originais de nome “Junior”. Gravado em Nova Iorque na companhia de mais dois amigos, o multi-instrumentista Dan Branting e o baterista Jordan Perlson, o disco anuncia-se como mais directo e simples que o emaranhado sonoro usado no anterior “Dreaming of Revenge”, opção que pode ser confirmada pela audição do single “Falling Day” no site oficial. A artista alerta, desde já, que neste novo trabalho não há um único momento de “guitar taping”, técnica sofisticada que a tornou famosa. O que é certo é que na actual tournée europeia, que desta vez não chega até cá, a destreza e brilhantismo continuará a marcar pontos, confirmando-a como uma das guitarristas mais conceituadas do actual panorama indie-rock.

quinta-feira, 11 de março de 2010

CHEIRA-ME A FÊMEAS FATAIS…

diz o Rei do Roque!

CAETANO A NORTE


Lemos ontem a notícia sobre os concertos lisboetas de Caetano Veloso previstos para 26 e 27 de Julho. Estranhamos a não vinda ao Porto, cidade mais que habituada a encher salas para o receber. Pois é, afinal e como é da praxe, Caetano também vai estar na Invicta para um concerto a 29 de Julho precisamente no Coliseu. O espectáculo serve de apresentação do álbum do ano passado “Zii e Ze”.

quarta-feira, 10 de março de 2010

DEZ ANOS CUL


A editora Record Makers, fundada em 2000 pelos Air, tem sido nos últimos dez anos um verdadeiro porta-estandarte da nova música francesa. A casa vive agora momentos festivos com a edição de uma compilação no iTunes e outras iniciativas. Entre elas merece particular destaque um exclusivo video para o tema “Look” de Sébastian Tellier, canção incluída no disco “Sexuality” (2008). O malicioso e sensual clip preparado para o iPhone pela dupla Mrzyk & Moriceau pode ser descarregado legalmente no site comemorativo. Vale mesmo, mesmo, a pena…

terça-feira, 9 de março de 2010

BEACH HOUSE CABARET


Antecipando os concertos previstos para semana, a Central Musical disponibiliza, por inteiro, o primeiro concerto dos Beach House em Portugal realizado no Cabaret Maxime de Lisboa em Novembro de 2008. Uma setlist de doze temas onde aparecem já um punhado de canções incluídas no novo álbum. A imagem deixa um pouco a desejar mas o som de sala é excelente!

O REGRESSO DA DIVINA COMÉDIA


Esta é a surpreendente capa de um novo disco, o décimo gravado em estúdio, dos Divine Comedy: Neil Hannon de chapéu de coco, cachimbo na boca, na companhia dum cão dentro duma banheira de espuma e uma garrafa de champanhe… Sai a 30 de Maio próximo e promete! Depois da aventura desportiva do ano passado chamada The Duckworth Lewis Method, este é regresso esperado dos velhos Divine Comedy aos discos clássicos. No último ‘Victory For The Comic Muse’ (2006) estava esta grande canção, aqui numa airosa versão parisiense. Música de rua de altíssima qualidade!

segunda-feira, 8 de março de 2010

ANE BRUN, Casa das Artes, V. N. Famalicão, 06 de Março de 2010


Não é a primeira vez, nem será de certeza a última, que Famalicão vive uma noite tão perfeita como a de sábado passado. Som e luz de sala irrepreensíveis, público calmo, respeitador, expectante e pronto a ser surpreendido e uma artista a medir-lhe o pulso, transbordando simpatia e, acima de tudo, talento. Ane Brun, na companhia da violoncelista Linnea Olsson, foi desenrolando, subtilmente, o seu novelo de canções, qual delas a mais bonita e, num abrir e fechar de olhos, já o concerto tinha mais de uma hora! Entre a maior parte dos temas, Brun foi-nos contando histórias de vida ou de sonhos, de amores ou separações, aproveitando para praticar o seu fluente castelhano aprendido numa antiga estadia em Barcelona, numa presença em palco verdadeiramente sábia. Confessou a surpresa pelo convite, aceite, que Peter Gabriel lhe endereçou para cantar nos próximos e exclusivos
concertos europeus de apresentação do disco de versões do ex-Genesis e, claro, ficamos todos a sonhar com uma viagem a Paris ou Londres. Contudo, de volta à terra, a sala foi-se rendendo à notável e harmoniosa simplicidade dos arranjos que uma guitarra e um violoncelo possibilitam e ao embalo contagiante duma voz tão quente. Na única interpretação ao piano, escolheu o recomendado “Another world” de Antony para recordar a luta colectiva por um mundo mais respeitador do ambiente, mas num ápice regressou à guitarra com “The Treehouse Song”, talvez o tema mais reconhecido pelo presentes. O encore, obrigatório, fez-se de duas versões, transformando o quase inaudível “Big in Japan” dos Alphaville e “It`s Allright (Baby`s Coming Back)” dos Eurythmics, em pérolas folk de fazer crescer água na boca. A meias com o público rendido tempo ainda para o encantador “Rubber & Soul”, um final à medida duma noite tão afectiva.

Antes de Ane Brun subir ao palco e ao jeito duma mini primeira parte, a violoncelista Linnea Olsson apresentou três temas da sua autoria a que devemos estar muito atentos num futuro muito próximo. Canções como “Ah”, "The ocean" ou “Dinosaur” são momentos pop assinaláveis que a artista gravou em CD caseiro simpaticamente vendidos no final no foyer do teatro.

