O que escrevemos nessa altura natalícia, mantêm-se ainda com validade registada, mesmo que uma pandemia e muitas experiências depois tenham, de certeza, conduzido Lobo a interrogações de emaranhada inquietude em que a música é pródiga e resistente. Descobridor, parceiro, é ainda pela guitarra, neste caso, elétrica, trocada há mais de dez anos pela acústica, que insiste em recarregar a essência de uma sonoridade multipolar e de tensão cativante, um género de viagem sinuosa que, roufenhamente, se entranha sem contemplações.
Foi, assim, dessa ondulação imprevisível, que se moldou um magistral recital nocturno que, caramba, para alem da falta que já fazia, esteve sempre carregado de uma singularidade que só Lobo sabe expandir da analogia de uma guitarra, das suas cordas e distorções. Há algo de, saborosamente, inacabado e de tão português, que não será fácil obter uma explicação. Também não será preciso. Em ano inigualável de guitarristas ao vivo que fomos coleccionando, caberá a Norberto Lobo o troféu de justo vencedor!
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