sexta-feira, 29 de julho de 2011
VALSA LENTA
Quando o novo disco "Lupercalia" de Patrick Wolf nos chegou aos ouvidos, não ficamos desde logo impressionados. Mantem-se algum do dramatismo e romantismo pop tão ao seu jeito e as canções só ao fim de várias audições revelam a sua enorme beleza e autenticidade. Houve, contudo, uma delas que não mais parou de tocar. Chama-se "The Days" e descobrimos que Wolf já ao canta o vivo, pelo menos, desde 2007 e que não dispensa uma mini-harpa na sua interpretação. Os fabulosos arranjos e as magníficas cordas, em jeito de valsa lenta, fazem de "The Days" um daqueles momentos em que não é possível resisitir à tecla de repeat. Ele há dias...
quinta-feira, 28 de julho de 2011
VAMOS PRÁ PISCINA!
Está prontinho para sair um refrescante e limitado disquinho em vinil especial da autoria de Laetitia Sadier. Chama-se "La Piscine - An Invitation by Laetitia Sadier to Keep on Swimming", o que, antendendo à imagem (Leça?), parece um desafio irresistível. Entre os convidados está Richard Swift, que produziu o álbum a solo da amiga Sadier "The Trip" editado o ano passado e que fez também as primeiras partes dos concertos dos Stereolab nos E.U.A. em 2008. Houve tempo, ao que parece, para gravar mais alguma coisa... O 12" editado pela francesa Wool Records tem também participações de Rebecca Gates (Parcematone) e da parisiense Armelle Pioline (dos Holden) e o seu projecto a solo Superbravo. É curiosa a história contada pela própria Armelle:
"I met Laetitia in Portugal about a year ago; but I knew her as a singer, for a long time; I have most of the stereolab albums at home, and eventually completed my collection with Monade lps, and the beautiful album she released under her name; for many reasons, I really felt like meeting a sister when i first met her; let say that our destinies are quite synchronised I really love the way she's playing guitar, and her very noticeable way of telling stories; no one sounds like her and I'm happy to consider myself as a friend of this unique and mysterious girl".
Terá sido no Passos Manuel?
BALADA DO DEDO PARTIDO
Quando em 2009 partiu um dos seus dedos, Richard Swift dedicou-se ainda mais à colaboração com outros artistas. Damien Jurado é um belo exemplo dessa amizade, concretizada na produção do magnífico "Saint Barlett" (2009), um disco a meias de covers e um novo trabalho já gravado mas ainda sem data de edição. Entre outras ajudas, realce também para os Mynabirds e Laetitia Sadier ("The Trip", 2010). Pois bem, entre tempo para um excelente blog e para a fotografia, há agora disponibilidade para desenterrar alguns originais como este biográfico "Broken Finger Blues", um bom pronúncio (soul) do que parece ser um novo álbum. Ficamos, como sempre, na expectativa.
Broken Finger Blues by Richard Swift
quarta-feira, 27 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
RED HOT REGRESSA AO BRASIL
A sequela da compilação Red Hot + Rio, lançada em 1996 pela Red Hot Organization, tem imensas surpresas. O segundo volume, que saiu no final de Junho, volta a homenagear a geração da Tropicália com um conjunto de colaborações inspiradoras: John Legend, Os Mutantes, Devendra Banhart, Caetano Veloso, Dirty Projectors, Seu Jorge, Beck, Bebel Gilberto, José Gonzalez, Beirut, Tom Zé, Of Montreal, Marisa Monte, Gogol Bordello, DJ Dolores, Aloe Blacc, Angelique Kidjo, Rita Lee, Madlib, Money Mark, Céu, Apollo Nove, Mayra Andrade, Trio Mocotó, Tha Boogie, Alice Smith, Carlinhos Brown, Los Van Van, Brazilian Girls, Marcos Valle, St. Vincent, Neon Indian, Forró In The Dark, Mia Doi Todd, Javelin ou Phenomenal Handclap Band!
O volume original de Red Hot + Rio arrecadou cerca de um milhão de dólares para a luta contra SIDA e tinha, recordam-se, alguns destes mesmos nomes e gente como os Stereolab, Everything But The Girl, Incognito, PM Dwan e um dueto memorável de Caetano e Cesária Évora com uma mãozinha de Sakamoto! O último projecto "Dark Was the Night" de 2010 obteve também uma verba semelhante, o que se espera que aconteça novamente. Um disco para comprar, mesmo que o português de alguns seja um pouco estranho...