MARK LINKOUS (1962-2010)


A notícia do suicídio de Mark Linkous, lider dos Sparklehorse, deixa-nos tristes, mas, apesar de tudo, não nos surpreende. Quem escreve e canta uma música tão bela e misteriosa como “Sea of teeth” do maravilhoso disco “It’s a wonderful life” (2001), vivia tormentos que uma vida inteira não pode certamente aguentar. Pena que em St. Maria da Feira (2006) este pedacinho de luz não tivesse sido eleito, mas pensando melhor, até foi bom assim. Há canções que só agora devem ser partilhadas… Peace!

sexta-feira, 5 de março de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #133

ANE BRUN & NINA KINERT
My lover will go Humming/Rubber & Soul (Brun)
Behind Closed Doors Roots, Paradiso
26 Novembro de 2006

ENQUANTO...

não há datas ibéricas para concertos dos Midlake, enquanto esperamos bem sentados, enquanto não há videos oficiais, todas as desculpas servem para os ouvir. Lindo este pedacinho do filme “Samurai III: Duel at Ganryu Island” de Hiroshi Inagaki (1956) com banda sonora inspiradora!

DOIS + DOIS


Um novo disco de Damien Jurado é sempre um momento especial. Em Maio será editado o seu nono trabalho que recebeu o nome de “Saint Barlett” e a produção, descrita como “spectoresca”, do amigo Richard Swift, o que eleva ainda mais a expectativa. O álbum foi inteiramente gravado no estúdio National Freedom, Oregan, numa só semana, com Jurado e Swift como únicos interpretes. Esta ligação pode, desde já, começar a ser destapada através da faixa “Arkansas” disponível para descarga gratuita no site da editora comum Secretly Canadian.


Uma outra inédita cooperação diz respeito ao mais recente disco de Bonnie Prince Billy. O irrequieto artista, mais que habituado a pacerias (Tortoise, Picket Line, Matt Sweeeney ous Dawn MacCartney, só para nomear alguns), escolheu Emmett Kelly, conhecido por The Cairo Gang, para gravar "The Wonder Show of the World" e para uma tournée conjunta. Há igualmente uma oferta, via editora Drag City, referente a uma versão de "Play Guitar, Play" da autoria de Conway Twitty, lendário cantor country norte-americano. O álbum foi devidamente apresentado desta forma no passado Dia dos Namorados...

quinta-feira, 4 de março de 2010

ANE BRUN EM FAMALICÃO


A lindíssima norueguesa Ane Brun estará em Famalicão no próximo sábado para uma noite, certamente, de encanto. Senhora de um voz estupenda, a cantautora radicada na Suécia gravou já seis discos desde 2003, tendo colaborado com gente tão diversa como Nina Ninert, Koop, Syd Matters ou Madrugada. Ficou conhecida no final do ano passado por encabeçar a organização do concerto “No More Lullabies” que marcou o Dia Internacional de Acção pelo Clima (24 de Outubro), reunindo diversos artistas suecos durante sete horas, contando-se entre eles o muito improvável contributo de Benny Andersson dos ABBA. O último álbum, “Changing of the Season” (2008), tem arranjos do conceituado Nico Muhly e conheceu, no mesmo ano, uma edição alternativa de nome “Sketches” com versões demo dos originais. Aliás, deverá ser este o formato do espectáculo de sábado (piano/guitarra e voz), que não dispensará, com toda a certeza, algumas versões de Cindy Lauper ou até Alphaville… É o regresso da Casa das Artes aos grandes concertos já que na mesma noite actuará ainda no Café Concerto o português João Coração e se anuncia para 28 de Maio a vinda exclusiva de Gary Numan!

quarta-feira, 3 de março de 2010

CIRCO DE QUALIDADE


A notícia da saída de Paulo Brandão do cargo de programador do Theatro Circo de Braga publicada pelos jornais “Diário de Notícias” e “Público” de ontem, suscitou, desde logo, um rol de comentários à portuguesa. O parágrafo do “DN” referente ao salário e às condições do contrato - “(…) auferia cerca de 11 mil euros/mensais e tinha um contrato sem termo que previa uma cláusula de rescisão.” – dá que pensar, mas a nós, como frequentadores pop-rock do espaço, preocupa-nos muito mais o futuro da programação. O teatro, reaberto no final de 2006, sempre esteve envolto em polémicas, principalmente entre os agentes sócio-culturais da cidade, mas o que é certo é que nos últimos dois anos as nossas viagens Porto-Braga diminuíram drasticamente. Tal como aconteceu com a Casa da Música (2005/2006), o Theatro Circo viveu no primeiro ano completo (2007) uma imbatível programação quanto à quantidade e qualidade dos concertos (memoráveis momentos com David Sylvian, Joanna Newson, Akron Family, Josh Rouse, Howe Gelb, Patrick Wolf, Susana & Magical Orchestra, Au Revoir Simone, Bonnie Prince Billy…), numa nítida estratégia de captação de públicos de todo o norte de Portugal e Galiza. Estará por avaliar, certamente, se o objectivo foi alcançado. Fica-nos a sensação que, apesar da região minhota ter mais de um milhão de habitantes (Viana/Braga) e de 15.000 alunos só na Universidade do Minho, a adesão local ainda deixa muito a desejar. Esperemos, no entanto, que o Theatro Circo mantenha uma aposta suficientemente alargada e de qualidade, porque ela faz falta a toda a região norte, nomeadamente, a um Porto penosamente esvaziado.

