quinta-feira, 25 de setembro de 2025

LEE FIELDS A BOM CAMINHO!





















Passaram quase cinco anos sobre uma suposta peregrinação a Santiago de Compostela para pagar uma promessa a São Lee Fields. Entretanto, um tal de Covid 19 começou a fazer das suas e lá tivemos que esperar até ao verão courense de 2023 para lhe fazer a devida vénia, apesar da brevidade da aparição

Num género de repetição inverosímil, alinha-se para Janeiro uma intensa digressão do soulman norte-americano por Espanha e não é que há concerto marcada para Santiago de Compostela para dia 25, domingo? Bilhetes só na segunda feira. Grazas!   

FAZ HOJE (24) ANOS #109

 




















DAVID SYLVIAN, Coliseu do Porto, 25 de Setembro de 2001 
. Jornal de Notícias, por Miguel Graça, fotografia de José António Domingues, 26 de Setembro de 2001, p. 43 

terça-feira, 23 de setembro de 2025

JOAN SHELLEY, VERDADEIRO TESOURO!





















Ao pequeno disco de ternura dedicada à filha saído o ano passado, Joan Shelley acrescenta agora, em pleno, um álbum de canções, o sétimo, gravado em Toronto com a ajuda do amigo Ben Whiteley (The Weather Station). Não admira, por isso, que entre os treze originais, para além do marido Nathan Salsburg, se note a presença de Tamara Lindenman ou Doug Paisley. 

Em "Real Warmth", que a No Quarter editou na última semana, há pois novos ares, longe do Kentucky natal e de uma certa ruralidade country, mas, ouvindo o disco, a magia que Shelley aporta à composição soa como que se tivesse agitado numa nova poção perfumada de bom gosto. Há muito que lhe exaltamos o estilo, que a temos por indispensável, é tempo agora de a abraçar como um verdadeiro tesouro! 



FAZ HOJE (27) ANOS #108



















LOU REED, Praça Sony, Expo 98, Lisboa, 23 de Setembro de 1998
 
. Público, por Fernando Magalhães, fotografia de Bruno Rascão, 25 de Setembro de 1998, p. 39

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

UAUU #748

MIDLAKE, PONTE DA HARMONIA!





















Os texanos Midlake, nestas andanças das canções há vinte cinco anos, registaram mais um álbum de boa cepa, como transparece da dupla de inéditos já em audição. O disco, apurado no estúdio de Denton, foi produzido pelo grande Sam Evian, que toca também saxofone tenor e acrescenta vozes ao lado de Hannah Cohen e Meg Lui. Entre os originais, conta-se um dueto de Eric Pulido com Madison Cunningham no tema "Guardians", e outras pérolas de harmonia folk-rock como "Days Gone By" são de sedução imediata. 

O sexto álbum, de nome "A Bridge to Far", sairá a 7 de Novembro pela Bella Union e segue-se, quatro anos depois, a "For the Sake of Bethel Woods", contando com digressão inglesa e pela Europa continental já no final de Janeiro de 2026.


 

Entretanto, e a propósito da morte de Ozzy Ousbourne em Julho passado, a banda fez questão de recordar a versão "Am I Going Insane" dos Black Sabbath que integrou a compilação "Late Night Tales", sonoridade que influenciou, decisivamente, o embalo da obra prima "The Courage of Others" de 2011. Outra recente versão, inesperada e acústica, de "I Shall Be Released" de Bob Dylan dá sinais, que um dia qualquer, um disco de covers até que seria bem bom...


quarta-feira, 10 de setembro de 2025

3x20 SETEMBRO

SESSA, VALE A PENA!





















A terceira insistência de Sérgio Sayeg aka Sessa, brasileiro com estadias prolongadas por Los Angeles, chega em Novembro pela Mexican Summer e vai valer a pena. Em "Pequena Vertigem de Amor", afina-se toda uma sonoridade retro que discos anterior pareciam afagar na nostalgia tropicalia e que agora recebeu transformação grandiloquente, expandindo orquestrações, arriscando novos instrumentos e assentando influências. 

Entre Abril de 2024 e Março de 2025, o estúdio Cosmo de São Paulo recebeu cinco sessões onde Biel Basiel, baterista dos O Terno e Marcelo Cabral, baixista e compositor, assumiram a produção e ajudaram a dimensionar as possibilidades de progressão - à guitarra, como em discos anteriores, que comandava a composição e muitas das apresentações ao vivo, foram sobrepostas linhas de piano, sintetizador, guitarra wah-wah e até caixas de ritmos por contágio soul e jazz de gente como Shuggie Otis, Roy Ayers, Sly Stone, Tim Maia e até os amados Erasmo Carlos e Amado Maita. 

