quarta-feira, 30 de setembro de 2026

AZYMUTH, Sala 2, Casa da Música, Porto, 27 de Setembro de 2026

Na longevidade, e validade, de uma banda haverá sempre que contar com bom senso e, já agora, bom gosto. No caso caso dos brasileiros Azymuth, as contrariedades, apesar de dolorosas, foram sempre motivo de ponderação: a perda do teclista José Roberto Bertrami, em 2012, e do baterista Ivan "Mamão" Conti, em 2023, ambos fundadores do trio em 1973, acrescentaram, a cada momento, muitas dúvidas sobre o que (não) fazer. Tendo em conta o que se deu a ouvir no serão esgotado de Domingo, os passos dados em frente confirmam-se como seguros, certeiros e bem dançantes! 

No centro do palco esteve Alex Malheiros, oitenta anos, mais de cinquenta dos quais nos Azymuth, um tratado de baixista que foi coadjuvado por Renato Massa na bateria e Dudu Viana nos teclados, uma máquina tripartida e revitalizadora de uma sonoridade tropical de jazz funk que chamou à sala mais pequena da CDM várias gerações saudosas de um paladar inconfundível. 

Com a protecção da Far Out londrina, casa de discos onde o ano passado se juntou ao catálogo o álbum "Marca Passo", a actual digressão marcada um pouco por toda a Europa, da Croácia até à Alemanha ou Bulgaria, é a prova dos nove quanto ao fascínio de um "samba maluco", como alguém já lhe chamou, um swing brasileiro melodioso e perfeitamente sedutor que se esticou em solos de Moog e Nord Stage, potentes linhas e baixo e a massa da percussão. 

Separada na distância, entre os sentados e os de pé, a plateia pareceu algo mortiça e acanhada perante uma onda que pedia muito maior agitação e interacção, falha que foi também notada em Espinho, em 2022, e a que faltou uma maior anarquia controlada que, já sabemos, a logística e os rigores do espaço têm aversão antiga. 

Mesmo assim, o calibre crescente da perfomance acabaria em forte aplausos, mas nem mesmo assim o conforto das cadeiras foi abandonado em prol de um baile colectivo que se impunha. Velhices e PDI's, pô, é o que é...

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