O MENINO DA RIA


O tema “Lewis Takes Off His Shirt” é o novo single retirado do disco “Heartland” de Owen Pallett e sai a 29 do corrente mês. Há já um video assinado pelo senhor M. Blash, multifacetado artista que tinha realizado o clip de “Blue Imelda”, canção de 2008 editada ainda sob o extinto nome de Final Fantasy. Pallett chega para a semana a Portugal para concertos em Lisboa e, milagre, Aveiro!

FAROL#82



A terceira experiência do desafio “Record Club” protagonizado por Beck já circula por aí. Desta vez o eleito para cobertura em 24 horas foi o álbum “Oar” de Skip Spence, um disco flipado de 1969. Beck tinha já participado com uma cover de “Halo of Gold” para um tributo ao autor editado em 1999. A ajuda desta vez veio, entre outros, dos Wilco, Feist (voz em “Wieghted down”) e Jamie Liddel (voz em “Book of Moses”). O caminho é o de sempre

terça-feira, 2 de março de 2010

O RETROSOUND DOS MAVIS


Andamos perdidinhos por um tema dos Mavis, este “Gangs of Rome“ com a voz de Kurt Wagner (Lambchop). Mas há mais: Candi Staton, Ed Harcourt, Edwyn Collins, Cerys Matthews ou Sarah Cracknell dos Saint Etienne são outros dos convidados do disco imaginado e produzido por Ashley Beedle.

segunda-feira, 1 de março de 2010

EP AO VIVO


A sexta edição do Festival EP ao Vivo decorre já na próxima sexta e sábado no Auditório Nascente (Rua 16, nº 1200 ) em Espinho. Destaque para a presença de B Fachada e Noiserv no segundo dia. Entradas ao preço da feira… de Espinho (2€)!

DUETOS IMPROVÁVEIS #132

KINGS OF CONVENIENCE & FEIST
Know How (KOC)
Ao vivo, Le Bataclan, Paris, 11 de Novembro de 2009

(RE)VISTO #31


HEAVY METAL IN BAGHDAD
de Suroosh Alvi e Eddi Moretti, VBS Tv, DVD, 2008

A chamada música de peso não escolhe culturas ou nações. Para surpresa de todos, tivemos até o Festival da Canção de 2006 dominado por uns estranhos e brincalhões finlandeses de nome Lordi, embora o documento de aqui vamos falar agora tenha que ser levado um pouco mais a sério. Os Acrassicauda (“Escorpião Negro”) são uma banda de heavy metal nascida em 2003 em Bagdad, Iraque, cidade onde deram, com algumas restrições, apenas três concertos até o país iniciar a desintegração. Influenciados pelos Metallica, Slayer ou Slipknot, a sua simples existência era vista pelo regime de Sadam Hussein como uma “maldição” e um sacrilégio, remetendo-os quase à clandestinidade. Cabelos longos, obviamente, que não eram permitidos, apesar do enérgico handbaggin que as reportagem desses pouco espectáculos documentam e o acesso a melhores condições ou sistemas sonoros, um sonho longínquo. Com a invasão do país e o controle da cidade por forças ocidentais, uma ultra-segura equipa ocidental da empresa VBS TV, onde milita o criativo Spike Jonze, decidiu documentar as aventuras destes persistentes músicos, promovendo o último concerto por terras iraquianas, realizado num hotel posteriormente bombardeado e recolhendo, in loco, testemunhos das múltiplas contrariedades. A situação haveria de agravar-se ainda mais com a destruição do local de ensaios e a quase totalidade dos instrumentos, levando alguns dos elementos a refugiaram-se na vizinha Síria. É neste país que todos se acabam por reunir para reiniciar os ensaios e organizar um primeiro concerto no estrangeiro. O entusiasmo e carinho de alguns aficionados, leva a banda até um estúdio roufenho, onde gravam algumas demos de originais, mas as saudades da terra natal, apesar da destruição, continua a deixar marcas. O filme, que em 2008 abriu a segunda edição do extinto (?) ViMus, Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim, acaba em ambiente emocional com a projecção privada de parte do documentário realizado em Bagdad, num documento em que prevalece uma sensação de inacabado. Fomos investigar e, claro, confirmaram-se desenvolvimentos surpreendentes

A banda passaria a seguir pela Turquia, local onde o estatuto de refugiado lhe permitiu viajar para os Estados Unidos. Aí, um livro foi já lançado com o relato de toda a história e os agora cabeludos Acrassicauda obtiveram já a benção do senhor Hetfield dos idolatrados Metallica. O “sonho americano” está muito perto da concretização total: vários concertos, um EP gravado, sede em Brooklyn e é vê-los no myspace e por todo o Youtube! Bem-vindos à selva...

