. Público, por Pedro Rios, 2 de Outubro de 2005, p. ?
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
FAZ HOJE (15) ANOS #42
segunda-feira, 28 de setembro de 2020
RICHARD SWIFT, ABRAÇO DE LONNIE HOLLEY!
Esta é uma das cenas de "From the Edge of America", documentário agora disponível que retrata a interacção dos dois músicos durante essa e outra sessão no ano seguinte e que deram origem ao disco precisamente chamado "National Freedom" lançado este ano. Neste EP está incluída a definitiva versão iniciada com a referida improvisação a que se juntam mais quatro pedaços arrojados de raiz nos blues e mistérios quase transcendentais que envolvem o espírito da sua alma, uma toada avant-garde e repetitiva vincadamente intencional na defesa urgente do nosso planeta que faz questão de propagar em todos os concertos ao vivo.
O filme é uma dedicatória sentida e amiga a Richard Swift, mas estende-se também na homenagem ao deputado John Robert Lewis (1940-2020) e ao curador de arte William S. Arnett (1939-2020), ambos falecidos este ano.
sábado, 26 de setembro de 2020
WHITNEY, VERSÕES SINCERAS!
Qualquer álbum de versões não carece nunca de muitas explicações a não ser a óbvia dedução de que as canções escolhidas, por uma ou outra qualquer razão, acabaram no goto de um artista ou banda por sugestão, descoberta ou, as melhores, pelo simples acaso. No caso dos Whitney deu para "Candid", um solarengo e sincero álbum saído em meados de Agosto com a simples explicação, lá está, de a altura parecer ser a certa para a jogada de lançar dez temas desafiadores de empenho, exploração e desafio à própria dupla.
De Kelela a David Byrne e Brian Eno, de John Denver a Labi Siffre, há por lá, no entanto, duas preferidas - uma cover orelhuda de um tema de que gostamos tanto (Damien Jurado, "A.M. AM", 2016) e uma outra, também cativante, que não conhecíamos [ora aí está (um)a utilidade dos discos de versões] e passamos também a gostar e muito (The Roches, "Hammond Song", 1979)...
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
SUFJAN STEVENS, A ASCENSÃO!
DANIEL JOHNSTON, SAUDADES!
Na lista seleccionada de quinze versões aparecem nomes como Adam Green, Devendra Banhart, Kevin Morby, Fontaines DC, Phoebe Bridgers, o trio Tweedy a quem coube de abrir o evento e Beck com a honra de interpretar o eterno "True Love Will Find You In The End". Há ainda um inédito filme de 1991 remetido pela família do homenageado e onde Johnston interpreta "When I Met You" (ver ao minuto 43 aprox.), que nos acentua a melancolia mas nos semeia um ainda mais profundo respeito. Saudades, amigo!
quinta-feira, 24 de setembro de 2020
BLUE NOTE, A RE:INVENÇÃO!
A histórica editora Blue Note nascida em território americano há mais de oitenta anos é um daqueles casos, infelizmente cada vez mais raros, de saber envelhecer com estilo. Associada ao jazz dito tradicional e às suas modernas ramificações, a façanha da longevidade teve sempre no risco da prospecção artística e na sua efectiva utilidade, que ultrapassa continentes, géneros ou estilos, uma forma de estar.
Atenta à nova e excitante cena jazzística britânica, lançou recentemente o desafio a uma seleccionada panóplia de jovens artistas ingleses para reinventaram uma série de dezasseis clássicos incluídos em discos da própria casa editados desde os anos sessenta até aos anos dois mil, de Wayne Shorter, Herbie Hancock, Donald Byrne ou McCoy Tyner até Luduvico Navarre aka St Germain e o seu imprescindível "Tourist" (sim, é verdade, o álbum já saiu mesmo há vinte anos na Blue Note...).
O projecto recebeu o nome de Blue Note Re:imagined, tem edição em vinil azul e uma selecção de quatro 7" com metade das escolhas, eia, onde destacamos, na mesma rodela, a aditiva versão de Jorja Smith para "Rose Rouge" de St. Germain e de "Footprints" de Wayne Shorte a cargo do fundamental Ezra Collective.