São nove as peças da colecção e "Vale a Pena" é a percursora e, logo, irresistível novidade na qual Sessa larga a guitarra para se aventurar num piano Suette brasileiro...

 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

DUETOS IMPROVÁVEIS #307

BRIGHT EYES & HURRAY FOR THE RIFF RAFF 
Dyslexic Palindrome (Oberst) 
EP "Kids Table", Dead Oceans Records
E.U.A., Setembro de 2025

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

CASSANDRA JENKINS+GEORDIE GREEP+BAR ITALIA+BLACK COUNTRY NEW ROAD+KING KRULE+MK.GEE, Festival Paredes de Coura, 15 de Agosto de 2025

A peregrinação anual a Coura está a ficar cada vez mais custosa. No preço, na vontade, na disponibilidade, mas muito no estreitar da paciência para lidar com multidões. Deve ser da idade, da nossa em contraponto à da maioria... 

Mesmo sabendo que não era ali, nem à luz do sol, que a estreia de Cassandra Jenkins em solo nacional merecia ter acontecido, não disfarçamos que o esforço teve como impulso principal a jovem artista de Nova Iorque. Sem deslumbramentos, o concerto confirmou-se calmo, a planar a caloraça estranha do recinto mais pequeno, mas talvez a precisar de um melhor acerto da amplificação que ajudasse no cintilar das subtilezas magníficas das canções de "My Light, My Destroyer" e de pérolas mais antigas como "New Bikini" ou "Michelangelo". A partilha, ainda assim, afigurou-se compensadora e ternurenta, uma oscilação notada na mensagem que Jenkins leu visivelmente emocionada perante o forte aplauso de aprovação e agradecimento pelos cinquenta minutos de descontraída suspensão.

 

Dois anos depois e já com os Black Midi em frangalhos, Geordie Greep voltou ao Minho para fazer das suas, isto é, sarrabulhada da boa. Com base em "The New Sound", disco a solo que se confirmou como um dos melhores de 2024, o concerto fez estourar ainda mais os desvarios que as canções originais já sugeriam, uma avalanche de instrumentos onde coube até um violoncelista e muita rodagem ao vivo. À potência da bateria de Morgan Simpson enleou-se um verdadeiro novelo de guitarradas e muita diversão, a que o figurão, no seu jeito chaplin, e alguns parceiros costuraram palhaçada e irrequietude. "Holy Holy" foi, a esse nível, notável: "tudo bem ", "obligado", "muito bom" e "cala a boca". Já agora, "f*** you to" Greep!

 

Depois do cancelamento do ano passado, os londrinos Bar Italia prometiam dar o litro. Espremida, a contenda até que passou as marcas pré-estabelecidas ou não fosse este indie rock de tensão revigorante e que tem na trilogia da voz em rodopio um essencial e raro atributo. Escusado destacar Nina Cristante que, no meio do palco e à custa de uma ventoinha e uma saia travessa, ainda mais fez aumentar a temperatura de um concerto certeiro e que dá esperanças seguras quanto ao valor do rock. Não deverá ser preciso esperar muitos anos para os ver no estrado principal do "couraíso".

 

Quem dignificou esse palco de maneira surpreendente foram os Black Country New Road. Temíamos que a pop barroca e de alguma experimentação se diluísse encosta acima, mas, pelo contrário, ela como que se foi ondulando na porção certa para embriagar a multidão receptiva à propagação mágica de elevada fineza e qualidade. Arriscada, a façanha mostrou-se crescente e de uma pedagogia instrumental sem falhas, que isto de ser jovem músico em Cambridge requer tarimba apurada e entrosamento consistente. Compreende-se, (re)imagina-se agora melhor a beleza de "Forever Howlong", disco deste ano na sequela do abandono amigável do fundador Isaac Wood, e que têm nas vozes da três meninas um academismo notável que transformou o anfiteatro num género de Epidauro da pop. Se aos Belle & Sebastian, há trinta anos, se atiravam bocas quanto aos desafinanços e defeitos instrumentais, apupos inconsequentes tendo em conta a frescura das canções, de nada disso se pode acusar estes BCNR, uns verdadeiros continuadores de uma pop inglesa acutilante, refrescante e, caramba, adulta. Como notado, o futuro está mais que assegurado. Salvé!