JILL TRACY, C.Cult. Vila Flor, Guimarães, 27 de Fevereiro de 2010


A estreia portuguesa da cantora americana Jill Tracy não podia ter acontecido em dia mais apropriado: noite ventosa e chuva intensa a que faltou somente a trovoada tenebrosa. Não que a sua música seja enfadonha ou assustadora, mas o seu mundo, povoado por paixões bizarras, dá primazia a temáticas que, notoriamente, um clima de tempestade sugere e condiciona. Em estilo cinematográfico, Tracy contou-nos histórias inspiradas em supostos fantasmas de quartos de hotéis, em amores arrebatados dos filmes a preto e branco ou perturbadoras vibrações resultantes pela passagem dum simples caixão... À sua voz vincada, a lembrar Kate Bush ou até, ò sacrilégio, Brian Molko (Placebo), juntou-se a preceito, para além do seu piano/teclado, o violinista Paul Mercer. Esta perfeita cumplicidade, resultante duma colaboração já antiga e que, ainda este ano, terá edição em disco, entretanto, já gravado, permitiu construir um ambiente intimista e obrigatoriamente negro. Faltou, talvez, um suporte visual de fundo, uma selecção de fotografias ou até filmes que a própria artista não teria qualquer dificuldade em seleccionar. A plateia, algo fria e apropriadamente a jogar à defesa (não é fácil escutar, logo à abrir, uma canção sobre tortura...), só com o final do adequado “Evil night together” e um cheirinho de Rolling Stones ("Paint it Black"), se mostrou mais efusiva e entusiasmada. A esta canção, eleita para diversas séries e filmes independentes americanos, juntou-se, preferencialmente, uma escolha criteriosa do último disco “Bittersweet Constrain”, um trabalho descrito como ainda mais pesado e misterioso que os três anteriores. Ficou-nos na memória um tema escrito propositadamente para um Baile de Vampiros da cidade de São Francisco ("I can't shake it"?), um exótico exercício de composição que faria, com toda a certeza, excelente figura num outro baile vampiresco que o Teatro Sá da Bandeira tem por hábito receber em tempos de cinema dito de fantástico. Já no encore, depois dum venenoso “Doomsday” e tal como prometido em entrevista prévia (jornal i de 23 de Fevereiro), o final far-se-ia com uma pequena dose de improvisação, inspirada e devidamente testada in loco ao longo da tarde chuvosa e que soube, notoriamente, a pouco. Um espectáculo denso e subtilmente apelativo que merecia um cenário mais intimista como um salão oitocentista do próprio palácio de Vila Flor ou uma masmorra do Castelo de Guimarães. Certamente que o netherworld da artista faria ainda, misteriosamente, mais sentido. (foto:jornal i)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

JÁ CÁ FALTAVA!

A já habitual visita anual de Rufus Wainwright a Portugal acontece já no próximo mês de Maio com concertos no Coliseu do Porto (6 de Maio) e Aula Magna (7 de Maio). Segundo o Blitz, os bilhetes aqui pela Invicta custam, a partir de sexta-feira, entre os 35 e 40€ (auchhhh!). O espectáculo, tal como em Famalicão em 2008, será certamente a solo (piano/guitarra) e servirá de apresentação do novo “All Days Are Nights: Songs For Lulu”, disco já por aqui anunciado e que foi devidamente explicado em entrevista ao jornal "The Guardian" de ontem. Aqui fica mais um shakesperiano inédito desse disco.

BILL CALLAHAN, Festival Sinsal.Oito, Auditório Caixanova, Vigo, 19 de Fevereiro 2010


O álbum do ano passado de Bill Callahan talvez tenha passado despercebido a muita gente. Contudo, uma única audição de “Sometimes I Wish We Were An Eagle” é suficiente para perceber a grandeza da composição que uma subtil e irrepreensível dose de arranjos clássicos permitiu engrandecer. Depois há o humor e os metaforismos das letras. E depois há ainda, milagrosamente, aquela voz suave que, de imediato, nos envolve e nos desfaz os sentidos. No pequeno, mas belíssimo, anfiteatro galego, o ex-Smog apareceu simplesmente acompanhado do baterista Neal Morgan, uma dupla primorosa apostada em transformar a noite num serão vitorioso e memorável. Se em alguns casos, poucos, houve temas que perderam alguma eficiência (notoriamente “Jim Cain” ou “Rococo Zephir”), noutros, a maioria, bastou a conivência cruzada de uma guitarra e uma bateria para nos “agarrar” definitivamente. O último álbum foi o principal fio condutor (magníficos “Eid Ma Clack Shaw” ou “Too many birds”), embora com algumas falhas (“Faith/Void” não foi alinhado), mas Callahan distribuiu também pérolas mais antigas como ”Sycamore”, “In the pines”, “Let me see the colts” ou o velhinho “Bathysphere”, inebriante momento rock onde se destacou a destreza e talento dum baterista também ele cantautor. O já clássico “Rock bottom raiser”, no final do único encore, encerraria da melhor forma uma aveludada noite de música em ambiente acolhedor, numa cidade que urge redescobrir. Oportunidades não vão faltar!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A MEIA-IDADE DE TRACEY THORN


