sábado, 24 de setembro de 2022

JESCA HOOP, ÁLBUM LIBERTADOR!





















A menina Jesca Hoop, apesar da sua nacionalidade inglesa, fez da América a sua casa e viveu, como todos, os dois últimos anos de forma triste, acumulando incertezas ou apressando decisões emparedada por mitos e obstáculos obscuros. 

Da aparente dúvida colectiva saíram forças para mais um disco a que chamou "Order of Romance", um trabalho de nítida aspereza em comparação com o último álbum de 2019 mas com vantajosa nitidez nas influências, nas subtilezas e qualidades da escrita libertadora. Para saber ouvir com atenção e paixão...


sexta-feira, 23 de setembro de 2022

THE DELINES, DUETOS PERDIDOS!





















Vindo dos maravilhosos The Delines nunca são demais histórias, digressões, canções e, neste caso, duetos esquecidos. A vocalista Amy Boone e o mentor Willy Vlautin adoram cantar ao desafio e ao longo dos anos chegaram mesmo a escrever e ensaiar alguns deles ao jeito de Nancy Sinatra e Lee Hazlewood mas as circunstâncias nunca permitiram a sua concretização pública. 

Há agora, contudo, um novo 7" em vinil de capa vintage em pré-encomenda chamado "The Lost Duets" com duas amostras dessa faceta, sendo já audível "My Blood Bleeds The Darkest Blue", a primeira a ser conhecida, e que confirma a talentosa reinvenção de uma sonoridade tradicional e sem qualquer peso da idade.  

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

MAN & THE ECHO, SEM DISFARCE!





















Os britânicos Man & The Echo parecem ser um daqueles casos de alegre resiliência nos, poucos, discos que gravaram desde que se lançaram nestas lides da música em 2016. Assumem-se, por isso, sem orçamento ou jogos de influência mas ficam contentes quando se fala deles ou aderem a digressões para abrir para quem os convida de modo cortêz. Foi assim que os conhecemos por Braga aquando de uma visita de Neil Hannon/The Divine Comedy, meia hora para confirmarem o seu excelente travo new wave com direito a conversa e sessão de autógrafos divertida

Passaram três anos mas a atitude cool parece não ter mudado. Sem grandes recursos, jogando na eterna força de pisar um palco ou de ouvir um dos seus temas na rádio, editaram agora um EP que mais parece um LP de nome "Simulacra" repleto de (sete) grandes canções e a que colam imagens em video na tentativa imediata de se fazerem ouvir como merecem... e sem simulações!


BYE BYE VINIL?
















Sinceramente, esperávamos uma notícia com esta há já alguma tempo! 
A problemática ambiental levantada pela produção e conservação dos clássicos discos de vinil em plástico, melhor, em policloreto de vinila / PVC, de que tantos gostamos é, amiúde, motivo de discussão entre amigos com a mesma paixão e onde a questão se centra na inexistência de uma ou várias alternativas ecológicas não tóxicas. 

Uma primeira e, aparentemente, séria solução foi desenvolvida em Inglaterra a partir do açúcar (?) e de que resultou um bioplástico com qualidade idêntica ao do velhinho vinil na reprodução da gravação. Será que é mesmo o fim da geração do plástico musical? (ler no Público de hoje)

REVEREND BARON, RESPEITÁVEL NOSTALGIA!















Uma pesquisa por "Baron" na rede irá encaminhar-vos de certeza para o cromo Sacha Baron Cohen e, por isso, há quer refinar a procura que interessa - Reverend Baron, essa sim, uma sugestão imperdível de efeito calmante que é um perfeito mistério e uma boa surpresa através do álbum "From Anywhere..." que a Colemine Records, uma subsidiária da Karma Chief americana, editou em Junho passado. 

Parece estranho que uma casa de artistas com acentuadas vocações soul e funk (Neal Francis ou Durand Jones são só dois bons exemplos) abra a porta a uma sonoridade de tão nobre e pegajosa nostalgia onde os blues e a folk se espalham sem esforço mas basta ouvir "On the Roundabout" ou "It's My Turn (To Cry, Cry, Cry")" para a receita se estender ainda ao r&b, tudo a lembrar Cass McCombs, Little Wings ou o saudoso, e também misterioso, Tobias Jesso Jr

Esta é a segunda investida num disco grande que se segue a "Overpass Boy" de final de 2019, outra recomendável colecção em auto edição e que foi a estreia artística maturada e assumida por Danny Garcia, o nome verdadeiro deste antigo skater que, com a ajuda de outro compincha da prancha de rolamentos chamado Matt Costa, se transformou a partir de 2013 em Reverend Baron. Façam-lhe, desde já, uma vénia!