(RE)VISTO #78
HITSVILLE: O NASCIMENTO DA MOTOWN
de Benjamin Turner e Gabe Turner. E.U.A, Motown/Showtime, 2019
TVCine Edition, Portugal, 18 de Setembro de 2020
A incrível história da Motown valeu já algumas abordagens documentais, umas mais generalistas como a do Canal História datada de 2007 e outras em formato filme de argumento baseado em supostos factos verídicos como, por exemplo, "Dreamgirls" do ano anterior, que passou para os grandes ecrãs o musical com o mesmo nome de 1981 e onde se conta a ascensão das The Supremes e Diana Ross protagonizada pela eterna Beyoncé. Em ambos, há um personagem central chamado Berry Gordy que se tornou uma figura mítica da música norte-americana pela ousadia em criar uma editora especificamente de música soul chamada primeiro Tamla (1959) e depois Tamla Motown ou simplesmente Motown (1960). O nome associa as palavras motor e town tal como é conhecida a cidade de Detroit onde o projecto cresceu e vingou precisamente inspirado num trabalho temporário de Gordy como operário numa linha de montagem da Ford e que ele transpôs, primeiro em sonho e depois a muito custo, para fazer canções de sucesso - uma "fábrica" onde o esqueleto de um tema era transformado e polido como cintilante e potencial êxito para passar nas rádios e inundar as lojas com pequenos singles de vinil.
Os anfitriões deste novo filme-documento, que pretendeu evocar os sessenta anos da editora discográfica, são a dupla desbravadora Berry Gordy e Smokey Robinson em diálogos e constantes provocações de animada e bem disposta conversa e desafio sobre os altos e baixos de tamanha máquina de êxitos/hinos - uma casa no centro da cidade autosuficiente de compositores, músicos, cantores, backsingers, estúdios de gravação e dotada de um sistema de distribuição eficaz e pronto para satisfazer os jovens clientes, local hoje transformado em museu e que foi o epicentro fervilhante de um dos maiores fenómenos de concentração de talento por metro quadrado da história da música para sempre baptizado de Hitsville USA. A catadupa de artistas e bandas que desfila à nossa frente quase se torna inverosímil, todos rodeados estrategicamente pelos melhores músicos, os jovens da comunidade envolvidos no jazz desde cedo em programas educativos das escolas públicas e que teve nos Funk Brothers o veio central de uma engrenagem residente e oleada, ela própria já retratada em "Standing in the Shadows of Motown" de 2002 que vimos no Fantasporto de 2004 e posteriormente editado em DVD pelo próprio festival com o nome de "Motown - Uma História".
De Smokey Robinson ao então jazzy Marvin Gaye logo transformado em estrela pop, a importância da harmonia vocal acabaria por constituir a pedra de toque de uma receita singradora e decisiva para encontrar, contratar e adornar novos artistas como o então miúdo de doze anos Stevie Wonder, um ultra-dotado e divertido instrumentista e vocalista rapidamente elogiado e levado ao colo ou os precoces Jackson 5 onde despontava o catraio Michael Jackson e que tiveram, mesmo assim, de prestar provas perante todos os nomes ainda não convencidos até aqui referidos e, também eles, potenciais concorrentes e competidores. Sim, perante esta "Disneylândia musical" Gordy lança um género de desafio, um campeonato de tops com os respectivos campeões traduzido em séries simultâneas de números uns, o que chegou e sobrou para remover os The Beatles do trono até aí quase inatingível e que culminou em "My Girl" dos The Temptations, tema de riff inicial marcante e de inédito arrojo artístico onde planavam uns violinos e uns metais clássicos já quase no final para que a melodia se colasse sem contemplações. Resultado: um milhão de discos vendidos!
O controle de qualidade, mesmo sem um departamento formal, submergia democraticamente de um género de modernas brainstorms de forma a melhorar sempre o produto e a eleger os potenciais hits mesmo que duvidosos como "Track of My Tears" de Smokey Robinson & The Miracles ou "I Can't Help My Self (Sugar Pie, Honey Bunch)" dos Four Tops em que os primeiros dez segundos da canção são puro pólen à espera de abelhas. Este espírito de comunidade e liberdade foram um verdadeiro teste ao próprio Gordy apostado em expandir pela infalível máxima "criar, vender e receber", colocando o controlo nas mãos de um italiano de aspecto mafioso que forçou a irradiação dos discos pelas rádios "brancas", até aí um reduto quase proibido. Tendo os jovens como público alvo para comprar de olhos fechados o novo som, a arte da canção passa a não tem cor e as The Supremes com cinco hits consecutivos na frente das charts rebentariam a escala com "Where Did Our Love Go" e como que globalizavam a sonoridade Motown.