A primavera, que já tarda, marcará o regresso de Tracey Thorn aos discos. O segundo trabalho a solo depois dos Everything But The Girl tem o nome de “Love and Its Opposite” e será editado em Maio pela Merge Records nos E.U.A. e pela Strange Feeling na Europa, casa do seu parceiro Ben Watt. Ouvindo o primeiro tema, – “Oh, the Divorces!”, em oferta no site da cantora – percebe-se o regresso a uma base mais simples e de menor peso electrónico, com arranjos para piano e guitarra decorados por algumas orquestrações. O disco foi produzido pelo berlinense Ewan Pearson e conta com colaborações diversas, de Jens Lekman (dueto em “Come on Home to Me” de Lee Hazlewood) aos dinamarquese Figurines, de Al Doyle dos Hot Chip a Jona Ma dos Lost Valentinos, que surge em “Swimming”, a última das dez canções. A artista confessou que a vida real e os seus altos baixos foram a principal inspiração para as novas composições. Temas como o casamento (“Long White Dress”), o divórcio (o referido “Oh, the Divorces!”) ou a solidão (“Singles Bar”), são alguns dos diferentes problemas familares que a metafórica capa de John Gilsenan (I Want Design) bem espelham. Quanto a apresentações ao vivo, a sentença está bem expressa no site oficial e atesta uma estranha estratégia “século XXI”: “Tracey will not be playing live or touring with the new album but we will be filming and recording live performances to be shown on YouTube and other channels soon.”!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

FAROL #81



O clube 40 Watt situado em Athens, Georgia, recebe na próxima sexta e sábado dois concertos homenagem a Vic Chesnutt. Denominados “The Vic Shows: A Celebration of Vic Chesnutt's Life and Music” o evento contará, entre outros, com a presença dos Lambchop, Mark Linkus, Victoria Williams ou Will Johnson. O mesmo clube recebeu em Agosto de 2006 uma dose dupla de concertos do colectivo Undertow Orchestra, onde, para além de Mark Eitzel, David Bazan e o mesmo Will Johnson, se destacava o génio de Vic Chesnutt. Parte destes espectáculos podem ser agora descarregados, sem encargos, através deste link.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

UMA FAMÍLIA E PÊRAS


Em 2004, Devendra Banhart, Joanna Newson e os Vetiver, telentosos artistas sediados em São Francisco, partiram para uma afamada digressão conjunta pelos Estados Unidos. Partilharam palcos, problemas e alegrias, conheceram gente e heróis esquecidos em viagens atribuladas e paisagens inesquecíveis, momentos parcialmente contidos num belíssimo livro já editado. Na altura, o amigo comum Kevin Barker, que também participava como guitarrista, filmou a epopeia e criou um documentário a que chamou “The Family Jams”, curiosamente o mesmo nome dum álbum escrito por Charles Manson gravado em 1970. Nele aparecem ainda outros artistas como os Espers ou Antony em início de carreira. O filme estreou o ano transacto em alguns festivais (Montreal, Sarasota e Copenhaga) e chega a Nova Iorque no final do mês. A curiosidade sobre este documento é, para nós, imensa, tendo em conta que em Abril desse ano, Devendra Banhart esteve na companhia de alguns dos Vetiver por terras de St. Maria da Feira, na primeiro Festival Para Gente Sentada, no que constituiu, sem dúvida, um dos concertos (o concerto?) da década. Talvez uma próxima edição dum qualquer festival (o Indie Lisboa?) faça o obséquio de não esquecer este prometedor documento. Por enquanto, let’s look at the trailer…

The Family Jams - Trailer from kevin barker on Vimeo.

A NOSSA SHARONA


Lemos no DiárioDigital que o vocalista dos norte-americanos The Knack, Doug Fieger, faleceu ontem com 57 anos, vítima de cancro. Era o co-autor do indispensável “My Sharona” (1979), nome duma ex-namorada chamada Sharona Alperin e que acabou fotografada para a capa do disco. Foi o primeiro e único single de sucesso da banda. O tema era obrigatório em muitas festas de liceu desses tempos e escolha lógica de qualquer (bom) revivalismo dos anos oitenta. Versões são já muitas e nem os Pearl Jam ("My Verona"), Yo La Tengo, Veruca Salt ou Nirvana resistiram. Dos The Knack não conhecemos mais nada e o único single de vinil da nossa colecção é, claro, o referente à tal Sharona Alperin. E chega muito bem! Peace… Ooh you make my motor run, motor run.

NOVO DISCO DE RUFUS WAINWRIGHT


O sexto álbum de estúdio de Rufus Wainwright tem datas definidas. A 23 de Março sairá no Canadá, seguindo-se o Reino Unido (5 de Abril) e os Estados Unidos (20 de Abril). Nesse mês e depois do cancelamento da digressão australiana por motivos conhecidos, Rufus regressa aos palcos par uma intensa digressão a solo por terras inglesas, onde, na mesma altura, estreará no Sadler’s Wells Theatre (12 a 17 de Abril), a ópera “Prima Dona”. O novo trabalho “All Days Are Nights: Songs For Lulu”, o prometido disco de voz e piano, tem inspiração em Shakespeare, particularmente nalguns dos seus sonetos. Três deles, como consta da track-list já conhecida, foram musicados depois de experimentados por diversas vezes ao vivo. Outras canções apresentam títulos curiosos – “Martha” que talvez se refira à irmã Martha Wainwright, “Who Are You New York?” ou o conhecido “Zebulon” que encerra o disco, tema muitas vezes escolhido para espectáculos desde 2007 mas nunca gravado oficialmente. Aqui fica um dos referidos sonetos, o “Sonnet 43 (When most I wink)”, num concerto parisense do ano passado.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

EGOLOGICA MENTE


Sem egologia, em tempos de esplendor das redes sociais e da primazia da visibilidade sobre os conteúdos, um excelente artigo para ler na Inrockputibles.