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

NICK DRAKE, BIOGRAFIA ADIADA!





















O dia de hoje estava marcado como data de edição de "Nick Drake: The Authorised Biography", da autoria de Richard Morton Jack, pela clássica editora londrina John Murray Publishers Ltd. A capa e arranjo gráfico estão, aparentemente, aprovados e onde se faz notar um sorridente e tímido Drake perante a máquina fotográfica de Keith Morris. O conteúdo (352 páginas) adianta-se como inédito e abrangente mas sinalizado e aprovado pela família facilitadora no acesso a arquivos e outros documentos originais.

Certo é, contudo, que a data de saída do livro não vai ser cumprida. O autor continua envolvido numa demanda intrincada e vamos ter que esperar até Setembro do próximo ano para que uma prometida claridade sobre tão curta e enigmática vida do pobre do rapaz ganhe, finalmente, mais alguns contornos de nitidez.       

UAUU #657

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

terça-feira, 13 de setembro de 2022

BIG THIEF, ENTÃO O PORTO?





















There is no reason to believe...

ROZI PLAIN, PRÉMIO EM JANEIRO!





















A menina Rozi Plain terá álbum novo pela Memphis Industries logo em Janeiro de 2023. O sucessor do magnífico "What a Boost" foi propositadamente limpo de adornos e sofisticações, limitando-se na sua base ao uso da voz e da guitarra eléctrica, um instrumento que a próprio construiu e aperfeiçoou, e de algumas colaborações amigáveis. Chamou-lhe simplesmente "Prize".

De Bristol para Londres, onde agora concentra a sua actividade, é assim natural a ajuda da voz de Kate Stables (This Is The Kit) e do saxofone de Alabaster DePlume que se podem ouvir no primeiro single "Agreing For Two" (o mesmo saxofone de DePlume pode ser também notado em "Fractals", o mais recente single de Beth Orton). O tema tem video a cargo do amigo Jack Barraclough.

Plain tinha já realizado, em 2019, uma remix para o tema "Be Nice To People" que DePlume incluíu no álbum "If In Doubt Yes: The Corner of a Sepher Live & Remixed", tendo recentemente partilhado palcos e perfomances com o saxofonista. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

COURTING, Hard Club, Porto, 8 de Setembro de 2022

A música inglesa, como qualquer outra, vive de ciclos e modas nem sempre imediatamente perceptíveis ou sequer confirmadas. Cabe, quase sempre, à imprensa fazer o seu papel vigilante de utilidade duvidosa, o que no caso britânico é um hábito recorrente e que agora se repete numa nova tendência a que deram o risível nome de "guitar music". O NME fez já o seu testamento prévio e nele incluiu os Courting, quarteto de Liverpool ainda sem álbum editado mas já gravado e que está aí a rebentar num par de semanas. Nome do disco: "Guitar Music"! Fomos, então, ver e ouvir o "fenómeno" antes que estoure... ou se esvazie. 

Perante meia centena de curiosos e meia dúzia de jovens fãs que até já cantam as letras dos temas, a mistura de gerações refletia, por si só, a razão do ajuntamento - os mais velhos, em maioria, na expectativa de perceber se o sangue da guelra anunciado fluía sem coágulos e disfarces e os mais novos, em minoria, nas tintas para o passado desde que a animação ajudasse à festarola e ao recreio. Bem tentaram os Courting que a coisa pegasse fogo imediato, mas a ignição agitadora demorou a brotar apesar de "Tennis" e "Football" se terem colado sem paragem numa tentativa inicial de vivacidade e que contemplou, mais à frente, descidas do vocalista até à plateia, apelos a maior proximidade do palco e elogios à cidade. 

Nada a dizer quanto ao esforço e até firmeza de algumas das canções - "Slow Burner" e "Loaded" são só dois dos bons exemplos - mas os ingredientes da receita remetem sem contemplações para uma colagem chapada a punk rock americano tardio (aquele vocoder...) ou britpop escangalhado que manteve alguma eficácia sem nunca alcançar um deslumbramento. Divertida, essa sim, a sessão de discos pedidos ou karaoke improvisado que em dez minutos de interacção e brincadeira pôs a rodar Cee Lo Green, Weezer, Avril Lavigne, Talking Heads ou, erghhh, Sum 41. Uma curte de cortesia!     

WEYES BLOOD ILUMINADA!





