segunda-feira, 25 de julho de 2011
DAVE DOUGLAS "TEA FOR 3", Jazz no Parque, Serralves, 23 de Julho de 2011
Não seria muito difícil de prever que a lotação do ténis de Serralves fosse pequena para acolher tamanho concerto. O trompetista Dave Douglas é hoje um dos mais sonantes exemplos da irreverência no jazz, agitando influências e misturando-se de forma inesperada com outros músicos. O projecto "Tea For 3" é uma dessas aventuras que, ao vivo, constitui uma rara parada de estrelas: os trompetistas Enrico Rava e Avishai Cohen (que esteve em Serralves em 2009 com Mário Barreiros), o pianista Uri Caine, a contrabaixista Linda Ho e o baterista Clarence Penn. Qualquer um deles poderia liderar o cartaz de um outro qualquer festival de jazz, transformando o espectáculo de sábado passado num excepcional momento de cumplicidade e mestria só ao alcance de alguns. Palavras para quê! Disfrutem de um pouco dessa magia nestes três videos do concerto, uma cortesia HugtheDj.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
DIA DE SÃO VICENTE
Surgiu hoje, finalmente, um dos novos temas do álbum "Strange Mercy" de St. Vincent que tem edição prevista para Setembro via 4AD. A canção "Surgeon" faz crescer água na boca e pode ser devidamente escutada ou guardada através do microsite concebido para o efeito.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
SHALALALA!
O novo "Suck it and See" dos Arctic Monkeys pode demorar a entranhar-se, pode não convencer desde logo, pode ser desnivelado. Ok! Mas uma das canções é já por aqui um dos hinos de verão. O tema "The Hellcat Spangled Shalalala" saiu agora em single de vinil pela Domino, o que, atendendo à fabulosa capa e à qualidade da canção, se torna um must have imediato. Shalalala para os Arctic Monkeys!
NOVAS CANÇÕES DE JENS LEKMAN
O prometido novo álbum de Jens Lekman vai ser antecipado por um EP de cinco temas inéditos a editar pela Secretly Canadian em Setembro próximo. Chama-se "An Argument With My Self" e teve inspiração diversa entre Melbourne e Gotemburgo, cidades por onde tem deambulado, melancolicamente, nos últimos anos a pensar na vida... Segundo o artista, o material a editar foge um pouco ao que se pretende para o novo trabalho, mas era uma pena ficar de fora. As novas canções foram já, na sua maioria, testadas ao vivo, como o prova o Youtube: "Waiting For Kirsten", "A Promise", "New Directions" e o tema título que deixamos por aqui. Fica por ouvir "So This Guy at My Office". Esperamos, para o efeito, por um regresso a uma sala portuguesa. Seria bom sinal.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
NOMFUSI EM VILA REAL
A programação sempre atractiva do Festival de Sines inclui este ano a estreia portuguesa de Nomfusi & The Lucky Charms (dia 28 de Julho). Trata-se de uma jovem voz revelação da África do Sul escudada numa banda de raizes locais com forte inflûencia do som Motown e de jazz mais antigo. O melhor é que, felizmente, o Teatro de Vila Real recebe o mesmo concerto dois dias depois (Sábado, 30 de Julho) no seu auditório ao ar livre e com acesso completamente grátis. Esperamos que, até lá, este verão envergonhado perca a timidez, já que ritmo é o que não vai faltar. Aqui ficam as apresentações.
terça-feira, 19 de julho de 2011
(RE)LIDO #34
WHITE BYCICLES
MAKING MUSIC IN 1960s
de Joe Boyd. London: Serpent's Tail, 2006
A indústria da música teve nos anos sessenta uma das suas mais importantes e decisivas décadas. O autor deste livro viveu esses anos como poucos, movimentando-se, principalmente, entre Los Angeles e Londres, experimentando, nesse meio, diversas funções associadas aos músicos, aos concertos, às digressões ou discos: manager, agente, produtor, rodie, técnico de som, dono de editoras (Hannibal Records), etc. de gente como Muddy Waters, Dylan, Fairport Convention, Pink Floyd, Incredible String Band, R.E.M. ou Nick Drake. Com este curriculum não faltavam, obviamente, histórias para contar ou confissões para fazer, o que torna as quase 300 páginas do relato um apetitoso menu para devorar rapidamente por quem se interessa pela história da música popular ocidental. Episódios como os do Newport Festival de 1965 (foto da capa) em que Dylan ligou a guitarra eléctrica, é aqui esmiuçado de forma quase satírica e lúcida, em registo detalhado e minucioso que a sua presença em palco, como técnico de som, permitiu documentar. A descoberta dos Pink Floyd, a produção dos primeiros temas, a azáfama do mítico clube londrino UFO ,de que foi um dos fundadores, são outros dos fortes atractivos da obra, numa visão diferente da sociedade inglesa pelos olhos de um emigrante bem instalado de origem norte-americana. Rivalidades, euforias, desilusões, vícios e passos em falso aparecem por aqui de forma natural e informal, mas também ao jeito de arrependimento, particularmente na malograda história do talentoso mas abandonado Nick Drake. Um livro magnífico, que devia merecer réplicas por estas bandas, onde há, certamente, alguns radialistas, produtores ou editores com muito para revelar.