Faltava, contudo, um teste, uma quase provocação - a Motown Revue, uma competição pública ao vivo de talentos da casa de arrebatar os recintos mas as parcas condições das digressões e a flamejante rejeição e afronta por racismo ou segregação ao ponto dos artistas serem recebidos a tiro (episódios, aliás, bem retratados no referido "Dreamgirls") desperta a atenção política de Martin Luther King, atraído pelo positivismo da musica, e do efervescente fenómeno televisivo. Quando as mesmas The Supremes surgiram ainda a preto e branco no Ed Sullivan Show numa primeira de dezasseis vezes (!), o black chic não mais parou de crescer e chegou à Europa para se tornar no som favorito dos próprios Fabfour. A linha de "montagem" não estava, mesmo assim, satisfeita - "I Heard Through the Gravepine" nas versões de Gladys Night & The Pips e depois de Marvin Gaye, tornariam o tema no maior êxito de sempre da Motown... em duas versões vencedoras!
Mas o ciclo de sucesso, de qualquer sucesso, traz atritos e problemas e o love affair de Berry Gordy com Diana Ross, a saída do trio de compositores Holland-Dozier-Holland ou a "libertação" de Stevie Wonder que o levou até ao estouro com "Superstition" levou Gordy a repensar o projecto e a testar alguma inovação à custa dos Jackson 5 em modo cartoon como série de televisão - de Detroit para Hollywood - num conglomerado de entretenimento que enfrentava a mudança e resistia às tentações políticas, mesmo que a pisar o risco da incompreensão. Contudo, o Black Power, a nefasta guerra do Vietnam e a agitação social cedo estilhaçaram esses e outros receios e Marvin Gaye chega ao impensável - "What's Going On", a canção perfeita e o disco perfeito, é mesmo sobre essa mesma agitação social e a inutilidade da guerra, um pináculo criativo que Gordy, temeroso de represálias, colocou inicialmente na prateleira. A sua força incisiva, que ainda hoje não perdeu nenhuma consistência e modernidade, prova, afinal, que as pessoas não são carros e os artistas, com vida própria, tendem a saltar, mediante as circunstâncias, para "fora da caixa", para fora da tal "linha de produção". Mesmo com a mudança para a Los Angeles na década de setenta para "aumentar as instalações e a diversidade de produtos", a Motown continuou a ser o perfeito exemplo do tal e poderoso sonho americano de unir as pessoas pela música. Que falta fazia... Ain't no mountain high!
terça-feira, 22 de setembro de 2020
FONOTECA DO PORTO, AGULHAS CALIBRADAS!
Na tarde do próximo sábado, entre as 14h00 e as 19h00, a visita ao novo espaço estará condicionada à lotação do recinto (10 pessoas) mas como som ambiente estarão a rodar discos escolhidos por Renato Cruz Santos e o amigo Xico Ferrão a partir de um trabalho de pesquisa e vasculhanço realizado neste imenso espólio da FMP. Uns sortudos!
FLEET FOXES DÃO À COSTA!
O mentor de sempre, Robin Pecknold, reconhece a sua ansiedade e preocupação constantes vertidas na concepção, composição e registo das canções, na qualidade da sua voz, nas reacções ao novo projecto por parte de amigos, artistas e fãs e até na aparente sorte em fazer aquilo que gosta. Mas desde a chegada da pandemia em Março, estes supostos problemas como que desapareceram do seu dia a dia pela comparação com realidade de um país em derrapagem e uma sociedade em desegregação. A música, afinal, pode ser dispensável e os concertos adiados e sem data para recomeçarem mas, no seu caso, ela continua a ser essencial como uma roda gigante que vai rodando, nestes novos tempos, um pouca mais devagar e de forma mais subtil.
Para acompanhar o álbum foi gravado um road-movie com o mesmo nome que estreou esta tarde e que pode ser, desde já, visualizado na sua totalidade (55 minutos). Realizado por Kersti Jan Werdal e produzido pelo próprio Pecknold, nele somos transportados para as paisagens do noroeste americano onde nos cruzamos com animais e pessoas que por lá vivem e habitam, uma colagem de imagens notável e pacificadora em formato de 16mm e onde rodam os quinze originais.