3 X 20 FEVEREIRO


20 canções:
. YEASAYER – I remember
. OWEN PALLETT – The great elsewhere
. EFTERKLANG – Modern drift
. THE RADIO DEPT. – David
. WILD BEASTS – The fun powder plot
. FOUR TET – Plastic people
. HOT CHIP – Alley Cats
. ELIZABERH FRASER – Moses
. VAMPIRE WEEKEND – Taxi cab
. ADAM GREEN – Castles and tassels
. GRIZZLY BEAR – Ready, Able
. THESE NEW PURITANS – Hologram
. THE ANTLERS – Shiva
. MIDLAKE – Children of the grounds
. VOLCANO CHOIR – Still
. BROKEN BELLS – October
. LIARS – No barrier fun
. STORNOWAY – Zorbing
. LOS CAMPESINOS! – A heat rash in the shape of the show…
. WAVE MACHINES – The line

20 versões:
. YATCH – Holiday (Weezer)
. VAMPIRE WEEKEND – Ruby soho (Rancid)
. BECK feat. JLidell + Feist – Dixie Peach Promenade (Skip Spence)
. GROOVE ARMADA - Are friends electric (Gary Numan)
. FLORENCE & THE MACHINE – My Baby just cares for me (Nina Simone)
. CALEXICO – I send my love to you (Will Oldhan)
. THE MORNING BENDERS - Lovefool (The Cardigans)
. TWIST – Lost cause (Beck)
. HOT CHIP – Nothing compares to you (Prince)
. GRIZZLY BEAR – Boy from school (Hot Chip)
. LEISURE SOCIETY – Cars (Gary Numan)
. PETER GABRIEL – My body is a cage (Arcade Fire)
. WOODPIGEON - Lay your love on me (ABBA)
. THE RURAL ALBERTA ADVANTAGE – Eye of the tiger (Survivor)
. VANDAVEER - Hey, That's No Way to Say Goodbye (Leonard Cohen)
. GRADÁ - The queen and the soldier (Suzanne Vega)
. FEIST & BEN GIBBARD – Train Song (Vashti Bunyan)
. ST. VINCENT – Mistaken for strangers (The National – live)
. JOSH RITTER – The river (Springsteen)
. BILL JANOVITZ - Little mascara (Paul Westerberg)

20 remixes:
. THESE NEW PURITANS - We Want War (SBTRKT Remix)
. DIGITALISM - Taken Away (Gooseflesh Remix)
. TWO DOOR CINEMA CLUB – Undercover Martyn (Jupiter Remix)
. NOISETTES - Every Now and Then (Khan Edison Remix)
. MATT & KIM - Daylight (Troublemaker Remix feat. De La Soul)
. DELPHIC – Doubt (What Kind of Breeze Do You Blow Remix)
. LO-FI-FNK - City (The Teenagers Remix)
. PHOENIX – Fences (Delphic Remix)
. MIIKE SNOW – Silvia (Hugg and Pepp Remix)
. HOT CHIP - Touch Too Much (Fake Blood Remix)
. KASPER BJORKE – Alcatraz (Kenton Slash Demon Remix)
. MASSIVE ATTACK feat. Hope Sandoval- Paradise Circus (Gui Buratto Remix)
. THE XX – Islands (Delorean Remix)
. THE ANTLERS – Two (Buffet Libre Remix)
. WHO MADE WHO - I Lost My Voice (Moullinex Remix)
. FLORENCE AND THE MACHINE - Drumming Song (Boy 8-Bit Remix)
. CHARLOTTE GAINSBOURG - Heaven Can Wait (Grizzly Bear Remix)
. GRIZZLY BEAR - Don't Ask (Final Fantasy Remix)
. OWEN PALLETT - Keep the Dog Quiet (Simon Bookish Remix)
. THE RADIO DEPT. - David (The Rice Twins Remix)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O JARDIM DOS CLOGS


Enquanto esperamos pelo novo disco dos The National, aqui fica uma sugestão condicionada: chamam-se Clogs e da banda fazem parte Bryce Dessner, um dos gémeos dos referidos The National e Padma Newsome, o multi-instrumentista do mesmo grupo e que é ainda o responsável pela totalidade da composição. O quarteto editou já quatro álbuns, todos instrumentais, mas o próximo disco a sair em Março vai ser diferente. O novo trabalho recebeu a colaboração vocal de Sarah Worden (My Brightest Diamond) na maioria dos temas e ainda de Aaron Dessner, Mat Berninger e Sufjan Stevens, que aparece em dueto com Sarah Worden na canção final “We are here”. Intitulado “The Creatures in the Garden of Lady Walton”, o disco teve inspiração no exótico jardim de Lady Walton, viuva do compositor inglês William Walton, localizado na ilha italiana de Ischia (Nápoles), local por onde Padma Newsome passou em 2005. A capa, magnífica, é dos nossos conhecidos dinamarqueses Hvass & Hannibal (Efterklang p.ex.). Entretanto, foi recentemente disponibilizado, via iTunes, um novo EP digital de nome “Veil Waltz” que agrupa nove temas instrumentais, o que, juntando o próximo disco, é muita música para descobrir.