A trilogia iniciada por Weyes Blood com o "Titanic Rising" em 2019 terá suspirada continuidade em Novembro quando "And in the Darkness, Hearts Aglow" for editado pela Sub-Pop. A nova fase transpira instabilidade e indefinição quanto a tudo o que nos rodeia e que levou e leva Natalie Mering a duvidar do amor sem união ou da felicidade sem partilha.

As novas canções são, assim, não uma resposta ou solução para os desalentos, mas uma forma assumida de iluminar o lado bom de uma qualquer dúvida existencial. "It's Not Just Me, It's Everybody" pois então... 

BILL CALLAHAN, EDADILAER!

O anúncio apareceu a meio do mês de Agosto. Bill Callahan teria álbum novo em Outubro de título "YTI⅃AƎЯ" ao lado dos parceiros Matt Kinsey, Emmett Kelly, Sara Ann Phillips e do grande Jim White na bateria, expressando a razão do regresso, a inspiração para as doze canções ou o porquê de querer metais e vozes no disco. Só não havia era música nova para ouvir. Até hoje! 

Com "Coyotes" ficamos, desde logo, de queixo caído a suspirar pelo restante deleite e, por isso, acrescentamos a versão de "Don't You Go" incluída no álbum "Voids" de Old Fire, projecto do músico John Mark Lapham, e à qual Callahan dá voz. O tema é um magnífico original de John Martyn de 1981 e conta ainda nesta cover com a ajuda, entre outros, de Thomas Bartlett (Doveman) no piano. Mais um disco a que se deve ficar atento... 


domingo, 11 de setembro de 2022

FAZ HOJE (25) ANOS #83





















U2, Estádio de Alvalade, Lisboa, 11 de Setembro de 1997 
Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografias de Paulo Spranger, 13 de Setembro de 1997, p. 34

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

LAMBCHOP, BÍBLIA ANTOLÓGICA!





















Perto dos sessenta e três anos e dezasseis álbuns depois, não deve ser fácil para Kurt Wagner, o mentor e curador dos Lambchop, reinventar-se na escrita de canções ou acompanhar tendências. Fazendo o que lhe dá na real gana, desta vez ausentou-se propositadamente da produção do novo disco "The Bible" que sairá na final do mês e que já por aqui sinalizamos com uma primeira e bem conseguida amostra. Mas há outras... 

O ateísmo de Wagner não o impede de se confrontar com a espiritualidade que afirma existir sem religião, penetrando numa imparável dimensão de susto e isolamento por causa da pandemia mas também de sobrevivência e conforto pela proximidade da família, libertando preconceitos e os tais espíritos para novas experiências - um pouco de funk, de disco e sucedâneos aportados por músicos de Minneapolis a quem não colocou amarras e se deixou ir em todas as direcções, como se comprova nos três temas já conhecidos. Um bíblia de antologia!


MÁRIO BARREIROS, EXCELÊNCIA NA CASA!

















"Não haverá muitos nomes assim, que tanta gente tenha inscrito nas prateleiras lá de casa e não saiba bem quem é.

Assim começa uma entrevista de Mário Barreiros à Time Out de Abril passado que talvez abrevie demoradas explicações biográficas sobre um produtor e músico do Porto essencial naquilo que ouvimos em discos de Abrunhosa, Rui Veloso, Clã ou Jorge Palma, só para citar alguns, mas também na afirmação do jazz na cidade, na sua pedagogia e aprendizagem instrumental, nomeadamente a bateria que toca de forma exemplar. 

A opção por um retiro a que se obrigou durante anos, teve em Janeiro uma notável interrupção com a edição do álbum "Dois Quartetos sobre o Mar", trabalho recomendável realizado com dois quartetos - o "Pacífico," ao lado de Abe Rábade (piano), Carlos Barreto (contrabaixo) e Ricardo Toscano (saxofone), numa toada mais calma e contemplativa e o "Abissal" com José Pedro Coelho (saxofone), Demian Cabaud (contrabaixo) e Miguel Meirinhos (piano), mais denso e exploratório na sonoridade. O disco, em auto edição, tem fotografias do próprio e de que é bom exemplo a imagem de capa captada perto de casa, ali pelo mar da Aguda. 

Suspiramos, assim, por uma apresentação ao vivo por perto, concertos que têm acontecido de forma selectiva e até gratuita, mas que agora encontrou uma noite imperdível: no âmbito da programação do Outono em Jazz da Casa da Música está confirmado o dia 11 de Outubro, terça-feira, para que na sala Suggia se ouça a (sua) excelência... 


terça-feira, 6 de setembro de 2022

UAUU #656

ELIZABETH FRASER, A VIRTUDE DA ESPERA!





