HAVIA NECESSIDADE?
segunda-feira, 18 de julho de 2011
RAINBOW ARABIA, Festival Manta, CCVFlor, Guimarães, 16 de Julho de 2011
A chuva molha-tolos, tão ao jeito de um final de Verão ainda longínquo, trocou as voltas à organização que decidiu, preventivamente, transferir o cenário para o pequeno palco interior do café concerto. Perdeu-se, talvez, melhor som, visibilidade e ar puro, já que esta mania de se poder fumar em todo o lado continua a fazer mossa. Ganhou-se, com toda a certeza, maior proximidade com a banda e, importante, intimidade. O ambiente demorou, contudo, um pouco a aquecer e só quando, ao terceiro tema, Tiffany Preston avançou para o meio do público o espectáculo ganhou asas. Seguiram-se outras investidas mais afoitas e endiabradas muito por culpa de um ritmo cada vez mais forte, uma fusão experimental a que a sempre atenta Kompakt deu abrigo e que tanto pode soar a Siouxsie, Tom Tom Club ou Gang Gang Dance, com quem, alías, já partilharam tournées. O álbum de estreia do casal Preston ("Boys and Diamonds", 2011) foi por isso a chama que pegou fogo em temas como "Without You", "Mechanical", o tribal "Sequenced" ou "Hai", um rastilho que pôs a sala em polvorosa. Um estreia prometedora por terras portuguesas e que, não será difícil prever, terá regresso merecido.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
SINCEROS 80'S
Por muito que tentemos desviarmo-nos, os anos 80 estão sempre ao virar da curva. Ainda no sábado passado se discutia entre amigos a validade e qualidade de muitas canções dessa época, enquanto numa pista de dança improvisada um grupo de saudosos se balançava e cantava, de viva voz, velhos êxitos dos The The, Tears For Fears ou Propaganda! Ficamos agora a conhecer um álbum inteiro de covers da autoria de Duncan Sheik, actor, cantor e compositor mainstrem de Nova Iorque, que, sem medo, transformou, à sua maneira, doze dos seus guilty-pleasures. Com a ajuda das belíssimas Rachel Yamagata e Holly Brook, surpreendeu-nos a sinceridade e simplicidade das versões de Howard Jones, Depeche Mode, Thompson Twins, New Order, The Cure, Love and Rockets, The Smiths, Tears for Fears, Japan, Talk Talk, Blue Nile e Psychedelic Furs. Adivinhem lá esta...
quinta-feira, 14 de julho de 2011
TORO Y MOI: ELE PASSA-SE
Nunca são demais as aventuras do rapaz Chaz Bundick, aka Toro Y Moi. Gravado nos últimos meses e prontinho para sair em Setembro, está o novo Ep "Freaking Out" e pode até haver inspiração lusitana, tendo em conta os concertos de Maio passado. Junta-se uma grande versão de "Saturday Love" de Alexander O'Neal & Cherrelle, tema saído em 1985 e que está em regime de oferta.
A TEORIA DOS CONCERTOS
Para quem tem já muitos anos de concertos e espectáculos, diferenciar tipos de público ou a sua localização dentro do recinto é quase uma análise instantânea. Um suposto especialista do jornal Guardian apresenta agora uma teoria sobre esta matéria a que acrescenta algumas explicações para o facto de haver cada vez mais conversa irritante mesmo em concertos acústicos. Concordamos com quase tudo, tirando que em Portugal são muito poucos ou nenhuns os tais profissionais da indústria... O artigo acaba assim: "Ultimately, talking at shows is a bit like watching someone play with their smartphone. It's irritating whenever it isn't you." Pois. Recomenda-se a leitura.
FIONN REGAN - O REGRESSO
Esta é a capa do novo álbum de Fionn Regan, um desenho do próprio músico. Depois de um segundo disco ("The Shadow Of An Empire", 2010) pouco conseguido, melhor, incompreendido, o irlandês volta a produzir o novo trabalho que recebeu o nome de "100 Acres of Sycamore" e com data de edição para Agosto pela Heavenly. As guitarras electricas, que tanto assustaram os aficionados ao jeito da eterna polémica Dylan Goes Electric, parecem agora esquecidas e a nova sonoridade marca um regresso aos bons tempos de "The End of History", álbum de estreia sedutor, merecedor de todos os elogios e, por isso mesmo, nomeado para Mercury Prize em 2007. O tema título de apresentação está já em pré-escuta, pronto a ser descarregado gratuitamente e não desilude. Ela aqui fica em versão acústica no âmbito de mais um Right Guard video dentro de um pão-de-forma...
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