No disco colaboram, entre outros, Hamilton Leithauser, Daniel Rossen (Grizzly Bear), Kevin Morby e até Tim Bernardes que canta em bom português no lindíssimo "Going-to-the-Sun Road" (a propósito, Pecknold reconhece João Gilberto como uma das grandes inspirações para os novos temas ao lado de Nina Simone, Arthur Russell e Sam Cooke). Há ainda um sample de Brian Wilson, uma outra influência, em “Cradling Mother, Cradling Woman”. O disco, em formato de vinil, só estará disponível em Fevereiro em bonita cor avermelhada...
segunda-feira, 21 de setembro de 2020
LAMBCHOP, MEIA DÚZIA DE VERSÕES!
De forma a aliviar o processo criativo, quase sempre assente nas suas ideias e opções, convidou cada um dos membros e músicos a eleger uma canção para realizar uma versão, nomeando-o como líder produtor e responsável pelo seu registo num período curto de tempo, uma liberdade motivadora envolvente para um grupo de amigos que já não tocava junto há algum tempo. A primeira desses momentos a ser conhecido, uma escolha do baterista Matthew McCaughan, é "Reservations", um tema de Jeff Tweedy de quase oito minutos que termina o álbum "Yankee Hotel Foxtrot" dos Wilco lançado em 2002 e aqui esticado a la Kurt Wagner até aos treze pela subtileza do piano de Tony Crow.
As restantes eleitas são "Grass Won’t Grow" de Earl “Peanutt” Montgomery, "Shirley" dos Mirrors, "Golden Lady" de Stevie Wonder, "Love Is Here and Now You’re Gone" de Holland–Dozier–Holland popularizado pelas The Supremes e "Weather Blues" inédito obscuro escrito por James McNew, baixista dos Yo La Tengo. O disco a lançar pela City Slang em Novembro chama-se simplesmente "Trip", uma alusão a esta viagem artística com mais de vinte cinco anos. Uma trip...
sábado, 19 de setembro de 2020
ANGEL OLSEN, MS. LONELY!
E era uma vez um novo filme de Miranda July chamado "Kajillionaire" que precisava de uma boa versão de "Mr. Lonely" de Bobby Vinton (tema de 1962 escrito pelo próprio aquando do serviço militar pré-Vietnam) e o responsável pela banda sonora, um tal de Emile Mosseri, lembrou-se de Angel Olsen e o nome foi imediatamente aprovado pela realizadora que contactou a artista ainda em tempos pré-pandemia e esta disse que sim e o trio lá o gravou em Los Angeles à medida e cadência que as cenas requeriam e... e, pronto, fez-se magia!
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
SHARON JONES, ÁLBUM DE VERSÕES!
A eficácia de Sharon Jones e os seus Dap Kings em fazer de uma canção um agitador de ancas irresistível teve, ao longo da sua vida, um reconhecimento nem sempre imediato mas que, felizmente, se converteu num elogio unânime. Ao vivo ou em estúdio e nos anos na Daptone Records (2002-2016), foram muitas as versões ensaiadas e apresentadas de temas originais de outros artistas destinadas a série de televisão, filmes ou discos de tributo que agora se reúnem num álbum com treze destas rendições sob o título de "Just Dropped In (To See What Condition My Rendition Was In)", título de uma canção, também recriada, da autoria de Kenny Rogers and The First Edition.
De Woody Guthrie ("This Land Is Your Land", já lançada como lado B de um 7" em 2004) a Janet Jackson ("What Have You Done for Me Lately", também lançado em duas partes num outro 7" em 2002 e incluído no álbum de estreia do mesmo ano "Dap-Dippin' With..."), passando por Gladys Night ("Giving Up"), acrescentam-se "Rescue Me" e "In the Bush", um par de outtakes destinadas à banda sonora de "O Lobo de Wall Street" (2103) que não seriam utilizados, ao contrário da versão de "Goldfinger" curiosamente não incluída nesta nova compilação. Aqui fica "Signed, Sealed, Delivered I'm Yours" de Stevie Wonder destinada a um abortado anúncio comercial de um banco...
WILLIAM TYLER, NOVA VANITAS!
Há uma tendência que se começa a acentuar naturalmente em matéria de discos novos - o inesperado isolamento e retiro imposto pela Covid 19 inspirou novos métodos e abordagens no que às canções ou composições diz respeito o que, para alguns, foi como começar do nada, do zero. É o caso de William Tyler que, confinado em Nashville desde Março, se lançou com calma num retorno explorador de antigas cassetes, fitas e outros registos saídos da guitarra ou guitarras e que mereciam finalmente a devida atenção e análise.