À boleia do João Lisboa, fomos ouvir como deve ser o EP que Elizabeth Fraser editou recentemente na Partisan Records. A voz inesquecível dos Cocteau Twins há muito que tinha prometido o regresso que acontece com Sun's Signature, nome do projecto e do disco ao lado do marido Damon Rice, mas que demorou, nalguns casos, doze anos a aperfeiçoar e, noutro caso ("Golden Air"), vinte e dois anos a concluir! Uma espera divinal...


sábado, 3 de setembro de 2022

MOONAGE DAYDREAM EM IMAX!





















Tal como anunciado, a estreia do documentário "Moonage Daydream" sobre David Bowie da autoria de Brett Morgen terá apresentação única a 15 de Setembro próximo, quinta-feira, em três cinemas IMAX do país, a saber, CascaisShopping, Colombo e Mar Matosinhos Shopping. No caso deste último local, os bilhetes acima dos 11€ estão disponíveis para cinco sessões consecutivas e... imersivas!

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

MARY LATTIMORE, ENORME COMPOSIÇÃO!
















Após uma intensa digressão que passou por Braga em Maio, multiplicou-se em Julho ao lado dos Beach House pelo continente americano e só terminou em Agosto ao lado de Neil Halstead em Amesterdão, Mary Lattimore dedicou algum tempo a combater da melhor maneira aquele depressivo chamamento que, dizem, acontece sempre que uma tournée acaba e se regressa a casa - um novo e belíssimo tema com sua harpa a que chamou "The Last Roses" e que se estende, sem pressas, ao longo de dezasseis minutos... 

THE UNTHANKS, MAGIA INCONFUNDÍVEL!





















O novo álbum "Sorrows Away" das The Unthanks anunciado em Abril e que tem sido aos poucos conhecido oficialmente, continuará a ser apresentado ao vivo na sua totalidade com a ajuda de um ensemble de onze elementos, um formato grandioso que pode ser confirmado parcialmente no video do segundo single "The Old News". 

Para trás, "The Bay Of Fundy", um original do americano Gordon Bok de 1975, foi o primeiro avanço do disco que terá edições em vários formatos disponíveis a partir de 14 de Outubro e que confirma e prolonga, sem mágoas, a magia inconfundível das manas Becky e Rachel... (Un)thanks


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

KEVIN MORBY, TÃO LONGE E TÃO PERTO!















Três anos sem um concerto de Kevin Morby parece ser demasiado tempo para quem, como nós, não se cansa do rastilho das suas canções em cima do palco. Com o cancelamento da sua partiicpação no SBSR deste ano, Portugal ficou de fora da digressão europeia que continua este mês por Inglaterra e com duas datas aqui ao lado já para a semana (Málaga e Madrid). 

Esta penosa ausência faz ainda mais mossa atendendo a que o álbum que suporta o actual espectáculo ("This Is a Photograph") se afigura entusiasmante na sua transposição colectiva de elevada potência, o que se pode confirmar numa gravação milagrosa do sempre atento canal Arte feita o mês passado aquando da passagem de Morby pelo Festival La Route du Rock em St. Malo, França. Disponíveis também actuações no mesmo evento de, entre outros, Baxter Dury ou Fat White Family. Para reduzir distâncias...

PETER BRODERICK, PIANO PRIMOROSO!





















Uma já antiga residência artística no Sirius Arts Center de Cobh, Irlanda, permitiu a Peter Broderick assentar uma série de composições ao piano que ao longo dos anos foi acumulando involuntariamente na sua cabeça, fazendo a sua transposição definitiva para pautas apropriadas e motivando o seu acabamento e acerto. A tarefa valeu a edição do manual "Piano Works Vol. 1", publicado há cerca de cinco anos, e onde se incluía uma gravação dos vinte pedacinhos ao piano em jeito de prática pedagógica e escolar e que só se podiam ouvir comprando o tal livro. 

Ao mesmo tempo, surgiu uma peça completamente inédita em jeito de homenagem ao local onde brotou, recebendo, por isso, o título de "Sonata for the Sirius" que agora se dá a conhecer como primeiro avanço de "Piano Works Vol. 1 (Floating in Tucker's Basement)", a disponibilização em vinil e CD da referida e rebuscada compilação que, mesmo assim, foi agora integralmente tratada por Tucker Martin, engenheiro e produtor americano afamado pelos processos de restauro e valorização que aplica no seu estúdio de Portland, Oregon. 