PETER GABRIEL COM COMICHÃO


Ao fim de oito anos, Peter Gabriel decidiu voltar ao estúdio para gravar um álbum inteiro de versões de artistas favoritos. Dos Arcade Fire aos Magnetic Fields, de Regina Spektor aos Radiohead, de Bowie aos Talking Heads, os doze originais sofreram uma descompressão orquestral assinalável, numa toada integralmente calma, como pode ser confirmado na totalidade a partir de hoje no site do jornal The Guardian. O disco tem o nome de “Scratch My Back”, havendo a promessa de um álbum-resposta intitulado “I'll Scratch Yours”, onde cada artista agora "coberto" fará uma versão dum tema de Gabriel. Há já um exemplo desta troca, com Stephen Merritt (Magnetic Fieds) a debruçar-se sobre "Not One of Us" (ver video abaixo), original incluído em "Peter Gabriel" (1980), terceiro disco do ex-Genesis onde repousava ainda o hit "Games Without Frontiers".
A partir de Março, algumas das principais cidades europeias receberão o músico para concertos seleccionados de apresentação do novo trabalho, onde se fará acompanhar por um orquestra “sem bateria”, como faz questão de assinalar. Entretanto, duas das covers encontram-se já a flutuar por aí, com particular destaque para a magnífica “Flume” de Bon Iver.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

TOM WAITS NO PORTO (meia-verdade)!


Muitos de nós esperam há anos a vinda de Tom Waits a Portugal. Não somos, no entanto, os únicos a desesperar. Na ilha de Maiorca há até um evento denominado “The Waiting For Waits Festival”, em que cada artista contratado tem que, obrigatoriamente, interpretar um original de Waits, já para não falar no tema tributo que músico de jazz Richie Cole decidiu gravar em 1979 com o nome de “Waiting for Waits” ou no adorável “Tom Waits” de António Pinho Vargas…
Certamente cansados de esperar, os elementos do TUP-Teatro Universitário do Porto puseram mãos à obra e escreveram o argumento da próxima apresentação com base nas músicas, palavras e personagens do próprio artista: "Alimentados pelo génio inconfundível de Waits, vertemos as nossas próprias histórias na construção de um trabalho que, não sendo um tributo ao músico, é uma visão dos seus fantasmas, dos locais que habitam e das suas emoções.”
A peça chama-se “ALAN” (Thomas Alan Waits é o nome de baptismo do génio) e pode ser vista a partir de 17 de Fevereiro na Fundação José Rodrigues, no Porto. Break a leg!

SEM PALAVRA(S)


O genial caricaturista André Carrilho é o autor do desenho de capa da mais recente edição da revista inglesa “Word” com uma caricatura de Bob Dylan. A partir de uma sugestão do editor chefe da publicação, Mark Ellen, a proposta de Carrilho surpreendeu os responsáveis da revista que não tiveram dúvidas em apostar no desenho do português. Já em 2004, o autor tinha assinado uma outra caricatura de Dylan para a mesma publicação e que pode ser devidamente apreciado no seu site oficial. Em 2008, alguns originais estiveram patentes na excelente exposição "Frente e Verso" que decorreu na Galeria do Jornal de Notícias aqui no Porto.

Já agora, ao visitarem o site da “Word” aproveitem e ouçam o novo podcast com o coleccionador Phil Smee. Histórias à volta de vinis, discos raros, músicos e viagens, bem como uma surpreendente versão regaee do tema “Mayfair” de Nick Drake editado pela Trojan Records com a voz de Millie!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #130

THE LAST SHADOW PUPPETS &
ALISON MOSSAHART (The Kills)
Paris Summer (Lee Hazlewood)
Canal +, França, Agosto de 2008

OWEN PALETT E LISA GERMANO A NORTE


Depois dos concertos agendados para o Teatro Maria Matos em Lisboa, Owen Pallett (foto) ainda terá tempo para subir até ao Centro Cultural e de Congressos de Aveiro e realizar por ali o único concerto no Norte do país da actual digressão. Será no próximo dia 12 de Março, sexta-feira e espera-se com ansiedade um grande espectáculo de apresentação do magnífico "Heartland".
Outra importante novidade é o regresso de Lisa Germano que, segundo o blog Juramento Sem Bandeira, estará na Casa da Música no próximo dia 7 de Abril sem se conhecerem, no entanto, mais pormenores. Boa!
ACTUALIZAÇÃO: Lisa Germano fará a primeira parte do concerto de Phil Selway, baterista dos Radiohead que assim se estreia a solo. Pormenores por aqui.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

VAI UM BAIXO DO JORGE ROMÃO?