 

Não pode ser coincidência, mas há sempre nos concertos de King Krule um nevoeiro artificial, ora colorido ora pálido, que faz um efeito de bondade e de nostalgia interrogadas na origem, mas que se assume importante na emergência do timbre de voz, da poética muito própria das líricas e até na variação de velocidade de muitas das canções. Tudo a saber a um cocktail único de jazz com rock e umas pitadas de hip-hop e punk que os ouvidos agradecem pelo vanguardismo e afronta a convenções de composição. Em Coura, repetindo a presença de 2017, Krule foi como que uma variação crescida de uma certa inocência que vimos brotar em 2012 e que, logo ali, nos pareceu irresistível e de cariz marcante. Raramente lhe vimos a cara, raramente lhe vimos as expressões, raramente reparamos na cor do cabelo. Muitas vezes, pelo contrário, foram simplesmente as canções o bastante para que o concerto se agigantasse na noite, arrefecida no clima, mas calorosa na fruição. Viva o rei, siiiiiiiiiiiiiii!

 

Por falar em nevoeiro fumarento, de Mk.gee só ouvimos muitas vezes o disco de estreia "Two Star & the Dream Police" (2024), por sinal, um cartão de visita "estranhante" embebido de soft-rock e nostalgia FM. Quedamos sem o conhecer e sem o ver pelo exagero propositado de bruma em palco, negritude por vezes avermelhada de fim de noite a lembrar velhinhos videoclips dos Foreigner ou ZZ Top, o que não é mau sem ser bom. Resumindo, vamos continuar a ouvir o tal álbum sem qualquer preconceito ou travão, bem melhor opção que outra qualquer aparição a três dimensões de um tal Michael Todd Gordon... sem flash!

terça-feira, 19 de agosto de 2025

FAZ HOJE (21) ANOS #107





















MARK EITZEL + WRAYGUNN + MARK LANEGAN + THE KILLS + BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB, Festival Paredes de Coura, 19 de Agosto de 2004
 
. Diário de Notícias, por Ricardo Jorge Fonseca, fotografia de Amin Chaar, 21 de Agosto, 
. Público, por Pedro Rios e Nuno Passos, fotografia de Marco Maurício, 21 de Agosto, p. 39




sexta-feira, 15 de agosto de 2025

FAZ HOJE (32) ANOS #106





















VAYA CON DIOS + PRINCE, Estádio de Alvalade, Lisboa, 15 de Agosto de 1993 
. Sete, por Rui Miguel Abreu, fotografias de Pedro Santa Bárbara, 19 de Agosto de 1993, pp. 20-21 
. Público, por Jorge Dias, fotografias de Miguel Silva, 17 de Agosto de 1993, p. ?


domingo, 10 de agosto de 2025

6x20 AGOSTO

















Eram pr'aí sete e pico, oito e coisa nove e tal... de música!
 

FAZ HOJE (22) ANOS #105





















BECK + BETH GIBBONS + THE STEREOPHONICS + MOLOKO, Festival Sudoeste, Zambujeira do Mar, 10 de Agosto de 2003
 
. Público, por Vitor Belanciano, fotografias de Rui Gaudêncio, 12 de Agosto de 2003, p. 35



terça-feira, 29 de julho de 2025

NYRON HIGOR e BATATA BOY, Von & Vonnie, Porto, 27 de Julho de 2025

A zona ocidental da Porto é, também hoje, uma zona acidental, no sentido complementar da palavra. Pela Rua do Heroísmo fora, e até à estação de Campanhã, vão-se espalhando novas lojas, tendências, projectos e aventuras que acabam em boas surpresas. O concerto do brasileiro Nyron Higor e do amigo e parceiro Batata Boy num desses locais inusitados, num final de tarde de um domingo calorento, é a prova que a cidade, afinal, ainda vibra!

Higor é um jovem que repegou na onda eterna da bossa nova e deu-lhe uma compleição nordestina, carregando ao de leve em algumas correntes electrónicas quase sempre guiadas pelo violão acústico. Transparece um modo muito próprio e calmo de enfrentar as canções de auto-produção, caseira e didáctica, que o álbum de estreia "Fio de Lâmina" (2022) sinalizaria como artesanal, praticamente, instrumental e de ambientes diferenciados. 

O tempero chamou a atenção da londrina Far Out Records que já este ano lançou o homónimo segundo disco que Higor andou a apresentar pela Europa com Batata Boy, produtor e multi-instrumentista certificado. Lado lado, num jeito informal de roda de amigos, os dois construíram uma sequência tranquila, quase crua, que cruzou instrumentais antigos e novas canções, tudo bastante suculento e, diríamos, milagroso. Autocarros, bicicletas, trotinetes, turistas distraídos ou cromos da zona, a tudo resistiu esta banda sonora para uma tela vidrada, a tudo se sobrepôs pela sua eficácia, beleza e, como não, fortuna. Que bata, pois, forte o sino da Senhora da Saúde...