O refinamento primoroso terá edição pela Erased Tapes já no final deste mês, mantendo-se o bonito livro disponível para aquisição. Peter Broderick tem, entretanto, regresso marcado ao Porto no dia 15 de Outubro no alinhamento do Amplifest (Hard Club).

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

UAUU #655

IRON & WINE, VERSÕES LORI!





















As canções de Lori McKena não disfarçam de imediato a sua raiz onde o country se encontra com a folk de forma sublime naquilo que vulgarmente se designa por Americana. A qualidade refinada da sua música valeu-lhe já nomeações para Grammy's e convites sucessivos para ilustrar o fundo sonoro de filmes, uma notoriedade que se têm espalhado aos poucos em sugestões do género "de amigo para amigo". O caso de Sam Beam aka Iron & Wine é exemplar - o retiro pandémico proporcionou o tempo necessário para explorar o catálogo e songbook confessional de McKena de forma conveniente, tal como lhe tinha aconselhado o tal amigo conhecedor, motivando a gravação de um EP com quatro dos seus temas favoritos. 

Em "LORI", a ser lançado para semana pela Black Cricket Recording Co, Beam aplica mais uma vez o talentoso dom de fazer suas as canções dos outros (basta lembramo-nos de Cindy Lauper), para o que conta com a ajuda avant-garde da banda Finom (OHMME), ou seja, Sima Cunningham a Macie Stewart e ainda do produtor Matt Ross-Spang, uma reinterpretação inédita registada no mítico estúdio Sam Phillips de Memphis no Tennessee. Provem lá a primeira experiência Lori...  

terça-feira, 30 de agosto de 2022

DUETOS IMPROVÁVEIS #264

ALICE BOMAN & PERFUME GENIUS 
Feels Like a Dream (Boman) 
Álbum "The Space Between", PIAS Records, Outubro de 2022

ARCTIC MONKEYS, IRRESISTÍVEL!





















A excelente cambalhota sonora que os Artic Monkeys ensaiaram em 2018 com "Tranquility Base Hotel + Casino" sugere ter continuação magnífica com o novo álbum a sair em Outubro pela Domino Records. Em "The Car" agrupam-se dez novas canções saídas da mestria de Alex Turner, uma irresistível sumptuosidade que o primeiro tema "There’d Better Be A Mirrorball" engrandece a cada audição (830 mil visualizações em pouco mais de meio dia!). Os Artic Monkeys tocam na sexta-feira, dia 2 de Setembro, em Lisboa no festival Kalorama.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

ALABASTER DePLUME, (DES)CONCERTO?















A polivalência artística de Alabaster DePlume, nome por si só de uma inusitada estranheza, estende-se desde a composição, à poesia, ao jazz e a uma militante actividade antifascista entre excentridades desarmantes. O personagem sabe, contudo, muito bem o que faz e de que é prova consistente o álbum "Gold" editado em Abril passado, fruto de um aturado trabalho de duas semanas no londrino Total Refreshment Centre no verão de 2020 e para onde convidou uma série de músicos e artistas de forma intencional e programada - a cada dia, reunia no estúdio alguns deles sem tempo para ensaios desde que estivessem prontos a responder aos sons uns dos outros... O resultado funde-se num género de spoken word espiritual de raiz jazzística cujo tema inicial recebeu até título em português ["A Gente Acaba (Vento em Rosa)"]!

Ao vivo não admira que a amálgama artística alcance uma faceta de perfomance e sessão de esclarecimento com direito a imagens e que teve estreia no país agendada para Braga em Julho de 2021 mas que uma série de limitações à circulação internacional trocou as voltas, levando ao cancelamento do espectáculo. A passagem pelo Festival Tremor nos Açores em Abril último deixou marcas de agitação profundas, experiência que tem este mês repetição no MusicBox lisboeta (23 de Setembro) e, supostamente, no dia seguinte no mesmo Theatro Circo, tal como consta do cartaz oficial. Só é pena que tal presença não esteja confirmada em nenhum parte da programação do recinto minhoto. Um desconcerto, certamente...




JOEY DeFRANCESCO (1971-2022)













No final de Julho, o começo de férias teve no concerto de Joey DeFrancesco em Viana do Castelo um excelente momento de descontracção e prazer que só o jazz alcança sem dificuldade. Bem disposto, DeFrancesco prometeu voltar para nova rodada mas quis o destino que esse fosse o seu penúltimo espectáculo ao vivo e o último na Europa. Ao fim de mais de trinta álbuns e uma infindável lista de colaborações e parcerias, o teclista genial faleceu na passada quinta-feira para tristeza e surpresa generalizada. Peace, Joey!

terça-feira, 16 de agosto de 2022

DOMi & JD BECK DE SECRETÁRIA!