O resultado pode ouvir-se em "New Vanitas", um EP escarnado de excessos instrumentais e de involuntário regresso a uma sonoridade rudimentar para a qual Tyler dispensou muitas noites de solidão a ouvir, propositadamente, estações de rádio de onda média/AM nas quais a qualidade dos sons musicais nunca alcança a alta fidelidade. Apesar de mono-etéreo, esse alto e baixo de frequência, ora longínqua ora de proximidade, funcionou como um alerta criptado para a inevitável e actual mudança de paradigma social, político e vivencial, um período que se espera efémero mas que deixará, sem dúvidas, profundas marcas no nosso dia-a-dia e consciência colectiva. Uma nova vanitas vanitatum...
quinta-feira, 17 de setembro de 2020
ROCKY RACOON #15
Do filão interminável da mina The Beatles, anunciaram-se ontem duas novas escavações de resultados, aparentemente, compensadores.
O novo livro "Get Back", o primeiro desde 1995, ano da publicação da "The Beatles Anthology", será uma parceria entre a Apple Corps e a nova-iorquina Callaway Arts & Entertainment e as suas duzentas e quarenta páginas contarão visualmente a história do último álbum "Let It Be" lançado em Maio de 1970, um mês depois da separação da banda. Os textos resultam das conversas entre John, Paul, Ringo e George que as fitas originais registaram, numa versão editada por John Harris, jornalista do "The Guardian" obcecado pelos Fab Four. As centenas de imagens, maioritariomente inéditas, foram captadas pelo americano Ethan Allen Russel, autor dos retratos da capa original do disco, e também por Linda McCartney, na altura casada de fresco com Paul McCartney. O realizador neozelandês Peter Jackson/O Senhor dos Anéis é o autor do prefácio e Hanif Kureichi fará a introdução. A partir de 31 de Agosto de 2021 já o podem, eventualmente, comprar em loja mas já se aceitam pré-encomendas por quase cinquenta euros.
O novo documentário, com o mesmo nome, aproveita as cerca de cento e vinte horas de película, muitas delas inéditas ou restauradas, que Michael Lindsay-Hogg gastou a filmar a banda em Twickenham e nos estúdios da Apple de Saville Road e que resultaria no filme-documento "Let It Be" produzido por Neil Aspinal. Será realizado pelo próprio Peter Jackson, desafio enorme e de óbvia curiosidade e responsabilidade tendo em conta a mítica rivalidade e amuo entre McCartney e Lennon durante este período criativo. Como confessado a Howard Stern em primeira mão por McCartney em Abril passado, o resultado final contraria essa ideia de malquerença ou ódio e será distribuído em sala pela Disney. A estreia está marcada para 27 de Agosto do próximo ano.
STILL CORNERS, SAÍDA PARA O DESERTO!
Ao duo britânico Still Corners, formado em 2007 pela vocalista Tessa Murray e o produtor, compositor e multi-instrumentista Greg Hughes, associamos uma sonoridade sonhadora de laivos negros de pop sem lugar ou destino mas onde o mistério se adensa em composições irresistíveis. Aproxima-se agora o capítulo final de uma tripla jornada iniciada em 2013 com "The Trip", prolongada em 2018 com "The Message" e que terá o seu epílogo com "The Last Exit", disco a editar em Janeiro próximo.
Para culminar a trilogia "Road Trip", a saída escolhida aponta ao deserto americano, às dunas, areias e sombras enigmáticas que nos enganam pela vastidão crestada pelo sol e pelo assobiar do vento. O primeiro desses cenários tem no video para o tema-título um esforço narrativo dirigido pelo próprio Hughes rodado nas paisagens californianas de Joshua Tree e que sofreu inspiração directa no filme "Picnic at Hanging Rock", filme australiano de 1975 que conheceu um remake recente. Recorda-se que a banda esteve ao vivo na edição 2018 do SuperBock em Stock lisboeta, presença disponibilizada em video pela rede na sua íntegra.
terça-feira, 15 de setembro de 2020
JEFF TWEEDY, É UMA FARTURINHA!
Entre os inéditos há uma parceria com o escritor Georges Saunders em "A Robin or a Wren", uma amizade e cumplicidade que podem ser confirmadas numa hora de conversa disponibilizada aquando do lançamento da biografia de Tweedy em 2018. O novo trabalho sai dia 23 de Outubro na incontornável dbPm-Records e tem na capa uma fotografia icónica de um soldado americano obtida em 1943 na batalha de El Guettar, Tunísia, por Robert Capa (1913-1954).
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