(Novembro 2025: video removido a pedido do artista)

sábado, 26 de julho de 2025

MANTA VINTAGE PARA RODRIGO AMARANTE!

















O festival vimaranense Manta faz vinte anos em Setembro e a festa já tem programa oficial - dia 12, sexta, sobem ao palco do jardim o duo Hot Air Balloon e o senhor Sérgio Godinho e os seus Assessores, e dia 13, sábado, é a vez de Bia Maria e do brasileiro Rodrigo Amarante, que, assim, regressa ao norte do país ao fim de quase um ano. Acesso gratuito, como sempre!

quinta-feira, 24 de julho de 2025

THE BLACK KEYS, Auditorio de Castrelos, Vigo, 21 de Julho de 2025

Mike Oldfield (1993), Metallica (1999), The Beach Boys (2001), Oasis (2002), Patti Smith (2010), Leonard Cohen (2012), Lauryn Hill (2019) ou Sting (2022). Pelo Auditorio de Castrelos de Vigo, situado num complexo ao ar livre de parque arborizado e monumentos, já passaram estes e muitos outros nomes internacionais, mas certo é que nunca lá fomos... A oportunidade que agora se criava com o agendamento, surpreendente, dos The Black Keys por parte do Concello de Vigo para as festas da cidade não deixava margem para dúvidas - a missão, em estreia, teria que ser cumprida, mesmo que à última da hora! 

A procura de bilhetes para acesso restrito ao recinto, nesta e noutras ocasiões, têm motivado verdadeiras colas madrugadoras e, apesar da inscrição online atempada, a sofreguidão informática pareceu-nos resultar em banhada e desilusão. Mas eis que, por milagre da Virgem do Carmo, se confirmou a compra de um, e só um, boleto. Preço: 15€! 

O recinto, na hora da chegada, estava já bastante preenchido na bancada granítica que rodeia o palco, espaço de acesso livre, sem necessidade de bilhete ou controle, onde uma concentração assinalável de lancheiras e garrafame se fazia já notar. Perto do palco, os pagantes, onde orgulhosamente nos incluímos, haveriam de preencher sem pressas o terreiro, pouco relvado, até ao momento em que o alcaide local irrompeu palco dentro para reafirmar o orgulho na presença da banda, um verdadeiro achado rockero, dizemos nós, atendendo ao programa sofrível agendado para o verão. Mande sempre Sr. Caballero, e para o ano, já sabe, não se esqueça do Jack White! 

Sem aquecimento, que assim ficou mais barato, os The Black Keys também não necessitaram de cortesias prévias. O carburante está há muito tempo (2001!) infiltrado na máquina, apesar de alguns emperros temporários da dupla, e não foi difícil prever a sua perfeita engrenagem - Dan Auerbach assumiu-se como o frontman guitarrista (aquele "Weight of Love"...) e principal vocalista de uma torrente de canções em catadupa, sem direito a mimos ou frescuras, que o rock quer-se sem gelo e de enfiada. Não se perdeu tempo, por isso, com muitas apresentações ou salamaleques aos restantes músicos (4) e nem Patrick Carney, o baterista e produtor parceiro, teve direito a solar como, às tantas, deveria ter acontecido/merecido. 

O alinhamento, um pouco mais curto que o habitualmente escolhido na corrente digressão, não desiludiu ninguém, repleto que esteve de uma colecção de hits e preferências dos aficionados, alguns com direito a coro colectivo como, quase logo a abrir, em "Gold on the Ceiling", "Fever", "Tighten Up" ou "Howlin' for You", pedradas agitadoras, ainda hoje, certeiras. Pelo meio, uma dupla de canções novas ("Man on a Mission" e "No Rain, No Flowers" de um disco de originais a sair já em Agosto) e uma versão escorreita e a matar de "On the Road Again" dos Canned Heat, hipnótico com quase sessenta anos! O encore previa-se memorável. 

A escolha de "Little Black Submarines", semi-balada acústica que é rematada já em plena electricidade, serviu para que o recinto fosse banhado por luzes móveis e preparou a respiração para o incontornável "Lonely Boy", hino intergeracional de irresistível riff e dança comunitária que um tele-disco icónico haveria de eternizar. Ohhhh, oh, oh, ohhhhhhh, que grande concerto!