BRUNO BAVOTA E CHANTAL ACDA, CURTA DISTÂNCIA!
















Num encontro informal do compositor italiano Bruno Bavota com a holandesa Chantal Acda ocorrido há já alguns anos, aventou-se a hipótese de uma futura colaboração artística que só ficou à espera da melhor oportunidade. Com o confinamento e isolamento obrigatórios dos últimos dois anos, esse encontro acabou, naturalmente, por acontecer mas, mesmo assim, sem que os dois se tivessem sequer cruzado no mesmo estúdio. À distância, desenvolveu-se um esforço criativo a partir de casa onde aos arranjos de piano de Bavota se juntou a voz de Acda. O resultado, calmo e de leve intimidade, chama-se "A Closer Distance".
 
Do álbum, com lançamento agendado para Outubro, mês onde terão lugar dez concertos no centro da Europa, são já conhecidos dois dos nove temas e os respectivos videos, um ambiente que remete para estações do ano de menos calor mas de igual, e sempre bem-vinda, tranquilidade. 


domingo, 14 de agosto de 2022

UAUU #654

FAZ HOJE (23) ANOS #82





















STEALING ORCHESTRA + THE GIFT + LAMB + SUEDE, Festival Paredes de Coura, 14 de Agosto de 1999
 
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, fotografia de Artur Machado, 16 de Agosto de 1999, p. 50 
. Jornal de Notícias, por Cristiano Pereira, fotografia de Artur Machado, 16 de Agosto de 1999, p. 51 
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografia de Pedro Monteiro, 16 de Agosto de 1999, p. 41 
. O Comércio do Porto, por Cláudia Felgueiras, fotografia de António Fernandes, 16 de Agosto de 1999, p. 27




sexta-feira, 12 de agosto de 2022

ANDREW BIRD E IRON & WINE DE SECRETÁRIA!

DUETOS IMPROVÁVEIS #263

BEATRIZ AZEVEDO & MORENO VELOSO 
Rede (Azevedo) 
violoncelo de Jaques Morelenbaum 
Álbum "Clarice Clarão", Selo Sesc 
Brasil, Junho de 2022

FAZ HOJE (16) ANOS #81





















THE ROLLING STONES, Estádio do Dragão, Porto, 12 de Agosto de 2006
 
. Diário de Notícias, por Marcos Cruz e David Mandim, fotografias de Amin Chaar, 14 de Agosto de 2006, p. 26 e 27 
. Jornal de Notícias, por Sérgio Almeida, fotografia de Pedro Correia, 14 de Agosto de 2006, p. 45


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

(RE)LIDO #107





















BEDSIT DISCO QUEEN 
How I Grew Up And Tried To Be a Popstar 
de Tracey Thorn. London; Virago, 2014 
A primeira vez que ouvimos os Everything But The Girl em casa do amigo de sempre em Campanhã ficamos inquietos. O disco de estreia "Eden" tinha saído meses antes e dele, lembramos bem, foi difícil escolher as duas melhores canções a incluir em cada um dos lados da cassete a gravar nessa tarde. Tudo soava novo, tudo soava antigo, tudo soava bem pela voz de Tracey Thorn e da guitarra de Ben Watt, duo que não mais largámos da mão até aos dias de hoje e de que temos por aqui dado conta frequentemente. A história que se esconde por trás dessa longevidade, a que uma eterna versão de "Night & Day" deu o pontapé de saída, contou-a a própria Tracey neste relato editado em 2013 e que resulta de quase uma década de lembretes e apontamentos propositados na intenção adiada de escrever um livro que se tornaria um verdadeiro clássico da literatura rock-roll. Não é difícil perceber porquê. 

Da infância em Hull até ao ano de 2005, quando se preparava para um retiro definitivo do mundo da música, a ascensão como estrela pop foi sempre contida, ponderada mas determinada na forma de encarar os desafios, um relato onde transparece muita honestidade e um bom senso quase ocasional e venturoso. As escolhas, as opções, os problemas, os desânimos e as oportunidades submergem, por isso, em muitas das letras que a própria escreveu para as canções que aprendeu a custo a compor, desde o projecto Marine Girls com que se iniciou ao lado das amigas nesse, então, mundo masculino dos concertos e dos discos do início dos anos 80, até à estreia a solo já na década passada. É com uma dessas líricas que termina cada um dos inexistentes capítulos, vincando no leitor a ideia precisa que talvez fosse bom ir ouvir essa mesma canção como complemento metódico. Foi o que fizemos invariavelmente e com satisfação... 