O baixista dos GNR, Jorge Romão, decidiu ajudar a corporação de bombeiros de Vila Praia de Âncora, local onde habita, leiloando dois dos seus baixos exclusivos. Podem ler a notícia no JN de hoje e podem, acima de tudo, divulgar a iniciativa ou, quem sabe, licitar um dos instrumentos. Uma causa simples para tentar resolver problemas difíceis que, infelizmente, ainda subsistem em muitas localidades portuguesas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ARCTIC MONKEYS + MYSTERY JETS, Coliseu do Porto, 02 de Fevereiro de 2010


Já passaram quase oito anos sobre a inocência que explodia em temas como “Fake Tales of San Francisco”, “Cigarette Smoke”, “Dancing Shoes”, “From Ritz to the Rubble” ou “Mardy Brun”. Por razões óbvias, nenhuma destas canções foi escolhida pelos Arctic Monkeys para o concerto de ontem no Porto, num alinhamento muito semelhante ao previamente anunciado e que se deve repetir hoje na capital. Os miúdos de então cresceram a todos os níveis, assentaram ideias, deitaram para trás das costas muita dessa verdura e algum cabelo e ao terceiro disco, avançaram, entre brumas negras, para algo mais estruturado e profundo. A primeira parte do espectáculo foi o espelho desta nova faceta, uma potente entrada envolta em luzes vermelhas, num ambiente anunciado pelo DVD “At the Apollo” (2009). Com “Brainstrom” o Coliseu deu um salto instantâneo, respondendo a um baixo que agora se faz notar de forma mais acentuada, marcando passo para o que se seguiria. A excelente versão de “Red Right Hand” do inspirador Nick Cave, uma escolha nada inocente, pôs travão na euforia e “My Propeller” e ”Crying Lightning” culminaram, da melhor maneira, a sequência mais bem conseguida da noite. Surgiu então, atirada da plateia, uma camisola do FCP com o nome da banda estampado nas costas, oferta que Alex Turner calmamente inspecionou e agradeceu, colocando-a em cima da bateria para gáudio da maioria do público. Apesar da goleada que se adivinhava no Dragão, a partir daqui o concerto perdeu, quanto a nós, alguma consistência. Doseando novos temas com alguns clássicos obrigatórios (“The View From The Afternoon” ou “I Bet You Look Good On The Dancefloor”), o equilibrio foi-se desfazendo e só o entusiasmo constante dum Coliseu frenético e jovial manteve a tarimba, de que é exemplo o delirante “When The Sun Goes Down” cantado a um só fôlego. Momentos depois, uma explosão de pequenos rectângulos dourados espalhar-se-ia no recinto durante “Secret Door”, sinal que a festa se aproximava do fim. No único encore, “Fluroscent Adolescent” ainda retomou a dança, mas as luzes do Coliseu, apesar da gritaria, rapidamente se acenderam. Um concerto robusto, duma banda que, passada a fase de crescimento, se encontra, a olhos vistos, a “botar corpo” musculado.

Na primeira parte tocaram, de forma competente, os Mistery Jets. Alguns fãs na plateia conseguiram entusiasmar o restante público e o concerto ganhou até momentos surpreendentes. Um powerpop de tradição inglesa, bem enraizado e trabalhado, a merecer mais atenção, de que é exemplo o single "Flakes" com que termiraram a curta, mas sóbria, aparição.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

FEVEREIRO POP-ROCK


Em início de mês aqui ficam duas sugestões fresquinhas.
A primeira diz respeito ao novo álbum dos suecos Sambassadeur, o terceiro desde 2003. Tem o nome de “European” e só pela capa já vale a pena o destaque. Chamam-lhe “Twee Pop” (?) e, na tradição nórdica da última década, confirmam-se grandes canções e brilhantes arranjos, como o prova o single “Days” já disponível no site oficial. Uma banda para (re) descobrir.


A segunda sugestão vem de Londres e recai sobre o muito aguardado disco dos Tunng, os tais que fizeram de “Pioneers” dos Bloc Party um bom-bom ainda mais apetecível. O quarto álbum “…And Then We Saw Land”, com outra lindíssima capa, sai dia 1 de Março e arrisca menos na electrónica, dando primazia ao folk-rock de tradição inglesa. Uma banda surpreendentemente atraente e que ao vivo, como testemunhado no Natal de 2007, não deixa ninguém indiferente. Já há borlas para os mais apressados.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

SONIC YOUTH NO COLISEU


O novo ano marca, sem dúvida, o regresso do Coliseu da cidade aos grandes concertos. Amanhã são os Arctic Monkeys, em Maio os Grizzly Bear e, sabe-se agora, os Sonic Youth em Abril (a 23, sexta-feira)! É a primeira vez que a mítica banda de Nova Iorque visita a Invicta e também a estreia, salvo erro, num espaço fechado (experiências ao ar livre no velho Campo Pequeno em 1993, no Sudoeste em 1998 e Paredes de Coura em 2007). Só faltam os Pixies…
Entretanto, inaugura depois da amanhã em Madrid a exposição SONIC YOUTH etc. : SENSATIONAL FIX, que apresenta em reprospectiva as multidisciplinares actividades da banda desde 1981 e a sua ligação a diversos e artistas da cidade como Dan Graham, Vito Acconci, Tony Oursler, Cindy Sherman, John Miller, Christian Marclay, Jutta Koether, Isa Genzken, Tony Conrad, Reena Spaulings, Maya Miller ou Rita Ackermann. Comissariada pelo holandês Roland Groenenboom em colaboração estreita com os próprios músicos, a mostra foi anteriormente apresentada na sala LiFE de St. Nazaire (França), no Museion de Bolzano (Itália), no Kunsthalle/KIT de Düsseldorf (Alemanha, ver video) e no Konsthall de Malmö (Suécia). Ficava mesmo bem no melhor museu do país, ou seja, em Serralves.

DUETOS IMPROVÁVEIS #129

ALBIN DE LA SIMONE & YAEL NAIM
What a wonderful world (Armstrong)
Programa “Die Na­cht”, Canal Arte, 2007