Ao magnetismo da escrita junta-se um factor geracional que nos aproxima a vicissitudes e histórias que fomos lendo ou ouvindo na imprensa e na rádio, reconhecendo a quase totalidade das bandas e artistas por aqui referidos ou nomeados, dos Haircut 100 aos Undertones, transformando a narrativa numa espécie de panorâmica paralela onde cabem ainda os The Smiths, os Jesus & Mary Chain ou os The Go-Betweens. Nesta visão desinteressada dos meandros da rádio ou da indústria musical e dos seus altos e baixos, os EBTG são tratados da mesma e sincera maneira e se querem eventuais explicações para o porquê de uma versão de Rod Stewart ("I Don't Want To Talk About It", 1988), de uma colaboração feliz com os Massive Attack ("Protection", 1995) ou do êxito de "Missing" (1995) que uma remix haveria de massificar, elas estão cá todas sem contemplações ou travões metafóricos. 

Quando, em Julho de 1992, os EBTG se preparavam para realizar uma primeira parte de um concerto de Elton John em Alvalade, tal como consta do bilhete oficial, começou o tormento de uma doença rara do companheiro Ben Watt, o que provocou cancelamentos, alarmes de ansiedade e um consequente esmorecer da chama artística de que fomos, aliás, testemunhas na (única) passagem infeliz pelo Coliseu do Porto em Outubro de 1994. Esse superado momento chave de uma vida a dois é, pois, o motivo compreensível de auto-protecção e reserva a que Thorn se agarra para, ao contrário dos videos onde nunca nos olha de frente, se afirmar decidida e resolvida em parar digressões, ser mãe, ou escrever livros ao jeito da tal pop star acidental com os pés bem assentes na terra e sempre, mas mesmo sempre, com a cabeça na música.


3X20 AGOSTO

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

OLIVIA NEWTON-JOHN (1948-2022)














Somos, orgulhosamente, de uma geração que foi ao cinema ver o "Grease" umas poucas de vezes. A menina Sandy era uma das boas razões para a insistência, uma radiante Olivia Newton-John num glorioso papel ao lado do John "Três-voltas", a que se seguiu um álbum que também acabamos, como muitos, por comprar - em "Physical" de 1981 destacou-se o tema título e o seu famoso teledisco mas há por lá outras pérolas como "A Little More Love", um guilty-pleasure de um amigo a que acabamos por aderir sem esforço. A menina Sandy deixou-nos hoje numa amena "Summer Night"... Peace!


domingo, 7 de agosto de 2022

CAETANO 80!















O cantor e artista Caetano Veloso nasceu neste dia na cidade brasileira de Santo Amaro, Salvador da Bahia, há oitenta anos. A comemoração passa por um programa especial ao vivo na plataforma Globoplay ao lado dos filhos Moreno, Zeca e Tom e da irmã Maria Bethânia. Parabéns, mestre!

terça-feira, 2 de agosto de 2022

MOLLY LEWIS, UMA BRISA QUE ASSOBIA!





















Apetece, desde já, afirmar que, só pela capa, o novo EP de Molly Lewis já mereceria destaque pela sua vertigem retro e veraneante. Mas o que ele tem lá dentro é também de uma aragem antiga que se julgava perdida e desprezada - canções assobiadas, sim assobiadas, com mestria e surpresa ao jeito de uma bossa nova ambiental a que a guitarra e percussão dos brasileiros Rogê, parceiro compositor de Seu Jorge, e Gibi dos Santos emprestam uma leveza nos arranjos a lembrar outros tempos e paragens. 

Trata-se de um segundo pequeno disco chamado "Mirage" onde cabem quatro originais e uma versão de "Nature Boy" de Eden Ahbez, tema a que Coltrane, Nat King Cole ou David Bowie também não resistiram. O exotismo da coisa tem prova dos nove no single "Miracle Fruit", mas podem ir pondo os óculos escuros e calçando os chinelos enquanto ouvem pausadamente o primeiro Ep "The Forgotten Edge" (2021) de fio a pavio e sonham com palmeiras e daiquiris. Boas férias... sibilantes!

AS DOCINHAS, Festival Andaime de Maio, Viana do Castelo, 30 de Julho de 2022

No caminho de volta até ao carro que nos levou a Viana do Castelo e logo depois de uma barrigada de jazz, o fim de noite tropical tinha banda sonora de fundo a que fomos seguindo o rasto até dar com um palco rodeado de público jovem e activo. O bizarro colectivo de sete lá em cima não fazia a coisa por menos e emitia um corrupio de canções em trajes menores devido ao calor atmosférico e ao movimento eléctrico sem que soubéssemos quem eram, donde vinham e que raio de receita espalhavam de forma apelativa e irresistível. Muito tempo depois, já pós-concerto, identificaram-nos As Docinhas como as autoras vianenses de tamanha amálgama pegajosa que, sem ser bem ou mal tocada (who cares!), fez muitos dos mais velhos, os cotas como nós que vão a concertos de jazz, estacar perto do palco sem de lá arredar pé até ao fim. Quanto à receita, ainda ninguém sabe qual é mas também ninguém perguntou. 

As imagens e sons abaixo serão, porventura, mais esclarecedoras quanto ao triturado de géneros cantadas em português, inglês ou francês, sem norma ou etiquetas de género mas a dar pontapés fortes nos blues, na kizomba, no grunge ou no funk que um esquisito mas, irresistivelmente, roufenho saxofone vai, de entremeio, corroendo. Cruzaram-se gemidos libidos, sexualidades ou sadomasoquismos fogueados (?) de acentuado sotaque do (des)norte que finos, cigarros e derivados chegados do público amigalhaço inflamaram a um fogo já ateado, certamente, desde o princípio não testemunhado. 

A dupla minhota que comanda a trupe, já muito batida nestas lides da provocação e do toma lá, dá cá "queres quê?", tem corda e garganta para dar e vender que os discos já com três anos atestam nos segundos e primeiros propósitos. Depois há "bideos" despachados para o canal global de forma intencional, uma verdadeira esquizofrenia estética que o primeiro álbum "Xano", editado o ano passado, fez o obséquio de revalidar numa intoxicação ainda longe de se sumir. As Docinhas, um caso sério de DYS a que é preciso continuar atento antes que azede...

FAZ HOJE (20) ANOS #80

 





















BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB + AIR + THE CHEMICAL BROTHERS, Festival Sudoeste, Zambujeira do Mar, 2 de Agosto de 2002 
. Jornal de Notícias, por Cristiano Pereira, fotografias de César Santos, 4 de Agosto de 2002, p. 40 
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim e Maria José Margarido, fotografias de Pedro Simões, 4 de Agosto de 2002, p. 44



segunda-feira, 1 de agosto de 2022

JOEY DeFRANCESCO, Festival Jazz na Praça da Erva, Teatro Municipal Sá de Miranda, Viana do Castelo, 30 de Julho de 2022

O já tradicional festival de jazz minhoto ao ar livre teve no sábado uma excepção compreensível atendendo ao prestígio de Joey DeFrancesco, motivando a ocupação do belíssimo teatro da cidade para um acolhimento em grande. Assim aconteceu, com o trio a rapidamente assumir uma capacidade inata de ondular um jazz soul marcado pelo orgão e teclas, faceta onde DeFrancesco se afamou pela acompanhamento a vultos como Miles Davis ou Ray Charles, mas surpreendeu ainda a destreza e perícia com que tocou saxofone e um trompete de origem e construção portuguesa ou a voz com que cantou num ou dois trechos. Ao seu lado, quer Lucas Brown no outro orgão e guitarra quer Vince Ector na bateria, funcionaram como uma extensão natural da habilidade de DeFrancesco em colorir as peças com os seus devaneios no teclado, ambos com direito a solos e exibições premiadas com forte aplauso. 

Numa balançante hora e meia de concerto, aquilo que pareceu uma descontraída sessão de groove esconde, obviamente, uma enorme dedicação e talento que poucos alcançam com tanta facilidade e desiderato mas em que é fundamental insistir e resistir. Ao fim de trinta álbuns, ao ritmo de mais de um por ano desde 1989, para DeFrancesco o céu é o limite. A noite de sábado foi só mais um pequeno degrau antes de lá chegar...

SKULLCRUSHER, ÁLBUM DE ANSEIOS!





















A estreia prometida num disco grande de Helen Ballentine aka Skullcrusher terá lugar em Outubro via Secretely Canadian, editora que lançou o ano passado os dois primeiros EP's que por aqui destacamos

As catorze novas canções de "Quiet the Room" foram registadas no estúdio Chicken Shack de Nova Iorque no verão de 2021 e remetem, quase na totalidade, para os pequenos refúgios que na sua infância percorria em jeito de casa de bonecas, que aliás se apresenta em imagem na capa do álbum, e que tanto podem ser recordações de felicidade como de alguns sustos terríficos. Um mundo de ansiedade assumida que, sem esquecer essas contradições do passado, tem na música um apaziguador estimulante... 

UAUU #653